witch lady

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quinta-feira, 23 de julho de 2026

A OSTRA

 

 


 

Caiu a pedra do anel na beira da estrada,

E você não viu.

Ficou a pérola perdida em um canto da vida,

E você sequer sentiu.

Olhos presos ao céu, procurando tempestades,

Caminhou para longe, refugiando-se em seu mundo.

Nem sequer notou as rosas que brotavam na paisagem

E que seus próprios pés insensíveis

Sem dó, pisoteavam.

 

Um riso sardônico, um tanto satânico num rosto de pedra,

O olhar insensível, distorcido,enviesado, a vista rasa

Sequer enxergou o quanto se afastava cada vez mais

Da acolhida amorosa daquela pequena casa.

Com uma arrogância que jamais medra e um coração sempre arredio,

Continuou pisando as rosas e se afastando,

Ostentando no dedo aquele anel vazio.

 

Mas um dia  a esperança se cansa  de renascer,

E exatamente como aquelas rosas, começa a se deixar morrer.

De vez em quando, alguém experimenta olhar para trás

Para descobrir que o passado já nem pesa mais,

(Sem compreender que isto não é, exatamente, uma alegria).

E a pérola caída, levada pela chuva,

Retorna ao mar, e à sua ostra segura,

Que há tanto tempo

Estivera vazia.

 

.

.

.

 

 

Ana Bailune

3 comentários:

  1. Aplaudindo tão bela e reflexiva poesia,Ana! Adorei!
    beijos,chica

    ResponderExcluir
  2. Uma poesia de rara beleza no quesito reflexão dos comportamentos humanos. A joia vazia refazendo os passos esquecidos numa estrada outrora florida e amarga a secura de sua vida vazia.
    Muito lindo Ana.
    Abraços e feliz fim de semana.

    ResponderExcluir
  3. Bom dia:- Poema deslumbrante que amei ler. Elogiável criatividade poética.
    .
    Saudações poéticas
    .
    “” FELIZ FIM DE SEMANA ““
    .

    ResponderExcluir

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