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Mostrando postagens de Novembro, 2012

Poema Seco

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Prefiro molhar-me de lágrimas A viver uma vida seca, Onde os sonhos se esfarelam Sob o toque do martelo.
Prefiro essa rua vazia, essa casa, Prefiro dormir sobre as pedras E sonhar com as asas A vertigem do voo que medra, E perpetra a queda.
Prefiro guardar as palavras, Usar as palavras,  Brincar com as palavras, Prefiro drenar meu rio de mágoas E achar, lá no fundo,  A paz procurada.
Prefiro uma alma lavada, Prefiro a alegria silenciosa E domesticada... Não gosto, não quero jamais A ostentação patética Daquilo que não sou...
Meu poema é seco, Mas sei de onde eu vim, Escolho aonde vou.

Não Duvides!...

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Sou capaz - e tu também De dar a volta ao mundo De olhos fechados Sem sair do lugar.
Posso chorar de rir, Rir de chorar, Pegar a estrela E soprá-la Para que caia brilho Sobre a Terra.
Sou capaz, E não duvides, De desafiar aquilo No qual acreditas, De curar tua alma Com mordidas, Apagar teu fogo Com o isqueiro...
Sei que não soa lisonjeiro, Mas dou-te nova forma Com a ponta do dedo, Abro a ferida, Toco a ferida, Curo a ferida,
Ah, vida bandida!...
Sou capaz, (Mas tu também és) De ser eterna, e desejar Possuir o Nada, E ser tudo, tudo, Que jamais sonhara!
Eu posso criar Um novo mistério, Onde o maior refrigério, Seja a palavra, Ah,  e o inferno Seja a palavra! Eu posso tudo, Tu podes tudo, Podemos nada!

Marés

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Centenas de barcos, Milhares, Estendem as velas Ao vento...
Navegam bem juntos, Destinos? - diversos!... Pretendem chegar A tempo.
Às vezes, alguém Mergulha no mar Com a cara e a coragem, Estranha viagem!
Marés são volúveis, Marés movimentam-se Assentam-se Revoltam-se...
O barco sozinho Se perde no mar, O barco é levado...
E quem mergulhou Bem sabe que pode Morrer afogado...

Cigarras

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Na mata próxima À minha casa, Todos os dias,  À mesma hora, Cantam as cigarras.
É um coral De ensurdecer!... Cantam com força Como se quisessem Despejar a vida toda De uma só vez Sobre o viver!
Cantam com garra E com urgência... Mas pouco a pouco Vão se calando E o dia, vai Escurecendo...
(Dizem que cantam Até morrer...)

*

Sentir

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Deixe Que a vida te toque, Te construa, Destrua, Reconstrua!
Vai ser bom, E vai doer, Fazer rir, Fazer morrer...
Deixe Que te chegue A emoção, Seja qual for,
Sinta O toque da vida De prazer Ou de dor!
Exponha a pele, Fale do medo, Viva o amor, Desmistifique A vergonha de sentir!
Deixe Que a vida te toque, E sinta O toque da vida, Ou serás pedra, E não flor!
*

VERDADE

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A verdade pode ser soprada como uma brisa, ou como um vendaval. Pode ser rio ou tormenta, flor ou espinho, aprendizado ou dor. Tudo depende de como a verdade é proferida, da intenção de quem a diz, da matéria do qual é feito o coração de onde ela brota.
A verdade tem hora certa, e é preciso sensibilidade antes de dizê-la, pois o momento errado transforma a verdade em pura maldade.
Há de ser sincero e cuidadoso em suas intenções aquele que a diz! Pois se não for, ela volta à sua fonte em forma de dor e castigo.
Acima de tudo, antes de se dizer a verdade, é preciso saber se ela é, realmente, a verdade.

Meu Lugar

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Meu lugar e sempre Onde eu esteja inteira, Pode ser em casa, Debaixo da tua asa, Pode ser na beira Da rua.
Depende De como a alma sente...
Meu lugar será Entre o sim e o não, À beira da certeza, Ou do meu fogão, Atrás de uma porta, De frente para o sol, Assim,
Depende Do que vai em mim.
Meu lugar é sempre Entre a cruz e a espada, O certo, o errado, O tudo, o nada, Passo sempre rente, Ou quem sabe, ao largo...
Depende Do tamanho do estrago...
Meu lugar é sempre Onde quero estar... Sei lá... Só não fico onde Você me puser... Acredite...
Ou depende De eu querer ficar.



Fotografar o Vento?...

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Uma tarde fresca e agradável. De repente, a brisa suave, que foi crescendo em intensidade e transformando-se em vento. Eu já disse que adoro o vento. Ocorreu-me fotografá-lo, não em sua forma destrutiva, mas na sua forma mais bonita, ou seja, passando pelas flores e folhas. Acima, a foto de uma flor onde uma das pétalas foi levemente dobrada quando o vento passou. Demorei para conseguir!


Nesta outra, as asas da borboletinha que pousou na grama estão desfocadas, pois consegui bater a foto no exato momento em que o vento as balançou.
E foi isso...

Se Você Não Muda...

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Se você não muda, Nada muda, A paisagem à janela, O sabor das coisas, As lutas...
O amanhecer será Sempre o mesmo abrir de olhos, E o dia será só Mero suceder de fatos...
Se você não muda, Não se transforma, Não aprende, A dor passará sempre rente, E tudo será sempre cinza!
Se você não muda, A palavra 'rotina' Será o sinônimo De 'triste sina,' Ao invés de conter, em si, A grande beleza da vida...
Se você não muda, Tudo será sempre o mesmo, Suas querelas, seus medos, Limitações e doenças...
Não há segredo, É tudo sempre tão simples, Na vida não há disputas Se você sabe e entende Que se você não muda, Nada muda!

Choveu Muito!

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Choveu muito, e por muito tempo Como se o mundo chorasse todas as suas dores! Enxurradas caudalosas formaram-se, E correram como rios pelas calçadas, Formando poças profundas de água (ou de lágrimas?)
Choveu muito, e tão intensamente, Que as gotas faziam vibrar as vidraças! E sobre o telhado, um tamborilar fremente, Na grama encharcada, um pedaço de ninho...
Choveu muito, choveu a vida inteira, Choveu bem intensa e pesadamente... A mim, só restou ficar bem abrigada, E aguardar que a chuva parasse de chorar,  Pacientemente...

Se Você se For...

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Se você se for, Leva o meu abraço, Meu agradecimento, Minha lembrança eterna.
Foi bom ter você Em meu caminho, Ter trocado experiências, E ter crescido Junto contigo.
Se você se for, A vida por aqui Terá menos cor, Adormecerá o sentido...
Mas mesmo assim, entendo Que um dia, todos vamos, E nada pode ser feito Para adiar esta hora!
Nem sei se devo lamentar, Pois da verdade das coisas Do que houve, do que há, Eu nada sei, nada entendo...
Se você se for, Se for este o seu momento, Só quero que você saiba Que foi um prazer conhecê-lo, Que foi honroso poder Partilhar alguns momentos.
Se você se for, Não leve nada daqui, A não ser o nosso amor, Esqueça-se da nossa dor, E vá viver em outros planos, Pois um dia, todos vamos, E quem sabe, nos vejamos?...



Personagens

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Minha mãe contava histórias, Enquanto eu ia engolindo Sem perceber, colheradas De arroz e purê de batatas.
Os meus olhos, fascinados, Brilhavam a cada menção De reis e rainhas distantes, Personagens encantados...
Minha mãe apresentou-me Muita gente da nobreza, Príncipes, fadas madrinhas, Duques, magos e princesas!
Ela um dia deu-me a mão E guiou-me pelas selvas Onde moram os sacis E alados cavalinhos Alimentam-se de relva...
Minha mãe não  deu-me muito, Mesmo assim, mostrou-me  o mundo Onde eu hoje vou morar  Na dor, em silêncio profundo.
Minha mãe, eu agradeço Por aquelas colheradas Que fizeram minha vida Um pouco mais encantada...
E no último momento Na derradeira viagem Vou rever aquelas tardes, Encontrar os personagens...

Erótico ou Caótico?

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Há muitos anos, a mulher vem lutando para ter o seu espaço e sair debaixo dos dogmas e convenções onde foi colocada pela igreja, pela sociedade e por ela mesma - já que é ela a principal responsável pela educação das crianças, pois passa mais tempo com elas, e por isso, são as mães que mais contribuem para a formação do caráter de seus filhos. Se existem machistas, não será porque , após o almoço de domingo, as mães dizem às meninas: "Venha ajudar-me na cozinha," e aos meninos: "Vá assistir ao jogo com o papai?"
Bem, de qualquer forma, viver é aprender, e muito caminho já foi percorrido neste processo de libertação da mulher. E eu entendo por libertação, não o feminismo, que é apenas uma masculinização feminina, uma competição onde a mulher entrou para perder, já que ao invés de definir um lugar para si, tenta tomar o lugar dos homens.
Conquistar um lugar ao sol, não significa tomar o lugar de outrem, mas estabelecer fronteiras e pontos de intersecção, onde se pos…

Hoje Não é Segunda feira - ou: 21 de Dezembro Vem Aí!

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Bom dia a todos!

A felicidade é uma coisa sempre tão simples... após um feriadão que começou na quinta e terminou ontem, uma certeza nos levanta nesta manhã: hoje não é segunda feira! É quarta! Já estamos no meio da semana, que será curtinha, trazendo logo o nosso tão sonhado sábado.

Mês quase terminando, e lembrando que estamos a exatos trinta dias do final do mundo! 21 de dezembro vem aí. Seria interessante que começássemos uma contagem regressiva, e que tentássemos fazer algumas das coisas que estivemos adiando a vida toda... quem sabe, uma viagem, ou ligar para um velho amigo? Sei lá... todo mundo tem alguma coisa que vem adiando fazer.

E mesmo que o mundo não acabe daqui a um mês, estaremos mais completos se usarmos este prazo para sermos um pouco mais felizes.



Meu Caso Com o Vento

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Tudo começou quando eu nasci. Libra é um signo do ar, e portanto, o vento é meu principal elemento. Minha mãe dizia que eu era uma criança distraída, calma, introspectiva. Passava horas brincando sozinha, criando minhas histórias que mais pareciam-se com as novelas que eu assistia na TV, só que meus personagens eram bonecos de papel que eu mesma desenhava e recortava. 
Às vezes, minha mãe dizia que nem parecia que havia uma criança em casa. Eu também gostava de brincar e interagir com outras crianças, mas o vento sempre me levava de volta à minha escolhida solidão. 
Perto de onde eu morava, a algumas horas de caminhada, fica a represa que abastece quase toda a cidade de Petrópolis. Quando o dia estava quente e bonito, as pessoas iam para lá, a fim de aproveitar os muitos poços e quedas d'água que existiam no local, todos muito limpos naquela época. Hoje, infelizmente, a maioria está cercada por favelas, e poluídos por lixo e dejetos.
Certo dia de domingo, após o almoço, a família tod…

Meu Poema

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Meu poema me trascende, E por vezes, Me surpreende... Diz o que eu não sabia, Acordando emoções No fundo de um eu silente...


Poema bom, é o que vem Como uma comporta aberta, E mostra uma alma nua Inunda outra alma incerta.


A rima vem por acaso... Pois o poema se escreve Com tinta de ectoplasma. E o nascer de um bom poema Faz sangrar e faz sorrir, Misturando sentimentos Profusos, em seu parir.


Nem sempre, será o poema Bom para quem o lê, Mas importa que ele seja A clareza de quem o escreve Sobre aquilo que nem vê.

Minha Esperança

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Minha esperança natimorta Nasceu por último E morreu primeiro.
Trancafiei-a numa torre Bem alta,  Aonde apenas as águias podem chegar.
Deixarei lá, a minha esperança natimorta, Em um cantinho esquecido, atrás da porta...
Quem sabe, um dia, Minha esperança natimorta (que já nasceu torta, deformada, sêca e mal-formada), Possa acordar?...

IMAGINA!

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Imagina!... Há uma esperança alçando voo, As estrelas por cima... Páginas brancas que se cobrem De poemas que transcendem A compreensão do poeta Que os escreve...
Imagina!... Deixa correr solta e sem destino A palavra que te nasce Deste voo, desta cisma... haja verdade, haja humildade Para aceitar esses versos Que nunca foram teus...
Imagina!... Quem sabe, veio das nuvens, Ou do coração da vida A qual tu tanto procuras, Visando encontrar a paz, Tentando a felicidade Da qual nunca te aproximas?...
Imagina!... Deixa o vento te guiar E te levar para cima...

Final do Dia

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O dia termina. Novamente. As avenidas estão cheias de pessoas e carros. As padarias estão cheias, e as pessoas se juntam nelas para o último cafezinho do dia. Os pais compram o pão. As crianças de uniforme compram os sonhos e pães doces. 
Os ônibus estão cheios, e as lanternas avermelhadas dos carros colorem o crepúsculo. 
Nos bairros, as avós ligam os rádios para ouvir a Ave Maria. Os cães latem nos portões das casas, devido ao movimento de carros e pessoas chegando.Portões se abrem. Pessoas entram. As crianças estão sentadas às mesas das cozinhas e salas de jantar, terminando a lição de casa. As crianças que tem irmãos, brigam. As mães ralham com elas. 
Pelo ar, cheiros de jantares que estão sendo preparados. Fragmentos de conversas. Boas tardes, boas noites. Buzinas amigáveis. Alguém liga a TV. E todos começam a ligaras suas TVs, e as luzes dentro das casas se acendem. Os homens calçam seus chinelos, as mulheres lavam seus cabelos, mandam as crianças tomarem banho, põe as mesas...…

Dia de Princesa

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Encerrou-se oficialmente hoje, às 14 horas, o Dia de Princesa de minha cadela Latifa de Sá Benjor, que teve início ontem pela manhã (dia anterior ao dia da faxina).
No Dia de Princesa, Latifa tem autorização para circular livremente dentro de casa, dormindo nos tapetes, coçando-se no meu soalho, deitando-se em minha sala de estar e fazendo suas refeições na cozinha. Findo o período que antecede a faxina, a carruagem volta a ser abóbora e ela volta a ser cachorro.
Pobre Latifa...

COMANDO

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Mão no leme,



Cabeça erguida 

Olhos presos 

Ao que vem lá do horizonte... 

Tempestades, ventos, 

calmaria, montes 

de icebergs 

De pontas diminutas 

E corpos imensos... 










É o mar que rema o barco,



É o mar o comandante... 

Jamais a lugar algum 

Se chega depois, ou antes...

Choveu de Madrugada...

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Durante a noite, acordei com uma ventania  e o barulho da chuva  sobre o telhado. Gostoso, estar debaixo das cobertas, enquanto chove lá fora! Dá uma sensação de puro aconchego.
Agora de manhã, quando acordei, ainda estava chovendo. Mas agora, parou. Comecei a minha rotina diária, de fazer café e de cuidar de cães e pássaros. Quando fui pendurar as garrafinhas dos beija-flores, de repente, uma forte brisa fresca começou a soprar. Fechei os olhos, e deixei que ela soprasse através de mim. Por um instante, foi como se eu tivesse me tornando transparente.
Abri os olhos, e olhei o céu cinzento e pesado, mas com um ar de mormaço de sol querendo chegar. A chuva presente em todos os lugares: nas poças no quintal, pendurada em gotas nas folhas das árvores e plantas, fazendo brilhar os telhados e folhas. Estávamos precisando muito desta chuva!
Os passarinhos parecem mais tranquilos, pois até que a chuva esteja seca, não haverá mais queimadas, e seus ninhos estarão seguros.
Abençoada chuva!

Perigo!

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Existe na vida da gente um momento de grande perigo: e este momento é exatamente aquele em que pensamos ter alcançado a luz.  De repente, achamos alguma doutrina que vai ao encontro de tudo aquilo em que acreditamos, totalmente ou pelo menos, quase totalmente. E nos achamos 'iluminados.' Sabedores da Verdade da Vida. Portadores da luz.
Acho que todo mundo sabe a história de Lúcifer, o anjo mais lindo do céu. Seu nome - Lucem ferre - também significa,  estrela matutina. Tão lindo, que tornou-se extremamente vaidoso e cheio de si. Tão vaidoso, que pensou ser melhor que o próprio Criador, e revoltou-se contra Ele. Tão lindo, iluminado e vaidoso ele era, que pensou que poderia ser um líder, um guia espiritual.
Foi expulso do paraíso, e hoje, seu nome representa O Mal em si, a queda, o anjo caído. O diabo.
Quem se acha portador da verdade, receptáculo de todas as respostas, está tão cheio de convicções, que nada mais cabe dentro si. Perdeu a humildade, o bom senso, a caridade. Poi…

O Espelho do Céu

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O ESPELHO DO CÉU


...E o céu tornou-se verde Pelo musgo do passado, E mergulharam os anjos No lago, em busca das nuvens...
E o teu rosto refletia-se No espelho daquelas águas, Eu pensei que tu voltavas, Eu pensei que tu voltavas...
E o lago todo enrugou-se Com uma pedra atirada Sobre a sua superfície... O teu rosto ficou triste...
E os anjos, assustados Voltaram lá para o céu, E o teu rosto foi com eles, Restou-me o amor afogado.

Missão

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Percebi Que o caminho Por onde eu me pensava Perdida Era a estrada A mim preparada Pela vida.
Percebi Que a resposta Que eu tanto queria, Era outra pergunta Descansando Dentro de outra, E mais outra, E que todas, juntas, Apontavam a resposta Que eu não via.
Percebi Que a verdade E a mentira Eram apenas Uma questão De geografia, E a mentira era só O que eu, cega, Escolhia.
Percebi Que havia Outras trilhas Ao final das chegadas, E que chegar Afinal, não era nada...
Pois descobri Que aquilo que eu buscara Na ânsia de cada dia A vida toda, Na verdade, me seguia...

Brisas e Plumas

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Asas de ouro Pesadas Não alçam voo... Levam penas, Duras penas...
O vento só aceita Penas e plumas Rarefeitas, Que a brisa, em sopro, Alça às alturas.




Tudo Cala!...

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Tudo cala, E fica bem mudo: A saudade maior, O amor deixado, O amor roubado, A solidão, A chuva no telhado, O medo do escuro, O muro A separação, O coração quebrado,
Tudo cala, E fica calado, O emprego perdido, A injúria, O desejo forte Não realizado, O sonho abortado, A dor de uma perda, O tapa na cara,
Tudo cala, A dor do abandono, O sol escaldante Que seca as colheitas, As desfeitas, O ser desprezado, O chute na alma, A doença sem cura, A usura,
Tudo cala, E fica bem quieto, Até mesmo a morte Diante da sorte Daquele que chora Por saber-se Condenado, Sem sol no horizonte, Ou água na fonte, Uma dor sem nome...
Tudo cala, E fica calado Diante da dor  De quem sente  fome!
*
A fome do corpo é maior que a fome da alma. É uma dor sem consolo, e quando sem esperanças, é ainda mais terrível, pois quem morre, vê-se morrer por algo tão básico, comum, tão cliché... um prato de comida, apenas um prato de comida.

Conclusão

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Talvez um dia Concluas Que aquelas luas Que vias Andando à toa, nas ruas, Eram só uma.
Tua vista Dividida, distorcida, Partia a lua, Partia a vida, Partias, Ausências doídas...
Talvez um dia Me olhes E vejas Que afinal, sou bem menos Pesada, em tua peleja, Bem mais amável Do que desejas...
Talvez um dia, o monstro Que tu criaste, Te olhe , enfim, E as pupilas Sejam bem claras, Não ferinas...
Talvez um dia, tu cheires A flor temida Da vida E descubras Que o perfume Era doce O tempo todo, Embora os pés Pisem o lodo.
Talvez um dia  Percebas Que afinal, sou apenas Uma alma Como tantas Que guarda em si a criança Adormecida Com a qual lutas.
Talvez um dia concluas (Quando eu não mais estiver) Que eu era doce, Que me amavas, Talvez tu sintas A minha falta No do coração Que hoje te falta.

*