domingo, 31 de janeiro de 2016

AGORA









Se eu pudesse dar-te algo,
Dar-te ia meu agora,
Puro,
Simples,
Sem passado,
Sem futuro,
Sem memória.

O agora
É o único instante
Que o tempo não carrega,
Não macula,
Não governa.

É o ponto de equilíbrio
Entre as ilusões de ontem
E o medo do amanhã.

É a linha que segura
E ampara
O amor que sempre dura.

É a eternidade rara,
Sem crenças,
Sem respostas
E sem perguntas.





terça-feira, 26 de janeiro de 2016

No Rosto da Flor







Todo o céu,
Beijos de vento,
Pegadas de joaninhas...

Raios de sol,
Grãos de terra,
Pólen, pólen, pólen...

O bem-me-quer,
O mal-me-quer,
A chuva despencada...

Lágrima caída,
Distraidamente,
De um par de olhos tristes...

Tudo ali, murchando,
Secando, caindo, sumindo,
Junto com o rosto da flor...

Sementes soltas no vento.





Convido-os a visitar e seguir:




Novo blog, todo em inglês.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

ERROS







Todos erramos - e esta é uma das principais características que nos identificam como seres humanos. Porém, quando somos advertidos sobre um erro e não damos ouvidos, vem à luz uma outra característica, menos elogiável, da nossa humanidade: a arrogância. Fruto de um ego extremamente inflado.

Aqueles que consideramos nossos piores inimigos, podem, muitas vezes, nos dar dicas importantes sobre como não cair no ridículo. Eles conhecem nossos defeitos melhor do que nós mesmos, muitas vezes.

Ouvir com atenção e separar tudo o que nos for dito com humildade e sabedoria (a verdade  das afirmações mentirosas) é uma receita infalível para o nosso próprio aprimoramento. Mas é preciso ouvir com o coração, e não apenas com os ouvidos.

Acabei de ler um livro interessante, que pretendo resenhar, onde um dos personagens afirma que ele procura viver de forma a não se irritar com o que lhe dizem - contanto que não seja verdade. Aquilo me balançou bastante. 






Poema Bonito






Eu quis escrever 
Um grande poema 
Que fosse bonito,
Sonoro e dourado,
Pra dizer de mim
Do começo ao fim,
Em poucas palavras...

Peguei na caneta,
Calcando com força 
A ponta, nas asas
Da imaginação
Sobre a branca página...
-Somente rabiscos
Da mente, da mão...

De poema, nada!

Soltei a caneta,
E mais um suspiro,
O corpo caído
Na rede, no vento...
Os olhos se foram
Perdidos no tempo,
Singrando colinas,
Sem qualquer intento.

Eu quis escrever 
Um grande poema
Que fosse bonito,
Cheio de arabescos,
Bem metrificado,
Rimado, dosado,
Rosado, suave...

Mas sempre que tento,
Vem a minha alma
E estraga tudo,
Manchando as palavras,
Misturando as rimas,
Desmetrificando,
Dizendo bem mais
Do que eu desejava.




sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

CERTEZAS








Ninguém chega à Estrada da Certeza sem antes passar pela Estrada da Dúvida.
E quando estamos quase chegando lá, percebemos que a Estrada da Certeza  é  apenas uma miragem no caminho da Estrada da Fé.





quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Descansam









Descansam meus mortos, no frio,
Por trás dos sorrisos que minto;
Descansam, os rostos nas flores,
Os olhos nas pedras dos rios.

Descansam, querendo escutar
As preces que  não mais lhes digo
Pois as palavras não são pontes,
São estradas que eu não sigo.

Descansam meus mortos, espero,
Na paz que não me deixaram,
Descansam nos lábios cerrados
No adeus que não me disseram...

Descansam, sonhando com o tempo
De morrer completamente
Quando forem esquecidos
Pelos que ainda sentem.





segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

UM DESAFIO - Encontrei no blog do Bratz



O gato não tem nada a ver com a postagem, mas gosto da foto. É o Chuchu, gato da minha irmã.






O Paulo foi convidado pelo Mark que foi convidado pelo Mikel para participar de um desafio (acho que foi assim). Vi no blog do Paulo Bratz, e ele deixou a participação livre, e como gostei, decidi participar.
Como ele diz, "Basicamente, temos de completar as frases que se seguem com, e cito, "a primeira coisa que nos vier à cabeça". Uma publicação para descontrair, que muito pode dizer de cada um de nós."




Sou muito ... ainda, e infelizmente, crítica. De mim mesma, principalmente, e também dos outros. 
Não suporto ... mentiras
Eu nunca ... pratiquei esportes perigosos, e nem praticaria.
Já me zanguei ... com muita gente, mas embora eu consiga odiar intensamente por cinco minutos, logo depois o ódio transforma-se em indiferença.
Quando era criança ... tinha dificuldades em aceitar as brincadeiras impostas pelas outras crianças, e por isso, passava muitas horas brincando sozinha. Sempre gostei de tocar meu próprio trombone e viver segundo minhas regras.
Morro de medo ... de nada mais. Eu tinha medo de sofrer antes de morrer, mas depois de acompanhar a morte de minha mãe de perto, perdi o medo.
Sempre gostei ... de silêncio, grupos pequenos de pessoas, música, natureza, animais, livros, e de escrever.
Se eu pudesse ... gostaria de ter poderes mágicos que conferissem três desejos às pessoas (sem que elas soubessem). Este poder estaria ativo pelo menos uma vez ao mês.
Fico feliz quando ... estou em casa, com meu marido e meus cães.
Se pudesse voltar no tempo ... não gostaria de voltar no tempo. Tudo me trouxe para onde estou, e mesmo que eu ache que poderia ter feito algumas coisas de maneira diferente, eu fiz o melhor com o conhecimento que eu tinha naquele momento.
Quero viajar para ... a Europa. Principalmente, para a Itália.
Eu preciso ... de silêncio. De livros. De música. De bons filmes. De reuniões com poucos amigos de cada vez. De meu marido. De meus cachorros. De minha casa. 
Não gosto de ver ... animais sofrendo maus tratos. Me tira do sério. Me faz chorar, e fico muito mal o dia todo.

Quem ainda não participou e desejar participar é só aceitar. 




O pato também não tem nada a ver com a postagem.


LOBOTOMIA







Me ensina,
Me asperge,
Me guia!

Fazei, com cuidado,
A lobotomia
Que poupe o trabalho
De fazer escolhas,
Pensar, decidir,
Varrer, do quintal
As folhas e frutos
Que eu mesma derrubo
Ou deixo cair!

Me mostra o caminho
Durante a viagem,
Me diz quando eu devo
Falar e calar,
E ter a fé cega
Que poupa o olhar
Mais meticuloso,
O olhar de entender,
O olhar de julgar
O que é bom ou mau,
-Me manda um sinal!

Eu fecho meus olhos,
Abaixo a cabeça,
Eu tapo os ouvidos,
Eu faço oferendas
Que custam-me o pão
Que a vida me dá
Pela salvação,
Por pura preguiça
De apenas pensar...




Talvez eu Morra








Talvez eu morra,
E há de ser 
Um ato de fé,
Não de vingança...

E a minha morte
Não vai ser nada,
O mundo vai girar
E o dia vai raiar
Como sempre.

Talvez eu morra, sim,
Mas não há de ser
Por você - e nem por mim;
A minha morte
Não será nem
Um golpe de sorte,
Mas uma prova
Da misericórdia
Da vida.

Talvez eu morra,
Quem sabe, hoje,
E tu descubras
Que a tua vida
Ficou vazia,
e no teu peito
Ficará sempre
O meu vazio, 
A tua azia...





O Espelho das Coisas






Estive pensando (e quando isso acontece, questionamentos estranhos podem surgir): Qual é a maneira mais confiável de nos vermos refletidos? Imediatamente, você pensou: "Em um espelho!" Mas... será mesmo?

Quando eu me olho no espelho, vejo o meu lado de fora. Talvez, se eu insistir um pouco, possa enxergar uma outra pessoa que me olha, lá de dentro das minhas próprias retinas. Ela tenta ser ouvida, ela quer existir e ser real, mas nem sempre, quem se olha no espelho quer ver a pessoa que está do lado de dentro, e sim, a casca que a encobre.

A melhor maneira de enxergar a si mesmo, é fechando os olhos e os ouvidos. Por que? Quando abrimos os olhos e os ouvidos, enxergamos as aparências, as ilusões e os rótulos que a sociedade e até nós mesmos criamos sobre nós. Podemos passar horas preocupados com a impressão que causamos nos outros, e dependemos do aplauso alheio para que nos sintamos alguém... e isto é desastroso! Quem se espelha nos olhos alheios escraviza a si mesmo. 

Certa vez eu li em uma postagem no Facebook algo mais ou menos assim: "As mesmas mãos que o aplaudem podem, um dia, atirar-lhe pedras." É a mais pura verdade. O aplauso alheio pode massagear momentaneamente o ego de quem o recebe, mas depender dele para autodefinir-se é a pior forma de escravidão e ilusão.

Todos sabem os motivos reais que servem como base às próprias atitudes. Muita gente faz coisas tentando parecerem ser isto ou aquilo, mas na verdade, fazem por puro medo de não aparecerem, pois acham que se não se sentirem refletidos no espelho que é o outro, não são ninguém. Os aplausos que recebem ecoam por mais tempo em seus ouvidos porque não existe muita coisa entre eles. Há um enorme espaço vazio, uma falta de si mesmo, que necessita ser preenchida pelas ilusões de sucesso, fama e reconhecimento.

É terrível ter que precisar que outras pessoas nos digam quem somos.




quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

O PODER DO VERBO PODER






Nossas almas são campos vastos, e não conhecemos todos os seus caminhos. Por isso, nos perdemos durante a caminhada. Não conhecer a si mesmo faz com que apontemos para o outro, quando ele cai, batendo no peito e dizendo que se fosse o caso, se estivéssemos na mesma situação, faríamos diferente deles. Este é justamente o caso das pessoas comuns que observam os que estão no poder. Falam de seus desmandos e erros, promessas não cumpridas e corrupções, como se fossem, eles mesmos, isentos de culpas. Juram que teriam feito bem melhor, ou que fariam bem melhor, se a chance lhes fosse dada, mas não conhecem o suficiente as suas próprias almas para saber se teriam sido mais fortes do que aqueles que se corromperam.

O poder conjuga o verbo poder: poder acima de todas as coisas, acima de tudo, abrir a mão e pegar, tomar para si o que não lhe pertence, usar como bem entende o dinheiro público, pois afinal de contas, “Se eu não pegar, outros o farão, é dinheiro perdido, é muito dinheiro... serei esperto, e estarei apenas fazendo o que os outros fazem ou fariam.” As pessoas que agem assim estão erradas, sabem que estão erradas, sabem que suas almas estão sendo corrompidas – não pelo poder em si, mas pela sua própria falta de autocontrole e desconhecimento de si mesmo.

Contra a situação, existe sempre a oposição, composta daqueles que apontam a situação e dizem que fariam diferente. Mas será que fariam mesmo? Será que, diante do poder do poder, teriam força espiritual para não agirem da mesma forma, ou até pior? Será que, bem lá no fundo de suas almas, em um cantinho secreto que eles próprios desconhecem, não reside uma pequenina pílula chamada inveja do poder, que nada mais significa do que a vontade de estar no poder para que possa abocanhar seu quinhão? E pelo que eles lutam, realmente? Por um mundo melhor para todos ou para si próprios?

É muito difícil ser; acordar todos os dias, enfrentar as dificuldades da falta de dinheiro, trabalho excessivo, condução lotada, sonhos abortados, e apesar de tudo, não se tornar amargo ou ingrato. Muitas vezes, achamos que a vida “nos deve algo.” Olhamos para os que estão no poder, e dirigem seus carrões, passam as férias em resorts luxuosos, vestem-se bem, comem do melhor, e pensamos: “Tudo com o nosso dinheiro!” Mas quanto deste pensamento "social" é verdadeiro? Talvez, por trás deste ressentimento político, a verdadeira sentença seja “Eu gostaria de estar no lugar dele para ter poder e desfrutar de todas estas coisas.”

Nasce a oposição, que ao invés de focar-se em seus projetos, tenta apontar erros e minar o poder da situação para, simplesmente, tornar-se a nova situação. E assim, a situação nunca muda.



terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Música é Magia

Marido acompanhando as letras de Simon & Garfunkel; achei esta imagem poética.



Marido acompanhando as letras de Simon & Garfunkel - imagem poética!




MÚSICA É MAGIA


Tarde chuvosa. Dias de férias. Bom momento para colocar a memória em ordem, e resgatar momentos antigos. Subimos para  a varanda, espalhando os vinis pelo chão. Alguns deles eu já não escutava há mais de dez anos, e conforme a agulha levava o som dos sulcos aos alto-falantes, eu via velhos rostos conhecidos que se foram  há tantos anos - alguns por circunstâncias da vida (ela mesma junta e separa), e outros, por circunstânias da morte (que se pensarmos bem, é uma circunstância da vida). 

E lá estavam todos eles, apenas esperando uma chance de se mostrarem para mim novamente. Nenhum deles envelheceu ou modificou-se. E enquanto eu estendia meu braço e os tocava, eu me tornava como eles: jovem novamente.

A música é algo poderoso! Ela tem a magia de transformar pequenos momentos em eternidade. Ela traz de volta acontecimentos, lugares, pessoas, e também desperta antigos e novos desejos. Sempre adorei música, e há poucos estilos que não aprecio, embora eu acredite que cada momento pede um estilo diferente de música. E ontem, a tarde chuvosa na varanda pedia velhas canções de Simon & Garfunkel, Queen, Beatles, Supertramp. De repente, encontrei a trilha sonora da novela Estúpido Cupido (1977, ambientada nos anos 60), e me senti transportada de volta às festinhas do bairro, quando a minha geração girava as cinturas ao som das músicas da geração de minha mãe. E estavam de volta The Platters, Elvis Presley, Dean Martin. 

As vozes gravadas para sempre no tempo. Muitas delas já não cantam mais por aqui - quem sabe, cantem em algum outro lugar? E eu olhava a agulha percorrendo a superfície negra dos discos de vinil, e me fazia a mesma velha pergunta: como é que pode, a música estar ali?! É magia!

No link: eu, cantando "Something", dos Beatles






domingo, 10 de janeiro de 2016

O CONVITE











Era festa brava, 
Regada ao doce mel das favas,
(Às favas, os motivos reais
Para tal comemoração.)

As bandejas passando à altura dos rostos,
Os olhos compridos,
Os dedos ansiosos ao banquete posto:
Ao provar... - o desgosto!

Os tais canapés, recheados de pedras,
Quebravam os dentes de quem os provava,
Desciam lanhando  as gargantas, sem dó,
Tão inadequados à ocasião!

Mas era melhor mastigar e engolir,
Sempre sorrindo, sempre bem gentil,
Ignorando a brutal discrepância
Do anfitrião que tão mal lhes serviu?





quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

JANEIROS










Janeiros nos chegam sempre

Com perfumes de esperança,

E segredos costurados

Às bainhas e às mangas.




Um olhar mais atrevido

Em direção ao futuro,

Pulo alto, que nos mostra

O que há por trás do muro.




Janeiros são sempre quentes

Deste lado do hemisfério,

Com mil fogos de artifício

Explodindo seu mistério.




Mas vem, então, Fevereiro,

De braços dados com Março,

Abril, Maio, Junho, Julho,

-E às promessas, um abraço...






segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

VÁ VER A NEVE!










Vá ver a neve,
Colha um floco na mão
E veja o quanto é lindo,
O quanto é branco,
O quanto é leve...

-O quanto é breve!

Erga o rosto para o céu,
E receba o beijo frio
Que te fará despertar
Para a beleza mais simples
Que está em tudo o que há.

Vá ver a neve,
Abra a janela, bem cedo,
E veja como ela cobre
De branco, toda a paisagem...

E se olhar com cuidado,
Verá pedaços da vida
Voando nos ventos,
Verá os sorrisos e os rostos
Dos que de você, se lembram,
Caindo sobre os beirais...

Colha outro floco,
Olhe ainda mais perto,
E verá que a tua vida
Também se derrete
Como esse floco de neve,
Como uma bala de anis...

-E então, lembre-se sempre
De ser total e absurdamente
Muito feliz!





Para

Isabela

e

Leo






Para o Céu










Para o Céu


A fim de chegarem ao céu,
Muitos exercem a hipocrisia...

Se todos eles chegassem
Ao céu, por tal heresia,
O inferno um lugar bem melhor
Com toda certeza, seria.







sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

MORTE: UM CASTIGO?








O que é a morte, qual o seu significado? Acho que ele é mais simples do que parece a todos nós. Morrer significa que se esteve vivo. Todos morreremos um dia, e portanto, a morte não é um castigo, ela é apenas o fluxo da vida desaguando em seu mar.

A minha fé é na vida, não na morte. O que dói não é a morte em si, mas a separação. Choramos pelo que não nos ficou, pelo que perdemos, pela distância que se estabelece; é como se a pessoa que se foi tivesse viajado de repente para bem longe, e a única certeza, é de que não a veremos mais enquanto estivermos aqui. Mas resta-nos a esperança de um dia, quando a nossa viagem chegar, reencontrá-la.

Não desejo a morte a ninguém. Isto é falta de fé, além de egoísmo. Todo mundo que está vivo tem o direito de estar vivo. Há momentos de fúria, quando fico sabendo de algum crime cruel contra alguma criatura inocente, em que desejo a morte, o desaparecimento desta pessoa que o cometeu, mas depois eu vejo que estou errada. A morte de uma pessoa não faria justiça a ninguém. Deus não mata, Deus não nos ajuda nas nossas vinganças tolas e egoístas.

Existe um sentido maior por trás de tudo. Se meu inimigo morre, não é pelo mal que eu penso que ele me fez, não é por causa do meu desejo de vingança, do meu ego ferido, da praga que eu roguei. Ele morreu simplesmente porque estava vivo, chegou a sua hora. Jamais teria a pretensão de pensar que alguém morreu porque Deus achou melhor fazer justiça a mim, como se eu fosse alguma criatura livre de faltas, imaculada, pura, maior. Este pensar é apenas uma armadilha do ego.

Também não faz sentido desejar que a alma de alguém que se foi esteja queimando no inferno, o que denota a certeza de que nós iremos "para o céu," que somos bonzinhos, e que temos privilégios. Este pensamento já denota o atraso espiritual de quem o demonstra. A pessoa que se foi deixou amigos. Deixou família, filhos, quem sabe, pais, irmãos, admiradores. Ela teve uma vida que merece ser respeitada. Não merece ser exposta a escárnio, maledicência, ódio. Se eu não gosto de alguém que se foi, mantenho meu silêncio a respeito - mesmo que seja apenas em respeito à família que ficou, e que está sofrendo. O meu pensamento é livre, porém, e posso pensar o que quiser - mas devo ter cuidado até mesmo (e talvez, principalmente) com os meus pensamentos!

Viver é estar em contato direto com a morte, que descansa sempre a uma respiração de distância; se a respiração pára, eu morro. O corpo se vai. Mas existe uma parte que não morre, e ninguém pode matar. E esta parte vem de uma Força que passa por todos nós, unindo-nos como uma linha de costura, sem fazer distinção entre os "bons" e os "maus," os "seres de luz" e os "seres das trevas." Viemos todos das pulsações de um coração que conhece suas próprias razões, e só ele as conhece. 





UM PASSO







Às vezes, toda uma vida
Depende de um único passo
Em direção a alguém
Para dentro de um abraço.

Ou de ouvidos emprestados,
Palavra dada de graça;
-Poderão ser valiosos
Para uma vida que passa!

Um olhar atencioso
Mesmo que dure um minuto,
Um pedacinho de tempo
Poderá salvar um mundo!

Mas às vezes, assim penso,
Uma vida toda pende
Sobre a generosidade
De um pouco de silêncio...




Metáfora

Às vezes, há ainda uma  corrente Muito fina e cristalina Que quer correr para o mar, Ainda há um par de pernas Que...