quarta-feira, 24 de maio de 2017

A Minha Vida








Parada na esquina
De pé, 
Mas cansada,
A bolsa jogada nos ombros
Pronta para a viagem
Há tempos planejada.

Andando para lá e para cá,
Marcando o caminho
Ao longo da calçada,
Debaixo de chuva e de sol,
Olhar preso na esquina,
Atenta ao que chega pela estrada...

Assim estava a minha vida,
Contemplando um amanhã sem promessas,
Vazia dos olhos de Deus,
Às pressas,
A tomar conclusões
Sobre os desfechos,
Apertando todos os fechos
Sobre os quais estavam escritas
Mais de um milhão de formas
De "Adeus."





segunda-feira, 22 de maio de 2017

Não vai Parar de Chover






A água cai das nuvens, 
E escorre pelos flancos
Tão escorregadios
Sinuosas correntes.

Aos poucos, ela ganha
Os vãos dos meios-fios,
Ornamentando poças
Que formam espelhos frios.

A chuva está em tudo
Que eu toco, vejo e sinto,
Nas superfícies lisas
Salpicadas de frio.

Ela transborda os rios,
Entorta os galhos fracos
Que tombam, encharcados
Perdendo o desafio.

A chuva está lá fora,
Batendo nas vidraças,
Pedindo para entrar,
E eu sinto um arrepio...

Porque ela extravasa
De um coração sombrio
 Furando meu telhado,
Entrando em minha casa...

















VOCÊ CHEGOU










Antes,
Eu estava em paz,
Estava feliz.

Você chegou,
Grudado às solas dos sapatos
De quem entrava.

Espalhou sua nódia no tapete,
Seus passos sorrateiros 
Cruzaram o chão da sala
Deixando pegadas.

De repente,
A voz não convidada,
Bafejou em meus ouvidos,
Psicografada.

Lá se foi minha paz,
Lá se foi a harmonia
Tão cuidadosamente
Conquistada!

De repente,
Tua presença de serpente,
Funesta e sinuosa,
Estava nas paredes
Da minha casa.

Terei cuidado,
Pedirei que limpem os pés na soleira
Ou que tirem os sapatos
Na próxima chegada.





quinta-feira, 18 de maio de 2017

FATOS FÉTIDOS





Temer tremeu: não vou entrar em detalhes sobre o que aconteceu, porque todo mundo já sabe. Agora, acho que a única saída digna que lhe resta, é renunciar - mas duvido que, como Dilma não fez, ele largue o osso tão facilmente - são farinha do mesmo saco. Mais uma vez, talvez tenhamos que passar por um processo longo, doloroso e péssimo para a imagem do país, e consequentemente, para as relações internacionais: impeachment. 

Nunca gostei dele. Mas também não pensei que ele estivesse tão mergulhado nesse mar de lama. Como a maioria das pessoas, eu achava que talvez ele pudesse trazer alguma coisa melhor do que o governo PT.  Mesmo assim, não posso dizer que estou surpresa, porque qualquer coisa que venha da política, não tem mais o poder de me surpreender. 

Mas o incrível no meio de tudo isso que está acontecendo, é que ainda tem gente achando que as provas contra Temer inocentam Dilma, Lula e o PT.

Só que não.

Apenas mostram que ele é tão corrupto quanto qualquer um deles. E menos inteligente.

Como todo mundo, aguardo o próximo passo: eleções diretas? Eleições indiretas? Realmente espero que alguma coisa que valha a pena esteja acontecendo.

Mexeram no tacho da podridão, e o que estava no fundo veio para cima, contaminando tudo e fedendo mais do que esgôto a céu aberto. Mas isso precisava ser feito, cedo ou tarde. Vamos aguentar o cheiro e ver o que acontece. 

E de repente, a "Globo Golpista" jogou a caca no ventilador, e assim a Lava Jato tornou-se uma operação aceita e elogiada pelos de esquerda... e Lula vai ter que parar de usar a vitimização para defender-se, achando argumentos melhores do que dizer-se  perseguido por todos, porque agora sobrou pra todo mundo!

Estes acontecimentos deixarão espaço para uma porção de gente mal intencionada e oportunista que almeja acessar o poder, como o engravatadinho Dória (que para mim é um Collor II) , e tantos outros. Espero que a população fique mais esperta desta vez.





segunda-feira, 15 de maio de 2017

O Cadáver








O cadáver no meio da sala.

Alguns jogam pedras,
Outros, flores.
Alguns relembram como foi bom.
Outros maldizem o quanto foi ruim.

Mas cadáveres não se importam.

Cadáveres têm vida própria.

E quando começam a exalar o cheiro pútrido
(que a todos repele,
Talvez por fazê-los lembrar
que todos cheirarão igual)
Eles o enterram.

O cadáver não tem mais passado,
Nem se preocupa com o futuro.

Mas os que por ele zelam,
Ainda têm muito
Com o que se preocupar.

Ninguém argumenta
Com o cadáver,
Pois equivocadamente pensam
Que ele não é muito eloquente.

Se alguém o provoca,
Se alguém o indaga,
Se alguém o ama ou odeia,
Não é pela morte que ele representa,
Mas pela vida que há nele.

Todos serão cadáveres,
Alguns já são, e nem sabem.
Pretendem, de malas furadas,
Seguir sua tola viagem.

Cadáveres encontram aqueles
Que foram primeiro,
E constata que até eles
São cadáveres, mesmo que tenham
Seus nomes escritos na história.

Uma vida inteirinha
Ou um segundo que seja
De glória,
Não os salvou
De serem, no fim,
Cadáveres.

E os vivos os repetem,
Os citam, os utilizam
Como argumento para suas teorias
Quando as próprias teorias
Não se sustentam.

São cadáveres vivos, 
E fedem antes do tempo.





sexta-feira, 12 de maio de 2017

Soldadinho de Chumbo







Ah, soldadinho de chumbo,
Não és mais o mesmo!
O azul descascado da farda
De tanto segurá-lo entre as minhas mãos!
Os olhinhos de alfinete
Já desbotaram,
Mas as botas pretas e retintas
Guardam a glória 
Que ainda te sobrou!

Ah, soldadinho de chumbo,
Como, nos dias de infância,
Alegraste o meu mundo!
Eu te segurava, e tu andavas
Ao longo do áspero muro
Que circundava minha casa,
E depois, eu te esquecia
Sobre o gramado, e ficavas
Sozinho, enquanto chovia!

Ah, soldadinho de chumbo!
Ainda guardo memórias
De quando éramos unidos!
Eu te punha na cadeira,
Te ensinava uma lição
Enquanto apontava a lousa...
Meu aluno de brinquedo,
Ando pensando em derretê-lo,
Transformá-lo em outra coisa...





quinta-feira, 11 de maio de 2017

Lugar

Um lugar que ambos escolhemos, e ocupamos há mais de 34 anos





Ando me perguntando sobre meu lugar no mundo, e na vida das pessoas que me cercam. Através das nossas escolhas e das escolhas das pessoas que interagem conosco, vamos criando nossos lugares. Por exemplo, ao nascermos, temos o nosso lugar entre os pais e os irmãos; sabemos exatamente qual o nosso papel, e o papel dos demais. Mais tarde, na escola, geralmente escolhemos um local para nos sentarmos no primeiro dia de aula, e lá permanecemos o ano todo. Todo mundo sabe que aquele é o nosso lugar, e saberão que estamos ausentes quando ele estiver vazio. A cada ano, talvez mudemos de sala de aula, de escola e de professores, mas sempre escolheremos um lugar no qual nos sentimos bem, e se chegarmos atrasados e alguém ocupá-lo, pediremos que o cedam ao verdadeiro dono assim que chegarmos. 

Escolhemos os lugares onde vamos morar; estabelecemos o nosso endereço, com nome de rua e número de casa ou apartamento. É ali que moramos. É ali que estão as coisas que nos pertencem, é na casa onde vivemos que a nossa personalidade mais se faz confortável. 

E assim vamos construindo nossas vidas e estabelecendo os nossos lugares, tanto na família quanto nos grupos de amigos. 

Quando nos casamos, passamos a ocupar um lugar na vida de nossos cônjuges, e por conseguinte, nas famílias de nossos cônjuges. 

Porém, nem sempre este lugar é reconhecido ou respeitado. Às vezes, ele não é considerado. A fim de evitarmos situações desconfortáveis, muitas vezes acabamos por fazer vista grossa a muitas coisas que vemos, e fingimos não perceber outras que escutamos, sendo repetidamente deixados de lado ou excluídos das principais decisões - afinal , somos vistos como um apêndice, um membro invasor, um cisco, ou qualquer coisa assim. É muito triste quando isso acontece. 

Mas, quando acontece, o melhor não é calar-se e aceitar ser relegado ao cantinho, lá, onde querem que você permaneça para não atrapalhar. Não: precisamos lutar pelo lugar que conquistamos. Não podem simplesmente mover-nos daqui para lá, ou de lá para cá sempre que acharem conveniente!

Não importa quanto tempo passamos deixando para lá, aceitando tudo o que foi imposto, fingindo não ouvir ou perceber a fim de manter uma paz que não nos beneficia, a não ser a quem a impõe. Aprendi que tem um lugar aquele que o defende. É respeitado quem não admite ser deixado de lado. 

E se não for assim, a melhor coisa é procurar outro lugar. 










A Minha Vida

Parada na esquina De pé,  Mas cansada, A bolsa jogada nos ombros Pronta para a viagem Há tempos planejada. And...