sexta-feira, 31 de maio de 2013

Torcer e Retorcer





De nada adianta o quanto alguém pode tentar torcer e retorcer a verdade; mesmo assim, ela continuará sendo verdade. O melhor, é admiti-la!

De nada adianta tentar encontrar desculpas que possam justificar uma conduta errada, pois ela continuará sendo errada. Nada torna o errado, certo. Um erro não justifica outro, e os erros alheios não servem de desculpa para justificar os meus.

Aquilo que eu faço de mal, voluntariamente, a outra pessoa, ficará para sempre marcado no caminho que eu percorro. Haverá sempre aquele feio arranhão que me segue pela estrada, e que não me deixará em paz. E nem que eu tente justificar aquilo que fiz de errado, usando mil desculpas e mil argumentos, um erro será sempre um erro.

Se for possível corrigi-lo, que eu o faça; mas às vezes, quando deixamos passar tempo demais sobre o erro, ele torna-se impossível de ser corrigido. Se meu arrependimento sobre ele for sincero, só me resta perdoar a mim mesma e nunca mais cometer um erro como aquele; se meu arrependimento não for sincero, ou não existir, restar-me-hão a culpa e a infelicidade.

É certo que cada um escolhe o caminho que deseja seguir; é certo que levamos conosco as consequências de nossos atos, bons ou ruins. Mas também há momentos em que o que nos acontece de mal, não vem daquilo que nós mesmos provocamos, e sim, de atos de terceiros. E quando isto acontece, eu acredito que aquele que prejudica o outro, estará trazendo grande prejuízo a si mesmo. Não é justo justificar nossa maldade alegando que o outro 'merece' passar pelo que está passando. Quem somos nós para dizer?

Melhor seria se cada um olhasse para dentro de si mesmo e descobrisse o que existe ali dentro que mereça ser melhorado. Porque apontar o outro parece fácil demais, mas admitir os próprios erros, pode ser a coisa mais difícil ( e mais necessária) que precisamos fazer para que possamos nos qualificar justamente sob a categoria de seres humanos.



quinta-feira, 30 de maio de 2013

POÇO




Poço ambicioso
Que nunca se enche,
Por onde gotejas
E te esvazias?

O que te incomoda,
O que te transforma
As águas em poças
Tão estagnadas?

Por mais que te encham,
Por mais que te enchas,
Jamais é bastante,
Tua sede não estanca!

De nada adiantam
 As águas que chegam,
A chuva profusa,
Ou mil afluentes,

Pois nada preenche
A tua secura,
A tua loucura
Ah, poço de mil sedes!


quarta-feira, 29 de maio de 2013

O Céu Está em Todo Lugar - Resenha (livro)






O Céu está em Todo Lugar - Autora: Jandy Nelson
Título Original: The Sky is Everywhere
Categoria: Romance juvenil
Editora Novo Conceito
2011 - 423 páginas

Lennie Walker é uma adolescente que acaba de perder a irmã mais velha, Bailey, também adolescente. Bem, a partir desta descrição, imagina-se uma história sempre triste e pesada, mas Jandy Nelson consegue dar ao luto uma nova face - mais leve e até mesmo bem-humorada, através dos olhos de sua personagem.

Lennie mora com seu tio Big e a avó, uma ex-hippie dada ao misticismo, cuja filha saiu pelo mundo, deixando as netas aos seus cuidados. A imagem da mãe ausente entra na vida das meninas através de uma pintura inacabada feita pela avó - a Mãe Pela Metade - que fica na sala de estar da casa.

A fim de tentar extravasar e tentar compreender as emoções naturais de seu luto, misturadas à aventura  de crescer, Lennie escreve poemas, e os espalha pela cidade, nos locais mais inesperados: sob pedras, em lixeiras, em folhas de caderno, e até mesmo em embalagens de pirulito e copos de papel. 

De repente, Lennie se vê apaixonada pelo ex-noivo da irmã, que corresponde sua paixão. Sentimentos de culpa e inadequação tomam conta de ambos, quando surge Toby, um jovem músico por quem Lennie também se apaixona, e os três passam a formar um triângulo amoroso. Confusa, Lennie conclui: "Eu deveria estar de luto, não me apaixonando..."

Para Lennie, ao mesmo tempo, é chegada a hora de saber o que realmente aconteceu à sua mãe, colocar em ordem seus sentimentos pelos dois jovens com quem se envolveu e superar o luto pela perda da irmã. 

O Céu Está em Todo Lugar é um romance que, embora dirija-se ao público juvenil, agradará pessoas de todas as idades. Uma história mágica, comovente e instigante.




terça-feira, 28 de maio de 2013

Título






Título



Queria ter todos os os direitos naturais e autorais
Sobre as palavras e os sentimentos,
Esquecendo que na vida
Se repetem e se entrecruzam
Diferentes momentos.

Queria ostentar a liberdade que aprisiona
Dentro da sua sofisticada
Embaçada, 
E falsa redoma.

Queria ser o dono, o senhor de um vil castelo,
Enquanto , com o seu cutelo,
Cortava as palavras emperrando as aldravas,
Lançando setas agudas e envenenadas,
Tal qual um maricas das palavras!

De cavaleiro, sobraram-lhe apenas as ferraduras
De uma montaria que fugiu,
Já cansada das surras,
E alguns súditos que inda viviam sob o seu jugo,
Adoradores de um falso ídolo.

Queria ser o tal, negar o existencial,
Pregar o evangelho de uma bíblia que não seguia,
Pois que da refrega se empanturra e se esfrega,
Enquanto murmura obscenidades.

Queria achar-se dono de um falo desejoso,
Enquanto nem notava toda pena e todo entojo
Causados por sua pena, em fortes ânsias de nojo!

Ah, título emprestado, ou quiçá, talvez roubado
De uma tal nobreza que jamais lhe pertenceu,
Um título forjado, que escondia um vil plebeu
Por sob os podres brocados de um mendigo desbocado!


Eu Vejo





Eu vejo, e nem sempre entendo...

Caminhamos por um mundo
Cheio de falsos "lords" e "mestres,"
Preconceitos e salamaleques,
Rapapés e risos 
Onde os incisivos sempre sobressaem.

Caminhamos, e vamos achando
Pelo caminho, espinhos,
Enquanto as pétalas servem de ninhos
Às serpentes e  salamandras mancas.

Caminhamos, e enfim chegamos
Ao final da jornada, ao muro
Onde nos aguarda
Um imenso espelho
Diante do qual, ninguém se engana.

E finalmente, a malfadada trama
Onde se engalfinham os egos errantes
Revela que os "lords", os" príncipes" e os "plebeus"
Vieram da, e para lá voltarão, todos juntos
mesma luz e ao mesmo breu
De onde nasceram - que coisa aberrante!






segunda-feira, 27 de maio de 2013

Prisma






Prisma


Prisca combinação de cores,
De onde derivam
Todas as outras cores...
O prisma absorve
E as devolve em feixes
Multicores.

Assim é a alma da gente,
Prisma
Captando a vida
E re-interpretando as alegrias 
E as dores.

Mas no fim,
Tudo são apenas
Cores.

*

domingo, 26 de maio de 2013

AMOR OU ESCUDO?...





Amor ou Escudo?...


Que jamais usemos
O amor como escudo,
Como teto e proteção,
Contra as intempéries da vida
E do mundo.

Que ele seja a semente
De algo que já nasce com a gente,
E cresce um pouco mais a cada dia,
Simplesmente...

Que ele seja forte, e domine a mente
Sem que sejam necessárias forças
Para abrir caminho entre os espinhos
Que na vida, encontraremos
Pelo caminho!

Que o amor não seja a resposta, nem a pergunta,
Mas que esteja no ar que respiramos,
Na terra onde pisamos,
Nas fontes onde bebemos,
Nos frutos dos campos
Dos quais nos alimentamos...

Que o amor nos faça transcender
Todo e qualquer julgamento,
Separação ou explicação minusciosa,
E nos ajude a respeitar tudo:
A vida, a morte,
A alegria, o sofrimento,
Os espinhos da rosa!

Que o amor faça de nós aceitação,
E não escudo!
E que nós amemos o amor por ele mesmo,
Sempre sabendo
Que ele não nos protegerá de qualquer dor,
Não nos salvará da morte,
Não nos poupará dos sofrimentos,
Não nos fará imunes a nada neste mundo,
Pois quem ama, ama por amar,
E não faz do amor uma troca!


sábado, 25 de maio de 2013

ABRAÇO O DIA








Abraço o dia devagar, 


Com mansa alegria e reverente cerimônia, 


Sabendo que ele é dádiva, 


Sabendo que meus sonhos ficarão descansando 


Na fronha. 




O dia colhe os pesadelos, 


Enrolando-os em pesados novelos 


E lançando-os todos ao abismo 


Da claridade, 


Onde eles se desfazem. 




Abraço o dia com gratidão, 


Sabendo que qualquer dia, 


Será o último 


Em que nós estaremos juntos, 


Em que eu te verei - e te abraçarei. 




O dia suspira surpresas, 


Espalha delicadezas 


Em forma de gotas de orvalho pendentes das pétalas, 


Fiapinhos de nuvens no céu da manhã, 


Cantos de passarinhos com frio, 


Florzinhas miúdas nos cantinhos... 




Abraço o dia como quem não quer nada, 


Embora em meu coração despertem vontades 


E desejos de estradas... 


Sigo por aquelas que o dia me apresenta, 


Passo a passo, com respeito e reverência, 


Até que chegue a próxima noite. 



quinta-feira, 23 de maio de 2013

Mensageiros dos Ventos




Mensageiros dos Ventos


Faltam ventos para os sinos,
Que silenciam.
Nenhum passo, nenhum assovio
A soar no quarto frio!

Permanecem, assim, parados,
Os meus sinos,
Mensageiros de um vento
Que não manda mais mensagens,
Preso está na calmaria
Das palavras sem vontade.

Mas ás vezes, ah... às vezes,
Sopra um vento assim, tão forte,
Que os sinos desesperam-se,
Agitando-se,
E despertam
As almas no além-morte!...

Mas logo depois, silenciam
Os meus sinos; nenhum som,
Vai-se o vento, cai a noite,
E só as asas dos morcegos
Fazem soar um tilintar
Quase inaudível - poeirento.


Nada Sei do que se Passa





Nada sei do que se passa
Na tua casa,
Entre as paredes,
Não te conheço.

Assim,
Prefiro não especular,
Não criar verdades mentirosas,
Histórias escabrosas,
Ridículas suposições
Que só rebaixariam
A minha própria imagem,
Enfraquecendo minhas palavras.

Nada sei do que se passa
Na tua casa,
Ou com quem vives,
Se trabalhas, se matas
E escondes cadáveres na geladeira,
Ou se apenas rezas, de joelhos,
A vida inteira!

Nada sei, e nem desejo saber,
Nada tens a temer.


Reflexões





Na minha idade, certas coisas trocam de lugar, e as que antes eu achava que eram importantes deixam de ser, e outras que eu costumava ignorar, tornam-se importantes. Tudo o que fiz durante meus anos de juventude, começa a aparecer; os excessos, e também os cuidados: as horas dedicadas ao exercício físico, a boa ou má alimentação, ao sedentarismo, ao tipo de leitura e lazer aos quais eu me dedicava e a maneira como tratei das coisas do espírito.

Tem gente que gosta de dizer que a idade não importa. Eu acho que elas cometem um erro. A idade importa sim, e para mim, é preciso prestar atenção à passagem do tempo e à maneira como nossos valores vão se transformando, e nossas vidas, se adaptando às novas idades.

Ficar mais velha nos faz pensar que, quanto mais longa for a nossa vida, mais nos aproximaremos da morte. E eu confesso que olho para esta inevitável senhora sem nenhum medo ou ressentimento, pois para mim, ela é apenas mais uma etapa da vida. Acho estranho o assunto morte ser considerado tabu entre as únicas criaturas que sabem que todos vamos morrer.

Eu não acho que a vida fica inevitavelmente mais 'maravilhosa' só porque eu estou mais velha. Não acredito nessa coisa de 'melhor idade.' A vida pode ser uma cadela, a qualquer momento, em qualquer idade. Mas também pode ser maravilhosa a qualquer idade.

O que eu realmente penso sobre envelhecer, é que não é divertido, não é maravilhoso, não é a melhor idade, não é a idade em que todo mundo passará a nos respeitar mais e nos achar uma gracinha, perdoando nossas faltas, e nem é a idade na qual devemos nos recolher e olhar a vida passar, sem intrometer-se muito nas conversas de família numa tentativa de que tolerem a nossa presença. Acredito que se tivermos respeito por nós mesmos, as pessoas nos respeitarão mais quando envelhecermos; se não nos colocarmos na posição de titios, vovós ou vovôs bonzinhos e bobinhos, que ficam extasiados toda vez que alguém mais jovem nos diz que somos uma gracinha e nos trata como bebezinhos, as chances de que não sejamos vistos como tal aumentarão consideravelmente.

Se eu ler, me informar, tiver uma conversa interessante, cuidar da memória exercitando meu cérebro e tomando remédios se necessário, terei uma grande chance de continuar ocupando um lugar importante no meio da minha família e entre os mais jovens. Basta que eu não vista o estereótipo da velhinha bonitinha e coitadinha, como esperam inconscientemente que todos façamos. E sempre que alguém se referir a mim de maneira desrespeitosa, ou desconsiderar uma opinião minha alegando que eu estou velha, eu não posso deixar passar! Não posso me acomodar e fingir que não percebi! É exatamente nessa hora que torna-se essencial levantar a voz, aprumar a postura e contestar, dizendo: "Quem você pensa que é?" E jamais, mas jamais, concordar em mudar-me para o quartinho dos fundos dentro da minha própria casa!

Acho importante também que possamos cuidar da vida financeira, fazer planos para que tenhamos uma renda que nos deixe independentes - parte que tenho negligenciado totalmente... mas vou providenciar. Minha mãe fez até plano funeral - o que eu não faria, pois quando eu morrer, que se vire quem estiver vivo. Acho que eu serei merecedora de um pequeno investimento dos que me cercam a fim de proporcionar-me uma última morada para meus ossos. Ou joguem-me aos cães, doem-me à medicina, não me importo.

Envelhecer não é uma delícia, não significa entrar na melhor idade, e muito menos, tornar-se mais sábio; mas é inevitável e natural, e deve ser encarado como tal.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

A Emenda e o Soneto



Às vezes, a gente se cansa
De aparar arestas,
Consertar buracos,
Emendar sonetos
E tapar as frestas.

Então, aprendemos
Que a melhor escolha,
É não escolher,
É se recolher,
Não mais opinar,
Não se aborrecer.

Às vezes, a gente percebe
Que o momento passa,
As portas se fecham,
Se empenam, emperram,
E que já não há
Nenhuma abertura.

O melhor é deixar
Lastrar a loucura,
Fechar bem os olhos,
Esquecer as rimas,
Maldizer a métrica
E a harmonia.

Às vezes, as ervas daninhas
Tapam para sempre
Tudo o que restou
Daquele caminho
Voluntariamente
Não mais percorrido.

A distância é tanta
Que já não se cobre,
Que já não há passos,
Apenas espaços
Já intransponíveis
Entre os frouxos laços.

A emenda e o soneto
Já não se conhecem,
E o poema cai
Natimortamente
Na página branca
Sem rima, sem graça,
Lamentavelmente.





terça-feira, 21 de maio de 2013

A Caixa



Quem sabe, talvez  só precise
De uma caixa que me caiba
Quando chegar lá na frente, 
Diante da porta fechada.

Aqui ficarão os meus sonhos,
As roupas, as modas, a casa,
Amigos, família, parentes,
Cabelos, os pelos, os dentes.

Os ossos, as unhas, os sumos
De um corpo que um dia foi gente,
Lá dentro da caixa fechada,
Entre a eternidade e o nada.

Um brinde, uma gota de fel,
Um copo de cólera e mel...
Ah vida, megera indomada,
Ah, morte, o fim da picada!




segunda-feira, 20 de maio de 2013

Fim de Tarde





Aquele cheiro de carros
Chegando na rua,
Cachorros latindo nos portões,
Pais com os pães pendurados nos dedos,
Mães em roupões e pantufas,
Jantar sobre a mesa.

A novela rolando na TV,
Talheres e copos tilintando,
O cheiro da comida escapando pela janela,
A adolescente no quarto, em frente ao espelho,

Sem pensar em problemas,
Apenas nas novas cores dos esmaltes de unha,
Na prova que teria na manhã seguinte,
Em ser uma estrela num banho de espuma,
E no que contar, amanhã, à amiga.

Conversas chegando nas vozes dos ventos,
As ruas vazias, tão cheias de lua,
E de repente, alguém chega à janela,
Olha as estrelas, respira fundo,
Planeja o outro dia,
Silencia.

Era assim.

Orgulho, Cobiça, Competição - Desabafo






Tenho visto o orgulho , a cobiça e a competição deixarem seus rastros pelo mundo, separando amigos, destruindo lares, causando verdadeiros tsunamis na vida das pessoas. Tenho visto pessoas que pensam que ter a última palavra é mais importante do que manter um relacionamento saudável com as pessoas que as cercam. Vejo e lamento. 

Existe nas pessoas um desejo de vingança que extrapola a convivência. Aquele ressentimento que ficou lá no passado é cuidadosamente cultivado por anos e anos, até que haja uma oportunidade de vingança; e mesmo que as coisas tenham mudado, que a vida tenha dado mil voltas e que as pessoas tenham crescido, a vingança é alimentada todos os dias, à sangue e lágrimas.

Existem algumas pessoas que só ficam felizes e só se sentem seguras quando acham que tem 'o controle da situação,' ou seja, o domínio sobre as demais. Usam como lema, o conceito 'Dividir para dominar,' e só ficam felizes quando conseguem seu intento.

Existem pessoas que não tem dentro de si um pingo, uma única gota de gratidão por quem as ajudou em algum momento na vida, e nem sequer conhecem o significado da palavra gratidão.

E o mundo fica mais cinzento, e as relações, cada vez mais corroídas, até que se chega a um ponto em que não há mais volta. O importante, para estas pessoas nocivas, não é ver o bem do outro, não é cooperar para que todos possam ser felizes e darem-se bem uns com os outros, e sim ver a desordem, o desentendimento, a desconfiança espalhados por todos os lugares!

E quem ganha com isso?  Elas pensam que ganham, mas todos perdem. 

A fofoca, a inveja, a competição, as mentiras, o orgulho e a cobiça são as bases morais destas pessoas. É com imensa tristeza que eu vejo coisas ruins, coisas péssimas acontecendo no mundo, e eu penso, "Meu Deus, será que eles não enxergam o que estão fazendo? Como podem se colocar como ícones de moral e exigir perfeição dos outros, se eles mesmos agem como agem?"

O que importa, é colocar uma fotografia sorridente nas redes sociais, a fim de demonstrarem que suas vidas são perfeitas e felizes, quando na verdade, está tudo uma merda. O que importa, é 'ir pra balada,' o que importa, é curtir e ser curtido, compartilhar e ser compartilhado, enquanto espalham o preconceito, a má vontade e a falácia!

Lembro-me que, ao final do ano de 2011, vi um desses astrólogos/tarólogos/adivinhos/e sei-lé-mais-o-que em um programa de TV que dizia que 2012 seria o ano em que as máscaras cairiam; fiquei com aquela frase na cabeça, nem sei porque, mas hoje, eu entendi. Assim como também entendi toda aquela parafernália de fim de mundo que encheu a mídia; é que o mundo acabou mesmo, e nós nem percebemos!

E essas pessoas sentam-se nas poltronas, em suas casas, na hora do jantar, e ficam apontando para a TV, para os políticos desonestos, e falando em qual seria a melhor punição para eles, quando na verdade, elas ficariam muito felizes se pudessem estar lá aonde eles estão, fazendo as mesmas coisas ou até pior!

Me desculpem se eu hoje estou pessimista, mas é assim que eu estou enxergando as coisas neste momento. E a pior coisa (ou talvez seja até bom), é a gente sentir na pele, literalmente, as coisas que estão acontecendo em volta da gente, e não poder fazer nada para mudá-las, pois as pessoas são idiotas e não enxergam, e nem aprendem através das lições que a vida aplica. As coisas estão desmoronando, literalmente, e ninguém nem percebe quando foi que tudo começou, e o que seria preciso para fazer isso parar!

Sinceramente, não vejo saída. É cada um pensando em si, em como lucrar mais, em como enganar o outro, em como dominar, dar ordens, colocar pessoas contra pessoas, fofocar, inventar mentiras para manipular vidas, e depois... bem, depois, elas vão lá para a sua igreja, centro, sinagoga, mesquita e sei-lá-mais-o-que, e de olhares compungidos, pregam o perdão, a bondade e a caridade.


domingo, 19 de maio de 2013

QUEBRAR-SE






Quebrar-se

Não sabia ser inteira; partia-se
Sempre que alguém partia!
E ao quebrar dos laços,
Apenas a alma doía!

Ah, a impermanência
Na qual ela vivia!
Quebrava-se sempre
Que alguém partia...

A vida emendava os pedaços,
Juntava os traços,
fazendo colchas de mil retalhos,
Amarrava as lembranças
Em um triste feixe...

E ela, sozinha,
Fragmentava-se,
Cortava-se,
Quebrava-se
Em mil saudades,
Ao final de cada dia!

Ah, se ela soubesse
Manter-se inteira,
Reconstruir-se,
Costurar-se!...

Quem sabe, até mesmo
Doesse menos
Cada partida,
Cada quebrar-se!

E as memórias
Juntavam-se todas
Aos pés da moça,
Em frente ao fogo,
Sobre o tapete,
Entre as paredes,
Sob as cortinas
E as cobertas,
Na fronha lisa
Quase sem sonhos...

De madrugada,
Alguém partia,
E ela fechava os olhos
Ainda tonta de sono,
Ainda transida de medo,
Até que um dia - bem de repente
Ela partiu.


Uma Menina




Uma menina


Ramo de flor preso na mão,
Ela estava quieta,
Estanque entre o passado
E o futuro.

Tinha medo de que
Um movimento
Desmanchasse a realidade,
Tinha medo da saudade.

Em volta, o tempo crescia,
Mudava,
Envelhecia,
Mas não a menina!

Na pele do braço,
Uma palavra tatuada,
Na menina dos olhos,
Uma imagem bordada.

Pintura da alma
Em cores suaves e calmas,
Uma menina frágil e forte
Que o vento desmancharia,
Mas jamais destruiria!

Seu pó de menina
Ficaria para sempre
Voando pelas estepes,
Ao sabor do vento,

E sua voz encantada
Seria ouvida
Pelo transeunte que tivesse
Uma alma
De olhos azuis.

*

Imagem: um presente de Lady Laura, a quem dedico esta poesia.



A BORBOLETA





A borboleta

As asas ainda úmidas,
Amarrotadas e tímidas
Que devagar, desdobrava
E secava no beijo da brisa...

As cores nacaradas
Aos poucos, reveladas,
As anteninhas esticando-se,
As patinhas esfregando...

Alçou voo num raio de sol,
E se foi, recém-nascida,
Transformada
Em alguma coisa
Bem melhor que uma lagarta


MENTIRA





Mentira


A tua estrela brilha,
Mas é tão fria,
Só de mentira!...

O teu olhar
De superfície lisa
E escorregadia,
De quem carrega apenas
Ironia!

Lágrimas copiosas
Copiadas de algum folhetim,
Desses antigos,
Reprisados nos canais Cult.

Quantas fantasias,
Todas rasgadas!...
Nem sequer serviriam
Ao final cansado
De algum carnaval!



sexta-feira, 17 de maio de 2013

Ninguém Nasceu de Óculos, Mas...


Estou na idade em que os braços vão ficando cada vez mais curtos; as letrinhas começam a embaralhar-se umas às outras, e brincam de esconder por trás das linhas - que andam estranhamente embaçadas. Como é que pode ficar assim, tão 'nublado', numa simples folha de papel?

Adiei, mas não teve jeito: assumi os óculos. Tive que assumir. Já estava ficando constrangedor, corrigir as composições dos alunos esticando o braço e segurando a folha por baixo da  lâmpada. E logo eu, que sempre enxerguei tão bem!

Mas até que nem foi tão cedo; tem gente muito mais nova que eu usando óculos há tempos! Eu já tenho 47. nada mal... é como eu disse para o meu marido: daqui para frente, não vai melhorar nada... fisicamente, é ladeira abaixo. A lei da Gravidade - esta dama impiedosa - começa a fazer mostrar sua força. Os cabelos brancos cismam em dominar os pretos, brotando a intervalos cada vez menores entre uma tintura e outra. God damn it! 

Mas tenho notado algumas coisas boas: ando um pouco - eu disse um pouco - mais paciente. E bem menos ansiosa também. Afinal, compreendi que o que não nos mata, nos deixa mais fortes. E que de nada adianta lutar contra o inevitável: a idade chega para todo mundo, e se até a Meg Ryan envelheceu, por que não eu?!


quinta-feira, 16 de maio de 2013

Alma Invisível






Alma Invisível


Havia alguns lírios brancos brotando bem junto ao muro,
E sobre o mármore escuro, um retrato já apagado
Tão amarelado rosto, onde se via um sorriso
Cedo levado da vida sem piedade, sem aviso...

Havia um vaso de flores sobre a lápide, murchando,
Como se  alma e  perfume,  alguém os fosse levando
O lume da vela acesa a queimar, tal qual as dores
Fincadas dentro do peito como os caules das tais flores...

Havia alguém que rezava, dizendo palavras secas
Molhadas pela torrente de lágrimas tão profusas,
Confusas palavras ditas à sua falecida musa,

Que a ele observava, alguém que não era visto
E que de angústia penava por ser alma invisível
A vagar eternamente num limbo incompreensível.



quarta-feira, 15 de maio de 2013

Oboé





Oboé

A nota vibrou em cada nervo,
Entre cada pulsação,
Enchendo os espaços entre os ouvidos
E o coração.

Um sustenido,
Se enrodilhando, sofrido,
Pingo de lágrima
Caído do oboé.

A noite ouviu,
A música ascendeu às estrelas
Que cintilaram azuis e brancos,
No toque suave e gentil
Das notas retintas...

-Como foi possível
Fazer soar tanta tristeza
De um oboé?



Os Seios de Angelina






Angelina Jolie acaba de passar por uma dupla mastectomia a fim de prevenir o aparecimento do câncer. Ela viveu a experiência, segundo relatos a repórteres, de ver sua mãe enfrentar a doença durante dez anos, e ser vencida. Como os médicos constataram que ela tinha 84% de probabilidade de desenvolver a doença, preferiu fazer a retirada preventiva dos seios. 

 Angelina foi corajosa ou agiu apenas movida pelo medo? Não sei. Não estou na pele dela.  Mesmo assim, acho que eu jamais teria coragem de fazer o que ela fez. Manteria meus seios sob vigilância cuidadosa, mas não os retiraria caso não houvesse evidências da doença já em curso. Acho que apostaria nos 16% de chance de não desenvolvê-la.

Na mesma página onde li a notícia sobre Angelina, descobri que Rita Lee, Sharon Osbourn e a atriz Christina Applegate passaram pelo mesmo procedimento. Sharon Osbourn, que em 2010 passou pela cirurgia aos 60 anos, declarou que não desejava passar o resto da vida com uma sombra a seguindo. Mas não passamos todos a vida inteira com uma sombra nos seguindo?

Acho que existe uma nova indústria em andamento: uma indústria que incute medo nas pessoas, convencendo-as a passar por uma mutilação voluntária a fim de prevenir uma doença que nem sabe se desenvolverão. Daqui a pouco, se as coisas continuarem assim, haverá pessoas removendo parte de seus intestinos, fígado, pulmões, estômagos, etc..., com medo de desenvolver a doença.

Acredito que as pessoas devem tomar todo o cuidado possível, principalmente, as que possuem os genes da doença, e consequentemente, maior probabilidade de desenvolvê-la; mas eu não faria uma cirurgia destas sem ter câncer! 

A morte é a grande sombra que nos segue vida afora desde o momento que nascemos, e não existe nenhuma cirurgia preventiva contra ela.

terça-feira, 14 de maio de 2013

Se Fosse Vazio










Se fosse vazio, 

Não contaria, 

Não seria nada, 

Ninguém veria, 

Sequer seria, 

Não doeria. 

Se fosse um buraco, 


Eu passaria, 

Sem perceber, 

Seguiria 

No caminho 

Onde estou. 


Se fosse vazio, 

a gente encheria 

Com o que quisesse, 

Com o que houvesse, 

E inventaria 

Uma nova história 

Sobre o que restou. 


Se fosse uma nuvem 

Ela passaria, 

Choveria, 

Evaporaria, 

Sem qualquer mancha, 

Qualquer mácula 

No azul. 


Se não fosse nada, 

Seria mais fácil; 

Mas o que dói, 

É o que preenche, 

O que a gente sente, 

E jamais esvazia. 





domingo, 12 de maio de 2013

Nunca Fui Mãe






Nunca Fui Mãe


Nunca fui mãe,
Assim, mãe de ventre,
Mas não quer dizer
Que eu não seja
Uma mãe diferente.

Pois fui e sou
A mãe de gatos,
Joaninhas, colibris,
De muitos cães que já se foram
E de passarinhos,
Que caem dos seus ninhos,
E eu tento salvar...

Fui mãe dos sobrinhos,
Pois levei-os à escola,
Ao médico, ao balé,
Cantei para que dormissem,
Muitas vezes, aconselhei-os,
Alimentei-os,
Ouvi suas piores angústias, 
E mesmo quando eles me esquecem,
Não me esqueço jamais
De nenhum deles.

Fui mãe de alunos
Algumas vezes,
Quando traziam para mim
Seus sonhos despedaçados,
E eu os remendava
O melhor que podia...

Sou mãe de aluguel
Algumas vezes,
E talvez por isso,
Jamais sinta falta
De filhos de sangue,
Ou me lamente
Por não ser mãe biológica.

Pois sou uma mãe
Além da maternidade,
Bem além de qualquer ventre,
De qualquer lógica.

*


A todas as mães, lógicas, biológicas, emprestadas, alugadas, amadas, esquecidas, vivas e mortas, um dia feliz.

Meus passarinhos








Preciso dos meus passarinhos,
Da leveza das asas, 
Das cores suaves das penas...



Preciso do seu movimento,
Ao sabor do vento,
Do canto imaginado.



Deixai-os voar, deixai-os,
Pelas páginas e letras,
Pelas linhas e entrelinhas!



Preciso dos meus passarinhos,
Trazendo no bico
As primeiras letras
De cada poema.


sexta-feira, 10 de maio de 2013

O MAL!!!






O MAL!!!


Com olhos faiscantes,
Arredondava os lábios,
Colando a língua ao céu
De uma boca tempestuosa,
Enquanto dizia
Palavras em polvorosa;
A voz proferia a mesma frase,
Sempre:

"O MAL!!!"

E assim passavam-se os dias,
Sempre de olho nos cantos escuros,
Sempre procurando
O ponto negro
No meio de cada facho iluminado...
E se o vento soprasse, uivando,
Ou uma porta batesse, se fechando,
Uma flor caísse, morrendo,
Os lábios rachados
Iam logo dizendo:

"O MAL!!!"

E nem mesmo se o sol brilhasse,
Se a chuva caísse, lavando tudo,
Se um passarinho, inocente, cantasse,
Veria qualquer outra coisa no mundo,

A não ser o que sempre via,
A não ser o que trazia
Dentro do coração fechado
Que os dedos frios do vento
Tapando os buracos de uma flauta surreal
Faziam soar:

"O MAL!!!"

Morria de medo, morria,
Tinha tanto medo de escuro,
Que nele se escondia 
Para que ele não notasse,
Para que seu pesadelo
Jamais terminasse,
Pois no fundo, gostava de estar
Naquele negrume abissal,
Aonde só divisava

"O MAL!!! O MAL!!! O MAL!!!"


REFLEXÃO

Já muito andei sem enxergar, sem ver, O que me fez e me desfez, a fome... "Ana" é o nome que alguém me deu, M...