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Mostrando postagens de Agosto, 2012

Margem

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Margem

Ah, margem da minha vida! Minhas águas vão passando, Expostas ficam as coisas Que se prendem nas ramagens Dessas minhas pobres margens Quando baixa a correnteza!
Ah, margem de minha tristeza! Mas também as alegrias Deixam sempre seus pedaços, Fios coloridos, traços Nessa margem que me guia!
Ah, margem do meu regaço, Onde perdem-se os abraços, E os ecos de mil passos Que não voltam nunca mais Ressoam na minha alma!
Ah, margem de águas calmas, Onde eu me sento, calada, Assistindo, enquanto passa, Minha vida, afogada Na corrente dessas águas!


Arrumando as Prateleiras

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Tenho umas prateleiras sob as escadas que levam ao segundo andar da casa, onde guardo meus livros e discos de vinil. Há muito tempo vinha planejando arrumá-las e limpá-las, mas com tanto a ser feito em uma casa, mais o meu trabalho com as aulas, sempre acabava 'empurrando a tarefa com a barriga.' 
Mas finalmente, tomei algumas horas para colocar tudo em ordem. As prateleiras abarrotadas de livros que eu puxava e depois, não recolocava no lugar certo por falta de tempo. Discos de vinil cujas capas empoeiradas cheiravam a bolor. Tirei tudo, tudo do lugar, e comecei a árdua (?) tarefa... 
Foi como reencontrar velhos amigos: lá estavam livros que modificaram minha vida e ajudaram a formar o meu caráter, como "Ilusões", de Richard Bach, e "O Profeta", de Khalil Gibran. Maravilhoso e mágico, reler trechos de "O Convite", de Oriah Mountain-Dreamer. Uma delícia, rever Lia Luft, as incríveis memórias de Louis Bourne, os poemas de Cecília Meireles e Fern…

Na Minha Boca

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Na minha boca, não ponhas palavras, 

Nem mordaças. 

Não tente refrear-me a língua, 

Ou calar a voz que perpassa 

Teus tímpanos insensíveis. 


Na minha boca, não te alimentes, 

Nem sequer tentes, 

Pois hei de destilar o veneno 

Que há de matar essa coisa 

Que se move nesse peito 

Assaz pequeno. 


Na minha boca, não vasculhes 

A procura do que esperas 

Que eu te diga, e que não quero... 

Pois de ti, eu nada espero, 

Nem sequer que tu me ouças, 

Pois teu nome já calou-se 

Há tempos 

Na minha boca. 









*

Meu Erro

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Esperei que o mar 

Fosse doce 

(Embora não fosse). 

Eu pensei que o vento 

Traria perfumes, 

Mas não trouxe... 


Desejei que uma flor 

Se abrisse 

E jamais murchasse, 

Desejei que o tempo 

Não passasse... 


Eu pensei que o amor 

Compreendesse 

Sempre, incondicionalmente, 

Mas o amor esqueceu-se 

De amar; retirou-se 

Ao trazer consigo 

O castigo, 

Desamou-se... 


Quisera abraçar e trazer 

Sempre comigo, 

A certeza tranquila, 

A esperança trançada 

Nos cabelos! 


Mas a trança desfez-se, 

A esperança partiu-se 

Em pedaços pequenos 

Cortados em foice... 


E de erros em erros, 

O que eu esperava 

Tornou-se pó, 

Foi soprado sem dó 

Pela boca profana, 

Pela voz rouca, louca 

Sussurrante. 













FOBIAS

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Todos temos fobias. Eu, por exemplo, tenho fobia de aranhas e de altura. Lembro-me uma vezes em Brasília, quando, em visita ao Monumento JK, resolvi tirar uma foto de pé sobre a mureta que cercava a entrada - uma escadaria que conduz ao subsolo. Enquanto caminhava sobre a mureta, comecei a sentir-me tonta e enjoada ao olhar os degraus lá embaixo ,e os joelhos começaram a tremer. Meu marido teve que ir em meu resgate, ou eu acabaria caindo lá de cima. Eu nem sabia, antes daquele episódio, que eu tinha medo de altura!


Estou usando um artigo sobre estranhas fobias em minhas aulas desta semana, e surpreendi-me ao ler sobre pessoas famosas e suas fobias;  a atriz Megan Fox, por exemplo, tem fobias de pessoas respirando perto dela. Será que ela preferiria que as pessoas não respirassem? Talvez assim ela pudesse sentir-se mais confortável, suponho... a moça também confessa ter pavor de tocar em papel seco, e precisa molhar os dedos a fim de virar as páginas de seus scripts. Nossa!
Também há pe…

Dona Franci

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Quando eu e minha irmã éramos pequenas, nossos pais não podiam pagar uma escola particular. Mas nós estudamos durante cinco anos em uma das melhores escolas particulares de Petrópolis naquela época, o Colégio Progresso. Graças à diretora da escola, Dona Franci (Francisca Ferreira de Souza). Assim como nós, havia muitos bolsistas naquela escola. Tinha até uma família de indiozinhos amazonenses. Ela tinha também uma classe para alunos especiais, que em 1971, ainda sofriam todo tipo de preconceito... lembro-me de como a Dona Franci e as demais professoras sempre faziam a interação entre nós - as crianças "normais" e os alunos excepcionais...
Ela adorava seu trabalho. Na hora do recreio, ela ficava em um ponto mais alto do pátio, observando as crianças brincando, e quando acabava o recreio, de vez em quando ela anunciava: "Mais dez minutos extra!" E era a maior festa! Ela tratava a todos igualmente, e com muita educação, fosse criança ou adulto, rico ou pobre. Se alguém…

Rapidíssima Crônica

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Porque está ameaçando chover forte, e ouço trovões ao longe. Não quero perder mais um computador por causa de uma descarga elétrica. 

É que me lembrei de quando eu era criança, e me escondia sob a mesa de madeira da cozinha quando dava trovoada. Ficava olhando os chicletes colados sob ela e procurando me acalmar, tampando os ouvidos. 

Lá fora, o céu está cimentado. Nenhuma folha se mexe nas árvores. Meus cães estão nervosos na varanda. Parece que a natureza está grávida, mas que o filho não quer nascer, e os trovões são as dores do parto, um parto muito difícil. 

Quero ter terminado esta crônica-relâmpago bem antes da parturição. Algumas gotas bem fininhas, destas esvoaçantes que parecem pedacinhos lascados de vidro, já começam a cair. 

Uma vez vi um filme, há séculos atrás, no qual a heroína, a fim de suicidar-se, ia para a sacada de seu quarto durante uma tempestade magnética e era atingida por um raio. Totalmente 'chocada' e eletrificada, morreu nos braços do amante (que d…

VOCÊ SE FOI!

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Amarrei os teus pés À minha memória, Colei os teus olhos Sobre esta paisagem Que juntos, miramos Tentando evitar, num sonho, A inevitável viagem.
Gravei tua voz Por sobre estas pedras Com todos os ecos Dos quais me lembrei...
Deixei os teus passos Por este caminho, Sangrei de espinhos Aquela palavra Para não haver despedidas...
Enfim, veio a vida E te levou Junto com ela, Foi apagando e te afastando Sem piedade, Soltando os laços E me deixando Só a saudade!
Você se foi, E isto é tão real!... Se algo ficou?... Passos sem pés, No meio do quintal, Vozes caladas Por sobre as pedras, Olhos fechados Por sobre a paisagem.
Só permaneceram Dentro de mim As memórias presas no fio Tão frágil Que tu deixaste... Fatalidade!

Canto de Rolinha

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Há um canto de rolinha No fundo desse dia azul Crivado de passarinhos, E ele me chega Junto com o perfume Das flores de laranjeira.
Dia ensolarado, Belo, preguiçoso! Há tanta beleza No verde das árvores, Mas junto com ela Há toda a tristeza Do canto da rolinha.
Ah, como eu queria Que essa rolinha Voasse para longe!

Ficarão Meus Poemas

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Ficarão meus poemas Espalhados na rede Nas placas de memórias Do meu computador...
Centenas de histórias Algumas, risíveis, E outras tão tristes, Escritas na dor...
Ficarão meus poemas Em muitos cadernos E folhas esparsas Datilografadas...
Escritos em livros Como anotações Ou capas de discos E papel de pão...
Ficarão meus poemas No meio da estrada... Palavras rasgadas Que o vento levou.
E um dia, esquecidos, Amarelecidos Serão deletados Pra sempre varridos!

Haikais

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Sino de vento Corta a brisa e o momento Tilinta de dor.
* Três nuvens no céu Levadas pelo vento Sumindo no azul.
*
Triste sabiá Que sem cauda e sem canto Vem me visitar... ***

Lixando a Grade

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Há quanto tempo escuto o ruído do rapaz que lixa a grade na casa vizinha? Mais de duas semanas, eu acho... e nem é uma grade muito grande... fica na porta da cozinha, e deve ter mais ou menos um metro de comprimento. Barrinhas de ferro paralelas e espaçadas. E ele lixa, lixa, lixa... arranca toda a tinta antiga, com paciência e eficiência, mas sem nenhuma ciência. Acho que ele medita. Não tem pressa de acabar.
Eu mesma, já não consigo controlar a ansiedade de ver a grade pintadinha de novo. Mas o homem apenas lixa, lixa, lixa. 
Antes, era o ruído de uma faquinha que ele usava para arrancar a camada mais grossa da tinta envelhecida. Aliás, várias camadas, todas sobrepostas, por anos e anos de pintura inadequadamente feita. Porque os pintores anteriores não lixaram a tinta velha antes de passarem a nova. E a faquinha batia no ferro, compassadamente, quebrando o silêncio da manhã, entrecortada pelos passarinhos. 
Uma visita me perguntou que barulhinho era aquele, e eu mostrei a ela o h…

Matéria dos Sonhos

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O capim não cresce à toa Por onde os sonhos pastam. Há que se cultivar bem O solo, plantando as sementes Cuidando para que não as levem No bico, os pássaros.
Há que se cultivar com cuidado O alimento do sonho Para que não mingue, Para que não morra   De fome.
Alimentado e crescido, O sonho, para ser real, Às vezes  precisa aprender A ignorar as profecias Do Mal.
E, se sobreviver, Antes de tornar-se real, Deve o sonho ser aquecido Bem junto ao coração que pulsa, E que lhe dê coragem De ganhar espaço.
Ás vezes, é preciso cortar laços.
Mas um sonho perdido em um campo vazio, Sem que ninguém o alimente, É apenas um sonho morto. Reanimá-lo? Nem tente!

Viver é Sentir

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Enquanto escrevo, O sol me aquece as costas, Raios entrando pela janela Deitando sobre o teclado...
Sinto o seu calor, Ouço os sons lá de fora: Passarinhos, carros, pessoas, Vejo uma borboletinha Que voa.
Viver é sentir, E eu sinto Exatamente agora O momento que vivo.

Muito Obrigada!

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Muito Obrigada! Meu blog atingiu 20 mil acessos em menos de cinco meses. Para alguns, este número pode não parecer nada, mas para mim, é o resultado do carinho e do reconhecimento das pessoas que me acessaram. A elas, meu mais sincero obrigada!  Quando comecei meus blogs, não tinha nenhuma expectativa... confesso que até temia um pouco ser totalmente ignorada, como aconteceu em 2008, quando tive minha primeira experiência com um blog, que abandonei e restaurei há pouco tempo, o "Lado do Avesso," que não é meu blog favorito, e sim, meu lugarzinho de catarse. O Liberdade de Expressão foi construído em ocasião de minha saída do Recanto das Letras - para onde acabei voltando, mas gostei tanto do formato dos blogs (que antes eu detestava) e da liberdade que eles nos proporcionam, que decidi ficar, e considero o blog meu principal espaço na internet - acima do Recanto e do Facebook. É aqui que eu me sinto mais à vontade.  Adoro ler outros blogueiros, pois sinto que a mesma liberd…

Cuidado com o que Você Pede...

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Cuidado com o que você pede...

Tem gente que acha que não devemos pedir nada ao orarmos, pois Deus sabe de antemão e muito melhor do que nós mesmos, daquilo que precisamos. Tá bom; concordo até certo ponto. Mas não foi Cristo quem disse que tudo aquilo que fosse pedido em Seu nome, seria atendido?
Bem, eu acho que Ele falou sério. Por isso, sempre peço, tanto por mim quanto pela saúde de meus entes queridos (e nem-tão queridos assim...). E acreditem ou não, quando peço por mim mesma, quase sempre sou atendida. Talvez isso nem sempre aconteça quando peço por alguém, porque a pessoa pode não querer para si a mesma coisa que eu. Eu costumava pedir coisas para os outros, e os resultados eram quase sempre desastrosos, pois eu pedia coisas sem levar em consideração a vontade alheia; então, parei com isso. Hoje, peço apenas saúde e paz e prosperidade para todo mundo. 
Mas como eu ia dizendo, eu quase sempre tenho sido atendida em minhas orações. Ou melhor, até hoje. Nem sempre no momento e…

Os Pássaros e o Bullying

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Aqui em casa, as portas e janelas estão quase sempre escancaradas. Gosto do ar fresco circulando pela casa, e adoro a vista do jardim e das árvores e montanhas que há por aqui. Bem, mas de vez em quando, a natureza entra em casa sem ser convidada...
Há alguns dias, eu estava trabalhando quando ouvi um farfalhar de asas e o barulho de algo que se jogava contra o vidro da janela da sala de jantar. Corri para ver - já sabendo o que era, pois isto é muito comum aqui em casa - e deparei com um sabiá apavorado, tentando sair. Ele se agarrava na cortina, jogando-se contra o vidro da janela. Como sempre, aproximei-me devagar tentando pegar o pássaro, mas ele voou para longe, 'sujando' as paredes e tapetes da casa... deu um trabalho enorme para limpar tudo depois... bem, mas voltando à aventura aviária: finalmente, consegui pegar o sabiá - que passou a gritar e tentar bater as asas, como se eu fosse, não a sua salvadora, mas um gigante faminto e cruel que ia devorá-la a qualquer momen…

Águas Turvas

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Narciso não afogou-se,

A história é mentirosa... 

Tentou colher uma rosa 

De sua adorada imagem 

Caiu n'água, mas nadou 

Conseguiu chegar à margem... 


Mas a água agitou-se 

Com suas braçadas fortes... 

E ao tentar rever a rosa, 

Pensou ver ecos da morte... 


Narciso apavorou-se, 

E quanto mais medo tinha, 

Mais ele agitava a água, 

Que mais turva se tornava! 


Assim, pensou ver fantasmas 

Que estavam em sua mente 

E empunhando uma espada, 

Lutou contra toda gente... 


E quanto mais ele lutava 

Mais turva a água ficava! 

Perdeu-se de sua imagem 

Pela qual se apaixonara... 


Estúpida criatura, 

Toda cheia de vaidade! 

Se ele se aquietasse, 

A lama se acalmaria... 

E a saudade que sentia 

De si mesmo e do futuro 

Talvez se apascentasse...

CAMINHO

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Já passamos por este mesmo caminho diversas vezes. Tantas, que eu sei exatamente o que vamos encontrar após cada curva, e que não importa o quanto este caminho esteja escuro e amedrontante, acabaremos chegando do outro lado sãos e salvos, como das outras vezes. Então, por que temê-lo?
Também sei que podemos permanecer aqui por mais ou menos tempo, mas sempre encontramos a saída, e não estamos sozinhos. Nós temos um ao outro e temos os que nos amam.
O mais importante, é que saiamos deste caminho cada vez mais fortes, e que usemos a experiência para que um dia não mais precisemos passar por ele.
                                                                 *   *   *    *    *

O  Por-do-Sol  Nunca é o mesmo,
Há novas cores, Novas nuances, Novos instantes...
Um novo alguém Assiste, todas as tardes, A  um novo por-de-sol...




CERTEZAS

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Existe em mim uma certeza Que jaz além da certeza, E uma beleza que descansa Além da própria beleza...

Há uma rainha que reina

por cima da realeza, E uma alegria que chora Por sobre a minha tristeza...
Existe um campo minado Que explode a cada sorriso, Existe um reino encantado Além do peito ferido,
Existe um grito contido Retido, pronto a nascer E um choro preso, contrito, Que ainda há de escorrer...
Para tudo, o seu momento, E para o momento, o instante... Nada vem muito depois, Nada chega antes do antes...
A resposta é uma incógnita, Mas uma alma avarenta, Tenta sempre derramá-la Em cima da minha mesa.
A prostituta certeza Saiu, e não mais voltou... Levou consigo uma parte De tudo aquilo que eu sou.

Eu Vejo o Sol

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Caminho a teu lado, E o sol espalhado Nas copas das árvores, E sobre os telhados.
E tu nada vês, Olhar embaçado, E o azul  entristece Teu peito rasgado...
Eu olho uma flor, Te falo de amor, Te mostro a beleza Além da tristeza...
Mas tu não escutas, Perdido em ti mesmo Perdido de si, Tão longe de mim...
Desisto, e enfim Voltamos pra casa, O dia está triste, Tu ficas em ti
E eu fico em mim, Querendo viver, Estendo-te  a mão Mas já não me enxergas...
Perdido nas trevas Tão enregelado, Olhar mareado, Coração fechado.

Almas Atormentadas - Conto de terror

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Era um velho manicômio, já desativado. O prédio de paredes que outrora foram brancas, encimava a colina com suas janelas banguelas de vidraças, e havia apenas um vigia noturno, que de vez em quando, fazia a ronda em volta do prédio (apenas para justificar seu salário de vigia), quando não tinha mais o que fazer. Mas mesmo ele, jamais tivera coragem de adentrar o prédio, pois havia muitas histórias horríveis sobre aquele local.  Histórias que falavam de suicídios, choques elétricos, aprisionamentos em solitárias, serial killers em camisas de força que eram jogados para todo o sempre em celas não-acolchoadas, para que batessem suas cabeças contra a parede até que morressem com as mesmas arrebentadas.  Até que a modernidade veio, questionando os métodos de ‘cura mental’ usados naquele manicômio, que acabou sendo desativado. Todos se foram: loucos, médicos, enfermeiros. Mas havia uma única cela, na qual ninguém jamais entrava; a comida e a água eram empurradas para dentro através de uma aber…

GELO

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foto: minha - de uma imagem do computador da cervejaria Bohemia 



GELO


Quanto mais os dias passam 

Vai crescendo uma camada 

De gelo, sobre a paixão. 


Quanto mais de mim te afastas, 

Pra mais longe tu viajas 

Do centro do meu coração. 


Quanto mais foges da vida, 

Mais alastra-se a ferida, 

Decompõe-se a emoção... 


E o mais triste, é que não ligas 

Que ao meu corpo, vão ficando 

Estranhas, as tuas mãos! 

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Alternativas ao Tédio

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Alternativas ao tédio
Como todo ser humano, também tenho meus momentos de tédio. Não vejo nada de mal nisso, a não ser que deixemos estes momentos se transformarem em dias, meses, anos... quando estou entediada, procuro fazer algumas coisas que me deixem de novo 'em foco'. Porque se não tomar cuidado, o tédio vai se alastrando que nem hera por cima de um muro. Portanto, sugiro algumas alternativas despretensiosas para estes momentos totalmente brancos. 
-Tédio demais é falta de vivência interior, portanto, enriquecer-se espiritualmente é uma boa ideia. Ler um bom livro, conversar com alguém que consideramos mais espiritualizado que nós, meditar. -Sair para dar uma volta a pé. Mas prestar atenção à paisagem, desfrutar da beleza das flores e árvores, e se elas estiverem ausentes, sair para ver as vitrines, tomar um sorvete, comprar-se um presente. - Ajudar alguém que esteja precisando. - Telefonar a um amigo com quem não falamos há algum tempo, e colocar os assuntos em dia. -Coz…

A Pedra

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A Pedra
Sentado na pedra, ele via O rio que sempre passava: "Sempre as mesmas águas, Sempre as mesmas águas..."
O sol se erguia e se punha Ante seus olhos cansados. calado, ele permanecia Mas o rio sempre corria.
Seres que vinham a margem Chegados de suas viagens por horas, ou talvez por vidas Permaneciam ao seu lado.
(Suas vidas se tocavam Como o céu e as nuvens, que ao longe Parecem compor um só quadro Mas de perto, um é vapor E o outro, azul infinito, Sendo que o azul nem existe).
Súbito, o rio chamava Para si suas criaturas E elas seguiam viagem Mas ele permanecia.
E de dentro do rio, quem via, Achava que ele chegava, Chegava, mas logo partia Pois a pedra só passava.