domingo, 30 de junho de 2013

Coincidência?...



Quando minha mãe estava no hospital, em seus últimos dias, eu chegava junto à cabeceira de sua cama, e embora soubesse ser improvável que ela me ouvisse, eu conversava com ela. Nos dois últimos dias - quando eu realmente percebi que ela não sairia de lá - eu pedi-lhe que, se houvesse alguma coisa 'do outro lado', ela desse um jeitinho de me avisar, me mandasse algum recado, sei lá.

Bem, na última sexta-feira, durante minha sessão de acupuntura (as luzes são apagadas, ouve-se barulhinho de uma fonte de água e música suave, pois a terapeuta cria um ambiente propício ao relaxamento) acabei adormecendo. Não a vi, mas ouvi a voz dela me dizendo: "Leia o salmo 23." Foi rápido. Durou menos que cinco segundos.

Cheguei em casa, e abri a Bíblia que ela me deu há muitos anos, e estava escrito (ela tinha marcado a passagem com um 'x' e o número '1', não sei o motivo:



Salmo 23


"O Senhor é meu pastor, nada me faltará.
Deitar-me faz em verdes pastos, guia-me mansamente a águas tranquilas.

Refrigera a minha alma.; guia-me pelas veredas da justiça, por amor do seu nome.

Ainda que eu ande pelas sombras do Vale da Morte, não temeria mal algum, porque tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam

Preparas uma mesa perante mim na presença dos meus inimigos, unges a minha cabeça com óleo, o meu cálice transborda.

Certamente que a bondade e a misericórdia me seguirão todos os dias da minha vida; e habitarei na casa do Senhor por longos dias."


A última frase foi a que fez mais sentido: "E habitarei na casa do Senhor por longos dias."



sábado, 29 de junho de 2013

Ousa-dia






Ousa-dia


O dia quer seu prazer,
Esfrega sua luz sobre os montes
Que passivos, a recebem,
Espalhando-a sobre a terra.

As águas lambem as pedras,
As aves abrem suas asas
E voam para os cumes altos,
Numa entrega desenfreada.

A manhã explode em vermelhos,
Que após o êxtase, tornam-se 
Rosados tons de açúcar.

E eu fico qual voyer,
Por trás de minha janela
Enquanto a vida copula.

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Sobre a Maldade





Não sei como a maldade pode brotar em alguém, mas o que eu sei, é que nenhuma pessoa nesse mundo está livre de ser abordado por ela, ou sequer, de perpetrá-la. Algumas vezes, a maldade age com a ajuda consciente de quem a faz, enquanto noutras, acaba-se atingindo, sem intenção, outras pessoas, a fim de  se defender  espaços, entes queridos  e interesses.

Não acredito em quem se diz essencialmente bonzinho o tempo todo. Tenho visto que os bonzinhos são aqueles que adoram apontar os erros e 'maldades' alheias, colocando-se sempre em um pedestal, como se jamais houvessem caído ou cometido erros. Não são humanos: são deuses e anjos!

Ontem, passando por textos de outros autores em um site de escritores, deparei com um na qual a escritora - muito competente, por sinal - dizia que o mal não merece atenção em nenhuma circunstância. Sinto muito, senhora, mas vou discordar, e explicarei meus motivos:

Na segunda guerra mundial, quando milhões de judeus estavam sendo cruelmente exterminados, os bons preferiram não dar atenção ao mal; quando finalmente resolveram fazê-lo - apenas porque o mal estava tomando proporções exageradas e poderia atingi-los a qualquer momento - milhões já haviam perecido. 

Nossa nação passou décadas ignorando o mal que acontece dentro do governo, entre aqueles que nos representam, e exatamente por isso, nosso país chegou ao ponto que chegou agora. Quantos morreram em filas de hospitais, quantos não tiveram a chance de terem seus direitos de cidadãos assegurados? Tudo porque as pessoas fizeram vista grossa ao mal.

De repente, sentimos um mal-estar, que ignoramos, e que se prolonga durante bastante tempo, até que, finalmente, decidimos procurar um médico, e já é tarde: o mal, em forma de doença,  já tomou conta de nosso corpo.

Animais são torturados diariamente por adolescentes doentes, que depois postam fotografias e videos em redes sociais das cenas em que os torturam, amputam-lhe membros enquanto eles ainda estão vivos, decepam-lhes as cabeças. Sempre compartilho este tipo de coisa, pois acho que assim, será mais fácil que estas pessoas sejam identificadas e punidas, evitando que outros animais passem horas sendo torturados por eles.

Alguém que nos observa decide infiltrar-se em nossa casa, ou em nosso espaço, a fim de tomar conclusões errôneas a nosso respeito e espalhar por aí estas conclusões, e nada fazemos, pois fomos ensinados a não reagir a esse tipo de ataques, ignorando aqueles que nos atingem; seguimos a velha máxima de que "quem não deve, não teme." De repente, nossa reputação está tão defasada, que muitas pessoas passam a acreditar naquilo que disseram de nós. É muito fácil destruir alguém que levou anos levando uma vida honesta, pois ouvidos não faltam a esse tipo de coisa, e nem mesmo bocas para repeti-las.

De repente, pessoas que nos visitavam frequentemente passam a nos ignorar, e quando vamos visitá-las, descobrimos que as portas foram trancadas para nós, e nem há uma maneira de esclarecer a situação, já que elas preferiram acreditar em quem espalhou fofocas a nosso respeito. Já soube de histórias em que pessoas postavam comentários não identificados, assinando o nome de um autor, como se fosse realmente ele, e por isso, muitas portas se fecharam àquele autor, que de nada sabia. 

E é normalmente nessas situações, que as pessoas 'bondosas' repetem: "Ignore! Releve! Perdoe! Deus está vendo todas estas injustiças."  Ora, Deus não criou cordeiros, e sim homens! Se não reagirmos a esse tipo de coisa, logo nos tornaremos completamente invisíveis, pois este é o objetivo de quem persegue outra pessoa: exterminá-la.

Portanto, senhora, prefiro dizer que O MAL NÃO PODE, EM MOMENTO ALGUM, SER IGNORADO. Devemos identificá-lo sempre, fazendo o que for possível para que as pessoas que o praticam sejam identificadas e punidas.



quinta-feira, 27 de junho de 2013

Incomparável




As estrelas do céu
As estrelas da terra,
O vento, a calmaria,
A tristeza, a alegria,
O trem que aqui chega,
O trem que se vai,
A lágrima seca,
A lágrima que cai,
Palavra calada,
Palavra caída
Nas páginas brancas
De mais uma vida...

As águas do rio,
As ondas do mar,
Céu de tempestade,
O azul impecável
A noite e o dia,
O sonho, o real,
A prosa, a poesia,
O homem, o animal,
E o livro fechado
Que nós escrevemos
Daquilo que foi
Por nós, desprezado...

A dor do viver,
A alegria de ser,
O início, o final,
Chegadas, partidas,
A fome, a fartura,
O grito, o silêncio,
O que foi jurado,
Promessas quebradas...
O adeus de quem foi
Sem nem deixar rastros,
E a tal da saudade
Que fica, que fica...


Calma X Alma





Às vezes me dizem para eu ficar em silêncio,
Fingir que não percebo esse lenço que se agita
Diante dos meus olhos, quando passo,
Tentando chamar minha atenção
Para o monstro que dorme no fundo do lago.
Às vezes,
Existe tanto veneno em uma simples palavra,
Em um contexto supostamente inocente, mas inadequado,
Que espalha cristais de sal e tramam um intricado enredo
Fechando caminhos por todos os lados,
Que o melhor é mesmo permanecer quieta, calada,
Fingindo que não houve nada.

Mas às vezes eu sinto nas costas
As pontas dos dedos apontados, 
Os sussurros açucarados e eivados de murros bem-intencionados,
O julgamento feroz daqueles que dizem-se pacatos
E espiritualizados.

Meus murros surgem dos meus pulsos,
E são sempre de frente, diretos, jamais disfarçados!
Mas só aparecem naqueles momentos em que meu sangue está sendo sugado,
Quando os vampiros atacam, 
Por isso, não me justifico, nem peço perdão
Pelo que devolvo, na contra-mão direta de quem me atropela,
Jamais deixarei o meu coração morrer em uma cela
De falsa abnegação e silêncio, feitos de clamor sufocado!

Vivemos num mundo, onde infelizmente,
Quem não fala por si, quem não se defende,
Em breve, não tem sequer um espaço
Dentro da própria casa, debaixo da asa,
E acaba morrendo de medo, sepultado, 
Bem antes do tempo determinado.

 Perco minha calma,
Mas salvo a minha alma;
Expulso do meu templo
Os vendilhões.





quarta-feira, 26 de junho de 2013

O Poder do Fogo


O Poder do Fogo



O fogo fascina o felino
Faz festa nos olhos,
Aquece o pelo,
Relaxa o flanco.

Nas chamas alaranjadas,
Extasiadas,
As salamandras dançam.





Imagem: o gato Peter, por Josie Lopes

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Um Rio





Um Rio


Por mais que agitadas as margens,
Por mais que guerras e mortes,
Um rio segue sereno,
E deságua numa fonte
Sem jamais reter suas águas.

É assim que tem que ser,
É assim que deve ser:
Enquanto o rio só passa,
Sereno, e segue seu curso,
Na terra, morrem os vermes
Pela sede de uma água
Da qual, jamais beberão.

Segue o rio, e a correnteza
Promove fertilidade,
Mata a sede das cidades,
Fertilizando colheitas.
Bebem dele os abutres,
Assim como os passarinhos,
Pois o rio não escolhe
A quem doar suas águas.

É assim que tem que ser,
É assim que deve ser,
E é assim que será,
Até o final dos dias,
Enquanto o rio correr.

Mal-entendidos



A internet é um caldeirão fervente onde cozinham os mais absurdos mal-entendidos. As pessoas que se postam por trás dos computadores tem as mais diversas personalidades, e ninguém sabe, ao certo, quem está acompanhando as nossas atividades, e com qual intenção. Ou seja: é igualzinho aqui fora! A única desvantagem, é que online existe a possibilidade de anonimato - se bem que hoje em dia é possível rastrear postagens onde quer que elas tenham sido feitas. O anonimato não é mais tão anônimo assim.

Existem todos os tipos de malucos espalhados pela internet, e alguns, quando cismam com a gente, resolvem não dar descanso! Os místicos dirão que sou eu quem os atrai através de meus próprios pensamentos e de minha conduta; mas eu não vejo as coisas deste modo. Estou cá, quieta em meu canto, cuidando de minha vida, quando de repente, um destes malucos me encontra.

E como eu já assisti a esta novela outras vezes, minha gentil senhora, para seu desespero (tentei enviar-lhe um e-mail privado, mas não consegui, pois não existe "contato" em seu perfil), eu tenho uma novidade: não vou cair na sua armadilha de novo! Pode urrar de raiva, arrancar todos os fios de sua cabeça demente, arranhar-se da cabeça aos pés: você não vai me tirar do sério. Sei exatamente o que pretende: que eu acabe me estressando, e tenha minha assinatura suspensa novamente. Mas olha só, leia com cuidado estas palavras: Isto não vai acontecer.

Pode continuar plagiando meus textos, colocando meu nome em seus poeminhas mixurucas, tentando fazer guerra de nervos comigo através de suas postagens equivocadas. Eu decidi que não vou ligar mais. Mas não exagere, pois existem a polícia e advogados que podem bater à sua porta a qualquer momento. Sei de onde você é, seu nome e seu sobrenome, e mantenho várias postagens antigas suas - lembra? - com meu nome e sobrenome, nas quais você me ofendeu e denegriu minha imagem publicamente. Depois, ainda teve a ousadia de pedir-me perdão, e eu, tola, te perdoei; mas como não sou tão tola assim, mantive as cópias de seus infames escritos.

Desfrute bastante da leitura deste texto - o ÚNICO que realmente lhe dedico, feito especialmente para você, e que, pode ter certeza, é o último.


domingo, 23 de junho de 2013

O Amor





O Amor


O amor que ele viu
Ao mirar-se, de repente,
No cristal dos olhos dela,
Foi tão grande e inesperado,
Que o coração se abriu;
Aos seus pés, uma torrente
Borbulhante, qual um rio
De mil sonhos derramados!

Todo o fogo que surgiu
Elevando a ebulição,
Somente ele sentiu,
Ela nem sequer notou,
E assim, quedou-se mudo,
Dolorido, nauseado,
Pois não foi correspondido
No amor que tinha dado!

Ah, o orgulho tão ferido,
O amor ignorado,
Deixou o peito partido,
O olhar amargurado...
Achou melhor disfarçar,
Dizendo que era ódio
Tudo aquilo que sentia
E não sabia matar!

E a história terminou,
Aparentemente, como
Milhões de sonhos quebrados
E muitas noites sem sono.
E a imagem que ele viu
Nas pupilas, refletida,
Aos poucos, se ressentiu,
Murchando qual flor colhida...




sábado, 22 de junho de 2013

Em Petrópolis







Em Petrópolis


Assistimos à passeata pela TV. Desde cedo, a concentração começou na Praça D. Pedro - principal praça da cidade. A TV local tem apenas a imagem de uma câmera, que pela posição, o cinegrafista parece estar filmando do alto de uma árvore. Às vezes, um galho entra em cena. E no meio de todo aquele verde, as pessoas tocando samba.

Deitados sobre o gramado do jardim, alguns cachorrinhos a tudo observam. Parecem curiosos com a movimentação. Um garoto ainda pinta um cartaz, sentado na grama.

Passa um vendedor de algodão doce, o espeto totalmente cheio de algodões cor-de-rosa, azul-claros, brancos e verdes-água. Passa um menino de bicicleta. Alguns manifestantes são entrevistados, e falam de suas reivindicações. Passa um rapaz com um menininho no colo. Há vários idosos observando o movimento.

Os policiais a tudo observam. O Comandante da Polícia dá uma entrevista, e ele parece calmo. Está sorridente, e é muito simpático.

A passeata começa. Dez minutos depois, ainda da Praça D. Pedro, passa de novo o vendedor de algodão doce, com o espeto já quase vazio. Cruza com o vendedor de bandeirinhas do Brasil. A multidão caminha pela Rua da Imperatriz, totalmente ordeira. Um grupo ainda permanece na praça, tocando samba, e as pessoas dançando.

Um rapaz foi detido, mas ainda não sabemos o motivo. Dizem populares que foi porque ele desacatou policiais, mas ninguém tem certeza.

Quem participou da passeata, disse que foi totalmente pacífica, e que teve um lindo momento, no qual manifestantes e policiais se encontraram e aplaudiram uns aos outros. Meu sobrinho colocou a foto no facebook.

É por isso que eu amo Petrópolis cada vez mais!



sexta-feira, 21 de junho de 2013

Minha Cidade





Minha Cidade


Minha cidade amanheceu,
Ainda se espreguiça entre as montanhas,
E as árvores
Penteiam as folhas com pentes de vento.
Os passarinhos
Anunciam o dia, e nem sabem
Da tensão que se esconde em cada esquina,
Do mal que se espalha, pouco a pouco,
Abrindo caminhos de pesadelos
Entre os sonhos
Ainda dormentes.

No ar, rasgando a paz,
Uma certa apreensão,
Um pequeno medo crescendo em meu coração,
E eu rezo, apenas rezo,
Para que minha cidade não seja quebrada,
Para que a frustração não se arrebente
Ao encontro dos monumentos
Praças, parques, lojas, carros,
Cidadãos, asfalto... nosso chão!

E que não fique na história
De minha histórica cidade
Uma outra  história, de ódio,
Ignorância e atrocidade!





Hoje Petrópolis fechará suas portas mais cedo. As lojas e serviços de transporte encerrarão suas atividades às três horas da tarde, para que as pessoas tenham tempo de ir para casa se proteger das possíveis atrocidades e atos de vandalismo que certamente ocorrerão. Temo pelos jovens bem intencionados que estarão participando deste evento - entre eles, meus sobrinhos. Temo pelos comerciantes da cidade, nossos amigos e conhecidos. Temo pelos monumentos históricos, e até mesmo pelos cães abandonados que dormem nas ruas.


E mais ainda, eu temo pelo que pode acontecer a este país.


quinta-feira, 20 de junho de 2013

Me Desculpem, Senhores, Mas "Eu Não estou entendendo!"




Há apenas alguns meses, Lula era herói, e o bolsa-família, a melhor coisa já feita na história deste país. PT era grito de guerra, partido do povo. Dilma, a sucessora, uma pessoa coerente e durona, que estava investigando a corrupção e blá, blá, blá...

É que eu não entendo nada de política.

Mas acho que estou começando a entender de politicagem. Como é que as coisas podem mudar assim, tão de repente? Isso cheira a manipulação.

Eu ainda não consigo, embora esteja tentando arduamente, ver todo esse barulho com bons olhos. Dizem que o gigante está acordando, mas acho que ele está apenas tendo um de seus piores pesadelos. Se eu estou certa ou errada, o tempo dirá, e estarei pronta a mudar meu discurso caso a correnteza dos acontecimentos prove o contrário.

Para mim, esse movimento tem líderes - e são comunistas - e nada mais é do que pura manipulação de massas. E o fermento da massa está crescendo. Vai transbordar no forno a qualquer momento. 

Amanhã, será aqui em Petrópolis. Temo pela minha linda cidade histórica e seus muitos monumentos. Temo pelos comerciantes de minha cidade, suas lojas, os carros das pessoas, os cidadãos comuns e até pelos cães de rua - há muitos por aqui.

As pessoas enchem os olhos com toda essa reação, e perdem a perspectiva e o bom senso. Eu não lutaria por uma causa que eu não sei bem qual é, multipartida, supostamente sem líder (mas todo mundo sabe que tem gente graúda por trás disso, pois começou nas redes sociais - por quem? Só Deus sabe)...

Eu acho, em minha santa ignorância, que uma manifestação deveria ser coerente, coesa, objetiva e, acima de tudo, dentro da realidade. Brigar pelo impeachment da presidenta, dos governadores, prefeitos, tudo ao mesmo tempo? Vocês acham mesmo que vão conseguir isso? E se conseguirem, quem vai ficar no poder? Provavelmente, os líderes disso tudo... mas... quem são eles?

Vocês realmente pensam que o Brasil, país capitalista, vai dar passe livre para todos os estudantes? As empresas de ônibus tem como objetivo gerar lucros! Existem pessoas trabalhando para elas que precisam ser pagas. 

Vocês acham que o comunismo e a igualdade dão certo em algum lugar? São teorias muito bonitas no papel, mas na prática, trata-se do poder nas mãos de poucos, fim da liberdade religiosa e da liberdade de expressão, fim da propriedade privada (quer dividir seu ap. com mais umas duas ou três famílias?), fim do direito de manifestar-se! E se fosse bom, os que moram nos países comunistas não viveriam tentando sair de lá, arriscando suas vidas, pois não seriam obrigados a viver trancafiados dentro do próprio país. 

Pode até ser que eu esteja falando um monte de besteiras, mas é o que eu penso, e graças a Deus, vivo em um país que me permite expressar minhas ideias. 

Sei que como está, está muito ruim. Alguma coisa precisa ser feita, certo! Mas o que está sendo feito é o correto? Minha preocupação, é como vai ficar depois! Não acredito que mudanças grandes possam ser feitas em pouco tempo; é preciso que as ideias amadureçam, que os novos líderes surjam, que as pessoas possam escolher e aprender a escolher melhor! É preciso que aprendamos através de nosso erros, ou daqui a pouco, tudo isso não passará de mais uma revolução que não vai dar em nada! E logo, esqueceremos de tudo, e eles estarão lá de novo - eleitos por nós.

É muito bonitinho pintar a cara, carregar cartazes, gritar na rua, cantar musiquinha, dar flores aos policiais, aparecer no Jornal Nacional, fazer discurso no Facebook, OK, mas qual é a legitimidade disso? 


"Toda Unanimidade é Burra." - Nelson Rodrigues

Páginas Sobre a Areia






Ficou o caderno aberto,
As letras desbotando ao sol,
Os poemas morrendo de sede,
A capa sendo carcomida, aos poucos,
Pelo que antes, fora a vida.

Ninguém recolheu as palavras,
Ninguém fechou o caderno,
Porque o autor, já ausente,
Não deixou nenhum herdeiro...

E assim, o destino das folhas,
Era o de serem aos pouquinhos,
Apagadas pelo vento,
Enterradas pela areia,
Desbotadas pelo sol...
E os poemas,
Ah, os poemas?...

Seguiriam, num rastro de estrelas
(Quando nada mais restasse
Daquele pobre caderno),
O seu criador.

A dor de um poema, ao morrer,
É bem maior que qualquer outra dor.



Um Sabiá





Um Sabiá

Paradinho no chão,
No meio da grama,
Junto ao pé de laranja,
O sabiá sonha.
Seus olhinhos de alfinete
Estão ausentes,
O coração minúsculo
Protegido do frio
Entre penugens eriçadas.

A brisa ergue algumas penas
Junto às asas,
Mas ele não quer voar,
Ainda não...
O sabiá está parado,
Em contemplação,
A meditar.

Eu o olho, da janela,
Atrás do vidro,
Enquanto também medito,
Buscando sentidos
E esperando a brisa soprar
Sob as minhas asas paradas...

Temos muito em comum, sabiá,
Pois tu pensas que sabes,
Mas não sabes nada...

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Espaço





ESPAÇO

Desta vez
Não te darei nenhum espaço,
Mas deixarei
Que tu tropeces em teus próprios passos,
E que te enredes nas sujas fitas
Dos teus próprios laços!

Pensas que não sei o que tu queres?
Pensas que sou tola,
Que não conheço
Aonde queres
Cavar-me, com tuas colheres?

Se é briga, o que queres,
Estás sozinha!
Arranje um espelho,
Pois que tua própria imagem
Já te espezinha,
Criatura falsa,
Covarde e mesquinha!


MOMENTOS BRANCOS




MOMENTOS BRANCOS

Ah, esses momentos brancos
Nos quais a poesia se ajeita
E relaxa sobre os flancos
Das palavras, que descansam!...

E vem e vai o sentimento
A procurar por certas tintas
Que o revelem, que o traduzam,
Sobre o papel seco e vazio
Da folha branca, que o rejeita!

E um poema se espreme
Rolando pela folha muda...
Senil e frágil criatura,
Nascida de um deus sem paraíso...

E a lágrima vira um sorriso,
Em homenagem ao sentimento
Que mesmo sendo sofrimento,
Revela-se, como é preciso...


A Vida é Irônica!





O mundo dá voltas, e nas voltas que o mundo dá, a gente se perde... este texto é apenas uma reflexão, já que não tenho partido político e jamais defenderia os políticos que fazem parte do contexto de nosso país - aliás, de nosso mundo - mesmo porque eu não entendo bulhufas de política, e portanto, não me considero politizada. Mas é quase impossível não olhar em volta e tirar algumas conclusões (que não levarão a lugar nenhum, tratam-se apenas das reflexões de uma pessoa um tanto confusa):

Há muitos anos, a  mulher que hoje ocupa a cadeira da presidência da República de nosso país, era militante e lutava contra a repressão, a ditadura, a dita mole, etc, etc, etc. Foi presa e torturada. Seus companheiros eram aqueles que hoje ocupam os cargos políticos mais importantes. Alguns foram exilados do país naquele estranho movimento da ditadura que dizia: "Brazil (desculpem, é com 's') amem-no ou deixem-no."  Dizem que um deles, já falecido, chegou a fugir vestido de freira. Surgiram os líderes sindicais, sendo que um deles, tornou-se presidente da nação  e deu no que deu... agora, sua sucessora, antes acolhida com apupo e entusiasmo, enfrenta sua maior crise, e escuta o próprio nome ser gritado em manifestações públicas (parecidas com aquelas das quais ela mesma deve ter participado), só que de forma bastante pejorativa.

O ex-líder sindical/Presidente da República/herói nacional, hoje amarga acusações de um governo corrupto e incompetente. As pessoas que antes o aplaudiam, hoje o vaiam. Juntam-se nas praças e esquinas aos gritos de "Fora, PT!" E outras coisas menos publicáveis.

Os oprimidos lutaram, e chegaram aonde queriam chegar; tomaram o poder. E só fizeram merda. Hoje, vejo lá fora o mesmo cenário: oprimidos tentando chegar ao poder. Oprimidos que hoje se dizem apolíticos - sem partido político - lutando por uma/várias causas que se desencontram e que por isso, não tem qualquer substância. Porque apesar de nada entender de política, qualquer mané sabe muito bem que para haver uma luta, é preciso haver uma causa coerente. O que eu vejo, é gente gritando "Fora, PT!" "Abaixo a corrupção!" "Abaixo o preço das passagens!" "Pelo passe livre e o direito de ir e vir!" "Contra a ditadura!" "Pelos professores!" "Por melhores condições de trabalho!" "Pela educação!" Etc, etc, etc... e nesse meio, estão inseridos os vândalos, oportunistas, comunistas (na verdade, na minha santa ignorância, acredito que este é um movimento comunista) e curiosos. E nenhum deles sabe, exatamente, o que está fazendo. Mas acredito que dali, de dentro daquele caldeirão, surgirão novos partidos políticos, cujo único propósito, será chegar ao poder... e fazer tudo igualzinho como sempre foi.

Lembram-se daquele líder estudantil bonitinho e radical dos anos oitenta? Aonde é que ele está agora? Lá do outro lado. Aproveitando todas as regalias  que seu cargo permite. Esta é a história deste país! 

E acredito que a única maneira de mudá-la, e se cada um de nós cultivarmos a legítima transparência de conduta e de propósito de vida. Criar objetivos REAIS e SEM INTERESSES PESSOAIS. Porque o que eu vi ontem na TV Record, no programa do Wagner Montes, foram dois 'líderes' do movimento dando uma entrevista fraca, inconsistente e até ridícula - um deles dizia que lutava pelo passe livre, pois apenas com a implementação do passe livre, ele poderia desfrutar plenamente de seu direito constitucional de ir e vir. Se esquece de que vivemos em um país capitalista, e que as empresas não existem para fazer caridade, mas para gerar lucros. As pessoas que trabalham para elas precisam ser pagas. Mas acredito que daqui a alguns anos, quando eles próprios estiverem trabalhando, e confortavelmente inseridos no contexto capitalista que hoje eles repudiam, eles compreenderão melhor as coisas.

Mais uma ironia? Ao final da entrevista, um Wagner Montes gaguejante agradeceu a presença deles e colocou-se à disposição para recebê-los no programa sempre que eles desejassem voltar.

 À noite, o carro da Record foi depredado e queimado.

terça-feira, 18 de junho de 2013

Essa Causa é Válida?





Esse Causa é Válida?



Antes de seguir uma liderança e abraçar uma causa, acho que todo mundo deve fazer a si mesmo as seguintes perguntas:

-Quem são os líderes, e quais são os seus interesses?

-Quem está por trás daqueles que lideram a causa?

-A causa é real e justa? As reivindicações são possíveis de serem obtidas, ou estarei clamando por uma causa impossível?

-Existem causas mais urgentes do que esta, pelas quais ninguém está lutando? E se elas existem, por que até agora ninguém se mobilizou por elas? Quais os motivos para se lutar por esta causa, especificamente, quando há tantas outras mais urgentes?

-Qual o contexto no qual esta ‘luta’ está inserida? Há eleições se aproximando, ou é do interesse de algum partido político que o governo vigente seja desmoralizado?

-O que há nesta causa que vá trazer algum benefício real para mim e para o meu país? Acredito, realmente, nesta causa, ou participo a fim de ajudar meus amigos, ‘curtir uma onda’ , aparecer na mídia ou entrar para a história? Sei, realmente, pelo quê eu estou protestando/lutando?

-Em quem eu votei nas últimas eleições, qual foi o meu critério de escolha, e em quem estão dizendo para que eu vote nas próximas?

-Estou sendo manipulado por alguém? Não? Tenho certeza disso?

Eu jamais lutaria por uma causa cujos líderes e reais objetivos eu desconhecesse. É preciso olhar em volta, e mesmo que o motivo dos protestos pareça justo, será que eles são reais, ou escondem algum outro motivo? Muitas vezes, aqueles que se dizem nossos defensores, estão apenas nos usando. É preciso ter consciência dos próprios atos. É preciso saber pelo quê se luta, e os métodos corretos para se chegar até os nossos objetivos -e se eles são realmente nossos, ou se somos apenas marionetes nas mãos de pessoas que estão sendo pagas para causar tumultos.

O Brasil sempre enfrentou muitas dificuldades em vários outros setores, como por exemplo, a saúde. Todos os dias, milhares de pessoas morrem nas filas do SUS sem atendimento, ou vítimas de erros médicos. Por que ninguém jamais defendeu esta causa? Todos os anos, nas cidades serranas e em outras cidades, as chuvas matam centenas de pessoas que constroem suas casas nas encostas, e nada é feito, e a mesma história continua sendo repetida. Por que ninguém se levanta por isso? Milhares de crianças abandonadas continuam espalhadas sem qualquer atenção pelas calçadas do país, transformando-se em bandidos por falta de esperança e de alguém que se interesse por elas. Por que não há, nem nunca houve nenhuma passeata a favor delas? A educação chegou a níveis extremos de descaso e incompetência, e por que será que eu nunca vi nenhuma passeata sendo feita por causa dela? A corrupção política, os mensalões, as falcatruas, continuam sendo feitas sem nenhum disfarce. Por que não se faz nada para impedi-las?

Por que, de repente, vinte centavos de aumento nas passagens tornou-se o estopim de uma bomba, aceso pelas redes sociais, uma bomba que ninguém sabe quando exatamente irá explodir, onde, e por quê? Será que de repente, de um dia para o outro, as pessoas simplesmente ficaram de saco cheio, e resolveram se conscientizar de que estavam sendo feitas de otárias? Por que exatamente agora, e não antes ou mais tarde?

Quem são os líderes, como eles agem, quais seus interesses reais, o que eles pretendem?

Enquanto estas perguntas não forem respondidas, continuarei duvidando de toda essa onda de protestos, e acreditando que ela acontece por interesses escusos, manipulação pura, e não por uma conscientização válida e real da população. E sem conscientização, nada irá muito longe, nada de bom será alcançado, e assim que os objetivos dos que estão liderando essas passeatas e protestos for atingido, a “Grande Causa” perderá força, e cada um voltará para o seu quadradinho, continuando a levar suas vidinhas.



Você luta pelo quê? Por quem? Quem são os seus líderes? Sabe a resposta? Se não sabe, fique em casa.


Partidas Sem Chegadas









Partidas Sem Chegadas


Naquele braço de rio,
Um barco tão esperado
Que nunca, jamais chegou...
E o braço fica esticado,
Desenhando no horizonte
A esperança malograda.

Tarde esquecida, noite parda,
Sem luar e sem estrelas...
Nas águas do rio, mágoas,
Sono agitado na esteira.

Naquele braço de rio
Não houve barcos ou águas
Que trouxessem algum alento,
Que lavassem tantas mágoas!...

E a distância anunciada
Pelo silêncio total
Dos barcos que se perderam
Em mil portos diferentes
Que anunciam só partidas,
Mas partidas sem chegadas...

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Me Desculpem, mas Será que Ninguém Enxerga?

Me desculpem, mas eu não aguento mais essa mania que as pessoas adquiriram, de se acharem coitadinhas! Por que passe livre? A vida toda, apesar de ter sido estudante carente, meu pai - que era serralheiro e ganhava pouco - pagava as passagens da gente. Estudei com dificuldades. Cresci num Brasil que as pessoas chamavam de 'ditadura' e o que eu sei, é que naquela época, as pessoas trabalhavam e pagavam suas contas. Passava de ano quem estudasse. Professores eram respeitados, e ter um professor na família era motivo de orgulho, de honra, e não de pena!

Hoje em dia, as coisas estão bem diferentes: as pessoas só querem pensar no que podem obter de graça. Choraram de emoção quando colocaram o PT na presidência, adoraram quando as bolsas-pobrinho foram lançadas, aplaudiram quando decidiram que alunos de escolas públicas não mais seriam reprovados e vibraram quando trouxeram a Copa do Mundo e as Olimpíadas para o Brasil; agora estão nas ruas, quebrando tudo porque houve um aumento de vinte centavos nas passagens? Não dá para entender... até agora, o PT era maravilhoso! Por que deixou de ser?

Hoje, as pessoas reclamam porque são atendidas por profissionais despreparados, e nem veem que a tendência é piorar cada vez mais, pois ninguém é reprovado, e entrar para uma faculdade está se tornando cada vez mais uma concessão feita devida à cor da pele e a condição social, ao invés de esforço pessoal e estudo. Não acredito que fazer concessões e colocar na cabeça do povo que ele é coitadinho resolverá qualquer problema; é preciso investir na educação para que todos tenham oportunidades iguais! Essa política do coitadinho já está fedendo, e mostrando-se um equívoco!

Tem certas coisas que realmente me irritam nesse país; há um post circulando pelo Facebook de um rapaz, "coitadinho," um mauricinho que participou da baderna e agora está reclamando porque teve que pagar vinte mil reais de fiança para ser solto! Um cara que tem vinte mil reais para pagar fiança precisa andar de ônibus? Tá reclamando de quê?! Este e outros acontecimentos só vem para provar que o que está acontecendo, é pura manipulação política!

O cidadão carente é incitado a protestar e fazer baderna, quebrando os ônibus dos quais eles mesmos precisam. Depois, ficam sem! Enquanto isso, os que nunca usam transporte público, ficam por trás, segurando as cordinhas e causando polêmica. O que está por trás de tudo isso? Algo do tipo: "Vejam só quantos problemas vocês tem! O povo precisa protestar contra a corrução e a opressão!" E depois, "Olha só, nós temos as soluções para todos os problemas! Votem na gente!" E o cidadão vai lá, vota nos salvadores da pátria, e tudo o que eles querem, é estar lá no poder para fazerem exatamente a mesma coisa: continuar com a corrupção e a roubalheira!

A solução, é aprender a votar, a pensar por si mesmo, a ler nas entrelinhas! É entender que tudo que vem fácil demais, não pode ser bom nem duradouro! É saber que somente através de esforço pessoal se chega a algum lugar. E que protestar a favor de um país melhor não significa sair por aí quebrando coisas e ferindo pessoas, mas aprender a votar, aprender a trabalhar! Muito poderia ser feito através de simples boicote, sem badernas, sem gritaria. Mas se não houver gritaria, o movimento atrairá pouca atenção da mídia, e alcançará um menor número de pessoas, ou seja: quem vai perceber, quando 'alguém' dizendo-se salvador da pátria chegar com a solução? As pessoas estão fazendo propaganda política para alguém, e nem percebem.

Dentre estes que estão lá protestando por causa do preço das passagens, quantos estarão lá nos estádios, pagando fortunas para assistir aos jogos? Ah, mas eles estarão certos, pois o futebol é paixão nacional! E assim seguiremos, e nem sequer percebemos que o que estamos vendo lá em cima no poder, é um retrato fiel de nós mesmos, de nossa própria corrupção. Cada povo tem o governo que merece. E para que haja qualquer tipo de mudança lá em cima, é preciso que estas mudanças comecem aqui, dentro de cada um de nós. Melhorar a si mesmo é a melhor forma de melhorar um país. Nenhuma mudança real acontece de fora para dentro, e sim, de dentro para fora.

Chega de vitimização! É preciso abrir os olhos e ver que essa gente que comanda esse tipo de movimento, não valem o sacrifício.

domingo, 16 de junho de 2013

DISCERNIMENTO




A violência assola o país. Manifestações em Salvador, Niterói, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, São Paulo... e não serão por causa de vinte centavos de aumento nas passagens. O que eu acredito, é que a maioria das pessoas estão sendo usadas como buchas de canhão para fins políticos, e nem percebem isso. Há os líderes - pessoas contratadas para espalhar a violência e acender o pavio, liderando estes movimentos. E como elas são líderes natos, encontram sempre centenas de seguidores, que sem pensar muito no assunto, fazem o que elas mandam. Nem sabem muito bem por que estão ali no meio. Querem mais é aparecer, protestar, mas sem parar um segundinho para pensar que aquilo que elas destroem, lhes fará falta! Além disso, existem pessoas que nada tem a ver com isso, e estão tendo suas lojas e carros destruídos. Há pessoas que estão apenas tentando chegar em casa após um dia de trabalho, e acabam feridas no meio dos conflitos.


Manifestante destroem patrimônio público e privado, picham a cidade, ferem pessoas. Será que é assim que se age? Será que através da violência, da ignorância e de atos impensados se chega a algum lugar? E cá entre nós: será que eles acreditam mesmo que os preços das passagens vão baixar?


No Facebook e nas redes sociais, eu vejo fotografias de pessoas ensanguentadas, reclamando da violência dos policiais; mas quem fala da violência que elas estão perpetrando? Os policiais são seres humanos como nós, e estando em minoria, em situação de extrema pressão e perigo para suas vidas, eles tendem a agir ou reagir com violência; e como eles tem as armas, acabam usando-as. Não estou aqui dizendo que isto seja certo ou errado; mas que a violência gerada por eles, é uma resposta à violência gerada pelos manifestantes. Violência gera violência, e pronto!

Acho que as pessoas precisam aprender a pensar, e concluir que ninguém que incite a violência, está certo! Qualquer um que venha até nós e nos incite a quebrar, ferir, sujar, e depredar em nome da 'justiça' e da 'igualdade', acaba de perder qualquer direito que tenha. E que estas pessoas fazem isto não em nome do bem comum, mas em nome de INTERESSES PESSOAIS ESCUSOS! 

Acordem! Vocês estão sendo manipulados!

sábado, 15 de junho de 2013

Meu Primeiro e-book






Bom dia, amigos pessoas dos blogs!

Acabo de receber de Helena Frenzel o meu primeiro e-book! São quinze poemas que selecionei com todo carinho. Ficou simplesmente lindo! Muito obrigada, Helena, mais uma vez, por este lindo presente. 

Muito obrigada também a Celso Felício Panza, que escreveu um prefácio maravilhoso.

Vocês podem fazer o download (seguro e gratuito) através de minha página no Recanto das Letras; basta ir até minha escrivaninha (lá está como annabailune, com dosis 'ns'): procurem "annabailune" em "autores", na capa do site; o livro está no meu perfil, em 'e-books.' Não ponho o link porque não tenho a menor ideia sobre qual ele seja, hehehe...

Espero que gostem!

ps: Obrigada, Chica! hehehehe... me trouxe meu link:


http://www.recantodasletras.com.br/e-livros/4342350

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Adeus, Bonsai!





-Posso fazer um canteiro ali atrás, Dona Ana?
-Pode sim... mas vamos ter que comprar as plantas primeiro. Não tem nada aqui.

Meu novo jardineiro, entusiasmado, respondeu:

-Depois a senhora compra. Pode deixar comigo, vou arranjar umas plantinhas por aqui mesmo, só para não deixar o canteiro vazio. Posso usar essas plantinhas aqui nesses vasos?

Havia alguns vasos de margaridas já murchas que eu compro para enfeitar o peitoril das janelas, e quando as flores morrem, troco por outras. Perto delas, estava também o meu bonsai, uma jabuticabeira que tenho há muitos anos, e que andava um tanto mirradinha ultimamente. Acho que eu não sei como cuidar de bonsais. Mas não pensei que ele a incluiria em seu projeto de jardinagem.

Concordei com ele, e fui cuidar de minhas obrigações caseiras.

Ao final da tarde, quando fui lá fora ver o resultado do trabalho, achei um canteiro bastante eclético, com diversas espécies de plantas, todas misturadas. Entre elas, o meu bonsai.

Ele plantou o meu bonsai!

Fiquei com pena de decepcioná-lo, ao responder a sua pergunta "Gostou?" Eu sorri entre os dentes: "É... ficou bom!" Enquanto isso, pensava na minha ex-bonsai-jabuticabeira. 

Depois que ele se foi, fiquei pensando melhor, e achei que com certeza, a árvore preferia estar plantada no chão. Condenada a viver em um espaço limitado e anti-natural,estando  destinada a ser uma árvore-anã reprimida para o resto de sua existência, a minha jabuticabeira me agradeceu - e principalmente, ao meu jardineiro. Confesso que eu mesma já tinha pensado em plantá-la no chão. As plantas de porte grande dentro de vasos me angustiam quase tanto quanto os pássaros presos em gaiolas e os cães acorrentados.

Ontem lembrei-me dela, e fui lá no fundo do quintal para ver como ela estava passando; folhinhas novas estão brotando, e parece que ela está mais calma, menos ansiosa. Trocamos um olhar silencioso, e em seguida, ela me falou das jabuticabas que estava planejando para o futuro. Pousados no muro acima dela, os pássaros aguardam, pacientemente.



quinta-feira, 13 de junho de 2013

O Mundo nas Pontas dos Pés


Imagem: João Menerés


Este poema é fruto de uma parceria com João Menerés, que cedeu-me a imagem. Ele é do blog Grifo Planante





O Mundo nas Pontas dos Pés


Movimentos quase lânguidos
Braços desenhando encantos,
Abraçando imaginárias
Nuvens de Agapantos brancos.


O mundo nas pontas dos pés,

Tocando a terra em silêncio...


Os dedos em desenvoltos 
E graciosos movimentos
Marcam as notas do piano
Passeando etereamente
Sobre as teclas, em stacato.


Mais um rodopio, um passo,
Ali, uma pirueta
E o final apoteótico
Da bailarina que para
Em pose de estatueta.


terça-feira, 11 de junho de 2013

Tempero




Metade do que me corre
 Pelas veias esticadas,
É sangue puro e espesso,
A outra metade, é água.
Dentro do meu pensamento,
Metade é um barulho intenso,
Que não descansa nem cala;
A outra metade, é nada.

Das estrelas onde procuro
Nas noites desembestadas
A tua metade perdida
Que completa a que me falta,
Uma parte é uma estação,
E a  outra, um longo trilho
Onde nunca está seguro
O trem que a memória assalta.

Assim, sou feita de carne,
Pele, osso, sangue, órgãos,
E de uma alma de gaze
Lacerada por um rasgo
Que nem o tempo costura
Com as linhas já partidas
Do que chamam sanidade.





segunda-feira, 10 de junho de 2013

Tão Pouco...




Tão Pouco...

Tão pouco tinha a mostrar!
Uma lata polida de lixo,
Um braço poluído de mar,
Palavras em descapricho,
Enrodilhadas tal qual cobras,
Prontas a dar o bote
Sujando o pote de mel...

Fazia perfis de esculachos
Enquanto mexia o seu tacho
Misturando todo o fel
Em cada verso, em cada mote.

Ah, houve o derradeiro bote
Das palavras engolidas
Que com suas pernas elásticas
Convidavam as platéias
À falsa e desenxabida
Exibição carcomida!

Falava do que não via,
Afirmava, veemente,
Sobre o que ela nem sabia...
Triste, tão triste espetáculo
De vaidade e amargura
De quem diz que não tem tempo
E nem assim, se situa...

domingo, 9 de junho de 2013

O Espaço de um Abraço



O Espaço de um Abraço



A casa da gente é um lugar para o qual geralmente convidamos apenas as pessoas de quem gostamos – se um dia, por forças das circunstâncias, precisarmos convidar pessoas com quem não tenhamos muita afinidade, ou não conheçamos muito bem, pelo menos estas pessoas provavelmente pertencerão a algum círculo de pessoas mais próximas, nossas conhecidas. Bem, eu penso assim. Jamais convidaria um perfeito estranho, alguém que acabo de conhecer, para adentrar minha casa, partilhar de minha vida íntima ou de minha cama (embora algumas pessoas o façam sem o menor problema; não as julgo, apenas não me incluo neste grupo, de, digamos, ‘pessoas muito espontâneas’).

Para mim, a mesma coisa é o espaço ocupado por um abraço. Abraço é contato físico bem próximo; é sentir, quem sabe, a pulsação do coração de outro ser humano, seu cheiro, a textura de sua pele e cabelos. Íntimo demais. Pelo menos, sob o meu ponto de vista. Não me sinto confortável abraçando estranhos; preciso conhecer as pessoas antes do abraço. Ter com elas pelo menos, um contato mais prolongado, uma conversa amigável, aprender a gostar delas sinceramente. É claro que já fui e sou abraçada por pessoas que mal conheço; nestes casos, eu retribuo o abraço, mas por educação. Também existe o abraço virtual, aquele sem contato físico, mas que distribuímos facilmente entre nós – mas até mesmo este, eu deixo com as pessoas com quem eu acho que teria alguma afinidade aqui fora. Também há alguns alunos mais antigos a quem eu abraço com o maior carinho. Adoro meus alunos, e gosto de abraçá-los. Mas cumprimento os alunos recém-chegados com um aperto de mão.

E foi por isso que ontem à tarde, enquanto caminhava pelas calçadas Petropolitanas com meu marido, eu recusei o abraço de um grupo de pessoas desconhecidas, que, vestidas de palhaço e com as caras pintadas, portavam cartazes e abordavam pessoas; ofereciam abraços gratuitos na avenida. Eu disse: “Não, obrigada.” Simplesmente porque eu não as conheço.

Tenho certeza que suas intenções são as melhores; quem sabe, acham que assim, farão do mundo um lugar melhor? Bem, eu não acho que seja este o caminho! Todos os dias, assistimos pela TV políticos e pessoas famosas que se abraçam e dão tapinhas nas costas, e isto não significa que se gostem ou se respeitem. Antes de cultivarmos o ato de abraçar as pessoas, precisamos aprender a cultivar o amor sincero e desinteressado por elas, e isto leva algum tempo. Mas, mesmo discordando destes métodos de abraços forçados entre desconhecidos, respeito quem os aprecie. Acho até bonito, mas não serve para mim.

Me desculpem, pessoas, se algum dia, por um acaso, vocês chegarem a ler este post; mas acho que abraço não deve ser gratuito; tem que ser dado com sentimento cultivado e verdadeiro. Abraço as pessoas de quem eu gosto, as pessoas que eu conheço e com quem me sinto confortável. Quem sabe, um dia vocês serão uma destas pessoas? Se isto acontecer, terei o maior prazer em abraçá-las.




REFLEXÃO

Já muito andei sem enxergar, sem ver, O que me fez e me desfez, a fome... "Ana" é o nome que alguém me deu, M...