sábado, 1 de outubro de 2016

CADA VEZ MAIS







Cada vez mais,
Haverá mais ontens nos amanhãs,
E o passado se esticará
Pesando sobre o futuro
E fazendo sombra ao presente.

Façamos da vida uma leve caminhada,
Que a saudade fique bordada apenas
Nas bordas do que foi levado...

Deixemos que o pano que nos cobre
Esteja rasgado,
Para que o céu possa ser visto,
O firmamento, vislumbrado,
Quando o vento ameaçar levar nossos telhados!

Cada vez mais,
As flores que morreram à míngua
Espelharão seus perfumes fantasmagóricos
Pelos jardins que nos esquecemos de cuidar.

Deixemos que ao menos as sementes
Que caíram dos miolos destas flores
Tenham a chance de brotar!

Sejamos nós, entre o céu, as montanhas e o mar,
Caminhemos devagar, mas sempre em frente,
E se houver correntes a arrastar,
Que elas sejam de fantasmas mais contentes...

Cada vez mais, a nossa pele
Há de cobrir-se com as rendilhas do tempo,
Que não impedem o vento de passar,
Mas nos emprestam a ilusão do aquecimento!

-Esquecimento! Abra as asas sobre nós,
Leve consigo, da maneira mais veloz
A vozes temidas do rancor e desalento,
Para que a pele não se enrugue sem motivos,
Para que a morte não se torne, ao fim de tudo,
Apenas o fim dos nossos ressentimentos!