sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Conversa com Cecília






Me disseram, Cecília,
Que a poesia
Não passa de um amontoad
De métricas e rimas,
E que é proibido
Mostrar nela sentimentosf,
Verdades, tristezas
E alegrias.

Me disseram, Cecília,
Que eu me desnudo demais,
me exponho demais,
Me mostro demais,
E que isto,
Não é poesia.

Me disseram, Cecília, 
Que poesia não é desabafo,
Não é cantoria
Do que de bom ou ruim
Nos acontece.

Mas eles a leram, Cecília?
Deitaram a alma sobre os teus versos
(Ao invés de apenas percorrem, com os olhos,
As tuas linhas),
Ouviram teu coração quebrado
Além do alinhado das rimas?
-Não?!

Agora eu entendo melhor
As mil pessoas de Fernando,
E os muitos sapos que coaxaram
No poema de Bandeira,
E o porquê Drummond desejou tanto
Ser gauche na vida!

Eles sentiram na pele
A poesia incompreendida,
A poesia-retrato
De mil faces e mil nomes, Cecília...




Poema de Sete faces - Carlos Drummond de Andrade


Quando nasci, um anjo torto 
desses que vivem na sombra 
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.

As casas espiam os homens 
que correm atrás de mulheres. 
A tarde talvez fosse azul, 
não houvesse tantos desejos.

O bonde passa cheio de pernas: 
pernas brancas pretas amarelas. 
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração. 
Porém meus olhos 
não perguntam nada.

O homem atrás do bigode 
é sério, simples e forte. 
Quase não conversa. 
Tem poucos, raros amigos 
o homem atrás dos óculos e do -bigode,

Meu Deus, por que me abandonaste 
se sabias que eu não era Deus 
se sabias que eu era fraco.

Mundo mundo vasto mundo, 
se eu me chamasse Raimundo 
seria uma rima, não seria uma solução. 
Mundo mundo vasto mundo, 
mais vasto é meu coração.

Eu não devia te dizer 
mas essa lua 
mas esse conhaque 
botam a gente comovido como o diabo. 

Obs: "gauche" é uma palavra francesa que significa desajeitado, acanhado, deslocado ou simplesmente esquerda.





Os Sapos, de Manuel bandeira

Enfunando os papos, 
Saem da penumbra, 
Aos pulos, os sapos. 
A luz os deslumbra. 

Em ronco que aterra, 
Berra o sapo-boi: 
- "Meu pai foi à guerra!" 
- "Não foi!" - "Foi!" - "Não foi!". 

O sapo-tanoeiro, 
Parnasiano aguado, 
Diz: - "Meu cancioneiro
É bem martelado. 

Vede como primo 
Em comer os hiatos! 
Que arte! E nunca rimo 
Os termos cognatos. 

O meu verso é bom 
Frumento sem joio. 
Faço rimas com 
Consoantes de apoio. 

Vai por cinquenta anos 
Que lhes dei a norma: 
Reduzi sem danos 
A fôrmas a forma. 

Clame a saparia 
Em críticas céticas:
Não há mais poesia, 
Mas há artes poéticas..." 

Urra o sapo-boi: 
- "Meu pai foi rei!"- "Foi!" 
- "Não foi!" - "Foi!" - "Não foi!". 

Brada em um assomo 
O sapo-tanoeiro: 
- A grande arte é como 
Lavor de joalheiro. 

Ou bem de estatuário. 
Tudo quanto é belo, 
Tudo quanto é vário, 
Canta no martelo". 

Outros, sapos-pipas 
(Um mal em si cabe), 
Falam pelas tripas, 
- "Sei!" - "Não sabe!" - "Sabe!". 

Longe dessa grita, 
Lá onde mais densa 
A noite infinita 
Veste a sombra imensa; 

Lá, fugido ao mundo, 
Sem glória, sem fé, 
No perau profundo 
E solitário, é 

Que soluças tu, 
Transido de frio, 
Sapo-cururu 
Da beira do rio...


quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Escrito à Tinta



Quando eu estava para completar dez anos de idade, minha mãe me chamou e perguntou-me o que eu preferiria ganhar de aniversário (o dinheiro era pouco): uma bola perereca, daquelas que quicam bem alto quando a gente as joga no chão - eu adorava jogar bola e era doida para ter uma daquelas-, ou canetas esferográficas e um caderno de dez matérias igual ao da minha irmã mais velha que já cursava o ginásio. Eu ia começar a quinta série ginasial no ano seguinte, e não via a hora de poder começar a escrever à tinta e ter todas as matérias da escola em um só caderno, ao invés de ter que carregar todos os dias os vários caderninhos encapados com um feioso plástico amarelo.
Eu queria as duas coisas: a bolinha e o caderno com as canetas. Mas minha mãe me disse que eu teria que escolher, pois eles não poderiam comprar as duas coisas. Escolhi o caderno, embora só fosse começar a usá-lo no ano seguinte – estávamos em setembro. Deixei para trás, embora não sem certa nostalgia, a bolinha que pulava bem alto. Simbolicamente, deixei para trás a minha infância.
No ano seguinte, com muito orgulho, comecei a usar meu caderno de dez matérias – que eu considerava uma grande mudança em minha vida, pois representava minha passagem para o ginásio, o que significava que eu já era “grande” e não teria mais apenas uma “Tia”, mas vários professores: um para cada matéria. Minha mãe já havia me dito que eu teria que tomar muito cuidado para não errar ao escrever, pois era muito difícil apagar a tinta da caneta. Mas é claro que eu cometi erros. Muitos! No início, usava a parte azul daquelas borrachas de duas cores que, supostamente, deveriam apagar palavras escritas à lápis e caneta, mas ficavam as manchas, os espaços puidinhos nas folhas. Depois, passei para os corretores de texto, que deixavam uma mancha branca, e a caneta escorregava em cima deles quando a gente escrevia por cima. Às vezes, a caneta ‘estourava.’ Eram muito comuns, naquela época, canetas que estouravam e manchavam toda a página. Quando aquilo acontecia, eu arrancava a página e recomeçava, mas eu sabia que sempre ficava faltando uma folha quando eu fazia aquilo, e cadernos custavam caro. Assim, eu procurava ser o mais cuidadosa que eu podia. Afinal, eu queria que meu caderno tivesse a melhor aparência possível, pois sempre fui muito caprichosa com as minhas coisas.
Fui crescendo. Mais tarde, fui trabalhar em uma loja de roupas masculinas de luxo que pertencia ao meu cunhado e minha irmã. Um dia, ela me veio com um enorme caderno preto chamado “livro de registros fiscais”, e me disse que eu deveria escrever ali os nomes dos clientes que compravam, os números das notas fiscais e os valores das compras. Detalhes: eu não podia rasurar de jeito nenhum! “Mas... e se eu errar?”, perguntei; minha irmã me olhou e disse: “Você simplesmente não pode errar, ou os fiscais virão em cima da gente.” Bem, eu errei... várias vezes. Só o medo de saber que não podia errar, já fazia com que eu errasse. Lembro-me da letra desenhada com cuidado, meio-tremida de medo. E a cada vez que eu errava, eu passava pedaços de noites em claro, visualizando a capa preta e ameaçadora do temível caderno de registros fiscais, e  pensando nos malvados fiscais... que jamais vieram!
E assim o tempo foi passando, e eu me tornei uma moça perfeccionista, envergonhada, crítica e rígida, que tinha sempre muito medo de errar. Preferia não pronunciar nada a falar uma besteira. Preferia não tentar fazer alguma coisa a cometer um erro. Apesar de ter sido uma moça muito bonita, eu era cheia de complexos e preferia passar despercebida, pois vivia me comparando às outras meninas, e aos meus olhos, elas eram sempre muito melhores, mais ricas e inteligentes e bem mais bonitas do que eu. 
Mas conforme eu amadureci, percebi que tudo isso é uma grande bobagem. Viemos aqui para tentar, errar, fazer de novo, e errar, e tentar de novo, e cair, e levantar quantas vezes forem precisas. E mesmo que existam pessoas que nos apontem e nos critiquem, isto apenas significa que estamos chamando a atenção, e que não passamos em branco. Hoje, eu quero continuar escrevendo no meu caderno à tinta, e enchendo-o de borrões e puidinhos toda vez que eu tiver que corrigir algum erro. Quero que as folhas fiquem amassadinhas de tanto eu lê-las e relê-las. Quero poder partilhar as coisas que eu escrevo neste caderno, trocar experiências, colocar fotografias e figuras de coisas que vi, lugares que visitei, pessoas que conheci, saudades que eu guardo. E no final, quando eu estiver na última folha, quero poder assinar meu nome sem medos e sem vergonha alguma, sabendo que as marquinhas daquilo que apaguei, as páginas que arranquei e ficaram amassadas pelo caminho, os borrões de tinta, tudo, tudo, fez parte do meu caminho, da minha história e do meu aprendizado.




quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

POSSO PROVAR






Se eu quiser, posso provar
Que estrelas são vermelhas,
Que é frio no verão,
Que é quente no inverno.

Se eu quiser, posso provar
Que há dores nos sorrisos,
Que há anjos no inferno,
Demônios no paraíso.

Posso provar que na vida
Nem tudo é o que parece,
E o que aparece, não é
Nem a ponta do iceberg...

Se eu quiser, posso provar
Para que todos enxerguem,
Que os joelhos esfolados
Não estão assim por rezar...

Mas deixo à cargo do tempo
As palavras e as provas
E que tudo se revele
Quando chegar o momento.






A CRÔNICA



Estive pensando sobre as crônicas. Geralmente, o que eu escrevo é como se fosse uma fotografia do meu pensamento, e não me atenho a estilos, pois prefiro deixar as palavras surgirem e se acomodarem dentro do texto como elas quiserem. Porém, como tenho recebido algumas críticas ultimamente, alegando que não tenho talento como cronista ( e como poeta, contista ou seja lá qual for o estilo literário), decidi pesquisar mais sobre o assunto. Afinal, é através das críticas que mais aprendemos. Comecei com uma pesquisa rápida em um de meus sites preferidos, a Wikipedia, que diz (as partes em destaque sublinhadas no texto, foram escolhidas por mim):

A crônica é, primordialmente, um texto escrito para ser publicado no jornal. Assim o fato de ser publicada no jornal já lhe determina vida curta, pois à crônica de hoje seguem-se muitas outras nas próximas edições.
Há semelhanças entre a crônica e o texto exclusivamente informativo. Assim como o repórter, o cronista se inspira nos acontecimentos diários, que constituem a base da crônica. Entretanto, há elementos que distinguem um texto do outro. Após cercar-se desses acontecimentos diários, o cronista dá-lhes um toque próprio, incluindo em seu texto elementos como: ficção, fantasia e criticismo, elementos que o texto essencialmente informativo não contém.
Com base nisso, pode-se dizer que a crônica situa-se entre o jornalismo e a literatura, e o cronista pode ser considerado o poeta dos acontecimentos do dia-a-dia. A crônica, na maioria dos casos, é um texto curto e narrado em primeira pessoa, ou seja, o próprio escritor está "dialogando" com o leitor. Isso faz com que a crônica apresente uma visão totalmente pessoal de um determinado assunto: a visão do cronista. Ao desenvolver seu estilo e ao selecionar as palavras que utiliza em seu texto, o cronista está transmitindo ao leitor a sua visão de mundo. Ele está, na verdade, expondo a sua forma pessoal de compreender os acontecimentos que o cercam.
Geralmente, as crônicas apresentam linguagem simples, espontânea, situada entre a linguagem oral e a literária. Isso contribui também para que o leitor se identifique com o cronista, que acaba se tornando o porta-voz daquele que lê.
Em resumo, podemos determinar cinco pontos:
-Narração histórica pela ordem do tempo em que se deram os fatos.
-Seção ou artigo especial sobre literatura, assuntos científicos, esporte etc., em jornal ou outro periódico.
-Pequeno conto baseado em algo do cotidiano.
-Normalmente possui uma crítica indireta.
Muitas vezes a crônica vem escrita em tom humorístico. Exemplos de autores deste tipo de crônica no Brasil são Fernando Sabino, Leon Eliachar, Luis Fernando Verissimo, Millôr Fernandes.

No site Brasil Escola encontrei o seguinte:

A crônica é uma forma textual no estilo de narração que tem por base fatos que acontecem em nosso cotidiano. Por este motivo, é uma leitura agradável, pois o leitor interage com os acontecimentos e por muitas vezes se identifica com as ações tomadas pelas personagens.

Você já deve ter lido algumas crônicas, pois estão presentes em jornais, revistas e livros. Além do mais, é uma leitura que nos envolve, uma vez que utiliza a primeira pessoa e aproxima o autor de quem lê. Como se estivessem em uma conversa informal, o cronista tende a dialogar sobre fatos até mesmo íntimos com o leitor.

O texto é curto e de linguagem simples, o que o torna ainda mais próximo de todo tipo de leitor e de praticamente todas as faixas etárias. A sátira, a ironia, o uso da linguagem coloquial demonstrada na fala das personagens, a exposição dos sentimentos e a reflexão sobre o que se passa estão presentes nas crônicas.

Como exposto acima, há vários motivos que levam os leitores a gostar das crônicas, mas e se você fosse escrever uma, o que seria necessário? Vejamos de forma esquematizada as características da crônica:

• Narração curta;
• Descreve fatos da vida cotidiana;
Pode ter caráter humorístico, crítico, satírico e/ou irônico;
• Possui personagens comuns;
• Segue um tempo cronológico determinado;
• Uso da oralidade na escrita e do coloquialismo na fala das personagens;
• Linguagem simples.

Portanto, se você não gosta ou sente dificuldades de ler, a crônica é uma dica interessante, pois possui todos os requisitos necessários para tornar a leitura um hábito agradável!

Reparem que não coloquei, em momento algum, minha opinião pessoal sobre o que vem a ser uma crônica. Preferi colocar trechos de textos que, melhor do que eu possa fazê-lo, a descrevem.

Mas concluo através do que aprendi lendo estes e outros textos sobre o assunto: escrever uma crônica demanda ter passado por uma determinada experiência. Impossível escrever uma boa crônica sem que haja envolvimento pessoal do autor sobre o que ele observa e descreve, e imprescindível que ele coloque nela seus sentimentos pessoais, despertados pela experiência que ele narra. A crônica, para mim, é um pedaço da vida - muitas vezes, extremamente pessoal. 

Uma boa crônica deve ser interessante, e o bom cronista é capaz de tornar qualquer assunto - até mesmo o mais corriqueiro - interessante. Não sei se sou uma boa cronista, mas tento sempre melhorar. Melhor do que ficar criticando o trabalho alheio através de emails sem jamais ter escrito uma crônica. Muitas vezes, sabemos definir, na teoria, o que é uma crônica, ou um poetrix, ou um soneto. Para isto, basta que estudemos e memorizemos um texto sobre o assunto. Mas escrever é bem diferente do que simplesmente citar teorias.

Acredito que a crônica é para quem não tem medo de se expor. É para quem nada deve e nada teme.



terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Dúvida





Faço ou não faço?
Mando de volta
Como resposta
Ou recolho o aço?

Nos meus rascunhos
Os testemunhos
Do estardalhaço!

Ficam guardados
-Mas até quando?
Já preparados.

Faço ou não faço?,
Já me pediram,
Incentivaram,
Me aconselharam:

-"Faça!", Disseram,
"E denuncie
Essa ameaça!
Que a muitos grassa!"

Pois traz no peito
A vil chantagem,
Falsa amizade,
Que pega a dor
De quem está fraco
Distorce e torce,
Muda, desnuda,
Joga na rede,
Difama, prende
Em vis chantagens...

Faço ou não faço?...
Deixo que a noite
(Mais uma noite)
Traga a resposta...




O que acontece aqui começou bem antes de fevereiro, mas tentei ignorar até que recebi o primeiro e-mail vindo desta senhora que diz ser mundialmente reconhecida, estar "No topo do mundo" e ser a Rainha dos Mindins. Só não compreendo porque alguém tão famoso perde tanto tempo com alguém que, segundo ela, é tão insignificante quanto eu.


22 de fev (Há 2 dias)

O que está em vermelho é a minha reflexão sobre o que ela escreveu.



Luna di Primo para mim:
"fico boba de ver a capacidade que tenho sobre sua mente, 
o poder que exerço sobre seu 'intelecto'
sempre escrevendo em cima de meus textos, pobrezinha... (que textos?!)
adora chamar minha atenção, escrever para mim rsrs
o que escrevo cai-lhe como carapuça, embora você não me inspire nem o mal
aliás você não inspira nada (nem mesmo esse email?)
mas as pessoas veem que você escreve em cima do que escrevo e imagina o que elas pensam..."(as pessoas veem ou você mostra a elas o que você quer que elas vejam?)

bjim querida escritora 'autentica' (hahahaha)

Em resposta ao seu email, tenho a dizer que:

Não preciso me inspirar em seus textos pois você jamais escreveu um.
Mas você não passa de um vampiro que vive de sugar a energia alheia para tentar escrever.
Esses seu livros, encalhados em sua casa são a prova disso.
Engula um pouco da sua saliva e deixe em paz aqueles que produzem alguma coisa. E pare de fofocar sobre a minha vida porque você não me conhece, e fico sabendo de todas às suas fofocas, sua idiota. Ache algo de útil para fazer de sua vida e me deixe em paz.
Continue escrevendo seus versinhos de uma palavra só pois é até onde vai o seu talento.
Pequeno e útil conselho: não fique dizendo por aí que me inspiro em seus textos. Vão rir de você.


Sua resposta, em itálico preto, sem aspas; em vermelho, o que me ocorreu no momento da publicação desses emails:
"Não preciso me inspirar em seus textos pois você jamais escreveu um."
- rs aiai e o que sobra pra vc? (o que sobra para mim são mais de dois mil e quinhentos textos publicados e uns dois mil ainda não publicados, um livro físico e cinco livros virtuais. Todos eles baseados nos seus mindins, hahaha!)

"Mas você não passa de um vampiro que vive de sugar a energia alheia para tentar escrever."
- rs parece que vc projeta no outro o quadro da sua vida, de suas ações, o qualifica conforme a si... - eu sempre vejo textos abordando temas que escrevo e os  torno públicos, por isso estou postando uma coisa ou outra pq  já cansei de fornecer subsídios gratuitamente... então a sugada sou eu... eu forneço energia para a vampirada, certo? Pegue um texto meu e me mostre em cima de qual escrevi... (o que você sabe de minhas ações? Alguma vez me viu pessoalmente, falou comigo ou  esteve na minha pele para saber como eu sou? Todo mundo é vampiro e escreve em cima dos seus escritos? Isso não é neurose, psicose, ou algo parecido?)

"Esses seu livros, encalhados em sua casa São a prova disso."
- rs pronto, é, também, uma cega vidente... pois, tem gente esperando remessas, pq não tenho nenhum comigo rsrs eu não brinco de escrever - eu escrevo por dinheiro, não tenho a vaidade de escrever pra ser lida, principalmente em internet se não é pra ganhar dinheiro, vou passear e gastar o que tenho, não vou perder tempo olhando pra uma tela vazia de vida, só pra alguém dizer que ficou bonito, que sou genial, que sou grande e etc... se não entra dinheiro, adeeeuuusss (Cega vidente é você que fica tirando conclusões sobre a minha vida baseada em seus delírios. Você escreve por dinheiro? Espero sinceramente que você tenha um  emprego ou outra fonte de renda.)

"Engula um pouco da sua saliva e deixe em paz aqueles que produzem alguma coisa." 
- Opssss falou isso foi pra vc, correto? (Hããã... não!)

"E pare de fofocar sobre a minha vida porque você não me conhece, e fico sabendo de todas às suas fofocas, sua idiota." 
 - se fica sabendo, então, das duas uma: ou vc está mentindo ou quem está sendo idiota é vc ou melhor, estão lhe fazendo de idiota, pq, felizmente, eu não perco tempo com essa forma tão ultrapassada de viver, inda mais em internet rsrs me poupe dona uso internet para trabalhar não dou conversa pra terceiros, muito menos gente à toa e não seja tão presunçosa a se dar tal importância (Ah, entendi: você só perde tempo examinando as escrivaninhas e blogs dos outros para achar textos e dizer que são baseados nos seus! E se você me acha assim tão à toa, não está dando muita conversa para mim?)

"Ache algo de útil para fazer de sua vida e me deixe em paz."
- que eu saiba e os fatos apontam, quem sente necessidade e busca minha presença é vc, já que não para de falar de mim e pra mim em seus escritos, até me faz importante aos olhos dos leitores, como isso não me importa, só faz me irritar ao escrever em cima de textos que torno públicos; não gosto de ser igual e muito menos que alguém queira se igualar a mim; acredito que tenha percebido isso e fica na ultrapassada implicância, que horror, nem acredito que, ainda, exista gente assim, de implicância... (Me igualar a você?! Deus me livre!)

Continue escrevendo seus versinhos de uma palavra só pois é até onde vai o seu talento.
- rs e pensar que o seu talento nem chegou aí rsrs tanto que inventou uma situação para brigar comigo e fugir da descoberta que eu viria a ter quando vc desistiu, parou de escrever esses versinhos (tentei dar uma força com seus mindins na ocasião em que você os implantou no Recanto, até que você começou a fazer troça por causa do problema de saúde de minha mãe, que a propósito, faleceu.  Até hoje não sei o motivo, mas desconfio que tenha sido porque você estivesse convencida de que eu escrevia alguma coisa para você - assim como dois outros escritores do Recanto a quem eu nem sequer lia antes de ser atacada por eles. Infelizmente, naquela época eu estava muito triste, e nem tive a ideia de fotografar o que você escreveu sobre esse assunto, e a administração do site, a meu pedido, fez você apagar tudo).

"Pequeno e útil conselho: não fique dizendo por aí que me inspiro em seus textos. Vão rir de você."
- ah, nem preciso fazer isso, vc mesma se denuncia com tanta clareza, só muda a forma de escrever pq não consegue fazer poesia, aliás, me sinto até vaidosa pq as pessoas veem que a lua vive conduzindo seus escritos e qualquer tema abordado vem vc falar da sua 'forma' de ver a questão, hábito que percebi, assim que comecei a a ler seus textos, vc não poeta, escreve textos em cima de outros, emitindo sua opinião, nem de crônicas, que são mais informais, podem ser chamados

ah, quanto aos meus versinhos carinhosamente chamados de mindins... depois fica sabendo (Eu não sei escrever poesia? E quem é você para me julgar? Então todo mundo que me comenta está mentindo? Os concursos que eu venci foram forjados? Quem sabe escrever poesia: você? E olha só, eu não quero ficar sabendo sobre o destino dos seus mindins, dos seus chinfrins ou qualquer coisa parecida.) Além disso, a lua é presença constante na escrivaninha de muitos autores e poetas do Recanto e de outros espaços, pois ela é a musa inspiradora mais mencionada em poemas e textos românticos. Só uma coisinha: você não é a lua. A lua não é você. Você é Luna di Primo (nome que nem sei se é verdadeiro), nome que jamais usei em nenhuma de minhas publicações, a não ser esta.


Respondi por email:

Cara Luna,

Em primeiro lugar, obrigada pela sua presença em meus blogs. Só aquele texto sobre banhos, publicados em "A Casa e a Alma", recebeu mais de mil visitas, e você inspirou-se nele para escrever sua última façanha.
Só tenho uma coisinha para te dizer, sua fofoqueira:

Te 
catar.

Mais um desses seus emails, e eu faço uma publicação no meu blog com eles.


Sua resposta:
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk e eu vou em blogs seus sua maluca olha nos seus endereços se estou em algum, não aprendi a perder tempo

mas, cumpra sua ameaça e vamos lavar a roupa suja em público, mas publica tudo tá? não tenho medo de você e claro quem vai perder mais uma vez sou eu pq vc nada tem a perder; já está acostumada a gritar e fazer escândalos, mas não se acovarde deixa seus comentários abertos pra eu te responder (Faço escândalos quando gente como você me enche a paciência. Pelo menos, não fico atazanando a vida de ninguém através de emails.)

ah e cadê as provas do que vc tá me acusando - fofoqueira? PROVA! (É preciso provar? rsrsrs)
Me inspirei no seu texto? PROVA que estive nos seus blogues e com data ok? (que eu saiba, foi você quem me escreveu dizendo que eu me inspirei nos seus.)

Deixa
De ser
Besta



Minha resposta:
Impublicável, pois sugeri que ela fosse exercer a prática do sexo anal. Em mindim.



Finalmente...

Se você é assim tão famosa e competente, tão maravilhosa e absoluta, por que perde tempo comigo, uma escritora amadora mundialmente desconhecida que não tem qualquer objetivo com o que publica? Segure um pouco a sua vaidade, pois todos os poetas escrevem sobre a lua, e a lua não é você. Sabia disso? Quer que eu desenhe? Heloooo! Como você diz, eu não tenho nada a perder, mas com certeza, após esse pequeno escândalo, todas as editoras que disputam entre si e imploram para publicar suas criações começarão a pensar duas vezes antes de contratá-la.

Eu não escrevo poesia para ganhar dinheiro, pois poesia para mim está acima desse clima de prostituição literária na qual estamos inseridos hoje em dia. Se algum dia eu vir a ganhar algum dinheiro com o que eu escrevo, será por mérito e convite. Não vou fundar associações de poetas para que eu mesma tenha o título de 'presidente' - que ridículo!- e nem vou criar estilos literários mal-arrumados para me promover. Se você quer vender os seus poemas, apenas desejo-lhe boa sorte e paciência para que encontre alguém que deseje comprá-los... e que lhe paguem muito bem, e você fique realmente muito famosa, feliz e superocupada, pois assim não terá tempo de debruçar-se sobre os meus espaços (e de outros escritores também) a fim de exercitar sua capacidade neurótica para imaginar coisas.

Nem mesmo sei se este é o seu verdadeiro nome! Pare de mandar-me seus emails cheios de "kkkkks" r "rsrsrsrs", pois eu não estou brincando com você. Eu nunca a abordei dessa forma, e apenas respondo ao que você me escreveu.

Você acha mesmo que tem poder sobre a minha mente, mulher? Ou será que está me outorgando poder sobre a sua? O que você quer; provar que suas fofocas ao meu respeito tem fundamentos? Você acha mesmo que é possível espalhar calúnias pelas redes sociais sem que elas cheguem aos ouvidos do caluniado? Acredita, de verdade, que todos os seus amigos virtuais são sinceros súditos que a veneram? Olhe bem à sua volta antes de falar mal dos outros! E tente realmente praticar o que você diz, ou seja, passe mais tempo TRABALHANDO na internet ou em outro local. O trabalho dignifica a alma. A sua está precisando de dignidade. Pare de se rastejar para mim tentando provar sua superioridade.

Faça o seguinte: siga minha sugestão dada no último email seu que eu respondi.


Chegou-me agora este, após eu sugerir que ela parasse ou eu publicaria seus emails:


Luna Di Primo
15:14 (Há 25 minutos)

para mim
ana, ana... eu rio pq acho graça, realmente... e pensar que faz tempo que, indiretamente, vc briga comigo em seus textos e eu nem sabia, até que foi bem clara em um deles; foi qdo lhe perguntei o pq e vc me veio com uma tempestade de acusações, assim como faz agora... acusa-me, mas nunca apresenta provas... o que devo pensar de vc? Eu sei da realidade virtual, talvez até melhor que vc, mas como disse, trabalho realmente e com a poesia também, não uso nenhuma dessas como terapia, pq não acredito que sejam... já leu algum escrito meu sobre minha vida particular? (você tem uma?) Se querer ganhar dinheiro com o próprio trabalho seja ele qual for se caracteriza prostituição, eu não sei o que é honestidade...honestidade seria ter romance virtual sendo que sou casada? Seria ficar brigando por conta de homem na internet? (Não tenho e nem tive relacionamentos virtuais, e esta acusação pode lhe render um processo, Luna. Aliás, tenho os emails que lhe escrevi naquela época, quando você me abordou toda gentil perguntando qual eram os motivos do meu desentendimento com aquela outra maluca. Se quiser, posso publicá-los também. Você fica pela internet se fazendo de amiga e colhendo material para distorcer e chantagear pessoas que temem chantagens. Mas quem não deve não teme.) Gritando acusações sem fundamento pelas redes sociais, sem apresentar uma prova sequer ou seria esse um artificio de autopromoção, sobre quem realmente tem crédito?( não preciso de promoção, quem quer se promover é você) E não falo desses q vc cita não,(que também não são seus amigos - e nem desses que estão curtindo e apoiando seu escândalo ou acha que aqueles lá são seus amigos também? (meus amigos eu sei quem são.) Adoram uma aberração. Eu falo daqueles que vc nunca viu... (e nem quero ver) E ademais, eu nada tenho a ver com quem é quem e pouco me importa, pois ser ou não ser isso e aquilo é por conta de quem é... cada um paga seu pato na vida,como estou pagando agora, por ter lhe dado crédito...(esse pato você mesma provocou, só que mexeu com a pessoa errada)
Faça o que quiser, mas lembre-se que eu também tenho o que mostrar (tem o que a mostrar? Os emails que você trocou fofocando a meu respeito com gente que não gosta de mim? Chantagem também é crime!) e repito, não tenho medo de seus escândalos, das suas bagunças, das suas carências de que olhares se voltem pra vc... Graças a Deus eu não preciso fazer isso, faço a minha poesia que vc diz nada valer (e me faz sofrer tanto com isso), mas que me dá bom retorno... como vc disse, eu não lhe conheço em particular e nem vc a mim, portanto, o que sabemos uma da outra é o que vemos na internet e cada uma forma a sua ideia conforme sua vivência e assim agem... (daí você erra! Não se pode tirar conclusões a respeito da moral de ninguém através do que ele(a) escreve! Isto é um julgamento injusto, baseado em inverdades e achismos! Eu nada sei de você, a não ser que fica me escrevendo e criando poemas sobre aquilo que você acha que seja a minha vida. Então se eu escrever sobre um serial killer significará que eu também sou uma serial killer? )

ah e o grupo ao qual se refere abri exatamente por conta dos amigos, que pediram, gostando ou não de mim estão sempre comigo... (ah, coitados... porque se não estiverem, você tenta chantageá-los?) e o que eu fizer, eles estarão me apoiando, como vc sempre vê... (isto se chama bullying virtual, e também dá processo)

Tanto fala de uma discussão que tive com alguém no ano de 2009, se não me engano, devido a um mal entendido - ela pensou que eu estivesse interessada em alguém que ela estava querendo namorar, mas eu sou uma senhora CASADA e não tenho vocação para prostituta ou periguete, e mais tarde, ela mesma veio desculpar-se comigo. Todos sabem que ela sofre de depressão e bipolaridade, e que tem surtos de vez em quando - ela mesma escrevia sobre isso. Mas você, que tanto fala dos problemas dos outros, não menciona que foi EXPULSA do site por provocar pessoas repetidamente. E sua birra não é só comigo, é segundo você mesma, com outras pessoas que de lá participam e que estariam, como eu "Escrevendo em cima do que você escreve ou plagiando a sua 'linda e reflexiva' obra. A isto eu chamo mania de perseguição, e a psicologia pode explicar muito bem.

O site do qual ambas participamos mandou que você retirasse um texto ofensivo sobre mim, e você, além de voltar a publicá-lo (recebi um link de uma pessoa que gosta de mim e me admira) ainda trocou o nome do mesmo. Sempre faz esse tipo de coisa: troca os títulos dos seus textos ou o miolo, a fim de publicar calúnias sobre os outros sem ser incomodada pela administração. Quando denunciada, finge inocência, repostando os textos anteriores e mantendo o título dos denunciados para que a administração não a mande excluí-los.  Lá em seus 'poemas' está o meu nome, várias vezes citado, e colocou os emails que enviei em resposta aos seus como se fossem comentários aos seus próprios textos para disfarçar. Ainda por cima, é covarde. Saiba que tenho tudo fotografado. Nem adianta trocar títulos ou conteúdos.




























segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Extensões





Puxas os fios
Querendo ouvir os assuntos
De minha mente.

Fazes gambiarras,
Gatos, ligações,
E de todas as ilícitas formas possíveis
Tiras conclusões.

Mas há estática nas extensões,
Não escutas direito,
Concluis e completas
As minhas conversas
Com tuas próprias palavras.

Depois, passas adiante, em noites insones,
O que não sabes,
Lábios sussurrantes colados ao bocal
Do teu telefone,
Crias, qual aranha que tece uma teia,
As tuas verdades.

-ASPONE!
Assistente de Porra Nenhuma,
Flutuas e afundas, flutuas e afundas
Num mar de psicoses, neuroses,
Psicopatias e escolioses mentais,
Os pensamentos tortos e distorcidos
Pela vaidade
Que sai da tua bunda.





sábado, 22 de fevereiro de 2014

O Riso da Lua



O riso permanece, 
Um selo sobre a face
De uma língua que mingua
Tal qual lua abandonada
Num céu escarlate
(E vê-se sempre cheia.)

Em volta, as estrelas.

E quando a língua arde,
A lua se parte,
Derrama-se em lavas frias
A recitar
Sobre o que não sabe.

Tão sem brilho,
Tão sem arte!...
Trem sem trilhos,
Canção
Sem estribilho...

A língua da lua
Passa nua,
Lambendo todo o mel
Que encontra no céu,
Sôfrega
E desesperada,
Desiludida...

E as coisas que ela cita,
Embebidas na sua cicuta,
Caem como lavas
Esfriadas
Sobre um solo batido
Onde não brota nada.

-Ah, coitada da lua,
Coitada!...
Perdia-se nas rimas
De uma poesia 
Sempre inacabada!




ACROSS THE UNIVERSE - RESENHA



Imagem: Google




RESENHA
ACROSS THE UNIVERSE
MUSICAL – ANO: 2008 – Revolution Studios
DIREÇÃO: Julie Taylor
ELENCO: Jim Sturgess (Jude) , Evan Rachel Woods (Lucy), Joe Anderson (Max), Dana Fuchs (Sadie), Martin Luther MacCoy (Jojo), T.V. Carpio (Prudence); participações de Joe Cocker e Bono Vox.

Obs: não-recomendado para quem não for fã incondicional dos Beatles.


Anos sessenta; o mundo, um caldeirão onde cozinham mudanças e revoluções. No meio de todos aqueles acontecimentos que mudaram radicalmente toda uma geração, Jude e Lucy se apaixonam. Ele, de origem proletária, nascido em Liverpool e criado pela mãe, decide largar sua vida e ir até Nova Iorque em busca do pai que nunca conhecera. Lucy, uma estudante de classe média alta que vive a vida como em um conto de fadas, logo vê seu castelo ruir ao saber que seu namorado, enviado ao Vietnã, não mais voltará.

Across the Universe é muito mais que um musical produzido apenas com músicas dos Beatles; é o relato histórico de uma época em que os Estados Unidos entraram na guerra do Vietnã, causando passeatas de protesto que chegaram a reunir seiscentas mil pessoas, e vários outros acontecimentos que tomaram de assalto a antes patética, apática e hipócrita sociedade americana, como o assassinato de Martin Luther King, a Kul Klux Klan, os Panteras Negras, a revolução feminista, sexo, drogas e muito ‘rock and roll.’

Naquele contexto de intensas mudanças, um grupo de jovens se encontra e passa a dividir um velho apartamento na Big Apple, e assim suas vidas se entrecruzam para depois tomarem diferentes rumos. Lucy torna-se uma manifestante contra a guerra do Vietnã quando seu irmão Max é convocado. Passa a tomar parte ativa nas manifestações – o que começa a afastá-la de Jude – mas logo vem a desilusão ao chegar ao comitê de manifestantes e vê-los fabricando bombas. Ela para à porta decepcionada, e diz: “Eu pensei que fossem eles que jogassem as bombas.”

Impossível não associar esta cena do filme ao que hoje acontece durante as manifestações no Brasil: o idealismo sincero transformado em massa de manobra, incitando a violência e a corrupção que tanto primava por combater.

O visual dos personagens Sadie e Jojo são baseados em Janis Joplin e Jimmi Hendrix. Sadie é vocalista, e tem o mesmo tom de voz rouco de Joplin, enquanto Jojo é o guitarrista de sua banda – quase uma cópia fiel de Jimmy Hendrix. Os nomes dos personagens também são todos tirados de canções dos Beatles - Sadie, Jo-jo, Lucy, Prudence, Max e Jude.

Destaque para a participação de Bono Vox cantando “I Am the Walrus”. Momento psicodélico que retrata fielmente as ideologias dos anos sessenta.

Um filme lindo, inesquecível, importante, indispensável. As canções dos Beatles ficaram perfeitamente adaptadas ao contexto do filme, e as interpretações, memoráveis. Quando o filme termina, ficamos durante algum tempo ainda sentados no sofá, os pelos dos braços arrepiados, a emoção presa na garganta e uma saudade enorme de uma época na qual tudo aconteceu. Mesmo que não a tenhamos vivido pessoalmente.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

SORRISO


Nada me disse o teu sorriso
Preciso,
Forjado,
Tão isento de mágoas,
Afogado nas águas
Dos teus nadas.

Consolação que eu não pedi,
Solidariedade forçada,
Sorriso fúnebre,
Daqueles que passam nos velórios,
Sob as ceras das velas
Apagadas.








terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Brincar de Poesia



Poesia é coisa livre,
Nos chama para brincar
Seja de riso ou de dor,
Poesia é o que é amar...

Poesia é brincadeira,
Fogueira de São João
Sobre a qual, à meia-noite,
Pula sempre um coração.

Poesia não tem dono,
A não ser o sentimento;
Nasce livre, e sempre cabe
Dentro de qualquer momento.

Poesia é navegar
Nas águas de um mar que é doce...
Levar a concha aos ouvidos
Escrever - fosse o que fosse!

Momento de pura graça
Sem barreiras ou grilhões;
Poesia só agrada
Se brotar nos corações.

Poesia é sempre livre,
Não tem dono nem senhor...
Nasce do que traz a vida,
Seja riso ou seja dor.

Ela é sempre democrática,
Seja qual for a temática...
Poesia é fantasia,
Sem grilhões, jamais estática!

Pode ter métrica ou rima,
Mas o arremate final
Tem que vir sempre das linhas
De um sentimento abissal!

Poesia é a expressão
Mais profunda, mais bonita
Nasce em todo coração
Que queira cantar a vida!




É TÃO FÁCIL ODIAR!




Hoje em dia, principalmente porque vivemos em uma era tecnológica na qual ideias e pensamentos transitam livremente, chegando aos lugares mais distantes, odiar tornou-se muito fácil; por exemplo, basta que alguém diga ou escreva: "Não concordo com você." Esta curta frase é suficiente para causar desentendimentos, transtornos e discussões sem o menor sentido! 

As pessoas acham-se donas das ideias, e inflamadas por um ego que desconhece limites, acham-se no direito de impô-las; motivadas pelo anonimato, tecem comentários equivocados sobre a vida de pessoas que não conhecem, e desenham sobre seus rostos as piores feições, tracejadas de desejos de vingança. Chegam a proferir ameaças de agressões físicas e surras, desencadeando uma trilha de desamor e maledicências contra seus desafetos, angariando súditos que passam, através de sua influência, a também odiar aquela pessoa - que nem sequer conhecem.

Acredito que pessoas que agem desta maneira talvez estejam mal consigo mesmas. Desejam encontrar alguém que lhes sirva de bode expiatório para tudo o que há de errado em suas vidas. Qualquer observação ou comentário alheio servem de rastilho de pólvora para que possam explodir e aliviar suas tensões.

É tão fácil odiar! Novamente, estes pensamentos me fazem lembrar de uma conversa que tive com uma senhora espírita, que me advertiu: "Hoje em dia, o mal paira sobre nossas cabeças, procurando por uma brecha para que chegue até nós e cause danos irreparáveis. Antigamente, quando alguém desejava influenciar a outros espiritualmente, recorria a trabalhos de magia negra; hoje, basta desejar o mal, e ele prontamente faz seu trabalho; mas atinge também aquele que buscou lançá-lo contra alguém. É preciso tomarmos muito cuidado com o que pensamos e falamos." O que ela disse ficou gravado em minha cabeça.

É admirável (no mau sentido) a capacidade que as pessoas tem de odiar alguém, com todas as forças, apenas porque suspeitam de algo que só está dentro de suas cabeças, mesmo sem qualquer embasamento. Elas não desejam esclarecer mal-entendidos; não é este o seu propósito. Querem apenas dirigir todo o ódio e frustração que carregam dentro de si contra algum alvo. Escolhem-no e atiram. Depois, fazem-se de vítimas. Tentam fazer com que o maior número possível de pessoas se voltem contra seu desafeto, e quem se recusar a fazê-lo, passa a ser ignorado ou igualmente atacado.


Passam também a tentar  ofender os outros pelo que expõe sobre sua idade, aparência física ou outra característica que pode até nem ser real, incentivando outros a praticar o mesmo bullying que praticam. Não percebem que agindo desta forma, estão ofendendo também todas as pessoas que se encontram na mesma situação que seu alvo - que são mais velhas, ou que estão acima do peso, que são mulheres ou que não são mestres em literatura (sendo que o pretenso ofensor também não é, embora se veja como tal). Se esquece que ele mesmo está se encaminhando para a velhice, e que daqui a poucos anos, será velho, podendo ele mesmo estar acima do peso ou perder a saúde.


É... odiar é muito fácil. Às vezes, basta que alguém tenha alguma coisa que ele - o que odeia - não possui, seja um talento, um estilo de vida, ou pessoas que o admiram. 


Se amar fosse tão fácil quanto odiar, o mundo de hoje não estaria na situação em que se encontra.



segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

TRISTE FLOR




Triste, triste, triste flor
A debruçar, sobre o muro
Pétalas brancas de dor!

Vem a chuva, e as recolhe
Tolhe sua florescência...

Triste, triste, triste flor!
No meio-fio da calçada,
Murchas manchas de amor...

Vem o vento, e as assopra,
Espalham no ar sua essência...

Triste, triste, triste flor!
Tua vida derramada,
Buquê transido de adeuses,
Murchas ausências sem cor...




domingo, 16 de fevereiro de 2014

Uma Mulher à Moda Antiga





Acredito que eu seja uma mulher à moda antiga. Gosto muito quando um homem me cede o lugar em um espaço público, ou permite que eu adentre um ônibus ou sala diante dele. Gosto quando meu marido faz questão de pagar a conta do restaurante sozinho e me ajuda em pequenas tarefas caseiras. Acima de tudo, adoro quando vejo cavalheirismo genuíno, sem segundas intenções, aquele que vem do berço, da boa educação e de um sentimento de solidariedade ao próximo - seja o próximo homem ou mulher.

Infelizmente, homens assim fazem parte de uma rara categoria hoje em dia... o que mais vemos, são jovens que dirigem-se a garotas chamando-as de 'popozudas', 'cachorras' e outros codinomes menos honrosos. Pior de tudo: elas sentem orgulho ao serem desvalorizadas desta maneira. Há homens que furam filas, empurram mulheres e dizem palavrões diante de senhoras e crianças, desrespeitando o espaço comum e a sociedade onde vivem.

Hoje em dia, o apelo sexual parece ser a 'qualidade' mais valiosa de uma mulher ou de um homem. A todo momento, vemos homens que se referem ao tamanho do seus penduricalhos ou à sua performance sexual (geralmente impecável, embora não endossada por mulher alguma) ou até à sua capacidade de gerar bebês como prova de sua masculinidade... eu penso que os que assim agem, não tem mais nenhum valor moral ou sentimental, ou qualquer capacidade de argumentação que lhes reste; além disso, apenas demonstram seu machismo e sua tremenda falta de educação e sensibilidade. Não percebem que, ao ofenderem uma mulher referindo-se ao tamanho do seu corpo, ofendem também a todas as outras mulheres que se enquadram na mesma categoria. E ao oferecerem seu penduricalho como prova de masculinidade, degradando a moral de uma mulher, degradam a moral de todas as outras mulheres - inclusive a de sua própria esposa.

Alguns homens ainda tentam criar a imagem machista de donos da verdade e superioridade intelectual às mulheres através do pênis apenas porque não tem mais nenhum argumento que os suporte. Agem como maricas, difamando e insultando a imagem de pessoas que nada lhe fizeram apenas porque sua baixa autoestima determina que pisem e esmaguem antes de serem pisados e esmagados. São covardes.

Infelizmente, o cavalheirismo está agonizando na UTI da vida. Talvez a causa mortis sejam a arrogância e a falta de educação.


PS: este é um texto de desabafo. Se você, homem, não se encaixa nesta triste categoria a qual me refiro, não se sinta ofendido.



quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

O Bolor Nojento da Mentira



Alguém confessa um crime; diz que vendeu-se por cento e cinquenta reais. Por causa desta quantia de dinheiro, não hesitou em quebrar, matar, ferir. E ainda se contradisse, alegando  que o fez porque espera um futuro melhor para seu país.

Ao ser indagado sobre quantas vezes ele participara nas manifestações, disse ser aquela a primeira. Ao mesmo tempo, filmagens eram exibidas, mostrando outras manifestações nas quais fez parte, e brigas nas quais participou. A cara dele estava ali, o que torna impossível a contestação. 

Disse não saber que o artefato que acendeu e colocou no meio da população se tratava de um rojão. Ora, até mesmo uma criança reconhece um rojão. Qualquer um sabe, ao acendê-lo, qual o seu poder de destruição, e colocá-lo no meio de pessoas desavisadas torna clara a intenção de ferir, de matar. 

Disse que alguns manifestantes estão sendo pagos para causar badernas e quebra-quebras. Por quem? "A polícia deve investigar, é o trabalho deles. Temo pela minha integridade física." Mas em momento algum, temeu pela integridade física de outras pessoas.

"Por que?" A resposta: "Porque eu desejo um Brasil melhor."

Não; foi pelos cento e cinquenta reais. Você não deseja um Brasil melhor.  na verdade, está se lixando para o país. Você deseja apenas aproveitar uma oportunidade para se dar bem, doa a quem doer. Visa apenas interesses próprios, passageiros, que não tem qualquer contexto no futuro do país. É apenas mais um entre as centenas de Judas que hoje vendem suas almas por um punhado de moedas. Se você estivesse realmente preocupado com o futuro de seu país, não machucaria pessoas inocentes e nem quebraria patrimônio público: faria valer o seu voto, tentaria estudar e adquirir cultura para que pudesse realmente contribuir de alguma forma útil para o futuro do país.

O problema, é que agora mexeram com as pessoas erradas; a imprensa não sossegará enquanto não punirem os culpados pela morte do jornalista. Agora, as pessoas que estão por trás destas manifestações, puxando as cordinhas, vão começar a aparecer (ou a desaparecer).

Lembro-me do início destas manifestações, quando eu escrevi em uma crônica que toda aquela baderna com tremulantes bandeiras verdes e amarelas, cheia de palavras de ordem, aparente idealismo e manifestações emocionais, me cheirava a manipulação de massas. Algumas pessoas disseram que eu estava redondamente enganada; cheguei a ser ofendida e tachada de antipatriota. Bem, infelizmente, eu estava certa.

Apesar de saber que muitos dos que participam tem boas intenções e realmente desejam um país melhor para seus filhos e netos, as manifestações perderam o sentido. Até mesmo os bem-intencionados estão sendo usados para servir como um "background scenario" para baderneiros.

As pessoas deveriam ter percebido que um movimento com tamanhas proporções, visando uma causa aparentemente insignificante - o preço das passagens - teria um líder por trás - um líder forte e influente. Mas as pessoas são românticas, e acho que foi justamente o romantismo exacerbado que uniu a multidão, e não a causa do preço das passagens ou a luta por um país melhor. Elas queriam ter histórias para contar aos netos. Queriam aparecer na mídia, como as pessoas que faziam passeatas nos anos 60. E por isso, não perceberam que estavam sendo usadas como massa de manobra.

Nem sei se posso chamar o rapaz culpado pela morte do jornalista de monstro. Como ele, há muitos por aí que o criticam, mas que talvez, dadas as oportunidades, teriam feito exatamente a mesma coisa que ele fez. Mas não podemos esquecer que ele foi responsável pela morte de uma pessoa inocente, e deve ser punido. 

O que me deixa estarrecida é a cara-de-pau com a qual ele apareceu em midia nacional e internacional dizendo que fez o que fez porque desejava um país melhor - ao mesmo tempo que admitiu ter agido a mando de terceiros, vendendo a alma por um saco de moedas. Não agiu mais honestamente do que os políticos corruptos que tanto abominamos.

A corrupção de um governo está também na alma de seu povo.





quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Laconismo






A gente vai - e isto é certo.
Há flores e cores no caminho,
Há dores,
Há desertos.

Laconicamente passamos,
Quase sempre, nem prestamos 
A atenção que a vida merece;
No fim de tudo,
Resumimos toda uma existência
Numa pálida prece.



terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

SININHOS






Antes,
Os sininhos retiniam de mansinho,
salpicavam luzes e estrelas
Sobre as calçadas e gramados...
Repicavam ventos
Em doces e sutis dobrados...

Que saudade, meu Deus,
Dos tempos em que os sininhos
Soavam como vidrinhos de luz colorida
Multipartida em prismas
Quando alguém os tocava!

Ah, os sininhos de hoje,
Não tocam mais os corações:
Incitam violências,
Tecem maledicências
E acendem revoluções!

Há pavios nos sininhos,
Choram as brisas entre noites
Sangrentas e empedernidas,
Sons rascantes e vazios!...

Os sons da dor e da morte
Cantando sobre as calçadas,
Casas quebradas,
Palavras de ordem
Desordenadas...

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Paradoxo




Deslizamos pelo éter
De uma antiga galáxia incompreensível.

Somos seres tão estranhos!...

A nossa missão é sonhar,
Mas nem todo sonho é missão...

Vagamos sempre hesitantes
Entre desejos e vontades
(Mas poucos nos são concedidos).

E entre o não e o talvez
Ficam os sonhos, perdidos...



sábado, 8 de fevereiro de 2014

O Segundo Adeus






Há um adeus após o adeus.

O primeiro adeus descansa
Em algum espaço
Entre o agora e o depois,
Lá, onde chega a saudade
Que é logo recolhida
Entre carinhosas mãos.

O segundo adeus
É o caminho de volta,
O continuar - separados -
Sem o aperto na garganta,
Em algum lugar
Que a saudade já não alcança.

É preciso ter coragem
Para o segundo adeus.




quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Um Futuro Sem Memórias





Histórias gravadas na pedra, papiros, pergaminhos, livros de papel... antes, tudo era registrado usando estes materiais, e acho que se não fosse por isso, nós não saberíamos tantas coisas sobre o passado quanto sabemos. Mas hoje, tudo é armazenado em nuvens que a qualquer momento, podem ser sopradas por algum vento virtual e desaparecer do céu; fotos, textos e reportagens são postadas em blogs e sites que podem sumir mais rapidamente do que piscamos os nossos olhos. Pendrives (já tive várias músicas e textos perdidos devido a pendrives defeituosos) e midias guardam nossas lembranças e memórias de família - que antigamente, ficavam em álbuns de papel.

E tudo pode sumir, desaparecer devido a uma simples pane na eletricidade ou na internet. De repente, um hacker pode invadir nossos espaços virtuais, apagando o conteúdo de toda uma vida, a obra de muitos anos. Sem falar na mais nova modalidade de sequestro - o sequestro de dados. Um cracker entra nos computadores de grandes empresas, e literalmente, sequestra todos os dados das mesmas, exigindo resgate para que volte a liberá-los. 

Pendrives são tão frágeis! Um amigo me contou que perdeu quase todas as fotos de viagens que ele registrou desde 2006! E olha que ele viaja muito... eu mesma, ao formatar meu computador de forma descuidada, acabei perdendo várias fotos e aulas que eu tinha preparado.

E se, num futuro distante,  houver uma hecatombe? O que sobrará da nossa história para aqueles que encontrarem nossas ruínas? haverá algum registro? Antigamente, havia as enciclopédias. Tudo o que alguém poderia desejar saber, estava armazenado nelas. Recentemente, a Enciclopédia Britânica anunciou que, pela primeira vez desde que começou a ser publicada em 1768, deixará de imprimir suas publicações. Achei um pouco assustador.

Vivemos em um mundo frágil. Nossa história recente transita por aí em nuvens virtuais, sites, blogs, leitores virtuais, pendrives, CDs e DVDs. Aos poucos, vamos entrando na era da informação flutuante. Mas... e se ela afundar?


Metáfora

Às vezes, há ainda uma  corrente Muito fina e cristalina Que quer correr para o mar, Ainda há um par de pernas Que...