segunda-feira, 13 de novembro de 2017

AMANHECEU





Amanheceu novamente
Sobre as igrejas e telhados dos que ainda dormem
E dos que jamais despertarão.


Amanheceu sobre as praças orvalhadas, estradas desertas,
Pássaros afoitos que ensaiam voos
E sobre as tristezas que não serão sanadas.


Amanheceu assim, sem avisar, do nada,
Como uma mancha de luz no horizonte, um clarão
Que foi crescendo aos poucos, sem se importar
Com as criaturas que se esquivam nas sombras da noite;
Rasgou-se a escuridão.


Amanheceu assim, com precisão,
E o sol brilhou, sobre as dores e os sorrisos,
Trazendo luz ao nosso inferno e paraíso,
E fez lembrar que não importa o que nos acontece,
Pois sempre há de haver um dia que amanhece.


E nos erguemos fortes ou fracos, sem saída
Alegres ou tristes, e partimos para a vida,
Pois somos parte dessa imensa coreografia, (ou insana dança?)
Esse balé imperfeito de marionetes articuladas
Cujas cordas, às vezes doloridas, nos apertam...
Até o último momento, quando são cortadas.


(E na queda, a esperança de que as cordas virem asas)




domingo, 5 de novembro de 2017

COLIBRI








Há alguns dias, eu estava sentada na minha cadeira de balanço, na varanda. Os cães brincavam por ali. De repente, três colibris passam voando em círculos bem perto do meu rosto. Um deles  - o menor - caiu aos meus pés. Percebi que tratava-se de uma disputa aviária, provavelmente causada pela garrafa de água doce que mantenho pendurada ali perto (esses animaizinhos podem ser bastante competitivos).





Peguei o bichinho e joguei água fria sobre sua cabeça. Ele foi melhorando, e logo estava pousado sobre meu dedo. Daí tive a ideia de ir lá dentro e pegar o celular para tirar algumas fotos. Ele pousado no meu dedo o tempo todo!



Fiz as fotos, e até dois filminhos. Um está no Instagram e o outro no Facebook. Não consegui colocar aqui. O problema, é que ele não queria ir embora! Fiz de tudo: balancei a mão para cima e para baixo, e ele só batia as asas e se agarrava ao meu dedo com força. 




Parecia tranquilo e seguro ali. Mas logo começou ma escurecer, pois já era final de tarde. Decidi colocá-lo em um galho de árvore, e só então ele saiu voando. 




Não é a primeira vez que isso me acontece. Um dia, um dois colibris brigaram até a exaustão. Era sábado de manhã, e eu estava esperando um de meus alunos chegar para a aula. Fiz a mesma coisa: peguei-os, joguei água na cabeça... e eles se recuperaram. Um deles foi embora, Mas o outro voou de volta e pousou no meu ombro. Ficou muito tempo ali.




A campainha tocou: era meu aluno. Subi as escadinhas do jardim e fui atender o portão com o bichinho pousado em meu ombro. Assim que meu aluno o notou,  perguntou: "Mas o que é isso???" Ele estava tão surpreso quanto eu! Só então o colibri voou para longe, pousando em um galho do cedro. 


Coisas que acontecem.











terça-feira, 31 de outubro de 2017

A ERA DA “ACEITAÇÃO” – OU O QUE EU ESTOU FAZENDO AQUI?









Me sinto velha. Me sinto com mil anos de idade. Não conheço mais o mundo onde vivo. Eu olho em volta e não me sinto confortável. As coisas mais absurdas são compartilhadas, curtidas, repassadas, exaltadas. O que estava no fundo da lama subiu à superfície, e o que estava imaculado cobriu-se de lama. Somente a menção da palavra “valores,” alguém pode ser apedrejado, ridicularizado e execrado. Qualquer tentativa de diálogo leva sempre à mesma resposta; “Aceite as pessoas como elas são! Facínora! Fascista! Preconceituosa!”

“Burra!”

Caminho por um mundo onde a paisagem é triste, e não me sinto confortável. Às vezes eu decido que eu vou me mudar de vez para o meu mundinho particular, fechar os olhos a tudo que me desagrada e tratar de esquecer que eu faço parte deste mundo, especialmente, deste país. Engulo em seco, ergo a cabeça e vou em frente sem olhar para os lados. Mas de repente... ali na esquina, a verborragia, o absurdo, as afirmações sem qualquer argumentação, a defesa de gente podre que não tem defesa... a “liberdade total” o “viva e deixe viver.” Parece que querem esfregar na cara de todo mundo um estilo de vida que não é para todo mundo. Gritam e carregam cartazes pedindo aceitação, mas não aceitam quem não aceita. Cismam que a melhor forma de acabar com as diferenças, é levando a cama a para rua e obrigando todos a assistirem às suas pornografias. 

Se eu quiser assistir pornografia, eu o faço dentro do meu quarto, entre quatro paredes.

Eu pensava que sexo fosse coisa íntima, não coisa ínfima. As camas estão nas ruas, tem gente fazendo sexo nas calçadas e desfilando pelados no meio de crianças, em praças públicas, e chamam isso de arte, liberdade e aceitação da diversidade. Bem, eu concordo com uma coisa: o mundo não é só dos sensatos. Até mesmo os idiotas têm direito à vida. O ridículo, o bizarro, o absurdo, sempre tiveram o seu lugar. Só que esse lugar nunca foi de honra, como acontece nos dias de hoje. De repente, as coisas nas quais eu cresci acreditando serem as certas, os meus valores, as minhas crenças, aquilo que eu aprendi, é massacrado como sendo errado, preconceituoso, ridículo. 

Se quiserem me chamar de careta, eu confesso: se ser careta é querer viver em um mundo onde haja respeito, eu sou careta sim. Tem certas coisas que me causam nojo, e nada me fará mudar. Eu não acho que os relacionamentos precisam ser todos poligâmicos. Quem acha, que viva desse jeito, mas não tente obrigar todo mundo a aceitar. Por que exigir que os outros aceitem a forma como eu me relaciono na cama? Seria insegurança? Seria um sinal de que, no fundo, a aceitação alheia ajudaria na minha própria aceitação de mim mesma?

Não, eu não gosto de comunismo. Não concordo com ele. E para mim, essa pregação sobre "igualdade" não passa de uma falácia utópica e inatingível, que foi criada para melhor manipular a opinião dos fracos. 

Não, eu não concordo com a descriminalização das drogas. Eu não concordo com a nudez em local público onde haja crianças. Eu não concordo com a doutrinação política e de gênero em escolas. Eu não concordo com o feminismo radical, que diz que existe um estuprador na alma de todo homem.

Eu não concordo com essa fala de quem diz que a menina pode vestir o que quiser, ir aonde quiser, cheirar e beber o que quiser, deitar-se na cama de um homem e depois dizer “não” para ele na última hora. Acredito que as meninas e meninos precisam aprender a agir com responsabilidade e limites. Eu não sou favorável ao aborto como meio anticoncepcional, mas sou favorável ao sexo seguro e responsável.

Eu não concordo com invasão de terras e violência. Eu não concordo com esse sindicalismo podre e aproveitador.

Eu não concordo com violência contra gays, héteros, meninos ou meninas. Eu não concordo com a cura gay à força, mas concordo com o direito de cada um escolher o que acha melhor para si. 

Eu não sou religiosa, nem preconceituosa. Eu não tenho partido político, e não sou moralista. Eu não pretendo definir o que é certo ou errado para ninguém, mas eu sei o que é certo e errado para mim. Eu nasci com esse direito. 

E se você não entende, o intolerante é você. 









quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Quero Te Ver






Quero te ver em cada espelho
Nas paredes da minha casa,
E aninhá-lo, contente
Por baixo das minhas asas.

Quero que estejas bem presente
Nos desenhos da minha letra,
Que eu capte tua essência
Qual  aquela que despeja

De um cântaro, os segredos
Há tanto tempo guardados,
Trazendo à tona desejos
Desde sempre, tão sonhados.

Quero te sentir inteiro
Presença sempre marcada
De janeiro até janeiro
Comigo, na minha estrada.

Seja noite, ou seja dia,
Que sigas sempre comigo
Na  tristeza e na alegria,
-Amante, amor e amigo.






quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Momento








Pelas calhas do telhado
Descem as águas da chuva.
Descem com elas meus olhos
Por dentro da terra úmida.

Vão na enxurrada de mim
Para a escuridão da terra,
Respirando o cheiro ativo
Que dentro dela se encerra.

Trago de volta comigo
Um desejo pelo céu,
Alço voos entre as nuvens
Ergo cada antigo véu

Daquilo que já se foi
E nunca mais retornou
Do escuro fundo da terra...
Mas a lembrança ficou.





terça-feira, 17 de outubro de 2017

Exageros




 
 
Assisti a um vídeo na internet no qual uma drag queen montada dava palestras em uma escola para crianças que, aparentemente, tinham entre sete ou oito anos de idade. Não tenho, e nem nunca tive absolutamente nada contra drag queens ou homossexuais. Acredito que cada um deve ser feliz vivendo de acordo com aquilo no qual acredita e se sente bem. Porém, o vídeo me chocou, pois obviamente, aquelas crianças estavam sendo submetidas a algo que elas não poderiam, àquela idade, compreender. O palestrante perguntava: “Gente, essa coisa de menino e menina não existe! É o que?” E as crianças respondiam, em uníssono: “Preconceito!” Dava para perceber claramente que as crianças estavam sendo submetidas a uma lavagem cerebral, pois crianças daquela idade nem sequer sabem o significado da palavra “preconceito”.



Eu me senti pessoalmente agredida; como assim, “Essa coisa de menino e menina não existe?” Existe sim! Eu nasci menina, e sou menina até hoje. Não sou uma coisa que não existe, nem pretendo me sentir como tal algum dia. Crianças pequenas deveriam ser deixadas em paz. Que sua sexualidade aflore naturalmente, com o passar do tempo e conforme elas tiverem idade para perceberem se nasceram homossexuais ou não. E caso tenham nascido homossexuais, que recebam ajuda dos pais, da família e psicológica para levar adiante a sua condição. Mas não acho que elas deveriam ser levadas a acreditar que são uma coisa ou outra, e no vídeo, aquelas crianças estão obviamente sendo conduzidas a encarar como normal a opção sexual – e não acredito que homossexualismo seja, realmente, uma opção, e sim uma condição, que para mim, vem do lado espiritual, muito mais do que do lado físico. Nem se quisessem, os gays poderiam se transformar em heterossexuais, penso eu.



O que acontece nos dias de hoje, é que existe um modismo a esse respeito. Todos que já foram jovens um dia e se lembram disso, sabem muito bem que os jovens não querem ser classificados como “caretas” ou “CDFs.” Os jovens querem ser aceitos, “estarem na onda” e fazerem parte do que for considerado rebeldia. Eu já tive a minha época de rebeldia, na qual eu matava aulas, não confiava em ninguém com mais de trinta anos e fumava como uma forma de me sentir transgressora das regras impostas pelos pais e pela sociedade. E eu fazia aquelas coisas apenas porque eu achava que assim seria vista pelos outros jovens como moderninha. Na verdade, eu nem gostava de fumar, e me sentia sempre culpada ao matar alguma aula.



Creio que essa síndrome gay dos dias de hoje tem seus dias contados.



Hoje em dia, ser gay virou moda. Se eu fosse gay, me sentiria muito incomodada a esse respeito, pois sentiria como se estivessem troçando da minha condição e invadindo a minha praia sem conhecimento de causa. Gays não são aberrações. São apenas pessoas que têm relações sexuais com outras pessoas do mesmo sexo. Não são necessariamente promíscuos, bizarros, estranhos e nem têm a intenção de chocar os outros ou de transgredir regras. Pelo menos, os gays que conheci e com quem mantive amizade até hoje, são assim. São pessoas normais. Nem melhores nem piores do que eu ou você. Não usam sua sexualidade como uma bandeira, como se isso fosse alguma vantagem sobre os outros. Gays são pessoas que trabalham, produzem, têm sentimentos, amam, odeiam. Como todos nós. Não acho que ser gay signifique ser superior. As pessoas tornam-se melhores através do caráter que cultivam, não de sua sexualidade.



E existem aqueles que não vão aceitar os gays de jeito nenhum. Até toleram suas presenças, trabalham com eles, cumprimentam-nos no elevador, mas vão sempre enxergá-los como diferentes. Nada pode ser feito a esse respeito. Os que pensam assim foram educados para tal, e tentar forçá-los a aceitar um comportamento com o qual eles não concordam, também é uma forma de violência. O que podemos fazer, é educar as crianças de hoje para que no futuro esse pensamento mude, mas não é na escola que isso deve acontecer, e nem da forma que aparece naquele vídeo, e sim em casa.



E se eu fosse homossexual, ao invés de tentar impor a minha presença entre os que não a toleram, eu fecharia a porta da minha vida a tais pessoas e tentaria ficar entre os que me amam e me compreendem como eu sou. Não ia querer ser aceita. Estou me lixando para quem me aceita ou não. Quero saber é de quem me ama e me compreende.
 
 
 
 

 

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

MISTÉRIO



 
Existe um jardim, e nele, uma flor
Que todos procuram
Embora alguns digam que ela não é.

E muito se diz sobre a sua cor:
Vermelha ou azul? De muitas matizes?
Quem sabe, cinzenta...
-Quem sabe, sem cor?

E riem de dia, e choram à noite,
E creem de dia, e negam à noite,
Em busca da flor
Que às vezes se sente.

Procuram a flor, a cor, o perfume,
Sem qualquer vislumbre de onde ela está;
Reclamam da dor, se esquecem da terra,
Também da semente na qual ela dorme
E que eles se esquecem de às vezes, regar.
 
 
 
 
 

AMANHECEU

Amanheceu novamente Sobre as igrejas e telhados dos que ainda dormem E dos que jamais despertarão. Amanheceu sobre as p...