segunda-feira, 31 de agosto de 2015

QUEM É MORTO SEMPRE APARECE











Quem é morto
Desce as escadas,
Puxa correntes
De pura mágoa.
Apaga as fotos
Nas elegias,
Arranca as folhas
Rangendo os dentes.

Quem é morto,
Sempre aparece...
Escolhe um canto
Para assombrar
Com seu quebranto.
Lê os jornais,
Não é notícia...
Mantém segredo:
-Pura estultícia!

Quem é morto,
Sempre aparece,
Não tem sossego:
Deixa pegadas,
Abraça o vento,
Abraça o ar,
Tem substância
De esquecimento.

Quem é morto,
Sempre aparece:
Pede, em sussurros,
Mais uma prece.
Mata sua sede
De alheias lágrimas,
E reencarna
Reinventando-se,
Esconde escaras
Lavando a cara.





quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Me Perdoem







Me perdoem por meus comentários breves; eu leio. Comentar, para mim, é difícil, pois eu temo cometer algum pecado ao dar uma interpretação pessoal demais. Às vezes, comento falando de mim, da maneira como o texto me afeta, pois é  assim que sei melhor comentar. Não sei fazer comentários falando de gramática, estrutura poética, rimas e métricas, pois não entendo quase nada dessas coisas.

Para mim, aquilo que alguém escreveu é solo sagrado, e a gente deve entrar de mansinho, descalços, sem fazer muito ruído, sem atiçar fogo à sarça, e isto foi algo que aprendi após alguns deslizes.  Leio, e penso sobre aquilo que li; se acho que posso concordar ou discordar sem ofender ninguém, eu o faço. É muito difícil dar uma opinião sobre alguma coisa que alguém escreveu, pois não temos à mão o contexto daquilo, o momento em que foi escrito, a fonte da inspiração. Não sabemos de onde vêm o sangue, a lágrima ou a água onde a pena foi molhada.

Quando eu escrevo, eu solto e deixo ir; não é mais meu. Pertence a quem ler, a quem interpretar dentro de qualquer contexto; escrevo por mim mesma, mas para quem lê. Mas algumas pessoas não são assim: escrevem para assinarem o nome por cima, obter alguma notoriedade, numa tentativa de deixarem suas marcas no mundo. Vivem numa paranóia obsessiva de estarem sendo plagiados. Já eu não tenho mais esse tipo de ilusão. Escrevo para passar o tempo, porque é divertido e agradável, e porque me ajuda a me descobrir. 


quarta-feira, 26 de agosto de 2015

RESENHA - O SOL É PARA TODOS






O SOL É PARA TODOS 
AUTOR: HARPER LEE
Editora José Olympio, ano 2015
categoria - Romance

Esta resenha não é bem uma resenha; na verdade, ela é o relato de um reencontro entre amigos. Vou explicar melhor: li este livro pela primeira vez quando tinha doze anos de idade. Fiquei fascinada pelos história, e minha mente de pré-adolescente, que se impressionava com muita facilidade, apaixonou-se pelos personagens. Eu também queria conhecer pessoalmente Boo Radley, o recluso que morava próximo da casa dos Finch. Desejei poder ser amiga de Jem e Scout Finch, as crianças curiosas das quais Calpúrnia, a criada negra, ajudava Atticus Finch a cuidar. Eu quis viver naqueles conturbados anos da Primeira Guerra, durante os quais aquelas pessoas viviam. 


Eu era apenas uma criança, e tive que reler várias passagens para poder compreender melhor o que estava acontecendo na história, pois não estava familiarizada com julgamentos ou com certos conceitos e termos. Hoje, eu sei que o foco principal da história foi o fato de um advogado branco defender um homem negro acusado de estupro, e isto, no Alabama, onde reinavam o preconceito e a Ku-klux Klan. Mas, naquela época, o meu foco eram as crianças e suas aventuras. Confesso que desenvolvi uma paixonite por Boo Radley, e cheguei até mesmo a sonhar com ele uma noite.

Ao terminar de ler o livro, tive que devolvê-lo, pois não me pertencia, e foi como despedir-me de pessoas reais das quais eu tinha aprendido a gostar muito, e eu o fiz com grande pesar. Durante anos, tentei adquirir um novo exemplar em sebos e mais tarde, pela internet, mas só consegui há um mês, na livraria virtual da amazon. com. Encomendei a edição de papel, pois queria ter a mesma sensação que tive ao ler o livro pela primeira vez.

Estava um pouco apreensiva; será que ao reler o livro, agora como uma mulher adulta, eu perceberia que era apenas mais um livro? A magia da primeira leitura teria sido apenas fruto da imaginação fértil de uma criança?


No filme de 1962, Robert Duval interpretou Boo Radley...

Finalmente, o livro chegou, e assim que pude, comecei a lê-lo. Mal o tinha aberto, e pareci ter entrado nas páginas e reencontrado velhos amigos, dos quais eu me lembrava com saudade, e abracei-os um a um. A minha paixonite, desta vez, não foi por Boo Radley, mas por Atticus Finch, o advogado que defendeu Robinson. As crianças, que permaneceram crianças, despertaram-me uma ternura diferente, e finalmente, pude compreender Tia Alexandra e sua quase obsessão em proteger Scout e Jem. Eu não gostara muito dela na primeira leitura.


...E Gregory Peck ficou com o Oscar de melhor ator interpretando Atticus Finch

Ao terminar o livro, agora com uma compreensão bem mais abrangente de tudo o que o autor tentou mostrar, fiquei feliz ao perceber que a magia não morreu: pelo contrário, ela aumentou, ganhando novos significados.

O Sol é Para Todos é um livro que deveria ser lido por todo mundo, crianças e adultos, e debatido em salas de aula e grupos de leitura. Ele ensina a compreensão, a reflexão e a tolerância, num mundo onde todas as conclusões são tomadas rapidamente e sem maiores considerações. Ele ensina o valor da amizade, dos bons vizinhos e da gratidão. Desnecessário dizer que é uma linda história, mas direi assim mesmo.


segunda-feira, 24 de agosto de 2015

HAIKAI






Caminhos do sol
As folhas são molduras
 Rendando a tarde



Nenhuma destas imagens foi editada, a não ser pelas lentes da própria natureza.


Fotografias tiradas ontem na Estrada de Teresópolis, quando voltávamos para casa.



Uma das tardes mais lindas que já vi!



De repente, olhando pela janela do carro, notei que as folhas contra o céu pareciam rendas.



Eu queria levar comigo um pouco daquele dia, que foi maravilhoso.



Comecei a fotografar a paisagem à janela...



Depois, meu marido parou em um mirante e consegui fotos melhores do sol se pondo...



Algumas ficaram um pouco borradas, devido ao movimento do carro...



...e ao fato de que foram obtidas com um simples smartphone. 



O pôr do sol nunca é o mesmo, nem que seja contemplado através da mesma janela todos os dias. Sempre haverá uma nuvem que não estava lá no dia anterior, ou um pássaro, ou cores mais fortes ou mais suaves. O vento pode modificar a posição das folhas das árvores. Nosso olhar pode estar mais feliz ou mais triste. Eu quis guardar o dia de ontem, porque foi um dia muito feliz, e eu sei que ele nunca mais voltará.




















quinta-feira, 20 de agosto de 2015

AMAR E GOSTAR




Para mim, existem muitas diferenças entre amar e gostar. Existem pessoas de quem eu gosto, mas as quais eu não amo; existem também pessoas a quem eu amo, mas das quais eu não gosto. Raras são aquelas a quem eu amo e de quem eu gosto ao mesmo tempo.

O amor pode passar por fases; amar não significa amar sempre, o tempo todo. Às vezes eu fico zangada com as pessoas que eu amo, e o amor se esconde por trás da mágoa, mas não dura muito. Sou capaz de ficar furiosa com alguém que eu amo, mas sem deixar de amar.

E por incrível que pareça, mais raras ainda são aquelas sobre as quais eu posso dizer com toda segurança que eu realmente detesto - não confundir com falta de afinidade. Não precisamos ter afinidade com alguém para conviver de forma agradável, respeitando as diferenças e exercendo a boa educação. O não gostar tem sempre (pelo menos para mim) suas raízes em um motivo sólido, alguma coisa que aquela pessoa me fez e que me afetou ou feriu diretamente, e que não tem nada a ver com diferenças de opiniões ou gostos. Convivo em paz com as diferenças de opinião, sejam elas políticas, religiosas ou outras - desde que a pessoa não queira me impor alguma coisa. O que eu não gosto, e que termina por fazer com que eu passe a detestar alguém, é, em primeiro lugar, a hipocrisia. Em segundo lugar, o autoritarismo. E em terceiro,vem a inveja, embora eu saiba que este sentimento é comum a todos os seres humanos, em menor ou maior grau. Mas existe aquela inveja que é insuportável, pois deseja prejudicar ou até mesmo destruir seu alvo.

Nunca deixo de me relacionar com alguém apenas porque tal pessoa é de classe social diferente da minha (mais 'rico' ou mais 'pobre'), mais ou menos culto que eu, ou tem opiniões diferentes das minhas; o que me afasta realmente, são estas três características: a hipocrisia, o autoritarismo e a inveja exacerbada. 



segunda-feira, 17 de agosto de 2015

SOBRE A TRISTEZA



Precisamos da beleza
Que existe na tristeza,
Das tramas fortes
Com a qual ela nos tece,
Da sabedoria
Com a qual nos envelhece,
Do espelho cristalino
Que ela nos oferece.

Precisamos do vermelho
Com o qual ela tinge
O sangue que corre
Por nossas veias.
E do silêncio
Através do qual
Ela nos fala,
E  nos cala,
E nos esteia.

Precisamos da canção
Doce e profunda
Que ela canta
Em nossos ouvidos
E da rudeza
Que nos estua
Quando ela apura
Nossos sentidos.

Quando a tristeza
Se faz oblonga
E nos canta sua longa
Canção de ninar,
Sabemos que a noite será triste,
Mas que alguma coisa forte
Subsistirá
Depois que ela nos matar.



sexta-feira, 14 de agosto de 2015

SE NÃO FOSSEM OS ADEUSES...





Se não fossem os adeuses,
Os passos seriam pesados,
Os corações, transbordantes
De dores do que já não é,
Mas sempre fica marcado.

Se não fossem os adeuses
Ditos nas horas mais certas,
Muitos relacionamentos
Seriam ruas desertas,
Mal varridas pelo vento.

Se não fossem os adeuses
Que criam novos caminhos,
As asas perdiam os voos
Apodrecendo nos ninhos,
Onde morrem os passarinhos.

Se não fossem os adeuses,
O que um dia foi bonito
Seria sonho acabado,
calado dentro de um grito
Que jamais foi libertado.

Se não fossem os adeuses...



quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Diálogo "profissional"






Na semana passada, consegui horário em um salão de beleza para fazer as unhas e cortar o cabelo, na sexta-feira. Gostei do trabalho, mas não remarquei pois teria uma aula naquele horário na próxima semana, e como meu tempo é muito curto e trabalho em casa, não posso sair durante a semana, pois não dá tempo. Geralmente, corto meu cabelo em Itaipava, no Farley Frossard, que é um excelente profissional, mas eu não poderia ir lá naquele final de semana, e meu cabelo estava realmente horrível.

Porém, a aluna com a qual eu tinha marcado a aula na próxima sexta, teve um problema e precisou desmarcar; assim, acessei a página do salão no Face, e tive um diálogo parecido com este:

-Olá! Vocês ainda tem horário para amanhã à tarde?

-Após uma certa demora, obtive a seguinte resposta:

-Amanhã só tenho de manhã.
-Poxa, de manhã estarei ocupada, dando aulas.
-Então, tenho horário para as seis e trinta da tarde.
-E para hoje à tarde, por acaso você teria alguma coisa?
-Não. Mas tenho no sábado.

Pensei que no sábado ficaria complicado, já que dou aulas até as 12:30, e depois, nós saímos para almoçar, fazer compras e outras coisas. Entendi que ele estava tentando arranjar um horário para mim, e que estava difícil, por isso, tentei continuar a negociação. Respondi:


-Bem, então podemos marcar para a sexta-feira que vem?

Recebi a seguinte pérola de resposta:

-Sexta feira é muito difícil, pois temos nossas clientes fixas. Quintas e sextas não podemos atendê-la, só quartas e sábados.

Pensei: Mas como é que eles puderam me atender na sexta passada, se eles tem clientes fixas o dia todo, toda sexta-feira??? Bem, eu estava tentando virar uma cliente fixa, já que gostei do trabalho da moça, e o corte de cabelo não ficou ruim. Mas fui sumariamente dispensada como cliente, de uma forma que considerei grosseira...

Acho que o que mais falta aqui em Petrópolis, em todos os setores, é profissionalismo. Se fosse comigo, teria pego o número de telefone do cliente e sugerido que se alguém desmarcasse no horário que ela desejava, eu a encaixaria. Ou então teria tentado oferecer horário apenas para mão, já que é mais rápido, para não perder a cliente. Geralmente, é isso que eu faço quando alguém me solicita aulas de inglês e eu não tenho horário: anoto o telefone da pessoa, pedindo desculpas por não poder atendê-la no momento, e aviso que assim que houver uma vaga, eu a encaixarei. E tem dado muito certo. 



terça-feira, 11 de agosto de 2015

CHORA!

CHORA!







Chora, copiosamente
Pela dor de ter perdido
O que nunca foi real,
Fruto da mente carente,
O que não foi possuído!

Chora, por desilusão,
E nem sabe que implora
Pela volta impossível
De um personagem lúdico,
Que foi sem nunca ter sido!

Chora, pelo que amou,
E diante do tal vazio
Que ficou, quando as cortinas
Se fecharam, de repente,
E a luz se apagou!

Chora, urrando de saudade
Ao ver morrer sua libido,
Por jamais ter conseguido
Satisfazer a vontade...
-E hoje, o sonho acabou!

Chora, e segue derramando
Pelo chão lúgubre e frio
Rios de lágrimas quentes
Mil preces benevolentes
Sobre um túmulo vazio...





sexta-feira, 7 de agosto de 2015

O JARDIM







De repente,
Largou os brinquedos e os enredos,
Abandonou, sem medos,  seu cowboy
Seguindo a estranha moça até o portão.

Disseram que eles foram de mãos dadas,
Deixando, no quintal, abandonadas,
A infância, as esperanças, a ilusão.

De repente,
O vento trouxe a chuva sobre tudo,
Enferrujou gangorras e balanços,
E apagou os passos pelo chão.

Disseram que ele não deixou bilhetes,
Mas a voz de criança, num falsete,
Ecoa, às vezes, entre a solidão.



UMA HOMENAGEM A TODAS AS CRIANÇAS ROUBADAS, DAS QUAIS NINGUÉM NUNCA MAIS TEVE NOTÍCIAS.




terça-feira, 4 de agosto de 2015

VOAR E VIVER




Lembro-me de que quando voei pela primeira vez, ao decolar, tive uma sensação de vazio por dentro, como se tivesse soltado tudo o que me segurava à terra de repente; todos os medos, apegos, raízes. Pensei, enquanto olhava pela janelinha do avião e via a terra ficando pequenininha: “Estou no ar! Estou totalmente dependurada no ar, e ninguém, a não ser as leis da física, estão me segurando! Como pode, algo tão pesado, pairando desse jeito?” 

Algumas pessoas podem dizer que é Deus quem está segurando o avião, e talvez seja mesmo; porém, se pensarmos um pouquinho, saberemos que mesmo que Deus segure o avião no ar -com a ajuda e a  habilidade dos pilotos - se houver uma falha mecânica ou humana, ele despenca. Acidentes de avião acontecem quase todos os dias, e a maioria deles é fatal para todos os ocupantes. Mas, mesmo sabendo disso, nós voamos. Despachamos nossas bagagens e entramos no avião como se fosse a coisa mais normal do mundo, e não sabemos se decolaremos e pousaremos de maneira segura. Confiamos no piloto. Confiamos na mecânica e na física. Confiamos na nossa boa estrela. 

Confiamos em Deus.

Mas os aviões caem, e às vezes, com pessoas que amamos dentro deles, ou quem sabe, conosco. 

Viver é como voar: não sabemos o que nos espera, e por isso, contamos com a fé na vida, tentando acreditar que tudo ficará bem. Vivemos e voamos, pois ficar parados, com medo do que possa acontecer, não leva a lugar nenhum. A única chance que temos de chegar a algum lugar, é nos arriscarmos a entrar no avião, e fazer planos para um futuro que não sabemos se teremos, e mesmo conscientes de que um dia tudo termina, agirmos com a  fé de quem flutua na eternidade. 



segunda-feira, 3 de agosto de 2015

NA SERRA



Vista da BR 040, antes da devastação



Ontem, ao descer e subir a Serra - BR 040 - para um passeio, fiquei um tanto triste; não vi mais a água que escorria das pedras. Não vi as minas e fontes que costumavam jorrar na estrada Rio/Petrópolis. Devido às obras de duplicação, milhares de árvores foram cortadas, e seus tocos permanecem ainda, como prova do verdadeiro assassínio do qual foram vítimas em nome da mobilidade e da praticidade..

A ampliação da estrada trará à Petrópolis o famigerado "progresso."  Mais pessoas virão para cá. Algumas delas começarão a morar, quem sabe, em um dos mais de trinta enormes condomínios que estão sendo construídos em áreas antes preservadas de Corrêas, Itaipava e Nogueira. Se já há a falta d'água para os que aqui estão, fico me perguntando como será quando a população for quase duplicada. Penso nos engarrafamentos que estas pessoas enfrentarão todas as manhãs ao se dirigirem ao trabalho e ao voltarem para suas casas.


Muitos vem morar aqui em busca de uma vida mais calma e de um espaço mais verde e fresco; alguns vem em busca de água pura de boa qualidade. Acho que se decepcionarão quando perceberem que estas coisas estão cada vez mais ausentes. Quase não houve inverno em Petrópolis em 2015. Os verões estão cada vez mais quentes e a água, cada vez mais rara.

Dentro do carro, lembrei-me do alívio que eu sentia quando, ao voltar das férias na região dos lagos, começávamos a subir a serra e abríamos as janelas do carro para sentir o perfume da floresta e o frescor do anoitecer. Assim que fazíamos a curva em Duque de Caxias e começávamos a subir, a mudança no clima era sentida. Ontem, ao percorrer a estrada e ver as marcas ressecadas sobre as rochas, onde antes escorria água de mina, senti muita tristeza. Estava tudo seco. Seco e quente.

Eu entendo que as coisas precisam mudar. Entendo a necessidade do progresso. Mas também entendo que deveria haver mais controle e menos especulações financeiras controlando o progresso. As encostas de Petrópolis, invadidas, desabam nos períodos de chuva - e por isso mesmo, não sei se a diminuição drástica das chuvas é um fator positivo ou negativo. O que vale mais: preservar as encostas e minas d´água, a flora e a fauna, ou as construções irregulares onde moram milhares de famílias? Decisão complicada e dolorida, pois qualquer que seja a conclusão, saímos perdendo. 


BR040 - em obras...


MAGIA



Magia é aquilo que se deita sobre a relva
Bem cedo, de manhã,
E depois se ergue em um fio
Pelo bico do passarinho,
Transmuta-se em canto.

Magia é aquilo que nos olha de dentro da neblina,
Entre a densidade branca e úmida
Que envolve os caules e as folhas,
Escondendo os picos das montanhas
E transformando, por instantes,
O mundo em Avalon.

Magia é aquilo que viaja com os ventos,
Entranhando-se em nossos cabelos,
Eriçando nossos pelos,
Fazendo cantar as frestas das janelas.

Magia é aquilo que se esconde atrás do luar,
No lado mais escuro
Onde nenhum astronauta jamais há de pisar.







domingo, 2 de agosto de 2015

UMIDADE




Rolam sobre a pedra
As gotas de chuva,
Tecendo macias estradas
De veludo verde.

A folha goteja
A vida,
Entregando à terra
Sua esperança.

Barulho de água
Na mata fechada
Ecoa mensagens
De lagos de luz.

A nascente abre
Seu ventre entre as folhas
Parindo umidade.

As gotas de chuva
Na teia de aranha
Parecem minúsculas
Uvas de vidro.

Eu peço que chova
Sobre as cabeceiras
Onde sonham as nascentes
E os rios.







É QUE ÀS VEZES, O ADEUS PESA...

Não, não pude olhar para trás,  Atravessar aquela rua, Ir ao pé da tua janela E me despedir. Não, eu  não pude hes...