domingo, 31 de outubro de 2021

Inesquecivel

 




As pessoas que ficam são aquelas que a gente não esquece. E o que torna alguém inesquecível? É  o brilho no olhar que fica quando a pessoa contempla tudo como se fosse pela primeira e última vez. É  a maneira de tratar todo mundo como se fosse especial e perfeito, aceitando as diferenças e não se demorando nos defeitos.


É  a gargalhada solta e espontânea,  o batucar de leve com os dedos ao ouvir uma música ,  a mania de fazer sempre o que quer, de não reclamar tanto da vida - mesmo quando se está diante da possibilidades perdê-la. 


O que torna uma pessoa inesquecível é a mania de tentar sem desistir, mas de saber a hora de parar porque não há mais nada a se fazer, e aceitar com coragem que acabou. É  o permanecer sempre grato, mesmo diante das dificuldades, e ao perder a fé,  desmoronar e quebrar tudo em volta, respirar fundo logo em seguida e consertar tudo de novo com um sorriso de esperança. 


O que torna alguém inesquecível é sua capacidade de esquecer e perdoar mesmo as piores coisas, e estar sempre pronto a recomeçar. 


Uma vez, conheci alguém assim. Jamais serei como ele, mas mesmo assim, se hoje sou alguém um pouquinho melhor, é por causa dele. Ele já não está mais nesse mundo, mas fará sempre parte.


#alguém especial

#inesquecível 

#pessoasespeciais

quinta-feira, 21 de outubro de 2021

DEUS SALVE A RAINHA

 



Recentemente, Dona Beth, a rainha da Inglaterra, surpreendeu a todos (e eu a aplaudo por isso) ao recusar o prêmio de mulher mais velha da Inglaterra. Ela alegou que a idade está na cabeça (o que eu discordo totalmente, basta olhar para enxergar). Aos 95 anos de idade, ela parece estar firme e forte, saudável e muito lúcida. Ouvi dizer também que o médico da rainha se atreveu a querer proibi-la de tomar bebidas alcoólicas, o que ela também se recusou a obedecer.

Eu não gostaria de ficar demasiadamente velha por uma questão prática: não quero depender de ninguém e não quero permanecer muito tempo vivendo como uma idosa nesse planeta preconceituoso. E, não sendo eu a rainha da Inglaterra, ser velha não seria tão divertido. Porém, caso Deus me contrarie e decida me pregar uma peça me obrigando a ficar aqui durante muito mais tempo, se um médico qualquer quiser me proibir de comer isso ou aquilo, ou beber isso ou aquilo, eu alegremente o mandaria cuidar da própria vida.  Porque, qualquer pessoa que chegue mentalmente lúcida e fisicamente saudável aos 95 anos de idade, obviamente não precisa da opinião de ninguém.

Eu, que nem sou tão velha assim, já sinto aquela falsa simpatia das meninas jovens quando eu entro em uma loja; elas mudam o tom de voz e começam a falar como se eu fosse retardada mental: “Já foi atendida, querida?” Quando isso acontece, eu engrosso logo a voz: “Se eu precisar eu chamo, obrigada.” Se tem uma coisa que me irrita, é a infantilização do idoso, a fala demasiadamente macia ao se dirigirem a eles, as opiniões preconceituosas sobre o que os idosos devem/não devem fazer, os adjetivos pejorativos ditos entre sorrisos falsos, como “querida,” “fofinha,” “gracinha,” etc. Mas a pior coisa, é quando duas pessoas conversam sobre o idoso como se ele não estivesse ali: “Já deu o remédio da mamãe?” “O vovô já almoçou?”

E o que dizer dos filhos que têm a mania de agir como se os pais/avós já estivessem mortos, entrando na casa e dando ordens, tomando decisões arbitrárias sobre tudo, repartindo a herança, gritando com eles como se tivessem cinco anos de idade e fosse surdos?

O que me consola, é que essas pessoas também vão envelhecer. E tendo seu comportamento observado e assimilado por seus próprios filhos, elas não perdem por esperar.




quarta-feira, 20 de outubro de 2021

A FÉ DO ATEU

 




Ontem eu estava assistindo a um vídeo sobre espiritualidade no YouTube, quando dois rapazes inteligentinhos entraram e começaram a detonar a entrevistada em questão. Um deles se dizia ateu, o que me fez questionar o motivo de ele estar assistindo àquele vídeo. O outro se dizia umbandista mas chamava a entrevistada de mentirosa porque as coisas nas quais ele acreditava eram diferentes das dela, e ainda quis posar de intelectual ao dar aulinha (tipo copiar e colar do Google) sobre física quântica, a fim de melhor cancelar a senhora médium.

Claro, aquilo para mim foi o início de mais uma tetra cibernética. Eu disse a ele: "por que as crenças dela são absurdas só por não serem cientificamente comprováveis, se a sua religião acredita que cantar determinadas músicas faz com que espíritos "desçam" e tomem o corpo de uma pessoa viva? Onde está a comprovação científica na sua religião?" Claro, ele se ofendeu.

E eu disse que tinha feito de propósito para que ele se colocasse no lugar das pessoas que tinham fé naquela médium e que estavam vendo ele tentando acabar com ela. Mas não adiantou nada, é claro, e daí entra o tal ateu para dizer que a religião é desnecessária e que os humanos também não são necessários à sobrevivência do universo. Nisso eu concordo com ele, mas até que deu vontade de sugerir a ele que se jogasse debaixo de um carro, já que, segundo ele próprio, sua vida é irrelevante.

Por que questionar a fé alheia? Não acredita, cale a boca. Pelo menos respeite. Quem paga dizimo o faz porque quer, quem acredita em religião, seja ela qual for, tem todo o direito de acreditar. O que faz as coisas acontecerem, eu disse a eles, é a fé, não a religião. Mas é claro que eles não entenderam e partiram para as tentativas de ofensa pessoal baseadas na ciência.

Me retirei, pois onde a grosseria impera, acabaram os argumentos. Conheço muitos ateus melhores do que a maioria dos religiosos que já conheci, mas idiotas existem em todas as linhas.






sábado, 2 de outubro de 2021

SOB A ONDAS

 



Mistérios submersos,

Inconfessos,

Brilhando de tanto sal,

Que seca nos versos...


Marulhos quase inaudíveis

No movimento das ondas,

Sereias desfazem suas tranças

Oblongas.


Eu me sento na areia

E não tento compreender...

Há muito não sei nadar,

Temo perecer.


Netuno silenciou

As vozes, com seu tridente,

A palavra se afogou

No coração da gente.






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    Voz que viaja, se erguendo De sustenido a sustenido Mas nunca chega a um par de ouvidos.   Voz que se eleva, e que grita, Aflita, inflam...