domingo, 28 de dezembro de 2014

Feliz Ano Novo!





Olá, amigos blogueiros e não blogueiros!


Muito obrigada pela interação em 2014 - um ano que, para mim, foi de muito trabalho e poucas visitas aos outros blogs. Não pude visitar e comentar tanto quanto eu desejaria, e peço desculpas. Minha conexão de internet não ajudou muito, parece que alguns blogs são mais 'pesados' e demoram a abrir, e a conexão caía toda hora.

Deixo aqui o meu muito obrigada e os meus sinceros votos de um 2015 maravilhoso, com muita saúde e paz para todos. 

Ando com dificuldades técnicas para postar - o problema do servidor foi resolvido, mas surgiu um outro: minha antena repetidora de sinal queimou - mas tentarei consertar tudo e voltar a postar normalmente no ano que vem. Agora estou postando de um laptop velhinho. Ainda bem que ele existe...

Bem, que 2015 nos traga muita paz, saúde, amor e conexões de internet perfeitas, com antenas repetidoras de sinal perfeitas também.







segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

REFLEXÕES



Que aquilo que eu sou em público seja um retrato fiel daquilo que eu sou quando ninguém estiver olhando. Que as minhas palavras exalem o real perfume - ou o real fedor - daquilo que eu realmente sinto e expresso. Que eu não pregue aos outros comportamentos que eu mesma não tenha.

Deus, livrai-me da hipocrisia - Principalmente, da minha!

Que eu tente aprender através de todas as coisas que a vida me apresentar, sejam elas boas ou ruins. Que eu me lembre sempre de ter compaixão, até mesmo daquelas pessoas com quem eu não me harmonizo, de modo a jamais zombar do sofrimento de quem quer quer que seja, ou de alegrar-me com ele.

Deus, livrai-me do fingimento - principalmente, do meu!

Que eu não veja, por trás dos muros e dos rostos, um inimigo em potencial, pronto a atacar-me. Que eu não procure por fantasmas por trás das palavras que me disserem ou que eu suponha que foram a mim dirigidas. Que eu saiba reconhecer os meus erros e admiti-los, ao invés de procurar por bodes expiatórios e culpá-los por eles.

Deus, dai-me discernimento - principalmente, sobre mim mesma!

Que eu saiba respeitar os espaços e os nomes dos outros e guardar-me de diminuir as pessoas a fim de sentir-me melhor a respeito de mim mesma. Que o meu sucesso não dependa jamais do fracasso alheio. Que eu me guarde da comparação e da maledicência, pois elas só conduzem ao sofrimento e aos mal-entendidos.

Deus, livrai-me da inveja - principalmente, da que eu mesma possa sentir.

Deus, livrai-me da hipocrisia!

Deus, livrai-me do fingimento!

Deus, livrai-me da inveja,

Deus, dai-me discernimento!

Acima de tudo, Deus, devolva-me um pouco da inocência que eu perdi ao tentar ganhar sabedoria e discernimento, nesse longo caminho que eu percorri para tentar livrar-me dos sentimentos de inveja, do fingimento e da hipocrisia - meus e alheios.

Que assim seja.




domingo, 21 de dezembro de 2014

Colheita






“Tentaram nos enterrar, mas não sabiam que éramos sementes” – provérbio mexicano

Colheita

Arranca-me do solo,
Isola-me,
Rasga as minhas folhas
Com força,
Joga-me no chão,
E pisa-me,
Cubra-me de terra
E colha-me!



sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

EXPRESSÃO





EXPRESSÃO


Bom dia a todos os meus seguidores, amigos e curiosos! 

Gostaria de comunicar-lhes a mudança em meu blog mais antigo, o ex- Liberdade de Expressão, que a partir de hoje passa a chamar-se apenas Expressão.

A mudança foi feita porque o nome de meu blog consta nas páginas de um certo site, na grande maioria das postagens feitas por uma "escritora", e até mesmo em seu perfil ela fez questão de incluí-lo, e eu não gosto desta obsessiva associação, mesmo que covardemente velada.

Peço desculpas a quem prefere o nome antigo - confesso que eu mesma o prefiro - mas achei a mudança necessária.

Obrigada!


Ser?...






Ilusão do ser:
Primeira,
Segunda ou terceira,
Vamos todos morrer.
Viver é atitude,
O rosto da vida
Não ilude,
Não há maquiagem
Ao que se tenta esconder.
A vida é óbvia,
Mostra a prova
Da luta ferrenha 
De quem finge ser.
E é assim, quando alguém
Não se sente,
Não se aceita,
Não se acha,
Não se vê...




Nada a Dizer





O que dizer
De quem nada diz?

Briga com a dor
Translúcida do ser.

É preciso ser forte,
Não esmorecer.

O tamanho do corte
Faz sangrar palavras,

O coração em trevas
Rasga o norte.

Triste nada a dizer!...




Tortuoso Caminho



Deixei meus passos lá fora.
Aqui, apenas as asas.

Agora é tarde,
As feras apontam na colina,
Suas formas desenhadas no horizonte.
-Onde os meus passos?
Serão salvos?
É preciso amanhecer!

O tortuoso caminho
Gastou-me as solas dos pés,
Mas deu-me a estrada
Por onde sigo
Sem nunca mais me perder.



Hermeticamente Fechada





Hermeticamente Fechada
Cadeados na fachada,
Desbotadas paredes
Janelas trancadas,
Hermeticamente fechadas.

A alma embolorada,
Mostra o oposto do que sente,
Sente o oposto do que mostra,

Sofre as dores dos artelhos.
Leva uma vida indisposta,
Perde-se 
Na sala dos espelhos.




Ilusão




As cores do arco-íris
São feitas de sol e de chuva.
Na verdade,
Elas nem existem.
Mas há um pote de ouro
No final,
Onde descansa a ilusão.






CIRCO



Os palhaços cansados,
Ultrapassados,
Os cetins desbotados das golas
Procuram risos como esmolas.

Leões enjaulados
Envelhecidos e famintos
Expostos a um público frio
Que os molestam com seus risos.

A bailarina dança
A mesma velha coreografia,
Enquanto o malabarista
Deixa tombarem os pratos.

E no último ato,
A tentativa em desespero
Pelos aplausos...




quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

ADAPTAÇÃO



Primeiro, você só se cala,
Guarda o medo na garganta;
E então você se dobra,
Tentando caber no espaço
Que lhe foi determinado.
Ignora a dor nas costas,
A vontade de correr,
E aquele “não” que te chega,
Você cisma em não dizer
Por medo de não ser aceito,
Por medo de não pertencer!

Depois, você não escuta,
Ou finge não entender
As indiretas agudas
Que te lançam por prazer.
E cala mais fundo a palavra,
Lavra a alma, mas não colhe
O suposto amor plantado,
Pois aquele que semeou
Usou sementes já secas,
Quebrou os dentes do arado.

Então, você já nem chora,
Pois já está acostumado
A comer só as migalhas
Daquilo que for partilhado.
Fecha os olhos e os ouvidos,
Cala a dor e aprende a ser
Dissimulado, fingido,
Acreditando que assim
É fácil sobreviver.

Mas quem sabe, um dia, acorda,
Sacode o pó da mentira,
Se estica, se desentorta,
Suportando a dor nos ossos
Que há muito tempo, são tortos?...

Respira um ar renovado,
Abra os olhos, solta o verbo!
Desfaz os nós do passado
E chega à beira do abismo,
Ensaiando um voo tímido
Sem temer ser machucado,
Pois saiba que a dor da queda
Iminente, é bem menor
Que a de ter “se adaptado!”


segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

O Gato



Caminha o gato sobre o muro,
A cauda erguida pra o céu
Lá onde brilha a lua cheia.

Um uivo o assusta de repente,
E ele estica o corpo, a pele,
Salta bem alto sobre a estrela.

E lá de cima, ele percebe
Os outros gatos que caminham
Por sobre o muro, sobre a sebe.

As patas sangram nos espinhos,
E eles disputam as cabeças
Dos peixes já apodrecidos.

O gato pula sobre a nuvem,
E fecha os olhos, tão tranquilo,
Esquece a fome dos sentidos.

Não tem mais medos ou desejos,
Os uivos tão assustadores
Lá não lhe alcançam; ele está leve.


quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

A VIDA DO LADO DE DENTRO






A Vida do lado de dentro 

 Poema escrito por um jovem prisioneiro anônimo.

 

Ele diz  seu número
Ao  entrar  pela porta
Em suas largas roupas de cor laranja e cinza;
Não sente mais estranheza.

Ele não quer estar aqui,
Ele fecha os olhos e se lembra.

Luzes borradas passam pela van da prisão.
De pé no pequeno espaço branco,
Ele olha para a escuridão negra lá fora.
Na janela, ele pode ver sua própria face.

Ele não quer estar aqui,
Ele fecha os olhos e se lembra

Ele está no banco dos réus, indiferente,
Enquanto o juiz o sentencia a três anos
Fora de seu campo de visão, sua mãe
De pé, seus olhos transbordando
De lágrimas dolorosas.

Ele não quer estar aqui,
Ele fecha os olhos e se lembra

“Você vai se mudar?” Ele pergunta,
Imaginando como ele poderá escolher
Enquanto eles anunciam o divórcio.
Qual deles, ou ambos, ele vai perder?

Ele não quer estar aqui,
Ele fecha os olhos e se lembra...

Nenhuma preocupação no mundo,
Ele encontra amigos para ir pescar
Dirige-se ao mar em um barco
Apenas as ondas, o silêncio e o desejo...

Ele gosta daqui.


Este poema, cujo autor desconhecido é um prisioneiro, fala de como ele fez para encontrar um momento bom de sua vida que lhe servisse como válvula de escape. Aos poucos, ele vai mergulhando cada vez mais profundamente, em retrocesso, nos fatos que o levaram até aquele momento e aquele lugar – a prisão – e ele faz o caminho de volta, finalmente encontrando o último momento feliz antes de estar ali.
Este texto foi retirado da revista Speak Up de dezembro, e traduzido por mim. Tentei deixá-lo o mais próximo possível do original, sem modifica-lo demais, fazendo apenas algumas adaptações para que pudesse ser melhor compreendido - inclusive, a pontuação.
Este texto faz parte de um projeto chamado Writers in Prison Network, onde o escritor Hugh Stoddart ensina prisioneiros da Prisão de Brixton, em Londres, a liberar seu lado criativo... e escrever!
Abaixo, o texto original:


Life Inside

He gives his number
As he walks through the door
In his orange and grey baggy clothes
It doesn’t feel strange anymore.
He doesn’t want to be here
He shuts his eyes and thinks back
Lights blur past the prison van
Upright in the tight white space
He looks out into the back
In the window he can see his face.
He doesn’t want to be here
He shuts his eyes and thinks back
He stands in the dock, numb,
As the judge sentences him to three years
Screened from view, his mother
Stands, her eyes flooding with painful tears.
He doesn’t want to be here
He shuts his eyes and thinks back
‘And you moving out?’ He asks
Wondering how he can choose
As they announce their divorce
Which one, or both, will he lose?
He doesn’t want to be here
He shuts his eyes and thinks back
Not a care in the world
He meets up with his mates to go fishing
Heads out to sea in the boat
Just the waves, the silence and the wishing
He likes it here.







segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Eu Fui Lá Fora e Achei a Poesia




E naquela manhã tão fria,
Eu fui lá fora e achei a poesia
A brincar nas asas de uma libélula,
Pousada no muro, entre as heras,
Pendendo do bico de um pássaro,
Caída em gota de orvalho sobre a pétala.

Tentei retê-la, mas bastou piscar,
E ela se foi através da manhã
Assim que pensei no que tinha que ser feito,
Na praticidade da vida, o afã...

Ao final da tarde, cheguei à janela;
-E lá estava ela,
Navegando nas formas das nuvens,
Caindo no mesmo vento das folhas secas,
Sussurrando no barulho do rio,
Um mergulho espontâneo na vida!

Eu fui lá fora, e achei a poesia,
E calada,
Fechei os olhos para não perdê-la...










sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Freud Explica?...




"Nenhum ser humano é capaz de esconder um segredo. Se a boca se cala, falam as pontas dos dedos." - Sigmund Freud

Todos temos segredos. Alguns permanecem conosco até a morte, mas existem alguns segredos que nem sequer sabemos que temos, e muitas vezes, passamos a vida toda sem sabê-lo. Porém, estes segredos são visíveis aos outros que conosco se relacionam, e os percebem. Estes segredos gritam verdades sobre nós através das nossas imperfeições.

Penso ser essencial tentarmos conhecer algumas delas (não acho possível conhecer a todas, pois acho que ninguém está pronto para admití-las completamente), e eu confesso que emprego boa parte de meu tempo nesta busca por mim mesma, por quem eu sou e o que me leva pelos caminhos que eu percorro. E sei também que seria bem mais difícil conhecê-las se eu não admitisse, para mim mesma, que estas imperfeições existem.

Quando apontamos os outros frequentemente a fim de justificarmos o que acontece de ruim conosco, estamos perdendo a oportunidade de aprender mais sobre nós mesmos. 

Acho muito triste ver pessoas que se julgam perfeitas, e que do alto de sua arrogância, culpam aos outros por tudo de ruim que acontece em suas vidas, legando a si mesmas apenas os méritos pelo pouco que acontece de bom.

A frase acima, do psicanalista Sigmund Freud, caiu em meu colo esta manhã, quando examinava postagens antigas do meu blog "Passagem," e deparei com esta sobre Freud e seus pensamentos. É engraçada  a maneira como a vida nos oferece as respostas que estamos buscando, fazendo com que elas apareçam na hora certa!

"Nenhum ser humano é capaz de esconder um segredo. Se a boca cala, falam as pontas dos dedos." E nesses tempos de internet, onde muitos de nós passamos parte do nosso tempo dedilhando palavras com as pontas dos nossos dedos, nem sequer percebemos que nossos segredos vão ficando pelas entrelinhas do que escrevemos! E eles podem ser realmente muito óbvios - infelizmente, mais para quem lê do que para quem escreve.

Eu percebo, às vezes, que na internet algumas pessoas desenvolvem uma verdadeira fixação por outras. O que as leva a este ponto? Existem muitas respostas... talvez, a primeira delas, a que mais nos ocorre, seja aquela velha forma de admiração apaixonada e não admitida, conhecida pelo nome de inveja; outras vezes, pode ser complexo de inferioridade - quase sempre, disfarçado em frases que exaltam a si mesmo e às suas próprias obras, e que à primeira vista, é confundido com complexo de superioridade. Mas também existem casos de loucura pura e simples, que pode ser tratável, ou senão, pelo menos atenuada através de medicamentos.

De qualquer forma, quem se fixa na personalidade de alguém, vive uma história que oscila entre o amor e o ódio, a admiração e a perversidade. Perde-se no outro enquanto perde-se de si mesmo. Um grande desperdício de tempo e de vida. 

Mas, se para todas as coisas existe uma explicação (embora nem sempre possamos alcançá-la), espero que Freud tenha desenvolvido uma boa explicação para esse tipo de atitude. E eu vou continuar procurando por ela.







segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Que eu Não Leve








Que a mentira não esteja gravada em minha lápide,
Que não seja de ódio a minha última palavra,
E mesmo que eu resvale entre as dores da morte,
Que eu possa lavar, no silêncio, meus cortes.

Que eu não deixe, trancados, os vãos das minhas portas,
Que eu não leve comigo as correntes que prendem
As palavras malditas às palavras caladas,
Que eu não saia daqui sem saber que sou nada.

Que a minha partida seja assim percebida:
Como algo casual, como algo da vida,
Que não haja mais dramas do que o necessário;
Quando é vera a saudade, em silêncio ela fica.

Que me seja poupada a vergonha de ter
Nas minhas últimas páginas, deixado escorrer
Só o ódio, o veneno, a mentira e o fel,
Pois que é necessário ter honra ao morrer.

Sei que ser esquecido é o destino de todos,
Mesmo assim, eu não quero apodrecer em vida,
Que eu não deixe aqui qualquer mal entendido,
Que eu só me decomponha após ter morrido.





Trocas



Para sentir que fazes sentido,
Trocas os títulos dos mesmos livros,
E as leituras, um simulacro,
Páginas gastas ao ser viradas
Por dedos sujos do mesmo visco.

Por mais que andes, por mais que sigas
Pelas estradas já tracejadas,
Sofregamente, a buscar meus passos,
Te enforcas sempre, tropegamente
Nas mesmas cordas, nos mesmos laços...

E nada muda; não compreendes?
Estou além de teus braços curtos,
Teus dedos curtos, e o entendimento
Sempre tão curto, da tua mente
E da comprida língua, tão rente!...

Lambes as patas, trincas os dentes,
Urinas sempre nas mesmas moitas
Afoita segues, tão delirante
Com a mesma dor, e a mesma febre
De quem há muito já nem mais coita!

Na noite fria do teu poente,
Singras um céu que não te recebe,
Vives na ânsia de um ouro amargo,
Os pés pisando esse mesmo solo
Na escassez dessa mesma plebe!

Não sou pra ti; não te desconcertes
Supondo ver o que nunca viste,
Compreender o que não alcanças,
A repetir, sempre a mesma dança
De pés cansados, ritmo inerte!

Vou por aqui, e tu, por ali,
E se acaso nos encontrarmos
Bem mais na frente, por acidente,
Eu comerei do meu pão, contente,
Sem ansiar pelo teu pão asmo.





quarta-feira, 26 de novembro de 2014

FICOU





Ficou tudo pelo chão,
 E é bom que tenha ficado.
Um vento lento a soprar
Desfez as tramas do passado
E levou, consigo, o legado
Para bem longe do mundo.

-Toda a inútil ilusão,
Arrogância, presunção,
Palavras de amor ou de ódio,
Escárnio, riso, e o punho
Que arremeteu os punhais
Cravados no coração.

Ficou sim, tudo no chão,
E a chuva que chegou
Lavou, levou e depois
Veio o sol, e desbotou
Os restos do que ficou.

Descoloriu sentimentos,
Apagou os pensamentos,
Preencheu de vazio os momentos
E nada, nada mais ficou

Além do que ficou no chão,
A fim de ser esquecido,
Daqui levado, varrido,
Como será carregado
Tudo aquilo que ainda está.

E agora, eu me pergunto:
Do que será que valeu
Tanto ódio, tanto pus,
Tanta mentira inventada,
Tantas lâminas cravadas
No caule frágil da flor?...

No fim, só fica o amor,
E mesmo este, algum dia
Segue a mesma estrada fria,
 Vai no rastro indefinível
De quem nunca mais voltou.

Ficou no chão o sentido,
Derramado feito água
No meio daquela estrada
Que ninguém mais percorreu...

Ficou toda a injúria vil,
De um coração desabrido
E desta, nem mesmo um til
Poderá ser removido.

Valeu?...




segunda-feira, 24 de novembro de 2014

SUBSTÂNCIAS




Quem morre, fica à distância
De um pensamento.
Quem vive, fica à distância.

O pensamento separa
O que é mais denso.
É densa, a dor de quem vive.

A quem morre,
Tudo se perdoa,
Tudo é esquecido...

Reconstroem-se 
Silêncios e sorrisos,
E até mesmo, as ausências.


sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Você se Lembra?...

Você se Lembra?...






Você se lembra do que estava fazendo nas ocasiões abaixo? Algumas são muito tristes e outras, muito felizes, mas todas foram importantes. Você consegue se lembrar do que estava acontecendo e o que aconteceu em sua vida depois, naquele dia em que...
-As Torres gêmeas foram atacadas?
-John Lennon foi assassinado?
-O Brasil venceu a Copa do Mundo - todas elas?
-A Princesa Diana morreu?
-No seu primeiro e no seu último dia de aula - na escola ou na faculdade?
-Você se casou?
-Você descobriu que estava esperando um filho?
-Você foi pai ou mãe pela primeira, segunda, terceira ou décima vez?
-Você lançou seu primeiro livro?
-Algo muito importante - alegre ou triste - aconteceu pra você?
Tenho certeza de que todo mundo se lembra do que estava sentindo nestes dias, do que estava fazendo, quem estava ao seu lado, o que disseram. Porque a gente tende a se lembrar sempre dos dias importantes das nossas vidas e do que as pessoas disseram ou fizeram nesses dias. 
Portanto, quando você sentir que alguém está muito feliz, faça de tudo para tornar-se uma lembrança agradável na vida daquela pessoa. Respeite e incentive a felicidade alheia, pois nos lembramos sempre dos dias mais importantes das nossas vidas. E se você notar que alguém está muito triste, estenda a sua mão mesmo diante da possibilidade da ingratidão ou do esquecimento, pois mais tarde, se um dia esta pessoa lembrar-se de você, pelo menos ela se lembrará daquele momento em que você estendeu-lhe a mão.
Nunca nos esquecemos de quem riu e de quem chorou conosco. Pelo menos, não deveríamos.
E nunca nos esquecemos de quem nos fez chorar em um momento que deveria ser de alegria, e de quem nos fez sorrir em um momento que deveria ser de tristeza.





segunda-feira, 17 de novembro de 2014

PASSAGEM SECRETA




Minhas passagens são secretas,
 - Ou seja, quase secretas...

Às vezes, passa algum anjo
(Ou um demônio perdido)
Mas não ficam muito tempo.

Os anjos me deixam flores
Suavemente perfumadas,
E os demônios, nada deixam...
-Quem sabe, deixem lições
Que não ficam nos perfumes?

O meu caminho é secreto,
Feito de folhas caídas,
Musgo já ressecado,
Sobras de águas da chuvas,
Parreiras quase sem uvas...

Alguns passam e se debruçam
Sobre o meu muro arruinado,
Deixam os seus pensamentos
Em forma de comentários...

Outros passam e nem olham,
(Ou fingem que não me veem,
Acho que estes são vários...)
Enquanto tecem suas redes
Na intenção de me prenderem.

Eu fico silenciosa;
O tempo, meu professor,
Já me ensinou quase tudo:
A desviar dos abismos,
E a calar, se preciso,
Armazenar para estudo.

O meu caminho é secreto,
Apenas uma passagem
Que marca, sem pretensões,
Uma linha sobre o mundo.



quinta-feira, 13 de novembro de 2014

O DOM DO ESQUECIMENTO




O tempo às vezes traz
O dom do esquecimento,
Um vento benfazejo
Que apaga os maus momentos...

E ao cair dos panos,
No avançar dos anos,
Quem sabe, não lembrar
Não passe de um presente?

As águas das enchentes
Carregam muitas coisas
Que estão presas às margens
Pra bem longe da gente...

Entrar bem devagar
Na densa mata escura,
Sem dores ou memórias,
A mente e a pele nuas,

Deixar pelo caminho
Relógios e palavras,
Levar consigo apenas
A bênção da loucura...




segunda-feira, 10 de novembro de 2014

PARTILHANDO PALAVRAS




Acredito que o que é bonito e verdadeiro, deve ser partilhado, para que alcance o maior número de pessoas possível. Vivemos em tempos nos quais coisas horríveis são sempre partilhadas - maledicências, fofocas, invencionices, guerras, corrupção. Mas olhem só que lindo isso - Rubem Alves comentando sobre a parábola do filho pródigo:

"Jesus pinta um rosto de Deus que a sabedoria humana não pode entender. Ele não faz contabilidade. Não soma nem virtudes nem pecados. Assim é o amor. Não tem "porquês". Sem razões. Ama porque ama. Não faz contabilidade do mal nem do  bem. Com um Deus assim o universo fica mais manso. E os medos se vão. Nome certo para a parábola:

"Um pai que não sabe somar." Ou: "Um pai que não tem memória."

Se pudéssemos compreender Deus e a vida desta forma, saberíamos que ela, à sua maneira, é sempre justa, pois não faz contabilidade. Não haveria sequer a necessidade de fazer-se afirmações como "Aqui se faz, aqui se paga", ou "Recebemos de volta aquilo que mandamos," pois  se fosse verdade, os justos não sofreriam. Daí alguém pode afirmar: "Ah, mas os sofrimentos dos justos vem de outras encarnações." E do que eles valem, se aquele que está sofrendo não se lembra deles? E o próprio Jesus, exemplo da verdade, da justiça e da bondade, não sofreu horrores pendurado a uma cruz construída com a ajuda  daqueles em quem Ele mais confiava? Qual a culpa que Ele trouxera de outras encarnações?

Gosto de ler Rubem Alves porque ele sempre desperta o que há de melhor em mim, e me faz compreender o que há de pior sem culpas ou medos. Ele me mostra que o que tenho de melhor, é exatamente aquilo que está sob as camadas e camadas de tintas com as quais me pintaram, e que é a minha cor original. Entendo que Deus é bem diferente dessa criatura de mil faces que aparecem de maneiras diferentes para cada religião. Diz Rubem Alves, em um trecho de sua crônica Sem Contabilidade:": 

"...Não farás para ti imagem", tendo sido proibido até com pena de morte, que o seu próprio nome fosse pronunciado. Mas os homens desobedeceram. Desandaram a pintar o Grande Mistério como quem pinta casa. E a cada nova demão de tinta, mais o mistério se parecia com as caras daqueles que  o pintavam. Até que o mistério desapareceu, sumiu, foi esquecido, enterrado sob as montanhas de palavras que os homens empilharam sobre o seu vazio. Cada um pintou Deus do seu jeito."

E ficamos por aí, sempre pintando imagens com tintas falsas, construindo esculturas com imagens falsas e concebendo o Inconcebível. Colocamos palavras na boca de Deus como se Ele mesmo as tivesse dito. E apontamos para o outro que sofre, orgulhosamente afirmando que "O que vai, volta", como se tivéssemos sido eleitos juízes de Deus. Vejo, em algumas pessoas, um brilho de mórbido prazer no olhar (disfarçado de piedade), quando contabilizam as quedas alheias.

Se algum dia eu tivesse uma religião, seria aquela que admitiria não ter todas as respostas e quase nenhuma certeza. Uma que não tivesse dogmas ou receitas infalíveis, e que diante do inexplicável, baixaria a cabeça e diria: "Não sei responder." Eu teria uma religião que não determinasse o que eu posso vestir, que tipo de música eu posso ouvir, ou que comida eu posso consumir; uma que não separasse as pessoas entre "bons" e "maus", "merecedores" e "não-merecedores", "santos" e "pecadores."

Acho que eu jamais terei uma religião.

Minha religião são pessoas que tem algo a dizer, como Rubem Alves. É uma tarde de chuva após um dia calorento, uma linda manhã toda dourada de sol, flores e insetos no jardim, a voz do vento quando traz o perfume da vida. A minha religião são os livros, as palavras, os poemas, as músicas, as cores, as pequenas felicidades, os pequenos prazeres, a comida na mesa todos os dias, a água que sai da torneira limpa e fresca sempre que eu preciso, o silêncio, o silêncio, o silêncio.



quinta-feira, 6 de novembro de 2014

O Chá




-Eu penso em pássaros,
Em voos, em asas,
Em sonhos, em nuvens,
E casas no céu.

-Eu penso em esquilos,
Em amoras, mirtilos,
No açúcar das xícaras,
Nos doces croissants.

-Eu penso em sapos,
Em grilos, espinhos,
Desfaço os ninhos,
Esmago os doces,
Afio as foices...

-Eu penso em peixes,
Em mares e mágoas,
Nas águas salgadas
Afogo meus medos.

-Eu penso em dores,
Em lágrimas, cortes,
No sul sem norte,
Eu penso na morte...

Tomemos o chá
Da nossa união,
Confraternizemos
Nossas diferenças,
Afrouxemos o peso
Dessas prensas
Tão ajustadas,
Que esmigalham
Nossa existência.

Para que possamos
Conviver,
Co-existir
E não matar,
E não morrer.


REFLEXÃO

Já muito andei sem enxergar, sem ver, O que me fez e me desfez, a fome... "Ana" é o nome que alguém me deu, M...