Transformou o pano negro sobre o rosto
Em céu de veludo estrelado,
E a palidez de um luar malogrado
Em aconchego para um coração cansado.
Transformou a lama em solo fértil,
E a estiagem do deserto em paisagem,
Transformou a própria ausência em viagem,
E a ausência alheia, em poesia.
Transformou a solidão em mansa alegria,
Construiu com cada “não”, um novo dia,
Que a levou ao que de fato a agradava,
Transformou cada dor em uma escada.
Com o dorso da mão, desfez as teias
Que prendiam os seus passos no caminho,
Na árvore mais seca, fez seu ninho
Alimentando-a com a seiva de suas veias.
E de repente, a paisagem ressecada
Virou um caminho verde, uma estrada,
Um lugar no qual ela hoje descansa
E semeia, hoje e sempre,
A esperança.

