sábado, 30 de novembro de 2013

Fotos de Família


Fotografias de antigas fotos de família


Minha bisavó Gênova, na casa onde eu nasci e vivi até os 25 anos. Uma das primeiras casas daquele bairro. Minha mãe dizia que, por muitos anos, não tinha calçamento, transporte ou asfalto. Esta foto tem mais de cem anos!

A "Italianada" - família por parte de mãe
Meu pai no exército
Mãe e Pai
Avô Rogério/Rezier - ele tinha dois nomes: um da Itália e outro do Brasil. Filho de Gênova e Heitor.
Bisavós Heitor e Gênova
Avó - Vicência, mãe de minha mãe; morreu quando minha mãe tinha 4 anos. Não era casada com meu avô, e por isso, naquela época, minha mãe sofreu por carregar o rótulo de "filha ilegítima."
Avô Heitor (parte de pai). Não cheguei a conhecê-lo, apenas as minhas irmãs mais velhas.

Eu, aos quatro anos

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

LAVA




A lava escorria pela encosta da montanha,
Quente, crepitante, de fogo e de lama,
Lânguida descia, queimando no caminho
-Tudo o que tocava: flores, relva, ninhos...

A lava sem perdão buscava redenção,
Nascida do vômito daquela montanha...
Que sem piedade, sem qualquer vergonha,
Eruptava enxofre, lama e peçonha!

Mas a mãe natureza aguardava tranquila
Pois tinha a ciência de quem jamais medra...
Sabia que a lava fogosa nas trilhas
Ao frio da manhã, transformava-se em pedra.

E as flores rebrotavam, a relva crescia,
Voltavam os pássaros, cantos, e ninhos...
A paz renascia, e por sobre a fria pedra
Abriam-se fortes e novos caminhos.


quarta-feira, 27 de novembro de 2013

O que Não Tem Preço





Há alguns minutos, eu me enxugava do banho quando a campainha tocou. Acabei de me vestir correndo, e ainda de chinelos de pompom, abri à porta a uma senhora que identificou-se como mãe de meu ex-aluno Augusto, que deixou o curso esta semana porque encontrou um emprego.

Ela me abraçou chorando, entregando-me estas lindas orquídeas da foto e me agradeceu pelo que fiz pelo filho dela. Não acho que eu tenha feito muito, embora eu sempre faça meu trabalho  com  carinho, visando sempre o melhor para meus alunos.  A recompensa que recebi não tem preço. Está em algo além desta linda flor.

Eu é quem agradeço a você, e a todos os meus alunos!


HELEN KELLER











Frases e pensamentos de Helen Keller








"A ciência poderá ter encontrado a cura para a maioria dos males, mas não achou ainda remédio para o pior de todos: a apatia dos seres humanos."








"Nunca se pode concordar em rastejar, quando se sente ímpeto de voar."






"Quando uma porta da felicidade se fecha, outra se abre, mas costumamos ficar olhando tanto tempo para a que se fechou que não vemos a que se abriu."






"As melhores e mais belas coisas do mundo não podem ser vistas nem tocadas, mas o coração as sente."




"Evitar o perigo não é, a longo prazo, tão seguro quanto se expor ao perigo. A vida é uma aventura ousada ou, então, não é nada."




"Muitas pessoas têm a ideia errada do que constitui a felicidade verdadeira. Ela não é alcançada através da auto-satisfação, mas através da fidelidade a um propósito digno."






"Tudo o que amamos profundamente converte-se em parte de nós mesmos."





Nascida no Alabama ela provou que deficiências sensoriais não impedem a obtenção do sucesso. Helen Keller ficou cega e surda, desde tenra idade, devido a uma doença diagnosticada na época como "febre cerebral" (hoje acredita-se que tenha sido escarlatina). Ela sentia as ondulações dos pássaros através dos cascos e galhos das árvores de algum parque por onde ela passeava.


Tornou-se uma célebre escritora, filósofa e conferencista, uma personagem famosa pelo extenso trabalho que desenvolveu em favor das pessoas portadoras de deficiência. Anne Sullivan foi sua professora, companheira e protetora. A história do encontro entre as duas é contada na peça The Miracle Worker, de William Gibson, que virou o filme O Milagre de Anne Sullivan, em 1962, dirigido por Arthur Penn (em Portugal, O Milagre de Helen Keller)...
Vida.


Em 1904 graduou-se em bacharel em filosofia pelo Radcliff Clollege, instituição que a agraciou com o prêmio Destaque a Aluno, no aniversário de cinquenta anos de sua formatura.


Ao longo da vida foi agraciada com títulos e diplomas honorários de diversas instituições, como a universidade de Harvard e universidades da Escócia, Alemanha, Índia e África do Sul.. Em 1952 foi nomeada Cavaleiro da Legião de Honra da França Foi condecorada com a Ordem do Cruzeiro do Sul, no Brasil, com a do Tesouro Sagrado, no Japão, dentre outras.


Foi membro honorário de várias sociedades científicas e organizações filantrópicas nos cinco continentes.


Em 1902 estreou na literatura publicando sua autobiografia A História da Minha Vida. Depois iniciou a carreira no jornalismo, escrevendo artigos no Ladies Home Journal. A partir de então não parou de escrever.


Socialista1 , era filiada ao Partido Socialista da América (SPA), onde desenvolveu uma intensa luta pelo sufrágio universal, ou seja, pelo direito a voto às mulheres, negros, pobres etc. Em 1912 se filiou à Industrial Workers of the World (IWW ou"os Wobblies"), passando a defender um sindicalismo revolucionário. - fonte: Wikipedia.



terça-feira, 26 de novembro de 2013

Algumas Coisas




Algumas coisas nos entram pelos ouvidos,
Fazendo volteios pelos caminhos curvos
Do pensamento.
Os sentidos vão, aos poucos, se criando,
Se mostrando, em gritos sustenidos
Sustentados gritos em elevação.

Outras coisas, nos entram pelos olhos,
Causam-nos escândalo, ferem as pupilas,
Arranham as meninas.
Estas coisas ficam nas retinas,
Impedem o sono nas noites escuras,
Seguram, nas unhas, o amanhecer.

Ah, mas tudo isto faz parte, tudo é viver!
E é melhor senti-las a não ter sentidos,
E a dor sempre virá amarrada ao prazer,
Pois isto é viver, sim, isto é viver!...




COISAS DE QUINTAL


Quintal ou jardim: qual a diferença? Segundo o dicionário:
Quintal – pequena quinta; pequeno terreno com horta, junto a uma casa; pomar.
Jardim: local onde se cultivam flores; terreno onde se cultivam plantas para recreio ou estudo.

Bem, para mim, um quintal é um pequeno jardim. Tem aquele cantinho com os vasos de plantas. Tem uma vassoura velha encostada em um canto de parede. Tem um pedacinho de grama, ou um chão cimentado bem varridinho. Com certeza, formigas, joaninhas, passarinhos e o som do rádio do vizinho.
Pode ser que haja um varal, onde a roupa limpa da casa balance contente ao sol, ao sabor do vento.
Quando eu era pequena, no nosso quintal tinha uma pequena churrasqueira improvisada, feita por meu pai com tijolos e chapas de ferro , em volta da qual a família se reunia aos domingos. Ah, e tinha cães e gatos! Que graça teria, se não fossem eles?

No chão de terra batida, as linhas da amarelinha riscada por mim e por minha irmã, e também as marcações para o jogo de bolinhas de gude. Tinha canteiros com dálias, margaridas e bocas-de-leão debaixo das janelas da frente da casa. Em uma pequenina gruta, na lateral do terreno, colocamos uma miniatura de Nossa Senhora. Gostávamos de por flores para ela, e acendíamos velas.
Ficava no quintal a ‘oficina’ de meu pai, um barracão de zinco onde ele fazia suas grades e portões de ferro. Eu adorava ficar lá quando chovia, pois o barulho da chuva batendo nas folhas de zinco era tudo de bom! Mas sob o calor do verão, era insuportável... quando meu pai não estava usando a oficina, eu fazia dela a minha casa de bonecas.


No nosso quintal tinha uma coisa que eu amava, e até hoje, quando eu vejo um, se possível, penduro-me nele: um balanço, feito por meu pai.
Era no quintal que nos reuníamos para comer frutas – mangas, laranjas, melancias, jabuticabas, tangerinas, ameixas e uvas – e fazíamos a maior sujeira: cascas e caroços por todo lado! E nós, lambuzados.
Eu gostava de chegar da escola, mudar de roupa e ir sentar no chão do quintal, calçando meus chinelos de borracha. Jogava vôlei com a parede, pulava corda, andava em meu velocípede, e quando já estava mocinha, colocava o biquine e estendia uma toalha no chão para tomar sol e ficar ‘morena.’
É tão bom ter um quintal! Para mim, ele é o lugar para onde estendo minhas raízes, ou elas ficariam emaranhadas e atrofiadas no vaso-casa.


PAISAGEM NA POÇA D'ÁGUA














segunda-feira, 25 de novembro de 2013

A Felix o que é de Felix






Felix - personagem magistralmente interpretado pelo ator Matheus Solano - tem sido o alvo de muitas análises psicológicas, críticas, simpatias e antipatias. Ninguém negaria sua maldade; mas será que toda  maldade é inata? 

Seu charme é irresistível; sua maldade, quase sempre, explícita. Um personagem que, talvez por ter sido vítima de preconceito durante toda a sua vida, exerce uma tirania preconceituosa contra todos que ele considera estar em posição inferior a dele na escala social.




Uma criança que cresce sem ser aceita pelo pai - a quem passa a vida tentando impressionar, tentando ser amado, valorizando cada olhar e cada migalha de atenção - e que tem o apoio incondicional da mãe em virtualmente qualquer situação, poderá tornar-se um adulto equilibrado? Alguém que teve sua sexualidade reprimida, sendo tratado como um anormal, obrigado a casar-se com uma mulher e ter um filho a fim de salvar as aparências e garantir uma pequena réstia de admiração paterna, poderia ter se tornado alguém amoroso?





As pessoas são diferentes; em muitas situações, vemos rosas crescendo no meio do lamaçal, e espinhos horrorosos nos melhores e mais bem cuidados jardins; mas na situação de Felix, o que eu enxergo é uma criança que cresceu em um jardim de flores falsas e podres. Tudo em sua vida é uma mentira: o casamento dos pais, a origem da irmã, a filiação de seu suposto filho - que mais tarde, ele descobriu ser seu meio-irmão, e seu casamento falso com uma prostituta contratada pelo próprio pai. Todos lindos, bem vestidos e perfumados, mas cheios de podridão e falsidade por dentro. Acho que Felix teve poucas chances de tornar-se alguém melhor. Sua maldade reprimida, quando vinha à tona, era imediatamente sublimada pela mãe, que passava panos quentes sobre tudo o que ele fazia, desde que não fosse ela mesma a atingida.



Assim, Felix cresceu sem princípios e sem limites.

O pior veio à tona - agora que todos descobriram que ele cometeu o imperdoável, o ato mais abominável, cujos praticantes são execrados até mesmo entre seus iguais criminosos em prisões e reformatórios: um quase infanticídio contra a própria sobrinha - sua mãe vira-lhe as costas. Aquela que era seu único porto seguro, a única pessoa a quem ele realmente amava, e que poderia ter alguma chance de modificar-lhe ao menos um pouquinho o caráter, deixa-o sozinho em um mundo no qual ele não foi preparado para viver. Este abandono, além de irresponsável, não seria também um ato cruel?



Qual será o final de Felix? O que ele fez merece perdão? Acredito que o autor preparou para ele o final que ele merece: alguma coisa bem infeliz, como a prisão, a loucura ou a morte. E embora o Felix-personagem seja punido no final, existem na vida real centenas de milhares de Felix que talvez jamais conheçam o sabor da punição. E eles nem são tão bonitos e charmosos.


Acho que entre todos os crimes que Felix cometeu, o segundo pior deles foi o de ter passado toda a sua vida tentando impressionar alguém que sempre o desprezou. Com certeza, poderia ter sido muito feliz se tivesse virado as costas ao pai, como este fez com ele.



Fim de Tarde
















domingo, 24 de novembro de 2013

Para Lembrar de Mim





Se quiseres recordar-me,
Procure um canto vazio,
Escute o silêncio, escute...
Por favor, não diga nada,
Aquiete teu pensamento...
Permaneça sem palavras
E te chegarei no vento.

Um cantinho de jardim
Numa tarde avermelhada,
Capim verdinho brotando
Na beira de alguma estrada,
Barulho de água de rio,
Latido de algum cachorrinho,
Se quiseres recordar-me,
Basta ficares sozinho...

Quem sabe, um céu estrelado,
Ou nos anéis em arco-íris
Que circundam a lua cheia
Em noite quente de seca?...
Talvez, na poça de água
Que reflete as nuvens negras
No cimento da calçada...
Se quiseres recordar-me,
Basta não dizeres nada!

Se quiseres recordar-me
Na essência do que sou,
Leia sempre poesias,
Pois é nelas que eu estou!
E  em contos e histórias,
Crônicas e pensamentos...
Porém,  mais do que nas letras,
Eu estarei no silêncio.








A Cachorrinha que Pensava Ser Menina



Porque casa sem bichinhos é um pouco mais triste, uma homenagem aos bichinhos da minha casa:







A Cachorrinha que Pensava ser Menina


Era uma vez, lá em casa
Uma linda cadelinha
Que gostava de sentar-se
No banquinho, como gente.

Se não estava muito quente,
Ela deitava-se ao sol,
De barriguinha pra cima,
A brincar, toda contente!



Gostava de cavar buracos
E enterrar suas coisinhas:
Um pedacinho de pão
Um biscoito quebradinho
E uma casca de mamão.

Na pontinha do focinho,
De terra, um grande torrão!
Uma buraco no jardim
Bem juntinho do banquinho!




A menina cachorrinha
Travessa, como ela só
Sacudia-se da terra
E soltava muito pó...

Se passasse lá na rua
Algum outro cachorrinho
A menina se agitava,
Latia, e muito rosnava...
Mas era apenas firula,
A menina cachorrinha
Não mordia - só brincava!

No quintal , a passear
E a aprontar mil travessuras
A menina cachorrinha
A quem todos adoravam
Ganhava muitos carinhos
Por causa de sua fofura.




Quando dormia, sonhava,
Mexia todo o corpinho,
E latia, bem baixinho
Como um cachorrinho que chora...

Quem sabe, enquanto dormia,
A cachorrinha sonhava
Com seu amiguinho Aleph
Que já tinha ido embora?


Aleph

Exageros

    Assisti a um vídeo na internet no qual uma drag queen montada dava palestras em uma escola para crianças que, aparentemente, t...