Caiu a pedra do anel na beira da estrada,
E você não viu.
Ficou a pérola perdida em um canto da vida,
E você sequer sentiu.
Olhos presos ao céu, procurando tempestades,
Caminhou para longe, refugiando-se em seu mundo.
Nem sequer notou as rosas que brotavam na paisagem
E que seus próprios pés insensíveis
Sem dó, pisoteavam.
Um riso sardônico, um tanto satânico num rosto de pedra,
O olhar insensível, distorcido,enviesado, a vista rasa
Sequer enxergou o quanto se afastava cada vez mais
Da acolhida amorosa daquela pequena casa.
Com uma arrogância que jamais medra e um coração sempre arredio,
Continuou pisando as rosas e se afastando,
Ostentando no dedo aquele anel vazio.
Mas um dia a esperança se cansa de renascer,
E exatamente como aquelas rosas, começa a se deixar morrer.
De vez em quando, alguém experimenta olhar para trás
Para descobrir que o passado já nem pesa mais,
(Sem compreender que isto não é, exatamente, uma alegria).
E a pérola caída, levada pela chuva,
Retorna ao mar, e à sua ostra segura,
Que há tanto tempo
Estivera vazia.
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