quarta-feira, 31 de agosto de 2016

...E O SOL VOLTOU A BRILHAR...





A Terra estava escura,
E o solo duro e seco...
Morriam as esperanças
Sob a lâmina tão dura.

Os raios do sol, tão fracos,
Não chegavam às raízes!
E as flores, e as plantas,
Murchavam, tão infelizes!

O brilho do nosso sol
Tinha sido desviado,
E a escuridão espalhou-se
Reinando por todo lado.

Pessoas sem dignidade
Arrastavam-se nas ruas
Deixando os sonhos na esquina
Por aquela efígie escura!

Mas o sol, que é bem mais forte,
Veio a brilhar outra vez,
Nos concedendo outra chance,
Reparando o mal que se fez...

Pois sob o céu, de repente,
O sol voltou a brilhar
E aquela nuven negra
Voltou ao seu vero lugar!

Foi escrita, na história
Uma linha de alegria,
Nos lembrando quem cantou:
"Amanhã vai ser outro dia!"






segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Poemas Antigos








Em diversas fases da minha vida, eles me pediram para nascer. Dei-lhes  voz, e é de minha responsabilidade que eles continuem vivos. Republicações.



Caminhos e Ilhas


Caminhos vários entre as trilhas
Passos que recolhem milhas
As filhas do tempo
Perdidas nas ilhas,
Isoladas pelo pensamento.


Barcos naufragam com o vento,
As trilhas cobrem-se de escombros,
E tudo: o tempo, a distância, o pensamento,
Desfazem, dos barcos, as quilhas.


Nós naufragamos; o mar nos traga,
Somos criaturas sem famílias,
Sozinhos nessa imensidão
Construímos pontes entre as ilhas
Para enganar a solidão.






Perdão


Se a minha religião permitisse,
Eu juro,
Te perdoaria...
Mas meu deus caduco
Ainda é aprendiz,
E na eternidade
Ele engatinha.

Perdi, há tempos,
O que me restava de inocência,
Por isso,
Não te perdoo...

Mas o que ainda me resta
De puro e religioso,
Te deseja campos verdes,
Lindos sonhos,
E toda a paz que pode haver
Lá longe,
No alto,
Nas nuvens.







Se Houvesse


Se houvesse uma palavra
Que quebrasse esses muros
E trouxesse a primavera,
Eu a diria.

Mas já não há futuro
Para este presente
Que embrulhamos.

Enterramos a primavera
Sob eras de invernos,
Junto aos sonhos que abortamos.






Meu Verso



Meu verso é o nanquim
Que contorna as curvas sinuosas das montanhas,
A aquarela que pinta, de leve,
As cores das águas...
Meu verso
É o vermelho indizível do anoitecer,
O nascer de cada estrela
E o brilho que nos chega
Anos-luz após uma delas morrer.
 
Meu verso é o quadrado onde me abrigo,
E trago sempre, comigo, a poesia,
Porque sem ela, eu não me entendo, eu não me explico,
Meu verso é o branco do meu sorriso,
Meu sul, meu norte, 
Meu inferno e meu  paraíso...
 
Meu verso, algumas vezes, sofre e sangra,
Ora caminha ereto, ora manca,
Ou arrasta-se no chão do meu caminho,
Mas é ele que me leva, se me perco
Sempre,
De volta ao ninho.





Coerência


Há muito deixei de buscar
Neste mundo, coerência.
É uma difícil ciência,
A arte de se dizer
E de ser o que se diz.
 
Guarda-chuvas contra flores,
E andanças em jardins
Coalhados de pedras duras
E de escuras sepulturas...
 
A água fresca cuspida
Veneno, aos goles, tomado...
As amizades traídas
Inimigos exaltados.
 
Há muito deixei de buscar
Neste mundo coerência...
Pois aquilo que se pensa
Nem sempre é o que é.
 
Um sentimento escrachado,
Por línguas de fogo e de fel,
Ouvidos atentos procuram
O som que os tire do céu...
Assassinos desalmados
De almas e de poesias
Mil poetas degolados
Sobre a lage branca e fria.
 
Há muito deixei de buscar
Neste mundo, coerência...







Partidas
 
Ela era a estação,
E ele, o trem que chegava de manhã
E que partia ao findar o dia.
Naqueles breves encontros,
Ela sonhava permanências
E ele se despedia.
 
Ela deixava os sonhos sobre os trilhos ainda quentes,
Guardava o futuro
Num horizonte mutante
E morno de branduras...
 
Ele se perdia por um mundo sem fronteiras,
Onde as estações eram somente
Uma pausa entre aventuras.
 
E cada um era o avesso
Do que o outro desejava;
E era isto  que fazia durar:
O coração não descansava
De sempre e tanto
Sonhar.







Caverna

Há muito que eu entrei nessa caverna,
E  me  esqueci por onde é que se sai.
Aprendo a conviver com  a escuridão
E luz demais me cega.

O gotejar da alma pelo chão
Monótono e sentido - mesmo tom,
É a única canção que me acompanha
Mas que não tem um refrão.

Meus passos se arrastando pelo chão
Nessa caverna imensa e solitária;
A pele d'alma cobre-se de escaras...
Ah, máscara calcária!

E se um dia houver a salvação,
Não sei se eu a aceito contente,
Pois a tristeza é tatuagem quente
E sob, a carne é rara.





Miríades


Miríades de mim:
Nas gotas de chuva (em cada uma delas,)
Subpartida em cada folha,
Em cada canto desta casa,
O meu fantasma à janela.

Milhões de mínúsculas células,
Todas elas
Pedaços diáfanos de mim...
Alguns, espalhados pelo vento
Tentando transcender o tempo.

Miríades de mim em cada estrela:
Vê; eu sou aquela parte mais fosca,
A que empana o brilho,
A que volta sempre no verão,
Nas asas das moscas!

Minha pele esgarçou-se de tanto gastar-se
Contra os muros do tempo.
Meus cabelos caíram, e voam no escuro
Tocam teu rosto como teias de aranha.

Miríades de mim no teu pensamento,
Perdida em cada instante
Eu me reinvento,
Sublimando a morte,
Sublimando o esquecimento.






Sonhos 

Uma nesga de luz apaga a noite,
E traz  de volta a claridade,
No bico de um pássaro.
Os olhos se abrem, encaram a vida,
Enquanto os sonhos se fecham, silentes,
Adormecendo sobre a fronha.

Mais um dia que começa na vida da gente,
Com seus risos, suas lágrimas, 
E outros sonhos, que se sonha acordado,
A luta entre o mel e a peçonha.

Mais um dia que começa, e de repente,
O coração se abre como a flor,
Que espalha as pétalas sob a luz, e esbanja cor,
Para fechar-se novamente ao crepúsculo...

Despertam a noite e o sonho sobre a fronha,
Escurecendo a luz bem devagar,
Mas salpicando tudo com brilhos de estrelas,
Abençoando e protegendo a todos 
Com o luar que se espalha sobre as telhas.





Fim de Tarde

Aquele cheiro de carros
Chegando na rua,
Cachorros latindo nos portões,
Pais com os pães pendurados nos dedos,
Mães em roupões e pantufas,
Jantar sobre a mesa.
 
A novela rolando na TV,
Talheres e copos tilintando,
O cheiro da comida escapando pela janela,
A adolescente no quarto, em frente ao espelho,
 
Sem pensar em problemas,
Apenas nas novas cores dos esmaltes de unha,
Na prova que teria na manhã seguinte,
Em ser uma estrela num banho de espuma,
E no que contar, amanhã, à amiga.
 
Conversas chegando nas vozes dos ventos,
As ruas vazias, tão cheias de lua,
E de repente, alguém chega à janela,
Olha as estrelas, respira fundo,
Planeja o outro dia,
Silencia.
 
Era assim.







Quebrar-se

Não sabia ser inteira; partia-se
Sempre que alguém partia!
E ao quebrar  dos laços,
Apenas a alma doía!

Ah, a impermanência
Na qual ela vivia!
Quebrava-se sempre
Que alguém partia...

A vida emendava os pedaços,
Juntava os traços,
fazendo colchas de mil retalhos,
Amarrava as lembranças
Em um triste feixe...

E ela, sozinha,
Fragmentava-se,
Cortava-se,
Quebrava-se
Em mil saudades,
Ao final de cada dia!

Ah, se ela soubesse
Manter-se inteira,
Reconstruir-se,
Costurar-se!...

Quem sabe, até mesmo
Doesse menos
Cada partida,
Cada quebrar-se!

E as memórias
Juntavam-se todas
Aos pés da moça,
Em frente ao fogo,
Sobre o tapete,
Entre as paredes,
Sob as cortinas
E as cobertas,
Na fronha lisa
Quase sem sonhos...

De madrugada,
Alguém partia,
E ela fechava os olhos
Ainda tonta de sono,
Ainda transida de medo,
Até que um dia - bem de repente
Ela partiu.



Escrevo Porque...


Escrevo,
Porque há tantas coisas belas nessa vida,
Há anoiteceres e madrugadas adormecidas,
Flores nos jardins e pessoas na sua lida...

Escrevo,
Porque necessito contatar o mundo,
Traduzir a vida que me chega a cada segundo,
E interpretar tudo aquilo que eu vejo.

Escrevo,
Por quem não consegue se comunicar,
Por quem está alegre, e por quem, a chorar,
Procura palavras que lhes fortaleçam...

Escrevo,
A fim de pintar o mundo de outras cores,
Há outras matizes, além do negro e do cinza,
Basta escolher como se quer pintar!

Escrevo,
Pelo sim, pelo não e até pelo talvez
Então, de nada adianta querer me calar:
Pois de escrever, jamais irei parar!


domingo, 28 de agosto de 2016

DEPOIS DA INOCÊNCIA




A inocência é como
Uma rosa de pétalas enrodilhadas,
Que protegem o centro.
Uma macia camada perfumada
Cuja cor rosada
Espalha seus tons sobre o que é visto
E sentido.

Mas um dia, após tantos atritos,
Ela murcha,
As pétalas caem uma a uma,
Expondo o centro ao vento mais frio,
E a camada cor-de-rosa se recolhe,
Se encolhe aos poucos,
Desaparece...

E de repente,
Nada mais é a mesma coisa,
Os tons que vemos são fortes demais,
Os sons que ouvimos são bruscos e rústicos,
E a pele exposta aos arranhões
Custa a curar-se,
E mesmo após a cura, 
Cobre-se de duras cicatrizes.

Não sei se é maldita ou bendita
A hora em que perdemos a inocência...
Só sei que nada, nunca mais,
Será a mesma coisa,
Pois nós nunca mais
Seremos os mesmos.





segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Acabou








Foram-se as Olimpíadas, o clima de festa, o Rio de Janeiro seguro (pelo menos, no local do evento) e as pessoas felizes postando fotografias no Facebook e torcendo pelo Brasil. Seria bom se todos torcessem assim pelo Brasil não apenas durante os jogos, mas principalmente, durantes todas as dificuldades que estamos enfrentando.

E eu, que fui contra a realização dos jogos olímpicos por aqui porque achava que não teríamos a capacidade (além das condições financeiras) para realizá-los, tive que dar os dois braços a torcer. Foi um lindo evento. E o Brazil não fez feio. Mas agora, acabou. Voltemos à nossa saúde combalida, com suas filas enormes esperando por atendimento; voltemos aos mais de doze milhões de desempregados, à inflação galopante, à educação beirando ao desespero, CPIs e Lavajatos. 

Voltamos à realidade, e espero que não tenhamos esquecido a lição que aprendemos nesses últimos treze anos, e lição esta que aprendemos a duras penas. Agora é aguardar a conclusão de todos estes fatos, a saída de quem nunca deveria ter entrado, para começar, a punição dos predadores do país e quem sabe, um novo recomeço.

E foi como um sinal de recomeço que eu senti aquele vento forte que soprou durante o encerramento dos jogos. Parecia que estavam mandando para longe toda aquela carga negativa que estava pairando sobre o Brasil, e que deixava a atmosfera pesada e fétida, as pessoas sem esperanças, cansadas e brigando umas com as outras em defesa da classe que jamais mereceria qualquer tipo de defesa, esteja ela de que lado estiver.

E eu aprendi muito, e eu vi de tudo: pessoas que defendiam o impeachment passando para o outro lado de repente, com certeza devido a trocas de favores, e pessoas que eram contra o impeachment e que dariam um olho pela defesa da presidenta, trocando de lado de repente também,  e sem aviso, pelo mesmo motivo: interesses pessoais. E é isso que  a política é: um jogo de intereses pessoais. 

Quem está ainda teimando em defender o indefensável, certamente tem muito a perder caso ela saia (ou quando ela sair), embora clamem que se preocupam com os interesses dos fracos e oprimidos.

Acabou-se o sonho do Rio-Cidade-Maravilhosa, e voltamos à realidade. Espero sinceramente que ela fique mais bonita. Espero que as poucas melhorias que foram feitas na cidade possam ser conservadas, e que não virem um amontoado de ruínas cheias de pichações. Tomara que as conquistas dos nossos atletas nos sirvam de incentivo às nossas próprias conquistas, e que possamos aprender que nenhuma vitória que valha a pena nos chega sem esforço pessoal. 

Espero, acima de tudo, que os oportunistas que sonham com uma boquinha livre  que lhes garanta o sustento, de alguma forma tomem vergonha na cara e descubram que o pouco que se obtém através de trabalho e dedicação, vale muito mais a pena do que qualquer dinheiro ou posição obtidos através de armações políticas e do que qualquer leite ilegalmente produzido pelas tetas já quase secas do governo.






Vamos Lá Para Fora









Vamos lá para fora, onde um vento forte sopra
Fazendo redemoinhos nas nuvens cinzas de glacê.
As folhas caem secas, caem tontas, silenciosas,
E rolam sobre a grama, abrindo mão do viver...

Sentemo-nos no chão, e observemos o que passa
Diante do olhar, sem julgamentos, sem trapaças,
Deixemos que o vento nos desvende seus segredos,
Fechemos bem os olhos, para que possamos ver...

Vamos lá para fora, onde um fraco sol perpassa
Com languidez, as nuvens, dando o ar de sua graça
E então, recolhe os raios, respeitando o tom de cinza
Ensinando que há tempo para tudo nessa vida!

Deixemos que o tempo e o destino se encontrem,
Sem nossa interferência, num momento só de paz...
Sintamos que nós vamos na balada desse vento,
Que somos como as folhas: breve pó do Nunca Mais!





quarta-feira, 17 de agosto de 2016

AMAR COM TERNURA








Amor não é fogo,
Não deve queimar.

Amor sobrevive
Do que há no luar,
Do beijo das ondas,
Das coisas que ficam,
Que o tempo protege,
Do que vale a pena
Lembrar e guardar.

Amor deveria
Ser brando, suave,
Pois fogo é lascívia
Que quebra as beiradas,
Vivência apressada
Na Lâmina fria
Que corta sem ver
A veia do amor
Fazendo morrer...

Amar com ternura,
Do jeito que dura,
Dar laços, não nós,
Saber estar juntos
E também à sós,
Ser sempre um mais um
Sem nunca ser um.

Amor não é gula,
E só sobrevive
O amor que é manso,
O amor verdadeiro,
Feito de ternura,
O amor que é livre...




No link abaixo eu interpreto uma canão de Elvis Presley, LOVE ME TENDER. Os cães latindo ao fundo fazem parte... 








segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Está Tudo Azul? - Estabilidade Emocional -








Minha terceira participação no “Está Tudo Azul?” da Rosélia, pelo aniversário do blog!


ESTABILIDADE EMOCIOAL


Nossas emoções são tão instáveis quanto o clima. A gente percebe que muitas vezes, o meteorologista prevê chuvas, e não cai nenhuma gota, ou que então ele garante sol para o final de semana, e quando chegamos à praia, o céu está negro feito carvão, e um vento frio sopra aquela areia que arranha quando bate sobre a nossa pele. Assim são as emoções.

Temos a mania de achar que saberemos exatamente como agiríamos em determinadas situações, e por isso mesmo, gostamos de dar opiniões sobre os problemas alheios e conselhos aos outros. Mas será que se estivéssemos no lugar da pessoa a quem aconselhamos, faríamos tudo certinho? É fácil, de cabeça fria, sem estarmos envolvidos no contexto emocional de um acontecimento, darmos uma opinião sobre o que teríamos feito; porém, na hora “h”, as emoções tomam conta e podemos acabar fazendo coisas das quais duvidaríamos!







Por isso, é preciso que tentemos – pelo menos tentemos – nos conhecermos bem para que possamos ter alguma estabilidade emocional. Acho que venho progredindo nesse sentido, embora não seja fácil, e nem seja uma regra... seria muito bom que, toda vez que aquele maremoto emocional nos atingisse, tivéssemos a segurança de um barco emocional indevassável. Mas o que realmente acontece, é que muitas vezes estamos, simplesmente, em um ‘mau dia.’  E em dias assim, qualquer coisa que nos toque pode produzir uma reação inesperada, até mesmo pela gente!

Mas o importante, é cercar-se de coisas que nos tragam paz e serenidade, trabalhando sabiamente o que for ruim e negativo – sem fechar olhos e ouvidos para eles, pois negar que a negatividade existe não resolve o problema: apenas o esconde. Quando eu me sinto negativa a respeito de algo ou de alguém, eu paro e penso no assunto. Não tento evitar essa confrontação (que não significa, necessariamente, uma discussão acalorada), pois se o fizesse, estaria perdendo uma oportunidade de aprender através dele. Tento ouvir o que me desagrada, e entender o porquê. 





Daí, ou me afasto, ou tento uma nova abordagem. É claro que há casos em que tentamos várias abordagens diferentes, até chegarmos à conclusão de que de nada adianta continuar nos ferindo, voluntariamente, devido ao comportamento de pessoas que não se importam de verdade com a gente, não se interessam em ceder, conceder, partilhar e aprender, mas apenas querem sugar de nós tudo o que puderem. Infelizmente, a falta de estabilidade emocional deixa um buraco vazio dentro do seu portador que faz com que ele esteja sempre procurando por conflitos que possam ajudá-lo a extravasar sua carga emocional pesada.

Aprendi a me afastar de pessoas assim, que nada oferecem em termos de troca, que não sabem amar, mas que gostam de fazer com que os outros se sintam sempre ‘para baixo,’ tristes, inadequados, pequenos. Para minha própria estabilidade emocional, eu hoje quero coisas que me construam, e não que me destruam ou me façam chorar. Quero gente que olhe nos meus olhos e não destilem sentimentos como inveja e inimizade. Gente que possa participar de um grupo de boa vontade, sem tentar colocar seus membros uns contra os outros.

É assim que eu venho tentando aprender mais sobre estabilidade emocional.





sábado, 13 de agosto de 2016

MEDIDA




O que fazer
Quando sentimentos,
Saudades,
Pensamentos,
Tristezas,
Alegrias,
Não cabem em um poema?

O que fazer
Se não há significados,
Para o que mora
No coração,
Como memórias,
Sonhos guardados,
Desilusões,

E palavras como 
Gratidão,
Surpresa,
Beleza,
Música,
Harmonia
Perdem sua voz
À luz do dia?

Onde encontrar
Serenidade,
Entendimento,
Cumplicidade,
Encantamento?

Deixo minhas linhas
Subirem soltas
Ao céu que há,
Seja ele negro,
Cheio de estrelas,
Azul, dourado,
Branco de nuvens
Ou carregado
De tempestades!

O que fazer,
Como aceitar 
Que a poesia
-Esta palavra
Em si, completa –
Seja excluída,
Seja enxotada,
Seja banida?





quinta-feira, 11 de agosto de 2016

TAG







http://arteculturaespiritualidade.blogspot.com
Barbara e Érika (link acima)

Fui convidada para participar desta tag pelas meninas Bárbara e Érika, e aceitarei com muita honra!

Regras:
1. Escreva 11 fatos sobre você.
2. Responda as perguntas de quem te indicou.
3. Indique 11 blogs.
4. Faça 11 perguntas para seus indicados.
5. Cole o selo da Tag na sua Postagem.
6. Link de quem te indicou.

Bem, vamos aos onze fatos:

1- Escrevo muito, todos os dias. As pessoas se surpreendem sobre como encontro tempo para cuidar da casa, preparar aulas (trabalho em causa dando aulas de inglês) e escrever. Eu sempre respondo que basta ter um pouquinho de organização, e que quando a gente está se divertindo naquilo que fazemos, o tempo não é problema.

2- Adoro ler. Leio muito também, embora não tanto quanto antigamente. Hoje em dia, por praticidade, economia e comodidade, leio mais através do meu Kindle do que de livros de papel, embora não tenha ‘dispensado’ os mesmos. 

3-Tenho alguns e-books publicados pela amazon.com.br. Também tenho vários blogs (Acho que são seis no momento: Expressão, Passagem (apenas textos de outros autores, músicas e vídeos), Nada a Dizer (apenas imagens), From My Window (escrito em inglês), A Casa & a Alma (sobre a casa e seus habitantes) e Histórias (apenas contos, novelinhas e lendas).  Também escrevo no Recanto das Letras, onde mantenho um site, “By Ana Bailune.” Tenho um livro de papel publicado em 2012, “Vai Ficar Tudo Bem.” Ele foi escrito em homenagem ao meu sobrinho Ricardo Alves da Cruz, falecido em 2011.

4-Sou casada, não tenho filhos por opção, nasci em 29 de setembro e completarei 51 anos em 2016. O tempo voou...

5-Adoro o frio. Se pudesse, viveria em um país como a Irlanda, Escócia, Ilha de Man ou o interior da Itália. O calor faz com que eu me sinta fisicamente mal: fico muito inchada, indisposta, tenho dores de cabeça e mal consigo me mexer quando está muito quente. O frio, ao contrário, faz com que eu me sinta viva e bem-disposta. É uma questão física mesmo.

6-Não tenho muitos amigos. Fico muito tempo sozinha durante a semana, a não ser quando meus alunos chegam. Mas como a Érika e a Bárbara, também não me sinto só. Eu gosto de ficar sozinha para fazer o que eu quiser: brincar com meus cães, assistir TV, caminhar, escrever, ler, ouvir música, limpar minha casa. Me sinto muito bem em minha própria companhia. 

7-Porém, adoro receber pessoas, fazer uma comidinha, acender a lareira, enfeitar a varanda com velinhas acesas, incensar a casa, arrumar tudo bem bonito para receber as pessoas. 

8- Não gosto de multidões, e me afasto delas. Eu me sinto mal, quase em pânico quando estou no meio de uma porção de pessoas que não conheço, sem poder sair facilmente. Gosto de poder andar e ir aonde eu quiser com facilidade, sem me sentir presa.

9-Meu objetivo de vida tem mais a ver comigo mesma: quero sair daqui um pouquinho melhor do que quando eu cheguei, e faço o que posso para isso. Não tenho medo nenhum de morrer, mas gosto da vida. 

10-Amo animais, e estar junto da natureza. Minha casa tem um pequeno jardim, e fico muito tempo por lá cuidando das plantinhas, brincando com meus cães ou simplesmente sentada, olhando em volta. Adoro o vento e o sol de inverno. Tenho medo de água, pois não sei nadar, mas adoro o mar, os rios e os lagos. Adoro a natureza, a chuva e as árvores. Para mim, árvores são criaturas sábias e mágicas.

11-Não tenho religião, mas dizem que sou religiosa. Às vezes, quando estou com alguém, me vêm coisas à cabeça que eu sinto que preciso dizer a elas, e eu digo. Não são necessariamente premonições, mas recados, e por incrível que pareça, não sei de onde surgem, mas eu sempre acerto. Sou muito sensível às energias de lugares e pessoas, e sinto logo quando algo não está bem. Muitas vezes tenho sonhos premonitórios – já escrevi sobre eles – e as pessoas gostam de me contar seus sonhos. Às vezes, elas me telefonam para isso! Estudei muito a interpretação de sonhos, e acho que sei um pouquinho sobre o assunto.


As 11 perguntas serão:

1. Qual filme marcou sua vida?
Sob o Sol da Toscana. Adoro!

2. O que a pessoa precisa fazer para ganhar sua confiança?
Nunca mentir para mim, nem que seja para adoçar a minha vida. Prefiro as verdades difíceis às mentiras fáceis. Respeitar meu espaço e minha privacidade. Acima de tudo, gosto de pessoas que sinceramente  se alegram com a alegria alheia. Detesto gente invejosa. E sinto de longe o cheiro da tentativa de manipulação. Não tentem me manipular ou me adular a fim de conseguir algo de mim, pois a única coisa que conseguirão, é a minha distância.

3. Escreva uma crítica (boa ou ruim), sobre a sociedade.
A sociedade está superficial demais. Qualquer um é chamado de ‘amigo’, e todo mundo manda memes dizendo ‘eu te amo’ para pessoas que nunca viram. Enquanto isso, desprezam os que estão por perto, em casa. Há muita hipocrisia nos dias de hoje. Por outro lado, eu amo a tecnologia, acho que vivemos tempos muito positivos neste sentido.

4.Você se inspira em alguém?
Quando comecei a escrever, inspirava-me em Cecília Meireles. Amo de paixão.

5. Como se imagina daqui a 11 anos?
Mais velha. 

6. Que estilo literário você gosta mais?
Qualquer um, desde que seja interessante.

7. Qual seu lugar favorito para ler?
Em meu jardim ou em meu quarto.

8. Qual o livro que você mais chorou?
Uma Arma Para Johnny, de Dalton Trumbo. Eu era uma adolescente quando o li, e minha mente não estava preparada para sua crueza.

9. O que te motiva a ter um blog?
O fato de eu realmente amar escrever, e também me divirto mudando os templates toda hora.

10. O que mudou em você ao ter um blog?
Nada.

11. O que faz você ficar feliz?
Estar junto do meu marido, principalmente aos sábados, quando temos tempo de sair para almoçar, fazer compras, ou passear. Brincar com meus cachorros também me deixa feliz. Dar minhas aulas. Cuidar da casa. Passear. Estar com pessoas que eu gosto. 


Blogs indicados:

Vou burlar a regra aqui... gostaria que participassem todos os blogs que sentirem vontade de participar. Você aí que está lendo, seja meu convidado!





...E Depois de Tudo...








Fui uma crítica ferrenha da realização das Olimpíadas no Brasil, já que pensava que nós faríamos muito feio, pois não temos condições financeiras de sustentar um evento deste porte.

Dei ambos os braços a torcer: o evento de abertura foi muito bonito, mais até do que muitos que vi por aí, ao longo dos anos. Após os problemas na Vila Olímpica serem resolvidos, tudo ficou bem.

Achei muito fora de lugar a tentativa de manifestação “Fora, Temer” de Caetano Veloso e de algumas outras pessoas, pois não era a hora e nem o lugar certo para estas manifestações. Também achei mal-educada e desnecessária a vaia que deram ao Presidente em exercício Michel Temer (assim como lamentei a vaia que deram à Dilma na Copa do Mundo; quem duvida, procure em meus textos antigos).

Uma certeza que me ficou, e pela qual eu lamento muito, é que temos sim, capacidade para organizar eventos deste porte e até maiores que este; podemos mudar as cidades em um curto espaço de tempo, melhorando as condições dos hospitais, escolas, bairros e estradas. Ainda não estive no Rio após as reformas para as Olimpíadas, mas todo mundo anda dizendo que a cidade está irreconhecível de tão bonita – pelo menos, nos locais junto ao evento.

Dói em mim a certeza de que temos tanto potencial, somos um país imenso e cheio de riquezas, e que não decolamos ainda porque uma minoria de abutres fica sempre às portas da cozinha esperando a bandeja com os banquetes passar a fim de devorarem tudo rapidamente, de modo que nada reste para ser servido aos demais convidados. Eles se empanturram do bom e do melhor, e o que nos resta é o que sobra.

Mas eu sinto que alguma mudança, mesmo que sutil, está acontecendo; as pessoas estão ficando mais críticas e mais espertas. Não estão acreditando mais em histórias bonitas e exemplos de vida cobertos de verniz por cima e podridão por baixo. Tomara que este seja um bom sinal, e que o futuro deste país seja algo mais do que hoje vemos. Gostaria de um dia estar bem velhinha, andando pelas ruas com segurança, desfrutando da minha aposentadoria, podendo dispor de um serviço de saúde bom, que dispense a necessidade de pagar por um plano, e ao passar por uma escola, que eu possa ver jovens ajustados e bem-educados.

Será uma utopia? Se for, precisamos das utopias, porque elas nos impulsionam aos sonhos possíveis. 





quarta-feira, 10 de agosto de 2016

COSTURA




Segura firme
As linhas poucas
Da tua costura,
Pois que elas abrem,
Pois que elas fendem,
Pois que elas mostram
O que te resta
Da tua pouca
Compostura!

Estica a linha,
Passa na agulha,
Costura o rasgo
Dessa lisura,
Que só atesta
O que te resta,
Essa fratura
Na tua testa!

Prende bem forte
Borda por cima
Um sol ardente
Nesse teu medo,
Nesse teu asco
Que nunca mente
Sobre a mentira
Que é tua vida:
Retalho podre
De podre  fita!







terça-feira, 9 de agosto de 2016

SEMANA AZUL DA ROSÉLIA - ESTÍMULO PARA VIVER








Rosélia, grata pelo convite, e eis a minha participação.


Há momentos em que nos sentimos cansados; poderá ou não haver um motivo óbvio para este cansaço, porque nem sempre conhecemos seus motivos; o cansaço das coisas pode estar em algum fato que nos recusamos a enxergar, pois admiti-lo nos obrigaria a tomar uma atitude para a qual não nos sentimos preparados, como por exemplo, um relacionamento falido, um emprego que já não nos sustenta mais a alma, a casa da qual não gostamos. Porém, enquanto continuarmos a negar o óbvio, tentando socá-lo com força para algum lugar dentro de nós onde ele esteja obscurecido e temporariamente invisível, tal cansaço não desaparecerá, podendo transformar-se em algo bem mais complicado, como uma doença ou depressão.

Precisamos de coragem. É só através de um olhar cuidadoso sobre nós mesmos e nossos motivos, que encontraremos o estímulo necessário para fazer de nossas vidas o que é certo a fim de podermos ser felizes. Alguns precisam de ajuda profissional, ou de uma conversa sincera com alguém a quem respeitem e em quem confiem. O olhar atento da outra pessoa, sob um outro ângulo de visão, pode nos esclarecer pontos que não estamos enxergando. 

Quando eu preciso de estímulo para viver, eu paro e penso nas coisas que eu tenho feito ou ouvido a fim de encontrar os motivos de estar me sentindo desestimulada: será alguma coisa que eu não tenho feito? O que está me desagradando? Será aquele pequeno comentário maldoso que na hora pensamos ignorar, mas que fica martelando dentro da nossa cabeça, até causar uma rachadura profunda na minha autoestima? E se for isso, é porque eu com certeza estou dando a alguém poder sobre mim e sobre meus sentimentos e pensamentos! A única pessoa que deve ser capaz de ter este poder sou eu mesma.

Seja qual for o motivo, o estímulo de que necessitamos raramente durará, mesmo que aqueles que tentem nos motivar tenham tempo e paciência suficientes para tal coisa, pois a motivação duradoura e eficaz que cada um precisa, não vem jamais de fora. Ela só vem de dentro. 
Você já tentou motivar alguém que tem uma visão negativa sobre si próprio? Na hora em que o fazemos, a pessoa se mostra disposta e receptiva, e alguns dias depois, lá vem ela novamente, choramingando, dizendo que quer desistir de tudo e procurando pelo nosso apoio como se fossemos bengalas emocionais! Impossível motivar alguém assim sem que nossas energias sejam constantemente sugadas. 

O estímulo para viver é uma coisa que deve ser cultivada por todos nós, e devemos criar as nossas próprias fontes de estímulo. E existem muitas! Minhas favoritas são: conversar com meu marido, ficar junto da natureza, brincar com meus cães, ler, escrever, escutar boa música, sair para caminhar, assistir a algo interessante na TV, sentar lá fora no jardim e pensar na vida, fazer planos. Espero que você encontre a sua.



segunda-feira, 8 de agosto de 2016

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

HEROÍSMO






Estamos nos aproximando dos tempos em que os heróis começarão a aparecer novamente, com suas promessas de um mundo melhor e resolução de todos os nossos problemas. Melhor estarmos atentos! Verdadeiros heróis não são aqueles que fazem propaganda de si mesmos. Eles estão inseridos no contexto do dia-a-dia, e nem sequer sabem de seu heroísmo. Se alguém lhes dissesse o quanto são corajosos, diriam que estão apenas fazendo o melhor que podem daquilo que a vida lhes concedeu.

Quando se pensa em heroísmo, logo nos vêm à cabeça fama, grandes feitos, realizações gigantescas, fatos históricos. É muito difícil que alguém veja como heróis a dona de casa que cuida com amor de sua família, o professor que atua em sala de aula recebendo um salário longe de digno, os homens que viajam na caçamba de um caminhão de lixo respirando aquele cheiro horroroso, catando o lixo que a maioria produz, sem segurança nenhuma, e sem reconhecimento. Ninguém enxerga como heróis as tantas pessoas que saem cedo de casa toda manhã, geralmente às quatro, e pegam duas ou três conduções para chegar ao trabalho, e no final do dia, fazem o mesmo percurso – já cansados de tanto trabalhar. Para muitos que se julgam heróis, estas pessoas tem um nome: fracassados.

Todo herói necessita de pessoas que acreditem em seu heroísmo. Geralmente, os heróis criam um problema e depois aparecem como os receptáculos das soluções disponíveis, que só eles possuem. E como a maioria das pessoas tem preguiça de pensar por si mesmas, elas se tornam presas fáceis entre os dentes desses predadores, que lhes cobrem de promessas nas quais elas acreditam porque é mais fácil sonhar com alguém que lhes dê casa, comida, saúde e educação do que tentar trabalhar e obter estas coisas através dos próprios esforços. Os heróis causam as condições miseráveis nas quais o povo que crê neles vive, e depois aparecem com palavras bonitas, roupas bonitas, lágrimas falsas e, após se estabelecerem, deixam tudo como está, para que da próxima vez, eles tenham o que prometer aos que os elegem.

Se alguém olhar através do telescópio de um herói, verá que lá adiante estão os objetivos e interesses que ele quer alcançar: mais dinheiro, mais conforto, mais poder; não para os que acreditam neles, mas para si mesmos! E se alguém olhar com atenção para o caminho que este herói deixou para trás, verá rastros de ódio, vingança e complexo de inferioridade.

Os heróis só são heróis porque contam com aqueles que morreriam por eles tentando alcançar uma salvação que não existe. Não veem que ninguém fará com que tenham uma vida melhor, a não ser eles mesmos. A causa do herói é apenas um amontoado de palavras bonitas e impraticáveis, pois tudo o que existe no que eles pregam, é a falácia. A causa é algo que eles construíram para que seus súditos tenham algo em que acreditar, lutando para que seus heróis alcancem seus objetivos mais rapidamente, sem nem sequer perceberem que estão sofrendo a mais torpe forma de manipulação.

Deus nos proteja dos heróis, e que possamos um dia não mais depender deles. Mas acho que isto só acontecerá quando nos dermos conta de que os grandes heróis de nossas vidas, que defenderão as nossas causas, somos nós mesmos, e mais ninguém.




terça-feira, 2 de agosto de 2016

A BONECA E O TEMPO


Achei esta imagem no Google. Esta é exatamente a boneca que eu sonhava, com a mesma roupinha e as mesmas botas brancas.




Eu Era menina ainda. Esperava pelo natal e pela boneca que pedira. Começava a sonhar com ela em meados de setembro, pouco antes do meu aniversário, pois já tinha sido avisada de que a grande boneca que eu sempre sonhara, mais uma vez não chegaria. Quem sabe, no natal? E sonhando, eu a imaginava (e ela era como uma criatura viva). Escrevia-lhe cartas, criava uma personalidade e um nome para aquela boneca que nunca entrou na minha vida. E o tempo demorava a passar.
Embora o Natal parecesse não chegar nunca, esperar e sonhar era o mais gostoso. Instintivamente, eu sabia que não ganharia a boneca, pois ela era cara demais e meus pais não tinham condições de comprá-la para mim, mas nada me impedia de sonhar, e ela já era real, existia em minha mente e nas cartinhas que eu escrevia para ela.

Às vezes, íamos à loja na qual ela estava, exposta ao público, enorme – era quase do meu tamanho – os olhos azuis de vidro fitando um mundo que eu ansiava desvendar. E eu tocava a sua mão de borracha macia, admirava seu vestido e seus cabelos encaracolados.

A moça da loja me disse que ela andava, e que para isso, bastava que colocássemos pilhas e fôssemos puxando-a para frente. Quando minha mãe dizia que tinha que ir embora, eu ia de mãos dadas com ela, olhando para trás até que a boneca desaparecesse entre as muitas pessoas que circulavam pela loja.

O Natal chegava, e a tão sonhada boneca, não; mesmo assim, após o momento de decepção, eu acabava me alegrando com a boneca bem menor que eu recebia. E continuava sonhando com ela, escrevendo-lhe cartas, tornando-a cada vez mais real na minha vida.

Certo dia, ao passar pela calçada da Rua Paulo Barbosa (eu já estava casada naquela época), olho para cima e vejo, na vitrine de uma loja que consertava brinquedos, a boneca que eu sempre sonhara. Continuava com seus olhos azuis fitando o vazio, braços estendidos à frente do corpo, esperando que eu fosse busca-la. Eu estava com minha mãe naquele dia, e ela me disse: “Veja! Agora você tem condições de comprá-la!” Pensei um pouco, e concluí que certas coisas tem seu tempo, e que a boneca, que antes era uma criatura viva e com personalidade definida, agora não passava de uma simples boneca, sem vida e sem magia.

O tempo passou rapidamente depois daquilo – é engraçado, mas nos dias de hoje, em que tudo é muito e os fatos e informações acontecem tão rapidamente que a gente nem tem tempo de assimilar, o tempo parece que se dissolve e é levado pelo vento, junto com pedaços da gente. Lá se foi a minha infância. Lá se foi a minha juventude. Estou entrando na última fase da vida.

A boneca ficou para trás, como um velho amigo de infância por quem passamos na rua e com quem um dia tivemos muito em comum, mas que a vida e suas urgências afastou de nós para sempre.




PS: Meu número de seguidores vai diminuir drasticamente, pois estarei deixando de seguir vários blogs que eu acompanho há muitos anos, desde que entrei nesta plataforma em 2012, e que apesar de serem meus seguidores, jamais entraram em minhas páginas para deixar um comentário sequer. Blogs que decidi seguir porque achei-os bacanas, e também porque eles começaram a me seguir primeiro, e eu acompanhei. Sei que não tenho tido tanto tempo para ler e comentar todos que eu gostaria, mas apesar da falta de tempo e da conexão de internet quase sempre lenta, de vez em quando, eu estou lá. Mas quando alguém que a gente lê e comenta jamais nos lê ou comenta, é porque ou não gosta da gente, ou então não gosta do que escrevemos. 






REFLEXÃO

Já muito andei sem enxergar, sem ver, O que me fez e me desfez, a fome... "Ana" é o nome que alguém me deu, M...