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terça-feira, 25 de dezembro de 2018

Conheço o Chão Onde Piso







São grossas as minhas solas,
A barra da saia está suja.
Encrustados no tecido
Estão os perfumes mais doces
E a lama nauseabunda;
Conheço o chão onde piso.

Sei precisamente o que
Está depois do horizonte,
Entendo o amanhecer,
As águas dos rios e as pontes.

Eu sei dos besouros afoitos
Pousados em cada moita,
Dos cantos dos passarinhos
E do ruído imperceptível
Do seu pouso silencioso.

Conheço a voz de Baal,
Eu conheço a voz dos homens,
Mas ouço as vozes dos anjos.

A água da fonte passa,
Recolhe a lama das margens,
Toneladas de pedrinhas
E leva na enxurrada.
A água da fonte passa, 
Constrói o limo das pedras,
Proteção aveludada
Que mantém limpas as mágoas
E leva, em deslizes súbitos
Os pés que pisam mais duro
Para o fundo das suas águas.

Conheço o chão onde piso,
E os rostos que cruzam comigo,
E o que os olhos dizem,
O que as bocas não proferem
Mas ferem, mesmo caladas.

Conheço o chão onde piso,
Por isso, meu passo é firme,
E tanto faz, se eu sigo
Sozinha em minha jornada:
O destino que me aguarda
É o mesmo de toda gente;
Daqueles que foram tudo,
Dos que hoje ainda o são
E dos que não são mais nada.




quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

TUDO PASSA








O dom do esquecimento
Espera na sala vazia,
Descansa nos versos
De uma poesia
Que verte as mágoas.

Mergulha nas águas
E depois, emerge
Secando na margem
As pontas das asas.

-Tudo passa!
A memória anota
Os acontecimentos
De um jeito só dela,
Pintando com a dor
Uma nova tela.






NAVALHA









O corte foi tão fino,
Que eu mal senti.
Depois, uma linha de sangue
Vermelho incandescente
E quente
Virou cascata.

Na alma remendada,
A extensa cicatriz em relevo
Sobre a pele maculada.





AZUL






Preciso descansar meus olhos
Depois de tudo que eu vi,
E é no azul absoluto,
Na caixa aveludada do céu
Que hei de pousá-los.

Por horas a fio,
Não quero ver mais nada,
Com linhas azuis
Eu vou costurar
A íris rasgada.






Você é um Cachorro!!!








Nunca me iludi a respeito da sua verdadeira natureza: você é um cachorro, e eu soube disso no primeiro momento em que o conheci, naquele primeiro dia, na primeira troca de olhares. As pessoas tentaram me avisar: “Agora que você está finalmente livre para fazer do seu tempo e da sua vida o que bem entender, vai se deixar envolver outra vez por um cachorro desses?”  Porque eu ainda estava me recuperando de um trauma muito grande, relacionado a um outro cachorro que acabara de sair da minha vida, deixando muitas lembranças. 

A gente pensa que após um caminho doloroso, a única saída menos dolorosa é o fim; mas quando o fim chega, nos vemos completamente sós, com um espaço enorme em volta e uma vida inteira para recomeçar, apagando velhas marcas doloridas e guardando nas gavetas do coração tudo aquilo que ficou de bom. Eu estava naquela fase do luto por uma grande perda, e se alguém me olhasse atravessado, esbarrasse em mim ou me dissesse ‘bom dia,’ já era o suficiente para que eu me desmanchasse em lágrimas. Eu estava mesmo naquela fase de andar por uma casa vazia e silenciosa, buscando algo que eu sabia que nunca mais encontraria. 

Então eu vi você. E você fez tudo o que um grande cachorro faria para chamar minha atenção: jogou charme, trocou comigo aquele olhar 43, pegou na minha mão, fez todos os truques que seres como você usam para colocar por terra as defesas das pessoas que desejam dominar. E eu consegui resistir. Mas naquela noite, seus olhos me olhavam na escuridão do quarto, e sua voz me perseguia. Eu tinha sido fisgada, e era irreversível.

E você entrou na minha casa já ‘botando banca’ de proprietário, invadindo tudo, trocando plantas de lugar, eliminando obstáculos e fazendo de cada canto o seu próprio playground. No começo, eu me arrependi: “Ah, eu não quero passar por tudo aquilo de novo!”  Mais tarde, eu soube que você vinha de um relacionamento frustrado e traumático, e percebi que juntos poderíamos conseguir superar o passado. E então eu me entreguei. E quando isso aconteceu, nós nos tornamos inseparáveis. Você tornou-se parte da família. Jamais conseguiu substituir o que se foi, e nem era esse o propósito, mas conseguiu criar seu próprio lugar dentro dos nossos corações. Sem nunca deixar de ter sido um cachorro. E ainda me convenceu a trazer para dentro de minha casa uma companheira para você, que não passa de uma cadela, mas que eu aprendi a amar muito.

E eu jamais sonharia que vocês fossem outra coisa qualquer. Vocês são cachorros, e é isso que me faz amá-los. Vocês não têm nenhum traço de maldade, arrogância, mentira, enfim, são alegria pura misturada às vezes com um pouco de nitroglicerina e muita malandragem. Quando estou desiludida com a atitude das pessoas, nós vamos sentar lá no gramado, e fico observando enquanto vocês brincam, ou perseguem a sombra das borboletas que passam, ou latem para os passarinhos, e de repente, tudo fica muito mais leve, alegre e puro. Acho que inocência contagia. 

Eu jamais faria nada para humanizar vocês. Nunca os levaria a um terapeuta de cães ou treinador que tentasse ensinar-lhes “bons modos” ou truques engraçadinhos para satisfazer o ego humano. Não gosto sequer de colocar lacinhos de fitas ou gravatinhas, embora eles às vezes façam isso nas pet shops. Banhos? Nada dessa coisa de dar banhos toda hora, pois isso não faz parte da natureza de um cão. Vocês são cães, e se eu me distrair, aparece uma poça de xixi no pé da mesa. Vocês fazem buracos no jardim, e há pelos voando pela casa toda. Às vezes, latem durante a noite, e nos acordam. Mas quando é de manhã, eu abro a porta da cozinha e lá estão vocês, cheios de alegria e entusiasmo para começar um novo dia, e isso é absurdamente contagiante!

Uma vez eu li em algum lugar que os cães são felizes porque eles vivem o momento. Desde aquele dia, eu comecei a reparar nisso, e a tentar agir como um cão. Nossa... quanto lixo eu já deixei para trás depois daquilo! E eu sei que ainda há muita coisa canina que eu preciso incorporar na minha vida, como por exemplo, a capacidade enorme que vocês têm de perdoar e esquecer, e estarem sempre prontos para recomeçarem de qualquer ponto da vida, mesmo após maus tratos e traumas que fariam qualquer ser humano tornar-se desconfiado e medroso para sempre. Ainda hei de aprender isso também. 

E quem não compreende o amor entre cães e seus donos, eu aconselho que pelo menos tentem, um dia desses, trocar um olhar profundo com um cão durante algum tempo, e se isso não conseguir abrir seus corações, é sinal de um problema emocional muito profundo. É sinal de que você necessita de um cão o mais rapidamente possível. 
















sábado, 8 de dezembro de 2018

Decisão










Eu fico com o que somos.
Do que fomos, já não resta
Quase nada, a não ser
Marcas de passos no chão,
Perfumes de amanhecer
Ruídos de fim de festa.

Não quero olhar pela fresta
E ver o que está guardado
Nalgum lugar impossível,
Vencido, inacessível,
Porque são fantasmas híbridos
Daquilo que nos restou.

Eu fico com o que somos
Após todos esses anos:
Passos muito mais pesados
Mas bem menos apressados
Pelo chão que conhecemos
Num cenário que mudou.

O teu rosto envelhecido,
Diante do meu, tão marcado;
Olhares que se desvendam.
O resto, é só o passado
Na prateleira esquecido,
Por trás do espelho rachado.






quinta-feira, 29 de novembro de 2018

Eu Tenho Algo a Dizer







Eu tenho algo a dizer.
Mas ninguém deseja me ouvir,
E isso às vezes sufoca.

Caminho de um lado ao outro
No quintal desta mesma casa,
Batendo, mil vezes, à mesma porta.

Esqueço - ou finjo esquecer
As minhas palavras sob o alpendre;
Quem sabe, alguém ouça, quem sabe alguém pense?

No dia seguinte, eu sempre volto,
E as encontro ainda úmidas de noite,
Adormecidas e esquecidas...

Penalizada, eu as pego de volta,
Coloco no bolso, mas num gesto louco,
Jogo-as todas pelo chão, com raiva,
Pisoteando-as sem piedade.

Afinal, o que são palavras, o que são palavras?
Apenas setas afiadas de um coração,
Filtradas pelo crivo de uma mente jocosa,
Em momentos de ociosa solidão...





sexta-feira, 23 de novembro de 2018

Amor & Dor







Nem na poesia
O amor deveria
Rimar com dor.
Qualquer sacrifício
Exigido como ofício
A alguma coisa 
Que se chame amor,
É só o egoísmo,
O egocentrismo
Um lobo vestido
Da pele arrancada
De alguma ovelha
Só e desgarrada.

Nem nos romances
Que estão nos livros
O amor deveria
Ter permissão
De pisotear
Um coração.

Ao dedicar-se
À ilusão
De ser amada
Dobrando a espinha
Ao egoísmo,
Qualquer pessoa
Despreparada
Cava com as mãos
O próprio abismo.

Que o amor não seja
O resultado
De um cataclismo 
Emocional,

Que não se vista
De escapismo,
Que seu olhar
Não seja torto
Pelo estrabismo
De um futuro
Que já está morto
Nas contas mudas
Daquele terço
Que prende os pulsos
Mas se disfarça
De amuleto.





O Amor








Enquanto eu passava roupas, assistia a um vídeo no YouTube. Neste vídeo, um palestrante espiritualista falava sobre a importância do amor, no quanto ele é essencial para que possamos nos manter saudáveis tanto física quanto espiritualmente. 

Em um determinado ponto da palestra ele começou a discursar sobre trabalhos espirituais e sobre como eles exercem seus efeitos em suas vítimas. Alegou que tais trabalhos só podem atingir àqueles que não sabem amar e perdoar totalmente, e que todos os que amam incondicionalmente a todas as criaturas, criam automaticamente uma couraça intransponível quanto a todo o tipo de mal.
Daí eu comecei a discordar dele.

Acho incoerente tal afirmação, e a prova mais óbvia, é a vida do próprio Jesus Cristo, que foi um homem que amou a todos, usou seu poder para curar as pessoas, falava sobre e exercia o perdão aos nossos inimigos... e acabou pregado em uma cruz, sofrendo dores horríveis que com certeza ele não merecia. Também há muitas outras pessoas de boa conduta que passam coisas horríveis devido às ações de pessoas maldosas e cruéis. Crianças são torturadas, estupradas e mortas. Animais inocentes também. Todo tipo de pessoa pode passar por coisas horríveis a qualquer momento, não importa se são jovens, idosos, religiosos ou ateus. E o amor não as salva de nenhuma delas. 

Não quero dizer com isso que o amor não vale a pena, e que não devemos amar; apenas que não devemos nos sentir culpados se não conseguimos amar a todos incondicionalmente e- afinal, quem pode? Duvido sempre de todos que alegam consegui-lo. O que podemos fazer sempre, é nunca desejar o mal a ninguém, e tentarmos sempre fazer o nosso melhor. Mas quando alguém nos magoa recorrentemente, não acho que devamos ficar perto desta pessoa, dando-lhe amor e compreensão: em casos assim, é melhor se afastar o mais rapidamente possível! Porque para mim, antes de amarmos os outros, precisamos aprender a amar a nós mesmos.

O amor, seguia o palestrante, também significa sacrificar-se por aqueles a quem amamos. Novamente, discordei dele! Qualquer um que nos peça para que nos torturemos a fim de deixa-lo feliz, ou que façamos alguma coisa muito difícil, ou que deixemos de ser quem somos para que “a paz geral prevaleça”, não é digno de nosso amor e não nos ama verdadeiramente; o maior amor de pessoas assim, é por elas mesmas. A partir do momento em que dizemos “não” a estas pessoas, acontece um ataque de pirraça: elas brigam, gritam, saem batendo os pés e deixam de falar conosco. Antes, eu me sentia intimidada por atitudes assim, mas hoje eu apenas observo e me mantenho impassível, focada naquilo que eu acho ser o melhor para mim, em primeiro lugar.

Ninguém pode jogar sobre mim a carga de sua própria felicidade e paz de espírito! Isso são coisas que se conquistam individualmente. Se eu dependesse de sacrifícios alheios para ter paz, eu estaria sendo uma tirana. Quem não está feliz precisa descobrir como mudar por si mesmo. Ninguém pode pedir a outro que se sacrifique para caber aonde eles querem.

Amor não é jogo de manipulação. Não pode ser imposto. Não demanda sacrifícios. Não se sacrifica. Se não for puro e espontâneo, não vale a pena. Fico muito desanimada quando vejo pessoas religiosas usando argumentos opostos ao amor a fim de dominarem a vontade alheia e incutir culpas nas pessoas. 








quinta-feira, 22 de novembro de 2018

Medida









Eu meço as minhas palavras,
Mas é curta a minha fita.
Elas são muito mais longas
Que a minha própria língua.

Retê-las dentro da boca,
Queimaria o coração.
Dessa minha fala louca
Jamais hei de abrir mão.






CONVITE








Olá, pessoal!


Montei um novo blog no qual eu falo sobre meu aprendizado com o Tarôt, chamado O CAMINHO DO APRENDIZ. 

Comecei a estudar Tarôt há alguns meses - estou fazendo um curso em minha cidade - embora já conheça as cartas há muitos anos. Neste novo blog, eu comecei a falar sobre as cartas e também dou algumas dicas sobre 'insights' durante as leituras.

Além do significado das cartas, conforme os estou aprendendo, e também de acordo com as minhas próprias conclusões e intuições adquiridas através das minhas leituras e estudos, eu também posto sobre coisas que, espero, nos façam refletir sobre as nossas vidas e nossas escolhas. O blog está ainda bem no comecinho - há apenas algumas postagens - mas trata-se de um espaço no qual realmente pretendo investir tempo e dedicação.

Convido-os todos a participar e a se inscrever. O blog será útil até mesmo para quem não acredita no Tarôt, mas que sempre dá uma olhadinha no horóscopo de manhã, só para garantir... 😅😅😅
Nas interpretações das cartas, há dicas e reflexões bem bacanas... mas há outros tipos de postagens também. basta checar as 'tags.' 

Quero colocar também outros tipos de reflexões e abrir discussões sobre coisas da vida, nossas experiências e opiniões sobre determinados assuntos. Enfim, está ficando um blog legal. Também quero, no futuro,  colocar reflexões sobre sonhos e suas interpretações. 

Sempre tive um pé no místico da vida, e agora resolvi assumir esse meu lado. Convido vocês a embarcarem nessa aventura junto comigo. O link está abaixo:



O CAMINHO DO APRENDIZ
                                                   ocaminhodoaprendiz2.blogspot.com

segunda-feira, 19 de novembro de 2018

Nós Aprendemos







Nos comportamos como se fôssemos viver para sempre.
Compramos, vendemos, fazemos escolhas, pagamos, devemos...
Nós só somos inteiros todo dia primeiro de cada ano, ao abrirmos a rolha;
É quando nós sonhamos.

Vêm marços chuvosos e maios gelados, agostos com ventos e dores, setembros com nuvens e flores...
Verões tresloucados, outonos cinzentos calados...
E tudo começa de novo, a mesma peça, alguns novos atores...
Nós somos os mesmos, mas mudamos sempre:
O que antes era deleite, torna-se a nossa maior dor.
Vêm e vão as pessoas, vêm e vão os lugares, vêm e vão os amores - mas ficam as dores.

Às vezes eu paro, me olho e pergunto: pra quê tanto estudo?
Por que tantas roupas, e pratos, e discos, e livros, e copos e computadores?
E velas, e flores, cadernos, canetas, sapatos, echarpes, colares, e quadros?
Pra quê tantas coisas, pra quê tantas coisas?

Vivemos como se fossemos ficar para sempre,
Nem percebemos o tempo que chega e nos transforma em criaturas...
...Fantasmagóricas
Que arrastam correntes por entre as enchentes de coisas compradas,
Lições aprendidas, lições ensinadas, palavras roubadas e outras caladas
Agarradas às barras de nossas etéreas saias!

Nós aprendemos tanto, e quando nos vamos, não sabemos nada:
Nem sequer para onde, nem mesmo o instante, nem mesmo a origem,
Se é o começo ou o fim da jornada.

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sexta-feira, 16 de novembro de 2018

A Solidão




A solidão é um lugar
De onde se vê melhor o mundo,
De onde todas as batidas de coração
São ouvidas
E melhor compreendidas.

De lá de cima, de lá de dentro,
O espaço é tão imenso,
Imensuravelmente tranquilo
E tão silencioso,
Que se ouve a mínima voz de todo vento.

A solidão nada tem a ver com tormento;
Assim que você tem a coragem
De abrir os olhos, estando lá dentro,
Verá que há beleza em cada canto:
Lembranças queridas,
E pensamentos que ficavam calados
Por jamais serem escutados.

No País da solidão
Você escolhe uma nuvem
E deixa que ela te leve
A todos os céus e galáxias,
Sem precisar de controle ou de questionamentos.

Na solidão você descobre
Que a vida toda, teve alguém muito importante
Que você vinha ignorando
Por pura falta de tempo,
Alguém cujos sonhos ficavam à esmo,
Substituídos por sonhos alheios:
Esse alguém é você mesmo.

A solidão é uma grande amiga
Que só diz a verdade,
Só ouve a verdade,
Só vive a verdade.

Talvez você se sinta incomodado, no início,
Ao descobrir que seu espelho não refletia
Aquela pessoa que você dizia ser.
Mas a solidão refaz os contornos da imagem,
E o convida a uma nova e verdadeira viagem
Por dentro de si mesmo,
Lá, onde descansa aquele ser de quem te ensinaram a esquecer
E de quem há muito você se perdeu:
Seu verdadeiro Eu. 











terça-feira, 13 de novembro de 2018

Um Livro Antigo, Uma Visão Sobre os Nossos Tempos






Trechos de um livro escrito por volta de 1896, "Dogma e Ritual de Alta Magia," por Éliphas Lévi; decidi transcrevê-los para provocar reflexões importantes naqueles que as merecem:

"A emancipação simultânea e a igualdade absoluta de todos os homens supõe a cessação do progresso, e por conseguinte, da vida."

"Antes que haja alguma coisa que nos agrade ou desagrade, há uma verdade, isto é, uma razão, e é por esta razão que as nossas ações devem ser reguladas mais que pelo nosso prazer, se quisermos criar em nós a inteligência, que é a razão de ser da imortalidade, e a justiça, que é a sua lei.
O homem verdadeiramente homem só pode querer o que deve, razoável e justamente, fazer; impõe silêncio aos desejos e ao temor, para escutar a razão."

"O sábio afirma o que sabe, e só crê no que ignora, conforme a medida das necessidades razoáveis e conhecidas da hipótese."

"Homens nos quais o zelo era mais forte que a paciência, impressionados pelas máximas populares do Evangelho, acreditaram na igualdade primitiva e absoluta dos homens. Um alucinado célebre, o eloquente e infeliz Rosseau, propagou, com toda a magia do seu estilo, este paradoxo: que só a sociedade deprava os homens, como se disséssemos que a concorrência e a emulação do trabalho fazem preguiçosos os operários. A lei essencial da natureza e da iniciação pelas obras e do progresso laborioso e voluntário foi fatalmente desconhecida; a maçonaria teve seus desertores, como o catolicismo tivera os seus. Que resultou disto? O nível de aço substituído ao nível intelectual e simbólico. PREGAR A IGUALDADE ÀQUELE QUE ESTÁ EM BAIXO , SEM DIZER-LHE COMO A PESSOA SE ELEVA, NÃO É OBRIGAR-SE A DESCER? POIS DESCERAM E HOUVE O REINO DA CARMAGNOLE, DOS SANS-CULOTTES * E DE MARAT.

Para relevar a sociedade vacilante e decaída é preciso estabelecer de novo a hierarquia e a iniciação. A tarefa é difícil, mas todas as pessoas inteligentes já sentem a necessidade de empreendê-la. Será preciso, para isso, que o mundo passe por um novo dilúvio? Desejamos vivamente que não seja assim, e este livro, a maior, talvez, mas não a última de nossas ousadias, é um apelo a tudo o que ainda vive, para reconstituir a vida até no meio da decomposição e da morte."

* Os Sans-culottes e Carmagnole eram trajes dos operários no tempo da Revolução Francesa; aqui designam as classes operárias mais inferiores.

ÉLIPHAS LÉVI

Quem souber interpretar um texto, que entenda.






quinta-feira, 8 de novembro de 2018

Meu Mundo




Eis o meu mundo,
Aquele que teci,
Aquele que sonhei
No qual eu me achei,
No qual eu me perdi!


Paisagens da vida
Que eu percorri,
Avenidas e praças,
Risos e desgraças
Do que já senti!

Eis minha vida,
Plena, desabrida,
Contida em um cadinho
De anos e de sonhos;
Alguns eu pari,
Outros abortei,
E outros devolvi
À fonte que os trouxe.

A vida não é doce,
Nem tampouco é amarga,
Nós é que o somos
E que nos tornamos
Aquilo que plantamos,
O que nós contemplamos
Das nossas ilhargas!

Eis o meu mundo,
Às vezes, colorido,
Noutras, cinzento,
Porém, eu me contento
Em nunca ter mentido,
Jamais ter desistido...

Escrevo a minha história, 
Escolho os personagens,
E as minhas viagens
No plano do agora,
Construo as memórias
Das quais me esquecerei
No dia de ir embora.









terça-feira, 6 de novembro de 2018

IF I FOUND AN E.T IN MY GARDEN







If I found an E.T walking around in my garden, 

I’d surely ask him what he was doing there, 

Since there isn’t anything special or different 

But birds and beetles that with him I could share. 



I’d probably invite him into my closet 

To spare him from curious neighbors and apocalypse prophets 

There he could have some fun trying on my dresses 

And checking how he’d look in one of my pajamas. 



If I found an E.T peeping through in my garden, 

I would surely not call the FBI, don’t start it! 

I would like to spend some time with him, chatting 

And I’d ask if he’d take me with him to his planet. 



I would walk him on a tour in my spacious bedroom 

Making sure he felt comfortable, and whatever’s necessary 

And if he were so gentle to show me some patience, 

Who knows, maybe I could propose him marriage? 



I’d probably ask him if he’d been here before 

And once met a girl named Drew Barrymore, 

If he rode on a bike on a flight by the moon 

And of course, if he meant to be back so soon… 



When we were saying goodbye, I’d hold him  tight 

And invite him to come again, and stay for a while 

But that time, I’d advise him to please not to forget 

To pack in his bag his own goddamn mobile!




segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Tudo ou Nada?











Para entender o tudo,
Basta focar em uma folha caída,
O Zen absoluto, mensagem embutida
Na gota de água de chuva
Da nuvem caída,
Sopro de ventania fluida
No rosto a beijar
O despertar
Da paz desse tudo/nada
Nada/tudo
Que entra pelos olhos, circula por um tubo
Que concentra a paz desenfreada
Desse túnel profundo
De águas correntes
E águas paradas.


Não compreendeu? Faltou-lhe o sentido?
É que basta uma cor verde, de cima caindo
Na paz desse nada vermelho-incolor,
Para surgir a dor,
Sumir a delícia
Dessa falácia vivaz e mortiça!
A paz tão pregada, a filha do nada,
Transforma-se em mensagem de revolta
Embora velada,
Gurus dormentes abrem os olhos
Encaram os restolhos
Da sua falaciosa paz roubada,
Capiciosa evolução anímica desanimada
Desalmada.








sexta-feira, 26 de outubro de 2018

Indiferença







Um olhar sempre distante
Passando sobre as cabeças,
Além do que existe agora.

Um sentir itinerante
Que não tem pouso ou descanso
De tão triste, já nem chora.

A palavra vacilante
Arrancada da garganta
Do coração, não aflora.

Um sorrir mortificante
Uma dor dilacerante
Que não tem pressa, nem hora...

Um calar-se tão gritante,
Que quem olha, logo pensa
Que a alma foi embora...

Mas por dentro, sufocante,
O desejo por um voo
Que há muito se assenhora...







quinta-feira, 25 de outubro de 2018

A Paz ou a Espada?







Não sou uma pessoa religiosa praticante, mas gosto muito de ler sobre todas as coisas, e leio a Bíblia diariamente. Hoje me deparei com este trecho ao abri-la, e pensei no quanto ele reflete o momento que estamos vivendo no Brasil.

É explícito que existe uma enorme divisão, uma barreira sendo criada, e dois polos totalmente diferenciados. Não posso dizer com certeza absoluta que quem está de um lado é bom, e quem está do outro, é ruim. Mas creio que um dos lados esteja apenas enganado.

Em momentos assim, coisas importantes estão em ebulição. Definitivamente, estamos vivendo um momento histórico, onde o futuro de uma nação está sendo decidido.

Ler esta passagem da Bíblia esta manhã foi muito importante para mim, pois eu, que não acredito em coincidências, a interpretei como sendo uma mensagem de que eu estou do lado certo. Repito: não do lado 'bom', mas do lado certo.

Que cada um interprete esta passagem como quiser.





quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Com licença – Preciso Abraçar Esta Luta!









Não é nada pessoal. Também gosto de vocês. Porém, nosso país chegou a um momento muito importante, e histórico. Ou avançamos daqui para algum lugar mais produtivo, ou permanecemos enfiados até o pescoço em uma lama podre de anos de corrupção, mentiras e segundas intenções.
Estamos na reta final, e se depois disso vocês nunca mais quiserem falar comigo, não terei nenhum arrependimento ou remorso, pois a minha luta está bem além do campo pessoal, do que eu gosto/não gosto. 



Porque eu luto para que as coisas que eu – e que todos nós – conquistamos com o nosso trabalho, sejam mantidas e resguardadas, e não confiscadas e distribuídas entre os que nada fazem. Eu luto por um país onde eu e você possamos discordar livremente, e não um lugar onde as suas ou as minhas opiniões sejam sufocadas. A minha luta, é por ter o direito de acordar todos os dias e ter todas as refeições sobre a mesa, sem passar fome, sem ter que me preocupar com o que eu comerei hoje ou amanhã – ou se eu comerei alguma coisa. 


A minha luta é para que todos tenhamos os mesmos direitos, e não pelos direitos de apenas uma minoria. Luto pela instituição mais forte e mais necessária, aquela, na qual eu e você fomos criados, e a quem devemos tudo por termos chegado até aqui: a família. E mesmo que você não tenha uma família, ou que tenha se desentendido com a sua, tanto eu quanto você sabemos que é para lá que todos correm quando a coisa fica difícil. 


Eu luto para que eu possa caminhar pelas ruas sem o desconforto de um coração descompassado pelo medo de ser assaltado ou levar uma bala perdida. Luto para que tenhamos um pouco de paz, e não para que bandidos andem soltos por aí, armados até os dentes, enquanto nós não temos sequer a chance de nos defendermos: morremos como moscas. 


Eu luto para que a sua casa continue sendo sua, e que você tenha o poder de deixar entrar nela apenas quem você quiser, sem ser obrigado a dividi-la com estranhos que jamais pagaram por um de seus tijolos. Luto para que você e eu possamos exercer as nossas profissões e sermos justamente pagos por ela, e não termos que entregar a maior parte do que ganhamos para sustentar um  governo corrupto.


Não luto pela igualdade, pois igualdade é utopia; vivemos em um mundo onde todos são diferentes e têm diferentes sonhos e objetivos, problemas e questões. Não quero igualar ninguém por baixo, mas desejo que todo mundo tenha as mesmas oportunidades de se tornar quem quiserem ser. 


Posso não concordar com tudo que meu candidato prega; posso até concordar com vocês sobre algumas críticas que andam tecendo a respeito dele; afinal, ninguém é perfeito, e eu não sou ingênua o bastante para pensar que qualquer político seja santo. Mas ele é a única pessoa, neste momento, que poderia impedir a implantação de um dos sistemas de governo mais cruéis e injustos do mundo: o comunismo. 


Eu não quero passar fome. Não quero abrir mão de minhas conquistas ou de minha liberdade de expressão. Não quero continuar me escondendo em casa, porque ir ao Rio de Janeiro para assistir uma peça de teatro ou fazer compras no shopping significa arriscar a minha vida e a vida de quem está comigo. Não quero mais me preocupar sobre terei ou não trabalho, pois meus clientes estão fechando seus negócios e perdendo seus empregos. 


Sinto muitíssimo que vocês não compreendam isso, mas mesmo assim, mesmo que vocês me excluam de sua lista de amigos (ou eu venha a excluir vocês), mesmo que nunca mais voltemos a nos falar, eu vou continuar lutando até o fim, na esperança de que um dia vocês percebam a besteira que iam fazer. E se a errada for eu, darei o braço a torcer, a mão à palmatória e com a mesma disposição, farei o caminho inverso. 

Porque não estou aqui defendendo uma pessoa que mal conheço, um político, um ego: estou defendendo a mim mesma, a vocês e aos nossos interesses. 


#FORAPT!





Lula Livre?

Lula Livre? Gostaria de dizer o que me incomoda nesta frase. Não é bem a liberdade de Lula, mas a maneira como ela foi co...