quinta-feira, 9 de maio de 2013

Hora de Ir





Existe um velho ditado - e é um cliché, mas um cliché verdadeiro - que fala das pessoas que vem para ficar permanentemente em nossas vidas e das que vem só de passagem. As do segundo tipo são bem mais comuns, mas muitas vezes, bem mais importantes, também.

Acho que elas deveriam ser recebidas com reverência; suas presenças, desfrutadas com alegria, e na hora em que elas precisassem se retirar - para cuidarem das próprias vidas e seguirem seus próprios caminhos - deveriam ser efusivamente agraciadas com a nossa mais pura e verdadeira gratidão.Elas cumpriram sua missão junto a nós, e agora, precisam seguir viagem.

Tentar prendê-las por puro egoísmo, é injusto. Foram nossas amigas quando delas precisamos, e agora, necessitam que demonstremos por elas a nossa verdadeira amizade, deixando que elas escolham o que desejam fazer de suas vidas. E embora não seja fácil para nós, que nos acostumamos às sua presença, continuarmos sem elas, necessitamos compreender que é preciso deixá-las ir, e que temos de ser fortes o suficiente para continuarmos sem elas.

Prender-se a elas, e tentar retê-las, só demonstra a nossa imaturidade e  nosso egoísmo. Pagar amizade e dedicação com desprezo e ressentimento, é a pior coisa que alguém pode fazer a outrem. 

Algumas pessoas acham que, por mais que alguém faça por elas, jamais será suficiente. Querem ter todos aos seus pés, mas nem sequer se incomodam em dar um simples telefonema perguntando se você está bem, se precisa de alguma coisa, se está triste. Usam você, sugam tudo o que puderem de você, te procuram na hora que precisam e depois, te esquecem. E são exatamente essas que se ressentem quando você decide ir cuidar de sua própria vida antes que elas tenham acabado de usá-lo. Para elas, mesmo que você tenha dado muito, sempre, elas só se lembrarão do momento em que você precisou dizer 'Não' ás suas necessidades. Não vale a pena perder tempo com esse tipo de pessoa. Para elas, só elas e seus interesses tem importância, e ninguém mais presta.

Pessoas assim tem a habilidade de cuspirem no prato onde comeram e pisarem nas pessoas que, um dia, as ajudaram. Você só é bom enquanto elas precisam de você para alguma coisa; depois, elas te descartam sem a menor cerimônia ou agradecimento. E ainda falam mal de você! E mesmo que você lhes tenha salvo em uma hora muito difícil, elas jamais sentirão uma gota sequer de reconhecimento pelo que você fez.

A ingratidão é um veneno que afasta as pessoas, destrói amizades e demais relacionamentos - românticos, familiares e de trabalho - e deixa, por onde passa, um rastro de dor e solidão. E o único remédio para a ingratidão, é a humildade; mas infelizmente, humildade é aquilo de que os ingratos menos dispõe.






5 comentários:

  1. Só posso lembrar de Sting: "If you love somebody, set them free". É isso! O importante é nós aprendermos a reconhecer esse tipo de situação, matá-las de fome (não alimentando sentimentos negativos) e seguir adiante o nosso caminho, sem culpas ou falsos amigos. Abraços letripulistas, até!

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  2. Sinto-o assim. Todos os que passam por nós, pela nossas vidas, tem um papel importante e contribuem para o nosso crescimento.
    Da mesma forma como gosto de me sentir livre para estar quando poder, enquanto me for agradável, enquanto me sentir "querido" ... Também gosto, e faço questão, de que os outros sejam livres e fruam, por direito próprio, dessa liberdade.
    Gostei muito!
    beijinho

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  3. Putz, Ana, esse texto tem tudo a ver, sabia? Nossa, tem tanta verdade aí amiga e eu gosto imenso como você as coloca.

    Tem muita gente que cospe no prato que comeu, tá cheio. Principalmente aqui, na
    rede.
    Sabe Ana,tomei tanta borduada na vida real e na cirtual que aprendi a nao jogar mais pérolas aos porcos.
    Sei que me entende...

    Crônica pra lá de boa (como sempre)

    bacios caríssima

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  4. Creio que o melhor caminho é não elevar nossas expectativas quanto a quem por nós passa. Mas até das dores que deixam conseguimos aprender algo. Bjs.

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  5. Ana, lí, relí, trelí essa postagem e ainda estou refletindo sobre ela. Foi um grande "beliscão" no meu coração.
    Não estou pensando nos que sumiram da minha vida, geralmente na pior fase, na hora que eu mais necessitava deles. Penso me perguntando quantas vezes eu fui capaz de fazer o mesmo e agora enfio minha cabeça na areia para não passar vergonha. Claro que não vou ficar caído por causa de minhas falhas, porém tenho que me redimir delas pois se falhei não foi proposital, mas mesmo assim tenho que prestar a atenção nas pessoas que marcam positivamente a minha vida. Nessas horas a gente assusta porque não dá para estar em todos os lugares ao mesmo tempo e nem para dar atenção a todos os nossos grandes e inspiradores amigos.
    Eu até acho que amigo de verdade já perdoou e se a gente não se encontrar por aqui, com certeza estaremos juntos lá no céu. A vida é muito curta!

    Um abraço grande
    Manoel

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