quinta-feira, 19 de julho de 2018

Vitimização






Não gosto de quem se vitimiza. Geralmente, é como dizem: "Antes de sentir pena de quem perdeu um olho na batalha, tente saber como ficou o adversário." 

É tanta vitimização nos dias de hoje, tantas lamentações a respeito de tudo! E se formos olhar de perto, aqueles que lambem suas feridas em público, com certeza jamais mencionam os e-mails mal-educados que foram enviados, as críticas cruéis e sem razão de ser que foram feitas, as palavras duras e invejosas que foram usadas. Sem falar na fofoca, essa velha feia, alcoviteira, covarde e maldosa que muitos carregam nas costas o dia todo. Porque muito do que se passa, fica debaixo dos panos da covardia, e quem se vitimiza, quem expõe as chagas purulentas em público, não mostra o machado com o qual atacou seu inimigo.

Não perco mais tempo com pessoas assim, seja na vida real ou na vida virtual: eu me afasto. Bloqueio. Se não for possível bloquear a convivência por qualquer motivo prático, eu bloqueio a energia daquela pessoa. Deixo de procurar. Deixo de prestar atenção a ela, e respondo monossilabicamente quando estritamente necessário. Se for possível bloquear nas redes sociais, eu o faço sem a menor culpa ou receio. Felizmente, temos esta ferramenta. 

E quando tais pessoas, que me feriram no passado, voltam e começam a me tratar com uma doçura não habitual, eu rezo e peço a Deus que me proteja da falsidade. Porque eu não acredito que alguém que tenha me maltratado, de repente passe a gostar de mim e a me tratar bem, assim, do nada.

Eu acredito que quem visita outra pessoa, seja física ou virtualmente, deve a ela respeito; é uma questão até mesmo de boa educação; se discorda de suas opiniões, e se for realmente importante expressar-se, que o faça com educação e sem esquecer que está em território alheio. Achar-se íntimo de alguém que nem sequer conhece, é uma forma de arrogância. Quem o faz corre o risco de ser colocado porta afora e ter seu acesso negado.

Se isso significa ter personalidade forte, eu não sei; mas certamente, significa ter amor próprio, e não perder tempo com quem nada acrescenta. 





quarta-feira, 18 de julho de 2018

VIDA















Vida




Tão curta

Quanto a palavra...




Tão plena

Quanto a palavra...




Tão misteriosa

Quanto a palavra...




Tão bela e terrível

Em sua lavra

Quanto a palavra.





Imagem: passeio de helicóptero em Cabo Frio

sexta-feira, 13 de julho de 2018

Não Sou Luz







Não sou luz; sou uma chama
Que teima em manter-se acesa
No limiar da incerteza.

Minha fé é meu apoio,
Meu legado, nesse joio,
O que me mostra a beleza.

Noite escura, ventania,
Aguardo por mais um dia
Que se ensaia, no horizonte.

A língua estendida, espero
Receber dos céus o alívio:
-Muita sede, poucas fontes!

Não sou luz; sou esperança,
A flecha que alguém lança
A um alvo desconhecido.

O meu caminho é incerto,
Mesmo assim, de peito aberto,
Tenho errado e aprendido.

Amanhece nessa selva,
Pés desnudos sobre a relva,
Redefino meu caminho.

De onde eu vim, não importa,
Diante da nova porta
À morna luz que me aquece

Eu agradeço à bigorna 
E ao escultor, que cinzela,
Essa minha vida torta.





quarta-feira, 11 de julho de 2018

Agradecimento










Benditas as mansas gotas de chuva
Que enfeitam as folhas com seus cristais espelhados.

Bendito o cheiro ativo de terra molhada
Que viaja pelo ar, e me chega
Enquanto me ponho à janela,
Olhando os pássaros que se ajuntam nos galhos do cedro.

Bendita a correnteza da vida,
Que segue até um rio misterioso
No qual todos desaguaremos.

E enquanto isso, que eu viva
Bendizendo sempre a beleza da vida que temos
E a da vida que um dia teremos.







terça-feira, 10 de julho de 2018

Não Sou Tão Boazinha Assim...








Nunca assisti e nem assistiria a uma tourada, mas confesso que, seja qual for a situação, eu sempre torço pelo touro – e não tenho nenhuma dó quando o toureiro se dá mal. Da mesma forma, detesto rodeios ou qualquer tipo de entretenimento humano que utilize animais. Abomino pessoas que se divertem às custas do sofrimento, ridicularização e dor alheias, principalmente, se a vítima em questão for inocente e indefesa.

Não acredito em “inveja branca,” nem em pessoas que secam pimenteiras alheias “sem querer.” O bem e o mal, apesar de se encontrarem dentro de cada um de nós, é uma escolha, e cada um pratica aquilo com o qual se harmoniza. E quando secam a minha pimenteira, não consigo apenas fazer cara de paisagem: posso não desejar o mal a pessoas assim, mas jamais desajarei o bem. Não desejo absolutamente nada, a não ser manter distância. 

Sobre o perdão: quando alguém me fere uma vez, eu perdoo sinceramente; quando alguém me fere duas vezes, posso demorar um pouquinho mais, mas sempre acabo perdoando; mas de quem me fere três vezes, mesmo que eu perdoe, mantenho distância sempre que possível. Afinal, quem não agrega, a gente segrega. Acredito que perdoar não significa oferecer o pescoço ao cutelo alheio o tempo todo: é seguir em frente, esquecendo os ressentimentos, mas lembrando-se sempre de que aquela pessoa é traíra, e quem tem o hábito de trair e ferir, sempre agirá desta forma.

Acredito no livre arbítrio que cada pessoa tem de pensar como quer, falar o que quer, fazer o que quer – mas sem se esquecer de que onde começa o território alheio, termina o nosso. É preciso respeitar quem pensa diferente, por mais que a gente discorde de tal pessoa, mas isto, em território livre; dentro da minha casa e dos limites da minha vida pessoal, quem manda sou eu. 

Não acredito em vítimas da sociedade; existem muitas histórias de pessoas que nasceram e cresceram em condições terríveis, mas que deram a volta por cima e se tornaram bons cidadãos. Eu acredito que existem sim, pessoas que obtém vantagens pessoais ao convencerem outras de que elas são vítimas da sociedade. Da mesma forma, e por isso mesmo, abomino todo tipo de pessoa que toca a trombeta do anjo salvador. A melhor forma de dominar um grande número de pessoas, é convencê-las de que elas são vítimas incapazes e que por isso precisam de alguém para lidera-las e salvá-las dos “malvados.” 

Eu gosto de escutar mantras; porém, há dias em que eu estou bem Heavy Metal. Mas mesmo nesses dias, respeito o direito do meu vizinho de não gostar e não desejar ouvir a minha música, seja ela um mantra ou uma música do Avenged Sevenfold. 

Adoro escutar opiniões alheias – quando eu as solicito. Mas mesmo ouvindo-as, eu sempre faço o que eu acho que é melhor para mim. E aprendi que opiniões na vida alheia são perigosas, mesmo quando solicitadas, mas se a pessoa insistir...

Enfim, eu sou normal. Às vezes.





sábado, 30 de junho de 2018

ORAR PELOS OUTROS








Não quero que orem por mim. Por favor, agradeço a consideração e o interesse, mas podem deixar que por mim, eu mesma oro. E mesmo assim, eu o faço com muito cuidado, justamente porque eu acredito piamente no poder da oração. 

No livro “Cuidado com o que Você Pede nas Suas Orações,” de Larry Dossey, há a história de um rapaz cujo maior sonho na vida era ser escritor; talentoso, apesar de sua habilidade com a escrita, nunca conseguia publicar um livro. Deprimido e decepcionado, o jovem acabou desistindo do ofício, seguindo outra carreira que agradou muito à mãe. Ao saber que o filho desistiria de ser escritor, a mãe comentou, feliz: “Ah, que bom que você desistiu dessa bobagem. Rezei a vida toda para que isso acontecesse!”

O rapaz, indignado, descobriu o poder da oração de uma mãe, que pensava que estivesse fazendo o bem a ele. Viveu anos e anos de sua vida totalmente infeliz e frustrado, e só pode libertar-se ao descobrir que a mãe vinha rezando para que ele desistisse do seu maior sonho.

Acho que na maioria das vezes é assim quando rezamos por outras pessoas; forçar alguém a ir contra as suas inclinações, ou a desistir de um sonho simplesmente porque ele não nos agrada, é egoísta e cruel. Há sempre pessoas interesseiras que nem sequer percebem que, ao tentarem forçar alguém a providenciar-lhe vantagens, seja através de orações, “trabalhos espirituais” ou chantagens emocionais, estão submetendo a pessoa em questão a sofrimentos desnecessários, constrangimentos e infelicidade, e até mesmo, doenças físicas e mentais, como a depressão. Se a pessoa não for forte o suficiente para a firmar-se, estará condenada a ser infeliz. E tudo por causa de uma inocente oraçãozinha, que na verdade, “É para o próprio bem dele.”

Muito egoísta esse pensamento de quem acha que sabe o que é melhor para todo mundo. 






AS ROSEIRAS E O MAL







Minha mini roseira não vai nada bem... não consegue crescer. Toda vez que fico feliz ao ver que novas folhas estão começando a brotar e que novos botões estão se formando, na manhã seguinte ela aparece totalmente nua, pois as formigas se alimentam dela durante a noite. Acordo, corro lá para fora para vê-la e não há mais folhas ou botões. A culpa foi minha, por achar que formigas apenas guardam provisões para o inverno nos dias de verão, não aparecendo durante os dias e noites frios de inverno, e devido a esse erro, não me preocupei em livrar-me das malditas formigas. 
Conversando com um jardineiro ontem, ele me explicou que se o gramado estiver enfraquecido, não sendo limpo e adubado periodicamente, ele logo se verá tomado por ervas daninhas, as famosas e indesejáveis “tiriricas.” Depois, a única forma de exterminá-las é arrancando tudo e replantando, o que além de levar tempo, é caro e trabalhoso.

Trazendo minhas recentes experiências de jardinagem para a vida prática, ontem li uma mensagem religiosa que afirmava que, para nos livrarmos do mal e da companhia de maus espíritos (e podem ter certeza, eles existem, tanto vivos quanto mortos), basta que sejamos pessoas boas e façamos apenas o bem, focando o pensamento sempre no lado positivo da vida e nos lembrando de agradecer por tudo o que temos; desta forma, afirmava o texto, nos manteremos afastados de todo o mal que anda pelo mundo.

Acho esta afirmativa um tanto pueril, e perigosa também. O mundo está cheio de exemplos de pessoas boas que foram dizimadas pelo mal. Para citar apenas alguns exemplos: Gandhi, o naturalista Chico Mendes, Chico Xavier, que durante a vida foi perseguido por seus adversários, apesar de só ter feito o bem a todos, e por que não citar, até mesmo o próprio Cristo, que é o exemplo máximo de amor, bondade e abnegação que temos como referência. E há centenas de milhares de crianças que são dizimadas durante as guerras todos os dias, mesmo enquanto você lê este texto, sem terem feito mal algum a ninguém. Estavam inocentemente brincando nos quintais de suas casas quando uma bomba as atingiu.

O mal está espalhado pelo mundo. Creio que ele se encontra dentro de cada um de nós, muitas vezes, adormecido, mas é capaz de despertar a qualquer momento se não soubermos dominar nossas baixas inclinações. Mas há também aquela espécie de mal que nos atinge sem que tenhamos feito nada para merecê-lo – como as formigas e pulgões nas minhas roseiras, ou as ervas daninhas que crescem no jardim e que tomam conta dele, acabando com todas as outras plantas se não as exterminarmos a tempo. 

Alguém disse que a maior vantagem do diabo sobre nós, é que muitos não acreditam na sua existência. Eu concordo. Precisamos estar protegidos. Precisamos aprender a nos defender.








Vitimização

Não gosto de quem se vitimiza. Geralmente, é como dizem: "Antes de sentir pena de quem perdeu um olho na batalha, tente saber...