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segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

PERSUASÃO





 

 

A pior forma de persuasão é o constrangimento.
Todo mundo fala sobre aprender a dizer "não," mas andamos nos esquecendo de como aceitar um "não" dito por alguém.

Quando alguém diz "não", podem haver três motivos:

1- A pessoa não quer, embora possa;
2- A pessoa quer, embora não possa;
3- A pessoa não quer e não pode.

E em qualquer situação, é um constrangimento quando alguém insiste.

Precisamos aprender a aceitar um "Não" como resposta, não importa qual seja o motivo. Quem diz "Sim" ou "Não", tem as suas razões.

Cada pessoa é um universo, e nós só enxergamos a pontinha do iceberb quando olhamos para os outros. E exigir que alguém nos diga "Sim" apenas para satisfazer as nossas vontades ou necessidades, não é preocupação; é imaturidade.

Saibamos respeitar o momento alheio, pois agindo assim, garantimos interações confortáveis e verdadeiras no futuro, além de fazermos crescer a confiança mútua.

 


 

Ana Bailune

sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

SAUDOSISMO




SAUDOSISMO

 

Eu tenho uma saudade enorme

De não saber o que eu sei.

 

Não sei por onde anda

Aquele riso bobo, frouxo

Que eu trazia sempre no rosto

Sem perceber que o que eu pensava ser

Proteção,

Era manejo.

 

Tenho saudades de sentar-me à mesa

Sem notar os olhares devoradores que hoje vejo,

As palavras tortas e mordazes,

Os tremores de fome sobre os dentes.

 

Eu caminhava resoluta

À beira dos abismos que me indicavam,

Achando-me segura.

Dizia sempre “sim,” fluentemente,

E negava a mim mesma, veementemente,

Toda ranhura.

 

Tenho saudades absurdas

Dos tempos em que eu era cega,

Muda,

Surda.

 

 

 

Ana Bailune


 

quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

NÃO TENHA MEDO DE DESCOBRIR QUE VOCÊ MUDOU

 


 

Todo mundo muda um dia – para melhor ou para pior. Reconhecer isto faz parte da jornada do auto conhecimento. Para mim, conhecer-se é olhar-se sem preconceitos, aceitar os próprios defeitos e limitações (sempre tentando melhorá-los) e admitir um fato que muita gente chama de vaidade, mas para mim é auto aceitação: você merece o melhor.

Eu mereço o melhor. Por isso, faço escolhas, tomo decisões e me afasto daquilo que não agrega, que não me faz crescer, que drena a minha energia.

Pode paracer fácil, mas na verdade, é bem difícil. Crescer significa uma porção de incompreensão, solidão e julgamentos. Antes de chegar à luz, existe um caminho tortuoso e demorado de muitas trevas e de muito cansaço. Existe o medo de estar tomando as decisões erradas – afinal, “sempre foi assim! Quem sabe, a errada sou eu?”  Existem quedas e a vontade de voltar para o lugar “seguro” de onde viemos e no qual conhecíamos exatamente qual era o nosso papel – papel este que era determinado por algumas pessoas que nos cercavam, e não exatamente por nós mesmos.

E a gente volta, inúmeras vezes, e sofremos novas quedas que no fundo, sabíamos que aconteceriam, e dizemos que foi a última vez, mas a gente acaba voltando de novo, e de novo... até que não nos reste outra saída a não ser admitir que aquele lugar nunca foi para nós. Nunca fomos realmente amados, estimulados ou reconhecidos ali. As pessoas determinaram o nosso lugar e não suportaram quando fizemos outras escolhas. Se a gente se atrever a brilhar só um pouquinho, colocar a cabeça só um pouquinho para fora da caixa, corremos o risco de perdê-la. E vêm as represálias, as críticas, as chantagens emocionais, os silêncios que tem como objetivo castigar.

E assim nós reconhecemos o quanto éramos usados e confundíamos isso com amor e apoio.

Ok, então a gente finalmente cria coragem e sai. Tiramos os óculos cor de rosa e os jogamos em algum lugar na estrada onde nunca mais os acharemos, e continuamos. É um processo de muita dor e de muita solidão. As memórias do que foi bom cismam em nublar nossos olhos, mas nos forçamos a lembrar de todas as vezes em que foi bem ruim. Isso aumenta a determinação.

E eu às vezes me pego pensando: muitas vezes, quem nos causa mal pode pensar realmente que é uma boa pessoa. Que nunca fez nada para nos prejudicar. Mas o afastamento as faz pensar (ou não). Só sei que depois que a gente acorda, é impossível voltar a dormir. E a gente decide que nunca mais queremos estar ali, naquele lugar onde nossa energia é drenada, nosso sangue, sugado e nosso ‘eu,’ ignorado. Não queremos mais emprestar os ouvidos a pessoas que só falam de si, que só pensam em si mas que nunca estão prontas para ouvir. Nunca mais queremos vir cheios de entusiasmo para contar sobre uma conquista e deparar com olhares indiferentes e críticas. Nunca mais queremos mendigar afeto através da negação de nós mesmos.

E nesse momento, ao erguermos a cabeça acima da dor, a gente descobre que Sozinho é um bom lugar. Que na verdade, nós podemos caminhar com as próprias pernas, assumindo os riscos que NÓS escolhemos, saboreando o sucesso em silêncio. Descobrimos que não precisamos de plateia. Não precisamos de apoio ou validação.

Não precisamos agradar.

Não precisamos podar a nós mesmos.

E a gente cresce.





 

 

 

 

quinta-feira, 12 de junho de 2025

ESTRANHEZA

 





Eu sou de outro país,

De outra época, há muitos anos,

Milênios, talvez.

Não sei quem me fez,

Mas jamais me esqueci

De quem me desfez.

 

Eu venho de alguma galáxia

Muito distante,

Não tem alguém que a alcance,

Ou alguém que fale a minha língua

Ou cure a minha íngua.

 

Quem me olha, nem percebe

Que eu já não estou,

Que eu fui embora

Há muito tempo,

Sou uma folha verde que caiu mais cedo

Derrubada pelo vento.

 .



.



.



.

 

 

 

quarta-feira, 11 de junho de 2025

FREIRAS DANÇANTES, PADRES CANTANTES, PASTORES MIRINS E AFINS

 


 

Não tenho nada contra freiras dançantes e padres cantantes.

 

Bem, se isso fosse totalmente verdade, eu não estaria escrevendo este texto.

 

Não sigo religião nenhuma, embora leia muito sobre quase todas elas – catolicismo, budismo, espiritismo, protestantismo,  hinduísmo, bruxaria, umbanda, e até mesmo satanismo. Porque eu gosto de saber. Gosto de conhecer, mesmo não seguindo. Sigo páginas de pastores, budistas, agnósticos, macumbeiros, enfim, não tenho preconceitos.

 

Meu único problema é com a hipocrisia.

 

Eu acredito que, quando um sacerdote se coloca sob uma denominação religiosa, ele deve seguir o que aquela denominação prega. Freiras maquiadas dando entrevistas em podcasts e dizendo que amam quando as elogiam pela sua aparência, não me parecem confiáveis. Padres cantantes cheios de botox, que viram influencers e passam a se vestirem com calças apertadas e roupas caríssimas de marca, também não me parecem confiáveis. Budistas que descriminam este ou aquele grupo de pessoas por causa de suas preferências políticas, não seguem os preceitos do budismo. Pastores que exigem que seus fiéis façam 'pixes' altíssimos em suas contas, não me parecem honestos. Talvez essas pessoas sejam ótimas, mas não nasceram para o sacerdócio. Poderiam ser excelentes filósofos, escritores, influencers... mas padres, monges, pastores e freiras, não.

 

Acredito que todos já viram algum trecho em vídeo daquele pastorzinho fake que não conhece a  Bíblia fazendo pregações - chega a ser bizarro. O moleque foi criado para ser uma máquina de arrancar dinheiro de otários. E como tem otários dispostos a contribuir com esses absurdos! Cada fala dele é uma encenação, algo ensaiado exaustivamente. Fizeram uma lavagem cerebral na criança e criaram um monstro.

 

Por isso, não sigo nenhuma religião. Cada uma é uma coleção de absurdos abençoados por um deus que não existe e jamais existirá na minha vida. Porém, a cada um o direito de fazer o que quiser, só não tentem me converter a nada. Prefiro essa minha religiosidade solitária– que também não pretende converter ninguém - praticada dentro da minha casa e em meu jardim. Gosto da oração que sai do coração todos os dias, da gratidão sincera pelas mínimas coisas, da vela acesa apenas pela luz que ela propaga, do incenso que queima pelo seu perfume. Gosto daquele deus que habita dentro de mim e que não me entrega nada, a não ser a mim mesma, a não ser a natureza, a não ser a paz de uma noite bem dormida.

 

Gosto do Deus que me ampara e protege do mal, principalmente do mal que existe dentro de mim mesma, pois é através dele que o mal que vem de fora pode encontrar um caminho até mim. E quando o mal consegue penetrar, esse deus me ensina a me limpar, e ele volta exatamente para aquele que o enviou.

 

Minha religião?

 

O sol, a chuva, a natureza, os bons livros, as orações ditas no silêncio da minha casa, os animais, a solidão escolhida conscientemente e que só é quebrada quando eu quero.

 

O que isso me traz?

 

Paz. Exatamente o que o mundo me tira.

 



terça-feira, 3 de junho de 2025

MEMÓRIA

 





Uma tarde morrente.

As últimas luzes tentam iluminar a mesa da cozinha.

A mulher se debruça ao acaso

Sobre as folhas de jornal que embrulhavam os ovos:

Velhas notícias.

 

Chia a panela de pressão

Enquanto a menina tenta terminar as tarefas da escola.

Mãe e filha ausentes,

Cada qual no seu mundo;

Um mais colorido, outro mais profundo,

Tão profundo, que ela se agarra às boas lembranças

A fim de não se afogar.

 

A criança, em seu mágico mundo da imaginação,

Entre noves fora e multiplicações

Olha para fora, para as folhas do coqueiro na casa vizinha,

E cria esta memória.





 

 

sexta-feira, 23 de maio de 2025

NOSSA CASA AGORA É VERDE

 




Depois de mais de vinte anos vivendo na casa terracota, nós agora vivemos na casa verde. Escolhemos essa cor depois de muitas dúvidas. Acho que ela reflete nosso momento atual, de muitas mudanças, novidades e esperanças.

Em 2025 eu mudo de década - chego aos sessenta. Meu marido chega aos 61. Tantas coisas andam me acontecendo nesse período! Ando ressignificando meu trabalho - pretendo diminuir o ritmo a partir de 2026, para que eu tenha mais tempo de me dedicar ao que eu gosto - escrever, ler, estudar o tarô, aprender um novo idioma, viajar, participar dos blogs e cuidar dos meus sites, incluindo o site onde moramos.

Enquanto isso, tenho tido sonhos estranhos à noite, e ando relembrado pessoas que fizeram parte da minha vida há anos e anos e que nunca mais vi, a memória trabalhando a mil (deve ser da idade), mas sem saudades, apenas reflexões. Não sei onde essas pessoas estão, e nem gostaria de saber, porque não faz sentido. 

Tenho enterrado meus mortos, finalmente. E tenho dado a mim mesma o direito de dizer não ao que sempre me feria, aprendendo a não cair mais nas mesmas armadilhas, limitando interações com pessoas que me machucaram e que provaram, mais de uma vez, que não são confiáveis.

Acho que quem atinge uma certa idade e não cuida dessas coisas, não aprendeu a se respeitar.

Nossa casa agora é verde, porque o verde é a cor da cura, da renovação.





segunda-feira, 6 de janeiro de 2025

Passarinho

 



É tão bonito o passarinho
Que pousa, cantando
No galho da árvore!

Derrama cores e cantos
Sem economia,
Sem promessas ou cobranças,
E sem sequer prometer
Que voltará no outro dia!






sábado, 16 de novembro de 2024

AMARGURA





 

E você descobre

Que está coberta,

Que se afogou

Na maré cheia,

E você entende

Que já é passada

A hora certa,

E que tem vivido

Espremida

Entre as horas alheias.

 

E você percebe

Que sua existência

Pede permissão.

E você se arrasta,

E você se gasta

Por compreensão.

E você se olha,

Não se reconhece,

Não sabe se sobe,

Não sabe se desce.

 

E você se esquece

De como chegou

Aonde chegou,

Não sabe aonde vai,

Se deve ficar,

Pois nem se dá conta

Do que lhe restou.

 

E você assunta,

Você se pergunta

Se valeu a pena,

- Protagonizou

O seu espetáculo,

Ou tem sido apenas

O receptáculo,

O palco cedido

A um outro show?

 

E você se sente

Sempre deslocado,

Os olhos vidrados,

Os lábios colados,

Coração pesado,

O ar rarefeito

O peito abafado.

 

E você se isola,

Pois a solidão

É a única cola,

Uma proteção

Um alívio, um jeito

De cuidar daquilo

Que ainda restou.

 

E você se vê

Em paz, finalmente,

A vida entre os dentes,

Os anos no fim

A vida no fim,

Lembranças em fileiras

Sobre as prateleiras

Empoeiradas

Catalogadas , etiquetadas:

“Aqui jaz o escopo

De uma vida inteira.”

 

 

 

 

 

 



 

terça-feira, 3 de setembro de 2024

DIZER A VERDADE, SER VERDADEIRO






Quem diz a verdade a si mesmo é incapaz de mentir a quem quer que seja. 


Vejo muitas pessoas que procuram desculpas para justificar as decisões que elas próprias tomam, sempre apontando outras pessoas como responsáveis pelos seus feitos e escolhas. Tais pessoas não estão seguras sobre suas próprias decisões, e atribuem aos outros o papel de as terem 'forçado' a seguir este ou aquele caminho, pois se nada der certo, poderão atribuir ao outro a culpa pelas suas más escolhas.


Pessoas assim não refletem e nada aprendem, pois jamais admitem terem errado. Dizem-se sempre vítimas das circunstâncias. 


Há pouco tempo, alguém me disse: "Tomei tal decisão porque será melhor para mim e para você, já que você não está mais satisfeita com o meu trabalho." Dei a ela a única resposta que eu poderia ter dado: "Essa é a sua escolha, e a sua decisão. Eu nunca disse tal coisa. Vá em paz e obrigada." Eu quis deixar bem claro a ela que eu nada tive a ver com a escolha que ela mesma fez.


Por que as pessoas não dizem a verdade a si mesmas? 


Quando alguém se afasta de mim de forma tão súbita e sai batendo o pé, eu não pergunto jamais o motivo, nem tento impedi-las; considero um livramento. Afinal, eu rezo todos os dias e peço a Deus que afaste de mim as pessoas falsas, mentirosas e invejosas. Não posso lamentar quando Deus me ouve. 


 



quarta-feira, 7 de agosto de 2024

ABRA MÃO

 



Paz é um sentimento que só estará do lado de fora, estando dentro. 

Na noite passada eu não dormi. Nem por um segundo. Fiquei pensando no quanto uma pessoa tinha sido injusta comigo, mesmo eu tendo sido o melhor de mim para ela. Mas quase de manhã, vagando pela internet adormecida, encontrei um curto vídeo que me fez lembrar de algo simples e importante: A gente não tem controle sobre os atos alheios. As pessoas são o que são. Nem todo mundo vai gostar da gente. E nem é preciso que gostem! 

O aprendizado está em largar aquilo que não podemos controlar - e não podemos controlar quase nada nessa vida, e aquilo que a gente pensa que controla, é apenas ilusão. De repente alguma coisa acontece e nos mostra que o controle não está, nem jamais esteve, em nossas mãos. No budismo eles ensinam a contemplar; deixar que os pensamentos cheguem e passem. Deixar que a vida traga e leve. E na madrugada, mudei o texto do meu bios no Instagram para: "Abra mão, mas jamais quebre os próprios dedos." E quantas vezes a gente quebra os dedos tentando segurar, tentando reter!

Enquanto eu limpava a casa, logo após terminar as aulas da parte da manhã, um pensamento me veio: "Que tal pessoa encontre a paz, porque está precisando. Preocupe-se com a sua vida, com a sua paz, seja você uma pessoa grata ao invés de tentar tirar das pessoas aquilo que elas não têm para dar. Você está bem; não permita que um acontecimento aleatório, perpetrado por alguém despreparado, abale tanto as suas estruturas."

E então eu senti uma paz enorme, e gratidão porque tenho uma casa para limpar, pratos para lavar, roupas para passar e guardar. E muito mais rapidamente do que eu pensava, terminei todas as tarefas que eu tinha. 

Todo mundo tem o direito de ir embora, mas não é preciso sair batendo a porta. Mesmo assim, sempre haverá quem a bata, pensando que jamais precisará voltar. 




 




 


 


 


 




quinta-feira, 18 de julho de 2024

BEM NO MEIO




Havia um anjo

De pés descalços

Que caminhava bem no meio

De um coração quebrado.


Dentro da noite,

Da mais negra noite,

Ele erguia nas mãos

Um pequeno archote.


Mas só ouvia seus passos

Quem calasse a própria dor,

Só encontrava

A luz dos seus braços

Quem não temia o amor.


E bem no meio

Do sol que queimava

Ao meio-dia

Havia o alívio

Da brisa das suas asas.


E todo dia, o anjo passa,

Como todo dia ele passava.

Mas só enxerga

Quem tem a fé de caminhar

De olhos fechados,


Quem acredita que amanhece,

Quem não se esquece

Que um dia, tudo passa,

E que toda escuridão

Se transforma em graça.




quarta-feira, 3 de abril de 2024

EU SÓ TENHO UMA FLOR

 





Eu Só Tenho Uma Flor

 

Neste exato momento,

Eu só tenho uma flor.

Nada existe no mundo que seja meu.

Nada é urgente.

Não há razões para que eu me preocupe.

O vento passa pelos meus ouvidos,

Tão rapidamente, que quando percebo,

Ele já se foi.

 

Mas fica-me esta flor,

A única coisa que eu tenho

E que me pertence, embora não seja minha,

Essa flor entre tantas outras,

A flor para qual eu estou olhando.

 

Se eu desviar meu olhar,

Ela se perde.





 

segunda-feira, 11 de setembro de 2023

TE OUÇO

 

 





Porque é a vida,

E porque há vindas

E por que há idas...

 

Ninguém escapará

Desse ir e vir,

Ninguém vai ficar...

 

E hoje, eu te ouço,

Ah, voz que não fala,

No som do silêncio...

 

À porta de casa,

No meio da sala,

No meu desalento...

 

Mas mesmo sabendo

De toda a saudade,

Da dor que hoje sei,

 

Eu tudo faria

Ainda uma vez,

E mais outra vez!

 

Porque nessa vida,

Deixar de amar

Por medo da dor,

 

É só covardia,

É um condenar-se

A um vil desamor...

 

 

Hoje, quando penso na Leona, no Aleph, na Latifah e em todos os animaizinhos que tive e que perdi ao longo da vida, sinto muita gratidão porque os céus me deram a honra de cuidar deles aqui, de amparar suas vidas em minhas mãos, e de ter tido a chance de rir muito com eles, desfrutar muitas tardes sentada com eles na varanda escutando as cigarras e os grilos ao chegar da noite, e de poder chegar em casa e ter suas festinhas e demonstrações de alegria só pela minha simples presença.

 

Agradeço por desfrutar de sua proteção, companhia, amor, cumplicidade, e poder ter aprendido tantas coisas através deles e contribuído para a evolução deles como seres espirituais que são. Gosto de imaginar uma casinha azul lá longe, num lugar onde não sei, onde eles todos estão sendo cuidados e me esperam. E mesmo que essa casinha esteja apenas na minha imaginação, é bom ter em mente essa fantasia que me consola e que me ajuda a caminhar sem a presença deles.

 

Fico tão triste quando vejo animais sendo maltratados, principalmente quando são maltratados  por seus tutores, que os espancam, abandonam ou acorrentam! 

 

Minha irmã já recolheu vários desses animaizinhos quebrados, e consertou-os, restaurando a saúde física e emocional deles, cuidando deles até o final de suas vidas. Eu não tenho essa estrutura emocional que ela tem para consertar almas.

 

E ontem ela trouxe aqui em casa o Pipoca, uma dessas criaturinhas quebradas e restauradas, e ele veio para brincar um pouco com o meu Mootley que ainda está enlutado pela perda da Leona, sua amiga há 9 anos. Os dois pareciam já se conhecer há muito tempo, pois a amizade que demonstraram um pelo outro foi instantânea. 

 

Depois que o Pipoca foi embora com minha irmã e minha sobrinha, o Mootley comeu sua ração pela primera vez em duas semanas. Antes, só comia alguns pedacinhos de frango e biscoitos. A presença deles aqui em casa parece ter limpado um pouco a tristeza do ar. Foi bom ter pessoas em volta da mesa, vozes, cãezinhos brincando de novo no jardim. 

 

E assim a gente vai vivendo, e se despedindo da minha Leona. Porque todo adeus causado pela morte é adeus para sempre. Mesmo assim, gosto de pensar na casinha azul.

 


quinta-feira, 22 de junho de 2023

DEUS

 





Deus não está nos rostos que encontro. 

Ele está no rosto para o qual não ouso olhar. 

Deus está no espelho. 

Ele é visto na pequena, quase imperceptível mancha na cor da íris. 

Ele é ouvido no silêncio entre as batidas do coração. 

Ele caminha entre os espaços das minhas próprias passadas. 

Mas se tento enxergá-lo, já não está lá. 

Se tento escutá-lo, se cala. 

Se tento alcançá-lo, eu o perco. 

Um sopro de voz, começo de frase, tentativa de definição, e Ele se foi. 

Ele se vai todos os dias. 

Mas está sempre lá.

Som de asa de borboleta.

A cor azul nos raios do sol.

A gota de chuva evaporada.

A resposta para sempre calada.

Jamais o que pensamos, jamais o que esperamos, jamais.

Acho que Deus ri de nós. 

Mas isso é suposição, e Ele se afasta.

Deus? 

-Está quente, está morno, está frio...





segunda-feira, 29 de maio de 2023

SE VOCÊ PUDESSE VOLTAR NO TEMPO E DIZER ALGO A SI MESMO, O QUE DIRIA?




Esta pergunta faz parte de uma aula que eu criei. As respostas que recebi foram variadas. Mas deixo aqui a minha própria resposta:

Se eu pudesse voltar atrás e dizer algo a mim mesma, eu diria o seguinte:


a) Não acredite em tudo o que as pessoas dizem sobre a vida, sobre você, sobre as suas capacidades, sobre o que você pode/não pode ou deve/não deve fazer. Algumas decisões devem ser pessoais, e basear a vida tomando como definitivos os resultados das experiências alheias, é limitar-se voluntariamente e tornar-se insatisfeito e inseguro.

b) Vista o que gostar, sem se preocupar tanto com a moda ou com o que os outros vão pensar. A moda é estar bem dentro da roupa que você gosta. Ponto.

c) Cuide do seu corpo – exercite-se, coma direito, durma bem, faça checkups de vez em quando. Isso pode evitar muitos problemas na idade avançada. É claro que algumas doenças virão, independentemente do quanto você se cuida (meu sobrinho morreu de câncer aos 24 anos, e ele se cuidava muito), mas pelo menos você saberá que fez o melhor, e evitará ou amenizará a maioria delas.

d) Escreva. Não importa se ninguém vai ler, escreva para você. É a melhor forma de terapia. Escreva diários, cartas, poemas, crônicas, histórias. Publique seus contos, crônicas e poemas se quiser, mesmo sabendo que dificilmente você vai virar escritor só porque escreve. As cartas, envie-as se achar apropriado (ou mesmo se não achar apropriado, pois estas são as que você mais precisa dizer às pessoas). Os diários, queime todos eles. Ou guarde em algum lugar secreto para ler mais tarde e ver o quanto aquela pessoa que os escreveu não tem mais nada a ver com você.

e) Não dê espaço a pessoas tóxicas na sua vida. Tem gente que não adianta: não toma jeito, não melhora, nunca vai gostar de você, nunca vai ter uma atitude positiva que seja a respeito do que você é. Algumas pessoas jamais vão aceitar você, e quanto mais cedo você compreender isso, melhor será, pois assim, não passará anos da sua vida se importando ou se magoando com elas.

f) Descubra o que você quer fazer da sua vida. Seu trabalho tem que ser algo que você goste, e embora o dinheiro seja muito importante, se você se basear apenas nele ao escolher uma carreira, ela será curta, pois você vai adoecer e morrer antes e deixará todo o seu dinheiro para outras pessoas desfrutarem. Que seu trabalho possa oferecer a você algum tempo livre para curtir a vida, dinheiro para pagar pelas suas curtidas e muita, mas muita satisfação pessoal.

g) Jamais inveje ninguém. Toda inveja é um certificado de incompetência que você entrega a si mesmo. Se você passar mais tempo amando a si mesmo e se valorizando, ao invés de se comparando e competindo com os outros, não será uma pessoa amarga e infeliz. O problema não é o que o outro está realizando, mas o quanto você ama a si mesmo e deseja realizar. 

h) Não queria ser mais do que você pode. Esse papo “coach” de “Você pode ser tudo” é uma idiotice enorme. Você não precisa fazer coisas estúpidas, como  andar sobre brasas, subir montanhas durante tempestades ou dizer frases de efeito repetidamente para conseguir ser feliz e bem sucedido. Foque nos seus talentos naturais e você tende a se dar bem na vida. Ninguém pode ser tudo, tem coisas que são para a gente, e outras que não são. 

i) Desconfie de quem te elogia demasiadamente. Desconfie de quem diz que vai realizar o sonho da sua vida. Desconfie de quem diz que você pode confiar neles cegamente. Desconfie de quem sempre procura por você apenas quando precisa de alguma coisa. Desconfie de quem se vitimiza. Enfim, desconfie sempre. Confie só se valer a pena. Observe. Ouça. Desmistifique. 

j) Não faça algo apenas porque é isso que todo mundo tem feito. Casar, ter filhos, arranjar um emprego em uma firma confiável, ou seja, ter na cabeça aquela formulazinha de vida aceitável só para agradar aos outros, só para fazer o que é politicamente correto, tradicional, certinho, aceitável... seja o que você achar que deve ser, faça o que quiser da sua vida, mas seja racional e cuidadoso, pois fazer o que quer da sua vida não tem nada a ver com estragá-la. 

k) Não leve desaforo para casa, não engula injúrias, não internalize indiretas alheias. Cuspa-as fora. Pise em cima delas, enterre-as, queime-as, e se achar necessário, responda à altura, pois pessoas folgadas e sem noção são folgadas e sem noção com quem permite que elas sejam. 


Enfim, se eu pudesse voltar atrás, seriam essas as coisas que eu diria a mim mesma. Deve haver mais coisas. Mas no momento, é destas que eu me lembro.






quarta-feira, 19 de abril de 2023

A MINHA ALMA

 

Ilustração de O Livro Vermelho, de Jung


 

A minha alma hoje mora

Na beira de uma estrada

Por onde ninguém passa.

Sentada, ela sempre aguarda

(Mas sem expectativas)

Uma manhã sem auroras.


Às vezes, ela descansa

Na copa de uma árvore

Plantada na encruzilhada.

Num galho, minha cauda enrolada

Assim, meio por acaso,

Me balança sobre o nada. 


A minha alma vã medita

Em uma caverna profunda.

Do fundo, eu enxergo a lua

No céu de uma noite infinita,

Mas embora eu às vezes grite,

O eco não responde.


Minha alma não tem nome,

Mas ela sempre usa o meu.

E ela repete uma prece

Pelo que de mim morreu

Numa entrega abençoada,

De uma dolorida fome.





 


 






quinta-feira, 9 de março de 2023

DOR


 



Dos teus olhos, lágrimas.

Da tua boca, magma.

Algo a se quebrar

No teu diafragma.


 Na palavra, lástima

Devagar, se alastra...

Sobre a pele pálida

Tua dor é vasta.


 Cálido querer

Aos poucos, se arrasta

Ganha a rua, e quer

Se banhar de sol.

 

E no arrebol,

Vida a renascer...

Tecitura fina

(Ainda transparente)

De uma nova rima.






 

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2023

SOL E AREIA



 

 

 

Sol e areia,

Céu como fundo.

 

Nada existe nesse mundo

Que me divida

Ou me distraia de mim mesma.

 

O deserto aqui fora

Reflete

O deserto aqui dentro.

 

Eu me sento, bem no meio

(Me desculpem se não respondo)

À porta, sob o alpendre.

Aprecio, diariamente,

Inúmeros sóis se erguendo

E se pondo.

 

 



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PONTOS CARDEAIS

    Passou a vida toda Encarando o mesmo horizonte A espera de um sol que nunca veio. Dobrou as esperanças e os sonhos, Tentando ser, para a...