quarta-feira, 19 de julho de 2017

Mandrágora








Teu Nome – raiz de mandrágora
Perpassando o meu caminho,
Me fazendo tropeçar...

Um dragão adormecido
Em isolada caverna
-Mas que sonha despertar.

Teu nome – um mar caudaloso
Com mil barcos naufragados
Desejando flutuar.

Abismo de solidão
Onde aguardo um sol nascente
Que jamais ressurgirá.







terça-feira, 18 de julho de 2017

CUIDADO!









Trecho do livro "O Perfume da Folha de Chá", de Dinah Jefferies:, no qual a criada Cingalesa adverte sua patroa a tomar cuidado com uma pessoa:

"...Depois que senhora morrer, moça infeliz. Pessoa infeliz fazer coisas ruins. Pessoa com medo também."

Poema inspirado nesta passagem:





CUIDADO!

Cuidado com as lágrimas amargas
De quem sempre chora,
Pois que um dia, elas se juntam,
Num fundo lago, onde te afogas
Na mais inesperada hora.

A dor constante ou intermitente
De um coração sempre quebrado,
É nó de forca em um barbante
Dependurado atrás da porta
E um belo dia, ele te enforca.

Cuidado com a dor causada
Por algum tombo descuidado,
Pois os desejos malogrados
Saem, um dia, pelos olhos,
Em raios quentes e nocivos
Que hão de te deixar queimado...

O que se esconde sob as asas
De todo anjo decaído,
Por trás do seu melhor sorriso,
Não é amor, é mal nocivo,
Dragão que dorme entre as brasas...







quinta-feira, 13 de julho de 2017

Por Que os Passarinhos Cantam?








Procurando por novos planos de fundo para meus blogs, deparei com este, que escolhi especialmente para o “Expressão” – meu blog principal, o primeiro que abri. Às vezes, as pessoas que não compreendem por que as outras precisam escrever, fazem perguntas como? 

-“Mas você precisa mesmo escrever sobre tudo o que acontece?”

-“Não se sente exposta?”

-“Você acha que alguém se importa com suas opiniões?”

-“Você se acha mais inteligente ou mais esperta, acha que tem todas as respostas?”

Respondo as perguntas acima uma  a uma:


-Não, não acho que preciso escrever sobre tudo o que acontece, e em se tratando da minha vida particular, não ponho nos meus blogs nem cinco por cento do que me acontece. Porém, sim, eu preciso escrever.

-Não me sinto exposta. A exposição não me incomoda, já que sou em quem decide o que vou expor ou não.

-Não sei se alguém se importa, mas eu me importo com minhas opiniões, pois elas manifestam o que eu penso, sinto e compreendo. Escrever é um ato de autoconhecimento, e não conheço nada melhor que preencha as minhas necessidades. 

- Não, não me acho mais inteligente e nem mais esperta. Não é para isso que estou aqui. Não tenho por hábito comparar-me com as outras pessoas, e nem avaliar-me segundo seus critérios. 

Mas eu escrevo feito esse passarinho que hoje escolhi para colocar no plano de fundo do meu blog: 

“A Bird doesn’t sing because it has an answer. It sings because it has a song.” Ou seja: “Um pássaro não canta porque ele tem uma resposta. Ele canta porque ele tem uma canção.”

Minha letra é minha canção.

Sei muito bem que nem todas as canções soam bonitas a todos os ouvidos, mas não é por isso que devemos deixar de cantar. Enquanto nossas vozes soarem bonitas aos nossos ouvidos; enquanto as nossas canções partirem de dentro das nossas  almas e elevarem, junto com elas, os nossos sentimentos e os nossos pensamentos, cantemos. 

Vamos achar o nosso céu para voar, e o nosso galho para pousar, e abrindo o peito e a voz, soltemos nosso canto espontaneamente e sem nenhum medo. Vamos contar as nossas histórias, partilhar nossos sonhos, medos, dúvidas, respostas. Falemos de tudo o que nos encanta, comove, indigna, emociona, irrita, enfim, vamos falar do que nos faz crescer. E se alguém estiver à janela nesse momento, e prestar atenção, nosso prazer será ainda maior.





terça-feira, 11 de julho de 2017

TROVAS - INFÂNCIA









Infância - tempo perdido
Um grão na areia do tempo
Um breve sonho trazido
À tona do pensamento.


Uma boneca deixada
De lado, qual esquecida
A lembrança assinalada
Do quanto passa essa vida.


Um riso ficou no ar
Ecoando, por um tempo
Até morrer, devagar
No amadurecimento.


Ser criança não demora
Fase curta dessa vida...
Deixei brinquedos lá fora
Ao seguir minha avenida.






sábado, 8 de julho de 2017

Talvez







Talvez,
O perfume da flor que plantei
Tenha agredido tuas narinas
E o perfume da flor que plantaste
Tenha agredido as minhas,
Mas foram flores,
E foram ânsias
Sem intenções de ferir,
Meros acidentes de percurso
Entre a tua estrada
E a minha.

E na distância estabelecida
Entre nossos caminhos
Após a colisão,
Ficaram pedacinhos do meu
E do teu coração
Brotando no chão,
Fruto que a abstinência não matou,
Mas transformou, pouco a pouco,
Em pura admiração.




quarta-feira, 5 de julho de 2017

Os Blogs Estão Morrendo?






Quando entrei na blogsfera pela primeira vez, em 2012, fiquei surpreendida pela resposta positiva que recebi; em poucas semanas, tinha alcançado, em leituras, muito mais do que no espaço que ocupava anteriormente há mais de três anos. As interações eram ricas; os seguidores foram aparecendo quase que magicamente, e postar era tão fácil, que logo comecei a abrir outros blogs. 

Ultimamente, - há mais ou menos um ano - não tenho tido tanto tempo para ler e comentar outros blogs. Mesmo assim, eu faço isso sempre que posso. Mas fiquei triste, um certo sentimento de nostalgia, quando reparei que muitos dos blogs que sigo e que costumavam ler e comentar minhas postagens, estão inativos. Fico me perguntando: para onde foi tanta gente? Por que deixaram de postar?

Hoje pela manhã, ao reler minhas antigas postagens do meu blog Histórias, deparei com comentários de pessoas com quem eu costumava interagir e que hoje simplesmente sumiram dos meus blogs e de seus próprios blogs. Será que ler e  escrever deixou de valer a pena? 

 Já fui severamente criticada pela extensão dos textos em meu blog de contos. Mas como contar uma história complexa sendo econômica com as palavras? O que vale mais, o que é mais importante: contar a história como acho que ela deve ser ou fazer com que seja rápida, fugaz e superficial, a fim de conseguir mais leituras e comentários - geralmente, de pessoas que nem sequer leram direito?

Alguns me dizem que os tempos mudaram; os tais "textões" não têm mais espaço na internet. Ninguém tem mais paciência ou tempo para absorver tanta informação. Percebo que isso pode ser verdade, já que os blogs que postam apenas mensagens curtas geralmente têm muitos comentários. 

Resta-me continuar escrevendo apenas pelo prazer da coisa em si. É o que farei, enquanto eu sentir que devo escrever. A escrita jamais me trouxe recompensas financeiras, notoriedade ou qualquer coisa assim. Apenas prazer. Momentos de distração, e principalmente, de reflexão. É quando eu ponho a minha casa interior em ordem. Por isso, não admito que me venham ensinar como fazer isso.

Lamento pelos que não sobreviveram a essa nova demanda por escritores de textos fugazes e superficiais. Sou o que sou, e é assim que sempre serei. E se há em mim um pouco de nostalgia, ou de desilusão, a respeito do que está acontecendo nos blogs, ainda há -  perfeitamente imaculado - o prazer de escrever.




segunda-feira, 3 de julho de 2017

PARA ONDE VAI O AMOR DE QUEM DEIXA DE SENTIR AMOR?







Um comentário feito pelo amigo Aluísio Cavalcante ao meu texto anterior, o poema "Um Vaso na Janela" , deixou este questionamento: 

ALUISIO CAVALCANTE JRsábado, 1 de julho de 2017 09:04:00 BRT
"Sabe Ana,
uma das muitas perguntas
que tenho me feito é:
para onde vai o amor
de quem deixa de sentir amor?..."


Lembrei-me de um filme que assisti, "Colcha de Retalhos", no qual a jovem Finn,  personagem de Wynona Rider, cita um autor cujo nome me foge à memória no momento; ela diz: "Quando dois amantes se separam e permanecem amigos, ou eles nunca se amaram ou ainda se amam."

Acho que assim também é com os relacionamentos que terminam mal, onde nem mesmo a amizade sobrevive. 

Sempre achei estranha a maneira como duas pessoas que um dia foram tão apaixonadas ao ponto de desejarem passar suas vidas juntos, pessoas que construíram casas, tiveram filhos ou simplesmente passaram a participar da vida uma da outra, de repente descobrem que não se amam mais... esse "Não se amam mais" nunca fez sentido para mim. Como alguém pode não amar mais? Deve haver um engano. Talvez estejam apenas furiosas ou confusas. Talvez tenha faltado diálogo, cumplicidade, um pouco de paciência.

Ou talvez nunca tenha havido amor. 

E elas passam uma pela outra na rua sem se cumprimentarem ou cumprimentando-se friamente; e dizem coisas terríveis sobre o ex, dedicando um tempo enorme de suas vidas a difamá-los, agredí-los ou a travar cansativas batalhas judiciais pela guarda dos filhos quando na verdade, o que importa não é o melhor para as crianças, mas a vingança. A melhor e mais eficaz maneira de ferir, de vencer a briga, de humilhar mais, é o que importa. 

Quando seria bem mais fácil seguir em frente e respeitar que um dia houve alguma coisa - mesmo que nunca tenha sido amor. 

Eu acho que quando é amor, ele não vai para lugar nenhum após uma separação. Mesmo que o amor, por si só, não seja suficiente para manter um casal unido - e não é - se ele for verdadeiro, ele ficará guardado no coração, em algum compartimento secreto e pouco acessível, escondido, mas sendo respeitado. E aquele relacionamento ficará na memória como um tempo de tristezas e lágrimas, mas também de alegrias e aprendizado. 





Mandrágora

Teu Nome – raiz de mandrágora Perpassando o meu caminho, Me fazendo tropeçar... Um dragão adormecido Em isolada cave...