segunda-feira, 2 de abril de 2012

SOBRAS


SOBRAS


Migalhas, farelos, sobras,
Água salobra nas covas
Champanha choca nas taças
Pedaços de pão dormido
E um cheiro nauseabundo
De sonhos apodrecidos.

Murcharam as mudas novas
E as uvas, saborosas
Secaram todas nas vinhas
Na sêca daquela tarde
Debruçadas sobre o pó
De um sujo chão de mármore.

Dizem que houve uma prece
E um funeral, mas duvido
Que tenha havido descanso
Um paraíso, um remanso,
Para tantas almas podres.

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Minha homenagem àqueles que roubam de quem já não tem quase nada.







8 comentários:

  1. Bela poesia!
    Quem rouba de quem já não tem quase nada,
    merece ser homenageado?
    *_*

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  2. Gostei da ironia.Pena que eles estão fora do alcance.

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  3. Seu blog está tão bonito, Ana! Vou voltar com calma para ver tudo, tudinho, já que apenas dei uma olhada geral. Sinto sua falta, lá.

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  4. Anááá´, você vai fundo...sei lá...leitura das mais completas dessa net campal...de verdade, poeta.

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  5. ANA_Casa Nova,ficou linda demais,alegre feliz,um visual de felicidades.
    Poesia reflexiva.Bjus\Flor*

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  6. que bom também achaá-la por aqui..quase que não vejo sua postagem aquele blog está parado..estou em www.vestesdepalavras.blogspot.com
    tá lindo seu blog..volto. beijos

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  7. Intenso e cortante como faca Ana.
    Estes que não tocam a terra e apropriam de toda produção,
    aqueles que nao se inspiram e colhem os versos,
    aqueles que pisam os jardins e não sabem o divino toque de revolver a terra no plantio.
    Perfeito poema amiga.
    Gostei.
    Carinhoso abraço.
    Bela semana no clima de renovação da fé.

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