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sexta-feira, 24 de abril de 2026

VOZES



 

 

 

 

Existem mil vozes na tua cabeça.

Algumas gritam, outras sussurram,

Algumas pedem que tu lembres,

Outras, exigem que tu esqueças.

 

Existem mil vozes na tua cabeça.

Algumas vivem no presente,

Outras arrastam-se no passado

E estas te acorrentam e te prendem

Ao que deveria ser esquecível,

Àquilo que foi malogrado.

 

Existem vozes sem sentido,

Algumas, são zombeteiras

Mas não fazem muito ruído,

Só pingam como goteiras

Sobre o teu telhado de vidro.

 

Existem vozes do futuro

Que cruzam as ruas vazias e escuras

Chutando latas sobre o asfalto

Para chamarem a tua atenção,

Já que não sabem falar alto.

 

Existem vozes que nem te conhecem,

Mas que nunca te dão paz

Como se fosses o único assunto

Que elas têm como desculpa

Para sobreviverem no mundo.

 

Existem mil tipos de vozes

Felizes, tristes, caladas, mortas,

Vozes sublimadas, volumosas,

Vozes  ferinas e atrozes

Que sofrem de artrose.

 

Existem as vozes vestidas de intrigas

Que às vezes sopram-te mandigas,

Vozes mendigas, vitimizadas,

Que querem tudo, mas não dão nada.

 

Existem mil vozes na tua cabeça,

E elas são tantas, e eu me pergunto:

Qual delas escutas, qual delas esqueces,

Quais delas te entendem ou te aborrecem,

E das que te seguem pela rua...

-Qual delas é a tua?

 

 

 

Ana Bailune

NO MEIO DO CAMINHO

 




NO MEIO DO CAMINHO

No meio do caminho sempre parado,
Sem saber se vai, sem saber se fica,
Se quer seguir à pé, ou se toma um barco,
Enquanto a chuva e o sol se intercalam
Os dias gritam e as noites se calam.

No meio do caminho, rosto retorcido,
Algo tão bizarro, entre lágrima e riso,
Os pés invertidos feito um Curupira
Braços encolhidos - protegendo o rosto
Ou a mentira?

No meio do caminho ficarás, vazio,
Pois seguirei em frente sem olhar para trás
Porque o meu adeus, embora tardio,
Tem sobre ele um selo escrito: "Nunca mais!"














terça-feira, 14 de abril de 2026

DISTÂNCIA





Quem é a sinistra sombra


Aquele espectro indistinto


Presença fantasmagórica


Na bruma do que restou?


Quem é aquela que te segue


Ou que arrastas por aí


Há tanto tempo, que nem sabes


Que ela já se afastou?


Ela é só um esqueleto


Cuja voz ignorada


Finalmente, se calou.


E o coração pisoteado


Da tanto não ser ouvido,


Finalmente, se fechou.




💜

Ana Bailune


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