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sábado, 1 de agosto de 2026

A ALQUIMISTA

 



 

Transformou o pano negro sobre o rosto

Em céu de veludo estrelado,

E a palidez de um luar malogrado

Em aconchego para um coração cansado.

 

Transformou a lama em solo fértil,

E a estiagem do deserto em paisagem,

Transformou a própria ausência em viagem,

E a ausência alheia, em poesia.

 

Transformou a solidão em mansa alegria,

Construiu com cada “não”, um novo dia,

Que a levou ao que de fato a agradava,

Transformou cada dor em uma escada.

 

Com o dorso da mão, desfez as teias

Que prendiam os seus passos no caminho,

Na árvore mais seca, fez seu ninho

Alimentando-a com a seiva de suas veias.

 

E de repente, a paisagem ressecada

Virou um caminho verde, uma estrada,

Um lugar no qual ela hoje descansa

E semeia, hoje e sempre,

A esperança.







 

 

 

Um comentário:

  1. Amiga Ana,
    É maravilhoso reencontrar você e os teus versos. Versar que interpreto como o ato de remover obstáculos difíceis, de "desenredar as teias"... de encontrar abrigo ou vida onde parecia haver apenas morte.
    Tuas palavras captam a superação de adversidades e a transformação pessoal diante da solidão, uma solidão que se manifesta de várias formas, mesmo para aqueles que não estão sozinhos.
    Beijos!!!

    ResponderExcluir

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