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Mostrando postagens de Fevereiro, 2013

Mãos

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Que eu possa colher Nas minhas palmas Os ventos loucos, Os gritos roucos, Tornando muito O que for pouco, Esmigalhando As más intenções...
Que sejam grandes o bastante, As minhas mãos...
Que eu consiga, em um só gesto De varinha de condão Dispersar tudo aquilo Que for indigesto!... Que eu purifique Estas paredes, Purifique as águas Matando as sedes!
Que sejam ágeis o bastante, As minhas mãos...
Que eu possa, agora, Entre os meus dedos Desfiar, bem devagar, Os fios da memória, Entrelaçando-os Ao coração.... Que fique tudo O que foi bom!
Que sejam habilidosas, As minhas mãos...
Que eu consiga, numa oração Juntar as palmas, Abençoando, assim, As almas tristes De um mundo agreste... Que eu esmigalhe O mal que lastra... -Que não se espalhe!
Que sejam fortes o bastante, As minhas mãos...

Minha Cor é o Azul

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Tenho fases, em relação as cores... já fui rosa-choque, preto, verde-musgo, verde-água, branco, amarelo, laranja, azul-marinho, marrom. Quem abrisse meu guarda-roupas, veria a cor predominante do momento. Dizem que as cores tem influência sobre a nossa aura, e também interagem com as nossas energias. Certa vez, quase tudo o que eu tinha era azul.
Também passei por uma fase de estampados coloridos (que não durou muito, pois eu logo enjoo das peças de roupas que tem muitas cores). Hoje, eu estou azul. Exatamente o tom de azul que se encontra no meu blog: suave, frio, nem claro, nem escuro. Acho que, desta vez, eu cheguei a um acordo quanto a aparência deste espaço! E acho que desta vez, vai durar.
É incrível  a maneira como vamos passando de uma fase para outra em nossas vidas! Gosto de observar tudo, e principalmente, de observar-me. Se você me perguntar, após uma ou duas horas que passei em companhia de alguém, qual a roupa que a pessoa estava vestindo, eu provavelmente não saberei r…

JÓIAS

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Dormem as jóias  Sob os tijolos, Esquecidas do seu tempo De brilhar...
Dormem e aguardam Com paciência Que algum dia Alguém as venha resgatar.
São de verdade,  Não se desfazem, Não enferrujam, Não perdem o brilho...
Dormem as jóias, Sob as memórias No fundo opaco De um longo rio...
*

Nem Tanto...

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Tudo não é tanto assim: As alegrias, as tristezas, Incertezas, desencantos, Se soubermos, desde o início Que a vida escreve, sempre, Sobre cada acontecimento: "Nem tanto!"
Partículas de momentos Numa dança intransigente Sob a batuta de um vento Que rege a vida da gente, Mas até mesmo esse vento Tem escrito, nalgum canto: "Nem tanto!"
Caminhamos sobre a prancha De um navio de incertezas Com a ponta de uma espada Espetando as nossas costas... Mas até a boca aberta Do faminto celacanto Tem escrito em sua goela: "Nem  tanto!"
Finalmente, nos veremos Em um barco, soçobrando,  Transidos de dor e de medo, E a vida, nos matando... Mas ao chegarmos ao fundo Na lama de um mar imundo, Haverá alguém escrito: "Nem tanto!"
*

Jamais Conseguirei Entender a Mentira Como Solução...

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Coisa de novela, mesmo. Fico assistindo ao comportamento da personagem de Nanda Costa , "Morena", na novela das nove horas da Globo, e não entendo o porquê da moça mentir tanto, sobre tudo, o tempo todo, e para todo mundo! Ela começou mentindo para o namorado; depois, para a mãe e para os amigos, e agora, mente para as únicas pessoas que ela encontrou no inferno onde se meteu, e que realmente propuseram-se a ajudá-la. Mente porque acha mais prático, mais adequado, melhor? Mente por medo, mania de querer ser a 'dona da verdade', para ter o controle da situação? 
Ou mente por compulsão?
Tenho visto muita gente que mente por compulsão, até mesmo sobre as mínimas coisas; coisas sem importância alguma, mas mentem, talvez por acharem divertido, interessante, sei lá... dizem que gostam de coisas quando não gostam; dizem que comparecerão a um evento no qual jamais pensaram em ir; chegam em uma loja, e após passarem muitos minutos (ou horas) enchendo a paciência do vendedor-…

O LOBO

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Ele se foi de mim, E hoje uiva nas estepes, Solitário lobo, Sem casa e sem pouso, Tão longe de mim!...
Ah, e eu te procurei, E eu te quis por perto, Num resgate De peito aberto Desse meu triste e imensurável Deserto!
Lobo, se tu uivas Em noites assim De luar claro, Algo estremece em mim... Pois és a parte que me falta, A que fugiu de mim No dia em que nasci!
E eu espero,  E eu procuro, Deixo a porta sempre aberta E um bom naco de minha carne Na esperança de rever-te, Na esperança de juntar-me a ti, Pedaço de minha alma!
Anseio pela alegria De finalmente, reencontrar-te, Parte ausente de mim, Nem que seja No limiar da incerteza, No meu último dia, Criatura Divina...



Livrar-me!

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Quero livrar-me de toda a pressa, Toda urgência, Toda hora marcada, Toda pura aparência.
Quero perder-me em horas vagabundas, A olhar as flores, Os passarinhos, A chuva.
E se um dia arrepender-me de repente (Pois decerto, alguém dirá que me perdi) Eu só pretendo ir em frente, Com a branda incerteza de quem ri Daquilo que nem sequer compreende...
Quero poder ser inocente Diante de todas as maldades, (Bem, para isto, talvez seja tarde...) Mas tentarei, eu juro, Refugiar-me em mim mesma Quando , do escuro, Vierem , para mim, as setas!
Quero alimentar-me docemente, E bem tranquilamente Das tetas da vida, Sugando o que me for oferecido, O leite doce, o leite amargo, Com o mesmo prazer, E sem enfado.
Quero livrar-me, Livrar-me de qualquer amarra, Qualquer cadeado ou palavra Que tente, novamente,  Limitar-me!

ESPERA

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Sou como aquele cão, A espera de que caia Algum farelo, Algum resquício de carinho Da tua mão.
À noite, eu uivo, Deitada no chão, Arranho o assoalho, E faço frangalhos Do meu cobertor...
Mas somente a lua Escuta meu ganir, Pois você não me vê... Passa por mim, Olhos sonolentos Semi-fechados por algum vento Que te deixou dormente.
Sou como aquele cão, Perdido, faminto, E tu nem sequer sentes!...

ENCANTO

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Por trás da tristeza, o encanto, A magia de viver Espalhada em cada canto.
Uma nesga de jardim, Colibri beijando flor, Besouros fazendo amor.
Cantam, preguiçosamente As cigarras lá na mata: Este dia será quente!
Joaninha de bolinha, Borboleta distraída, Por trás, essa dor fininha...
Lindo dia se anuncia, Mais um dia sem você... Sem resposta e sem porque.
Olho o sol que se levanta, Mais um dia sem você, Ou será menos um dia?...

Esperança

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Uma dor hipócrita acaricia-me o peito Usando luvas de veludo e espinhos E uma chuva ácida encharca-me o leito Afogando-me a alma quando estou sozinho.
São meus olhos que chovem essa chuva que rói E é em meu coração que habita essa dor. Sou eu quem a alimento e a mantenho viva Iludindo-me, no afã de ser meu teu amor.
E à noite os meus sonhos me fazem lembrar Pois revejo os teus olhos, o que me prende e cativa. Eu não posso abrir mão, não consigo matar Essa dor-ilusão, que é a razão de minha vida.


Olhar o Mar

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Ondas salgadas Sem piedade Quebram-se em mim...
Olhar o mar, e não pensar, Apenas Olhar o mar!...
Perco as pupilas Por entre as vagas Cheias de mim...
Olhar o mar, e não pensar, Apenas Olhar o mar!...
As horas passam, O sol escalda Os pensamentos...
Olhar o mar e não pensar, Apenas Olhar o mar!...
Vou pelas águas Verdes do mar, Só me perdendo...
Olhar o mar e não pensar, Apenas Olhar o mar!...

Uma gaivota Pousam na praia, Tuas lembranças...
Olhar o mar e não pensar, Apenas Olhar o mar!...
Como é difícil Olhar as ondas E não pensar!...
*

Uma Noite Animal

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Quase todas as noites, eu e meu marido saímos para dar uma volta com a nossa cadela Rottweiler, a Latifa. Ela é um doce de pessoa, digo, de cadela, mas pensa que é gente (não sei porque), e detesta outros animais; toda vez que encontramos com outros cães, gatos e até mesmo esquilos, passamos por um verdadeiro estresse a fim de controlar os impulsos assassinos da Latifa.
Na noite passada, assim que terminamos de descer a ladeirinha da nossa rua com ela, meu marido avistou um animal estranho passeando no meio da rua escura, a uma certa distância de nós. Ele apontou-me o bicho, dizendo: "O que é aquilo? Uma galinha?!" E eu, apertando os olhos para enxergar melhor: "Não... onde já se viu, uma galinha passeando à noite? É um gato!" Fomos chegando mais perto, e constatamos que tratava-se de um galo com o pescoço pelado. Parecia ter passado por poucas e boas...
Voltei e toquei a campainha de meu vizinho, pois sei que ele cria aves e outros animais. Quando minha vizinha a…

Cancro

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Eu acho Que o nosso cancro Vem da vida vazia Que vamos levando, Da mágoa calada No peito guardada, Qual faca afiada Que vai nos cortando, Daquela  palavra Que nós não dizemos, Da raiva aumentada Que vai sufocando.
O nosso cancro Vem do desencanto De amores frustrados Que vamos vivendo, Das escuras ruas Da mente e da alma Por onde, no ontem, Vamos nos perdendo, Da casa fechada, Da falta de vento, Da dor costurada Que nós escondemos, Da falsa alegria Que vamos vendendo.
Eu acho Que o nosso cancro Vem daquelas contas Que nós não devemos E vamos pagando, Vem da gratidão Que nós não sentimos, Vem dos olhos cegos Com os quais enxergamos, Dos ouvidos surdos Que nós educamos, Da falta de amor Que por nós sentimos, De espaços vazios Que, com qualquer coisa, Nós vamos enchendo.
Eu acho Que o nosso cancro Vem das despedidas  Que não aceitamos, Da indiferença Que sempre fingimos Que não percebemos, Da injúria gritada Sobre a nossa face, Da maledicência Que nós só fingimos Que já perdoamos, Da fo…

GUIZOS

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Penduras guizos Aos teus sorrisos: Profundos silêncios...
Desfolham-se as rosas E os narcisos.
A lágrima bruta Tal qual diamante Não lapidado, Teu olhar Dilapidado Em teu rosto cansado...
Penduras guizos Nos cantos dos lábios, Os lentos passos Que não chegaram E nem chegarão Àqueles paços!
Te entregas ao abismo Fugindo, sempre, Dos meus abraços!
Caem os guizos: Soam tristonhos Dentro da curva   Num chão sem passos.

PAR

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Dulcíssima dupla, Nascida em união Metafórica e lúdica.  Encontro de almas  Num céu-tobogã  De altos e baixos,  Perdidos estavam  Nos muitos caminhos  Do buraco da maçã. 
Um par, que tão ímpar Surgiu de uma bruma  Soprada entre os dentes  De um Deus de lunetas  No solo tão fértil  Da imaginação, Mente e coração  Frutos sem caroços,  Sem centro, sem chão... 
Como é abominável Toda perfeição!  O sonho mais lindo  E mais cintilante Não resiste à força  Da palma da mão,  E morre esmagado,  Por fim, revelado, Trazido ao real  É desmascarado. 
Um par tão perfeito, E tão adorado!  Como viverá  Se for separado?  As máscaras caem,  Derretem na chuva  Mandada do céu  Pelo mesmo deus  Que os havia criado... 
Não é um triste fado?
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Cuidar da Casa e da Alma

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De vez em quando, como todos sabem, é preciso limpar a casa onde moramos. Para isso, existem vassouras, detergentes, paninhos, aspiradores, sabão e água. E se fizermos esta limpeza regularmente, ela não será tão difícil; mas quando deixamos a sujeira acumular por muito tempo, a limpeza durará muitas horas - ou dias! Vejo na TV os programas sobre os 'acumuladores de objetos,' cujas casas estão abarrotadas de coisas - as mais inúteis - até o teto, de forma que torna-se impossível limpá-las ou circular por elas. É claro, estas pessoas sofrem de problemas emocionais e psicológicos profundos, e precisam de ajuda.
Eu gostaria que houvesse um programa que mostrasse o que acontece um ano ou dois após a limpeza das casas daquelas pessoas... será que elas continuarão a manter tudo limpo e organizado, ou voltarão a acumular coisas, deixando a desordem e a sujeira se instalarem? Bem, eu acho que a maioria delas voltará ao ponto de partida, pois a sujeira e o acúmulo que elas expressam d…

TRAMA

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Os meus poemas Não usam gravatas, Polainas ou ternos,


Surgem da lama, Eternos dilemas Da alma insana Que versos derrama E até mesmo, Às vezes, Ama.


Os meus poemas São de outro universo, Avesso da trama De um rico tecido: Não brilham, não vencem, Mas traçam os desenhos E as estampas.


E de repente, O fio arrebenta, Cansa-se a roca E a alma sangra.
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Ribalta

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Não sei o que rola Nas ribaltas Desse grande teatro... Meu lugar é o palco, O picadeiro, Pois sou palhaço!
Apupos, aplausos, Risadas e 'Ohs..' Aprumo meus passos, Levanto minha voz E pinto no rosto Uma lágrima de tinta.
Mas não sei O que rola nas ribaltas, Não quero saber Das notas dissonantes Nessa pauta! Mantenho apenas No canto do rosto Lágrimas retintas...
(E no canto da boca Um riso escondido Pelo que se move Nos corredores cinzas Desse imenso circo!)

*