quarta-feira, 26 de julho de 2017

Não Tenho Mais Nada Contigo









Estou escrevendo estas linhas 
Só para deixar bem claro:
Não tenho mais nada contigo.

Teu rosto não faz mais figura,
Loucura sequer suspeitar
Que ainda estás comigo.

Teu nome não me diz mais nada,
O eco nem sequer ressoa
Por entre essas minhas paredes...

Não chegas a ser nem a sede
Que em busca de um odre vazio,
Sucumbiu, morreu de frio...

Não confundas meu olhar
Que passa por ti, sem notar
​​​​​​​A tua presença; me esqueça!

Não tenho mais nada contigo,
Não queiras mais nada comigo,
Vê se desta vez, me entendes.





terça-feira, 25 de julho de 2017

FELIZ DIA DO ESCRITOR





O mundo é um lugar terrível. Passando os olhos pelos jornais e pela internet, fico sabendo de coisas terríveis das quais os humanos são capazes. Infringem sofrimento a animais inocentes, sem motivo algum; estupram e matam crianças. Roubam tanto dinheiro do país, que as pessoas morrem feito moscas nas filas de hospitais, e ficam sem os seus salários. E ainda tem gente que defende essa corja.

O lado mau das pessoas está aflorando mais do que nunca. Somos uma civilização envernizada por cima e podre por baixo. O Mal está solto no mundo, e sobrevoa nossos espaços procurando por uma oportunidade de manifestar-se. E como ele as encontra facilmente, fica e faz morada.

O escritor existe para apontar a caneta na cara dessas pessoas. Ele existe para mostrar ao mundo o que acontece sob os panos, o que está escondido além dos sorrisos e das palavras bonitas, elevando as vozes daqueles que não podem protestar, contando suas histórias.

Porém, o escritor também existe por um outro motivo: para mostrar que nesse mundo fétido e pútrido no qual estamos inseridos, ainda existe beleza. E ainda existe um túnel, e ao final deste túnel, uma luz. Um simples poema pode abrir as janelas de uma alma que se esqueceu de ter esperanças, nem que seja por alguns minutos apenas. E podem crer, alguns minutos de paz, de beleza e de tranquilidade no meio do caos, contam muito.

Vamos tentar melhorar a atmosfera deste planeta. Ao invés de incitar o ódio de uma classe contra a outra, de uma religião contra a outra, de uma raça contra a outra, por que não olhar para quem está ao nosso lado com mais ternura? Ao invés de destilar ódio, inveja, ressentimento e amargura sobre o planeta, por que não respiramos profundamente e tentamos exalar apenas o que há de melhor em cada um de nós?

A todos os escritores e a todos os leitores deste planeta, desejo um mundo melhor. E esse mundo começa na porta das nossas casas.

Ana Bailune




segunda-feira, 24 de julho de 2017

O AMOR









O amor
 É uma reação química
Uma relação anímica
Uma pergunta no ar
Que busca uma resposta
Sem saber se vai achar.

O amor
É um segredo
Escondido além do medo
É uma vontade constante
De conseguir descansar
No colo de um sentimento.

O amor
É ver o novo
Naquilo que já é velho
E assim mesmo, amar.
O amor é um evangelho
Que não tem religião,
Palavra que tem um eco
Dentro do coração.

O amor
É esse brilho
Que escapa do olhar
Como um trem que sai dos trilhos
Por vontade de chegar.

O amor
Não se descreve;
Não se sabe exatamente
Se é pesado ou se é leve.

Mas todo aquele que escreve
Na sua vida, esta palavra,
Colhe o fruto do que lavra,
Colhe a flor do sentimento
À beira de cada momento,
Mesmo que seja de dor.







quarta-feira, 19 de julho de 2017

Mandrágora








Teu Nome – raiz de mandrágora
Perpassando o meu caminho,
Me fazendo tropeçar...

Um dragão adormecido
Em isolada caverna
-Mas que sonha despertar.

Teu nome – um mar caudaloso
Com mil barcos naufragados
Desejando flutuar.

Abismo de solidão
Onde aguardo um sol nascente
Que jamais ressurgirá.







terça-feira, 18 de julho de 2017

CUIDADO!









Trecho do livro "O Perfume da Folha de Chá", de Dinah Jefferies:, no qual a criada Cingalesa adverte sua patroa a tomar cuidado com uma pessoa:

"...Depois que senhora morrer, moça infeliz. Pessoa infeliz fazer coisas ruins. Pessoa com medo também."

Poema inspirado nesta passagem:





CUIDADO!

Cuidado com as lágrimas amargas
De quem sempre chora,
Pois que um dia, elas se juntam,
Num fundo lago, onde te afogas
Na mais inesperada hora.

A dor constante ou intermitente
De um coração sempre quebrado,
É nó de forca em um barbante
Dependurado atrás da porta
E um belo dia, ele te enforca.

Cuidado com a dor causada
Por algum tombo descuidado,
Pois os desejos malogrados
Saem, um dia, pelos olhos,
Em raios quentes e nocivos
Que hão de te deixar queimado...

O que se esconde sob as asas
De todo anjo decaído,
Por trás do seu melhor sorriso,
Não é amor, é mal nocivo,
Dragão que dorme entre as brasas...







quinta-feira, 13 de julho de 2017

Por Que os Passarinhos Cantam?








Procurando por novos planos de fundo para meus blogs, deparei com este, que escolhi especialmente para o “Expressão” – meu blog principal, o primeiro que abri. Às vezes, as pessoas que não compreendem por que as outras precisam escrever, fazem perguntas como? 

-“Mas você precisa mesmo escrever sobre tudo o que acontece?”

-“Não se sente exposta?”

-“Você acha que alguém se importa com suas opiniões?”

-“Você se acha mais inteligente ou mais esperta, acha que tem todas as respostas?”

Respondo as perguntas acima uma  a uma:


-Não, não acho que preciso escrever sobre tudo o que acontece, e em se tratando da minha vida particular, não ponho nos meus blogs nem cinco por cento do que me acontece. Porém, sim, eu preciso escrever.

-Não me sinto exposta. A exposição não me incomoda, já que sou em quem decide o que vou expor ou não.

-Não sei se alguém se importa, mas eu me importo com minhas opiniões, pois elas manifestam o que eu penso, sinto e compreendo. Escrever é um ato de autoconhecimento, e não conheço nada melhor que preencha as minhas necessidades. 

- Não, não me acho mais inteligente e nem mais esperta. Não é para isso que estou aqui. Não tenho por hábito comparar-me com as outras pessoas, e nem avaliar-me segundo seus critérios. 

Mas eu escrevo feito esse passarinho que hoje escolhi para colocar no plano de fundo do meu blog: 

“A Bird doesn’t sing because it has an answer. It sings because it has a song.” Ou seja: “Um pássaro não canta porque ele tem uma resposta. Ele canta porque ele tem uma canção.”

Minha letra é minha canção.

Sei muito bem que nem todas as canções soam bonitas a todos os ouvidos, mas não é por isso que devemos deixar de cantar. Enquanto nossas vozes soarem bonitas aos nossos ouvidos; enquanto as nossas canções partirem de dentro das nossas  almas e elevarem, junto com elas, os nossos sentimentos e os nossos pensamentos, cantemos. 

Vamos achar o nosso céu para voar, e o nosso galho para pousar, e abrindo o peito e a voz, soltemos nosso canto espontaneamente e sem nenhum medo. Vamos contar as nossas histórias, partilhar nossos sonhos, medos, dúvidas, respostas. Falemos de tudo o que nos encanta, comove, indigna, emociona, irrita, enfim, vamos falar do que nos faz crescer. E se alguém estiver à janela nesse momento, e prestar atenção, nosso prazer será ainda maior.





terça-feira, 11 de julho de 2017

TROVAS - INFÂNCIA









Infância - tempo perdido
Um grão na areia do tempo
Um breve sonho trazido
À tona do pensamento.


Uma boneca deixada
De lado, qual esquecida
A lembrança assinalada
Do quanto passa essa vida.


Um riso ficou no ar
Ecoando, por um tempo
Até morrer, devagar
No amadurecimento.


Ser criança não demora
Fase curta dessa vida...
Deixei brinquedos lá fora
Ao seguir minha avenida.






Não Tenho Mais Nada Contigo

Estou escrevendo estas linhas  Só para deixar bem claro: Não tenho mais nada contigo. Teu rosto não faz mais figura...