segunda-feira, 28 de novembro de 2022

VOZ

 




 



Voz que viaja, se erguendo

De sustenido a sustenido

Mas nunca chega a um par de ouvidos.

 

Voz que se eleva, e que grita,

Aflita, inflama as amídalas,

Faz racharem as xícaras

E os copos

Na cristaleira de vidro.

 

Voz que ecoa, e se ergue

Com força

Num peito vazio,

Onde os ecos se sobrepõe,

E se repetem, incontidos.

 

Voz que chora, e se desfolha

Qual margarida entre os dedos

De alguém indeciso.

Voz que se cala, finalmente,

E que adormece, infeliz,

Em um calado grito

Que estanca, mas desagua em cascatas

Sobre o travesseiro, perdido.




 

sexta-feira, 25 de novembro de 2022

TRISTE VERDADE

 



 

 

Sejamos realistas: algumas batalhas são ganhas e outras perdidas. Ora desse povo acampado em frente aos quartéis voltarem para casa. Não existe nada lá para a Direita brasileira. As pessoas estão perdendo seu tempo alimentando falsas esperanças – muitas vezes, fomentadas por canais do YouTube sensacionalistas em busca de ‘likes’ e seguidores.

No caso de Bolsonaro e das urnas eletrônicas inauditáveis, ele confiou no respaldo das Forças Armadas. Entretanto, já não se fazem mais Forças Armadas como antigamente, e esses generais deveriam trocar suas fardas por pijamas de bolinhas cor-de-rosa. Mas continua o povo iludido nas ruas, acampados em frente aos quartéis clamando por um deus que não existe e achando que esse deus os ouvirá, quando os únicos que poderiam ajudar, se acovardaram.

Não acho que as eleições devessem ser anuladas. Se Lula está lá, é porque o povo merece exatamente isso, e quem sabe, esses quatro anos de PT sejam necessários para que aqueles que ainda acreditam neles se desiludam de vez. Não acredito no acaso.

Porém, existem algumas pessoas que se acham donas do poder, representadas por um ditador que se denominou o proprietário do país, e estas pessoas deveriam ser presas, e as chaves, jogadas no lixo. Para isso – e apenas para isso – eu acho que as Forças Armadas deveriam ter feito uma intervenção, já que o senado não passa de um bando de covardes com rabos presos.

Muitos dirão que isso seria inconstitucional; mas a nossa constituição já está sendo utilizada como papel higiênico há muito tempo. Ela foi reinterpretada, rasurada, amassada, e finalmente, rasgada e queimada.

Não vejo nenhuma solução. Acho que o povo deveria recolher sua esperança e voltar para casa a fim de aproveitarem seus últimos dias de liberdade, pois ao amanhecer de 2023 poderemos nos surpreender com as Forças Armadas rebaixadas à guarda nacional particular do PT e batendo continência ao Lula. Sinto muita pena de nós. Lamento profundamente por um país riquíssimo, que sempre teve tudo para se tornar o melhor do mundo e que nunca conseguiu devido à corrupção e ao egoísmo de alguns.

Concordo com quem diz que é uma luta do bem contra o mal, mas não é como nos filmes, quando o bem sempre vence. Aqui é a vida real. Já vimos o mal vencer e se alastrar inúmeras vezes. Basta ligar a TV ou o YouTube e vemos notícias sobre guerras, corrupção, assassinatos. O Mal venceu, como acontece na maioria das vezes. E isso vai continuar acontecendo enquanto a maioria das pessoas se alinharem com o Mal.

Admitimos que um criminoso corrupto fosse novamente erguido à posição de presidente  desta nação, e agora nada mais há a ser feito. E nem adianta rezar; Deus também se cansa dos imbecis.

terça-feira, 15 de novembro de 2022

UM DIA INTEIRO

 


 

 

Não consigo dormir até mais tarde, e à medida que envelheço, tenho a impressão de que meus dias estão começando cada vez mais cedo. Hoje, feriado de 15 de novembro, abri os olhos à 4:45 da manhã e não consegui mais dormir.

 

Os sons dos passarinhos na árvore à janela do quarto me atraem feito um ímã. Logo, a luz avermelhada do sol começou a entrar através das cortinas. Peguei meu Kindle e fui sentar-me na varanda para ver o sol nascer – e ele nasceu lindo, entre nuvens pesadas  cinzentas e arredondadas, caprichosamente formatadas pelo vento. Olho para as copas das árvores e vejo que as criaturas da natureza despertaram bem mais cedo do que eu – sabiás na lida, maritacas voando em bandos pelo céu, meu casal de tucanos, que fez ninho em um tronco de árvore morta, se esforçando para alimentar o filhote. Bem-te-vis cantam, trocando mensagens à distância. As cambaxirras andam pelo muro com seu filhotinho, que bate as asinhas pedindo comida.

 

Olho lá para baixo e vejo Mootley, meu cachorrinho, caminhando pelo jardim. Faço silêncio, pois se ele descobrir que já estou acordada, fará um escândalo, e isso acordará minha outra cachorrinha, a Leona, e ambos passarão a latir e esmurrar a porta da cozinha até que eu vá até eles.

 

Gosto de acordar sempre cedo, pois na minha opinião, dormir até tarde é viver apenas a metade do dia, o que significa, no final das contas, viver pela metade. O dia será longo, e haverá muitas tarefas a serem feitas: preciso limpar a geladeira e passar a roupa. Preciso cuidar do almoço e também preparar as minhas aulas para amanhã. E quanto mais cedo eu começar, mais tempo livre eu terei no decorrer do dia.

 

Tive tempo até mesmo de escrever esta breve crônica.

 

Bom dia a todos.

 

 



quinta-feira, 10 de novembro de 2022

VAI, CARAMELO!!!

 


 

Só nos resta rir (enquanto podemos), nesse país onde tias do zap enroladas em bandeiras do Brasil e pessoas de meia-idade são tratadas como nazistas e facistas quando se manifestam, e as quadrilhas do MST que invadem propriedade privada e assassinam gado à pauladas, são a turma do "amor." 

 

Vamos rir, afinal, este é um país onde a Constituição virou papel higiênico e aqueles que deveriam defendê-la, seus usuários.

 

Na verdade, as tias do zap têm mais culhões do que aquele pessoal lá do senado, e também são mais resistentes do que muito cabra macho por aí. Voltem para casa, tias, porque daqui a algum tempo, aqueles que as xingam de nazistas e duvidam da sua capacidade cognitiva, estarão em suas portas, mendigando por comida.

 

Escondam o Caramelo.



segunda-feira, 7 de novembro de 2022

MEMÓRIAS

 



Um pano branco, ou simples névoa,

Um vento solto sobre a relva,

Nuvem passando e indo embora

Apaga os traços da memória.


A gente esquece pra viver,

Porque “Reter é perecer”

Na solidão das águas claras

Flutuam as palavras raras.


E elas brincam de esconder

Entre as montanhas, nuvens, flores,

Guardam consigo as sementes

Do que morreu das nossas dores,


Para que um dia, replantadas,

Na terra fértil que ladeia

As curvas dessa nossa estrada,

Sejam história a ser contada. 




segunda-feira, 31 de outubro de 2022

ERVA DANINHA





A erva daninha crescia, devagar,

Junto ao muro de pedra.

Todos os dias, alguém vinha,

Puxava a plantinha,


Arrancava, sem dó,

A erva daninha.

Mas o que esse alguém não sabia,

É que as raízes cresciam, felizes,


Por baixo do solo,

Se espalhando,

Sem ninguém notar,

Indo crescer em outro lugar.


 E é esta a história 

De nossas vidas.




 




 




sexta-feira, 28 de outubro de 2022

SÍNDROME DE ESTOCOLMO

 

 


Em 23 de Agosto de 1973, o assaltante Jan-Erik “Janne” Olsson, munido de explosivos e uma metralhadora, entrou na filial do Kreditbanken, na praça de Norrmalmstorg, centro da capital sueca. Após seis dias de sequestro aos funcionários e clientes de um banco, estes começaram a se identificar com os ladrão e seus comparsas. No último dia do sequestro, a polícia conseguiu dominar os bandidos, que estavam sendo PROTEGIDOS pelos seus reféns. A despedida entre eles se deu com abraços. Desde esse episódio, a psicologia identificou a síndrome de Estocolmo, que é a cumplicidade entre vítimas e seus abusadores.

Anos depois, em 1975, Patricia Hearst, a neta de um rico magnata americano, foi sequestrada por um grupo terrorista e ficou dois meses sendo dominada por eles, ameaçada de morte, e muitas vezes, trancada em um armário. Porém, ela passou a desenvolver empatia por seus captores. Para surpresa de seus familiares, ela apareceu sendo filmada durante um assalto de banco junto com os terroristas, portando uma arma, e usando o codinome “Tania.” A polícia então passou a procurá-la, não como vítima, mas como cúmplice, e quando ela foi finalmente capturada, suas palavras foram: “Digam a eles que eu estou feliz. Digam a eles que eu estou sorrindo.” Sendo neta de um milionário, ela conseguiu o perdão do Presidente Jimmy Carter e hoje vive rica e feliz em sua mansão. Na época de sua prisão, a fim de escapar, ela alegou estar sofrendo de Síndrome de Estocolmo, e alegou ter sido forçada pelos terroristas a praticar o assalto.

Nos dias de hoje, eu tenho visto novamente as pessoas sofrendo desta Síndrome de Estocolmo aqui no Brasil. Apesar de terem pleno conhecimento de que o candidato da esquerda é um ladrão, tais pessoas continuam dando a ele suporte e afirmando que votarão nele, e algumas ainda alegam coisas como “Ele não vai roubar muito, pois estarão de olho nele” ou então justificam seu voto com frases vazias como “Bolsonaro fala palavrão,” “Bolsonaro é machista/fascista/nazista,” “Bolsonaro disse que não é coveiro.”

Mas Bolsonaro não é ladrão. Apesar do fato de que Bolsonaro, mesmo diante de tanta opressão e boicote aos seus projetos, ter sido capaz de nos fazer atravessar uma pandemia e uma guerra e sairmos do outro lado apresentando crescimento, deflação e queda nos níveis de desemprego, ele e seus feitos não são reconhecidos pelos que sofrem da Síndrome de Estocolmo.

 Mas mesmo assim, acho que o simples fato de que ele não é ladrão, deveria ser levado em conta pelas pessoas de bem. Enquanto isso, o outro candidato é tão ladrão, que rouba até mesmo as ondas do rádio.

Simples assim: não vote em Barrabás. Não lave suas mãos. Tome responsabilidade e faça uma escolha sensata, uma escolha que ajudará a você mesmo e ao seu país a não mergulhar na era negra do socialismo e da roubalheira.

sábado, 22 de outubro de 2022

QUEM CONTROLA VOCÊ?

 

Quem controla Você?

 

Existem algumas perguntas no ar ultimamente, e muitas vezes não sabemos como respondê-las. Não sabemos o que é verdade ou mentira, mas temos o direito e o DEVER de apurar antes de compartilhar qualquer coisa que seja. Mesmo assim, promover censura prévia (listinha de palavras ou termos que não podem ser usados) vai contra a Constituição:

 

Art. 220. A manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo não sofrerão qualquer restrição, observado o disposto nesta Constituição.

§ 1º Nenhuma lei conterá dispositivo que possa constituir embaraço à plena liberdade de informação jornalística em qualquer veículo de comunicação social, observado o disposto no art. 5º, IV, V, X, XIII e XIV.

§ 2º É vedada toda e qualquer censura de natureza política, ideológica e artística.

 

Muitos chamam o Presidente da República de fascista, quando na verdade, nem sabem o significado desta palavra. Temem que ele vá implantar a ditadura, enquanto a ditadura está sendo implantada bem diante dos olhos deles usando o Presidente como fator de distração. 

 

Quer saber mesmo quem deseja implantar a ditadura? Então reflita sobre estas palavras:

 

"Se quiser saber quem controla você, é só observar quem você não pode criticar." (Autor desconhecido)

 

 

Descobriu quem manda em você?

quinta-feira, 20 de outubro de 2022

CALE A BOCA!

 



Cale a boca, Jovem Pan! Vocês estão falando demais, mostrando verdades demais e isso não é recomendável!

Cale a boca, você, eleitor ingênuo, que acha que elegendo o Molusco estará assegurando a sua liberdade de expressão. Hoje, nós somos gentilmente “convidados” a calarmos as nossas bocas; amanhã, serão vocês. Amanhã, quando o caos se instaurar no país, quando não houver comida na sua mesa, quando sua filha de doze anos aparecer grávida, e seu filho adolescente morrer de overdose (pois estas são algumas das pautas Petistas: liberação de drogas, sexualização de crianças e legalização do aborto), você não terá voz para falar. Será calado, assim como estamos sendo agora!

Calem a boca, todos vocês – Jovem Pan, Bárbara Te Atualizei, Brasil Paralelo, Oswaldo Eustáquio, Paulo Figueiredo, Ana Paula Henkel, Augusto Nunes, Adrilles Jorge, Zoe Martinez! Vocês estão mexendo em uma casa de marimbondos de tamanho descomunal, e eles – os marimbondos – estão furiosos e atacando!

Quando um partido político manda calar as vozes contraditórias, isso não é democracia, nem liberdade de expressão. Um partido desses quer dominar você, baixar sua cabeça, calar a sua voz, tirar a sua dignidade através de mentiras e falácias. Um partido que apoia ditatores ao redor do mundo que estão matando de fome as pessoas em seus países, ditadores que estão mandando prender religiosos, não é um partido que prima pela democracia! Quando vocês vão acordar?

Mesmo que você odeie Bolsonaro, será que não enxerga que ele é a única alternativa a transformarmos esse país maravilhoso em uma republiqueta governada por ditadores? É preciso maturidade, é preciso enxergar além! Ninguém aqui está elegendo um amigo para a presidência de um clube esportivo, ou escolhendo marido! É sobre um país inteiro, é sobre mim, é sobre você! É sobre o futuro das crianças e daqueles que ainda nem nasceram!

Quem não levantar a sua voz agora para falar contra essa ditadura, não poderá fazer isso nunca mais! Quem não colocar questões pessoais mimizentas de lado e acordar para o que está acontecendo, em breve vai se arrepender, e será tarde demais. Pois vejam bem, o molusco ainda nem foi eleito, e já tenta fechar meios de comunicação que falam contra ele.

Lembrem-se que ele declarou várias vezes que vai regular a imprensa. Vai calar você.


quarta-feira, 5 de outubro de 2022

EMPATIA

 



Empatia nos dias de hoje é uma palavra que se tornou antipática, pois tem sido usada para propósitos ideológicos. Desenvolvi uma enorme antipatia pela palavra empatia. 

Mas antigamente o significado psicológico desta palavra costumava ser colocar-se no lugar do outro e sentir o que ele sente, compreendendo-o melhor. Empatia nada tem a ver com ser doce (conheço pessoas que destilam açúcar pelos poros, mas têm o coração amargo), falar bonito (as maiores falácias saem das bocas de pessoas letradas, envoltas na maciez de palavras cuidadosamente selecionadas para disfarçar suas verdadeiras intenções), ou fazer aquilo que todos esperam que seja feito (mesmo que isso signifique cometer erros a fim de obter a aprovação alheia). 

Hoje, ter empatia significa pertencer ao grupinho “do bem”, que se senta confortavelmente nos restaurantes caros de países estrangeiros a decidir o futuro de um país ao qual eles nem mais pertencem. Empatia significa concordar com tudo o que alguém faz, mesmo que seja errado, mesmo que seja criminoso, mesmo que tudo seja mentira, pois admitir que passou anos acreditando em uma falácia é algo muito difícil de se fazer. Melhor tentar encontrar justificativas para continuar rezando ao santo do pau oco. Ter empatia é acreditar que alguém que passou ANOS predando um país na maior cara de pau, e que foi preso e condenado por isso (mesmo que tenha sido solto através de uma das brechas da nossa (in)justiça falha), possa, de repente, decidir que vai ter caráter daqui para frente.

Sinto muito, se isso é ter empatia, eu não tenho nenhuma.





segunda-feira, 3 de outubro de 2022

A VITÓRIA DO MAL

 


Ao amanhecer do primeiro turno, acordo com um gosto metálico na boca, cansaço e uma sensação de desânimo. E não, não é covid. Olho em volta e percebo que as árvores estão no mesmo lugar, os passarinhos cantam do mesmo jeito e a minha montanha continua lá, onde sempre esteve, muito antes que eu e minha geração viéssemos a existir. E o céu ainda é essa imensidão misteriosa – hoje coberta por uma macia névoa branca.

Mas essa sensação terrível já me acompanha há algum tempo, é como se eu fosse continuamente seguida por alguém me dizendo o tempo todo: “Não adianta. Essa trégua é temporária.”

Assistindo ao primeiro episódio de O Senhor dos Anéis na Prime Video, muito me impactou a frase de um personagem, uma "elfa" guerreira:

A cena mostra que  ao redor dela havia apenas paz, beleza e cascatas brilhantes caindo em rios cristalinos. Os outros elfos zombavam dela porque, desde a última batalha contra os Orcs que aparentemente, tinham sido derrotados, ela jamais descansava: sempre atenta, sempre de olhos abertos e coração fechado, esperando por algo que todos consideravam exterminado.

Um de seus amigos elfos diz a ela que já estava na hora de relaxar, voltar à paz da Terra dos Elfos, afinal, o Mal tinha sido derrotado. E então ela responde: “Evil never ends. It hides.” (“O Mal não acaba nunca. Ele se esconde”).

Sinto que estamos vivendo exatamente a mesma coisa. Temos aí, iminente, o retorno do Mal. Acho que negligenciamos o poder dele, o tempo todo, achando que por termos vencido uma batalha, tínhamos vencido a guerra. Acreditamos que o poder vem de Deus, que não deixaria coisas ruins acontecerem, quando na verdade, a própria Bíblia nos manda orar e vigiar. Descansamos sobre os louros. Deixamos que o mal comesse pelas beiradas, achando que jogar “dentro das quatro linhas” com quem sempre rouba no jogo nos faria vencer. E estamos perdendo. E vamos perder.

Tínhamos que ter chutado o pau da barraca lá atrás, tínhamos que ter sido mais fortes. Menos falatório e ameaças, mais ação. Não adianta usar verde e amarelo achando que afirmações como “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos” nos manteriam a salvo. Não dá para ser bonzinho no inferno, combatendo capetas.

E sabem o que vai acontecer? Bolsonaro vai perder e Lula voltará à cena do crime. Temos pouco tempo para continuar dando nossas opiniões, pois dentro em breve, tudo será censurado. Estamos vivendo o último mês de nossa pseudoliberdade de expressão, que daqui por diante será censurada, simples e diretamente.

Estamos nos aproximando cada vez mais de situações como as que vivem outros países – Argentina, Chile, Venezuela, Bolívia, Nicarágua. Você que ama seus cachorrinhos e gatinhos, esconda-os enquanto pode, pois logo poderão virar comida na sua mesa. Faça um grande estoque de comida e papel higiênico: vai precisar. Não se esqueça de comprar velas, fósforos e um fogareiro para cozinhar.

Acham que eu estou exagerando? Aguardem.

 

segunda-feira, 26 de setembro de 2022

SOLTA



Eu deixo meus olhos livres

Na paisagem da montanha.

Foco no pôr do sol, 

Presto atenção no vento 

Que passa brincando entre as lâminas

Do gramado. 


Guardo bem dentro de mim 

Tudo o que me constrói,

Deixando do lado de fora

As opiniões, os conceitos 

E as malfadadas setas.


Decidi que não sou alvo,

Mas sim a flecha certeira

Que mira nas nuvens, nas estrelas,

Nas gotas de chuva que formam  alvos

Dentro dos plácidos lagos.


O meu pensamento volátil

Me salva dos robustos monstros,

Me eleva por cima das ruínas

Onde se mexem as criaturas

Que catam no lixo da vida

Seu alimento.


Não acho que eu seja melhor,

Apenas fiz minha escolha

Baseada em equidade:

Um caminho mais vazio, por fora das bolhas,

Bem longe daquilo que chamam

De  vida em sociedade.


Não peço a ninguém que me entenda,

Muito menos, que me sigam;

O meu caminho é o mais difícil,

É só para quem não tem medo

De adormecer sozinho

No degredo.


Ah, criaturas que se mexem

Envoltas em suas ataduras!

Se ao menos olhassem as costas

Que me voltam, nas junturas,

Descobririam, estupefatas,

O nascer das próprias asas!








quarta-feira, 21 de setembro de 2022

EU

 




Eu tenho passado por mim

Inúmeras vezes

Ultimamente.

Estanco meu passo de repente

Fitando a minha imagem que passa,

E ela segue seu caminho

Indiferente.

 

Às vezes, não me reconheço,

Embora eu saiba que ela

Sou eu.

Mas ela vive em outro tempo,

O qual não mereço

E ao qual não mais pertenço.

 

Fantasmas seguem seus passos,

Mas ela, cansando-se deles,

Joga-lhes algumas migalhas,

Tralhas do inconsciente,

Que  eles, de joelhos,

Colhem  pelo chão.

 

Eu tenho dela saudades,

Mas sei que é um amor platônico

-Sempre foi, sempre tem sido,

Sempre será,

Pois os passos de quem fui

Jamais voltam no caminho,

Não olham para trás.

 

Eu tenho passado por mim

Inúmeras vezes

Ultimamente,

E quando eu me olho, compreendo

Que preciso aprender

A me esquecer,

A me deixar ir.




 

 

sábado, 17 de setembro de 2022

BIBELÔ

 



 

Todo dia eu amanheço,

Solto meu canto de dor.

Há quem diga que é alegria,

Há quem diga que é amor.

 

Pulo de lá para cá,

Olho de cá para lá

A paisagem limitada

A que alguém me condenou.

 

Minhas unhas, tão pequenas,

Crescem mais do que deviam,

Enrolam-se feito um fio

Na prisão das minhas penas.

 

Crime algum eu cometi,

Mas fui sempre condenado,

E me deixaram aqui

Esquecido, malcuidado...

 

A minha pequena história

Se arrasta sem piedade,

Não tenho nenhuma saudade,

Já que nunca tive vida...

 

Jamais haverá saída

Para tanta solidão!

Pois enquanto os outros voam,

Só mingua meu coração...


Por minha pequena ração

Diária, jamais serei grato...

Queria colher lá no mato

Aquilo que eu desejasse.

 

Meus sonhos são sobre um dia

Que alguém mais distraído,

Deixaria a porta aberta

E eu, então, escaparia!

 

Todo dia, a mesma sina,

Arremedo de alegria,

Pois alguém prendeu meu canto

Nessa sala tão vazia!

 

Sou um mero bibelô,

Objeto articulado

Sem futuro, sem passado,

Vítima da vaidade

 

Ou quem sabe, da crueldade,

De alguém frio e covarde

Que me usa para alívio

Da sua infelicidade?

 



 

METAVERSO

 



Estive assistindo a alguns vídeos sobre a grande novidade do momento, o Metaverso  (ou seria a Metaverso? Sei lá...). E se você pensa que isso vai demorar para chegar até aqui, é porque com certeza ainda não reparou que, todas as vezes em que você abre seu Instagram, Facebook  ou Whatsapp, ele está lá: um ícone em formato de lemniscata, um símbolo da geometria sagrada que representa o infinito.




Em um dos vídeos que assisti, a protagonista decidiu passar 24 horas utilizando os aplicativos do Metaverso. Ela foi a festas virtuais, participou de reuniões de negócios, seguiu um programa fitness, jogou video games... e até tomou o café da manhã no alto de uma montanha acompanhada por um lhama, que pastava calmamente ao seu lado. Bem, não se pode parar o progresso. E como não desejo ser uma daquelas velhas chatas que não sabem sequer lidar com um celular, vou me atualizando.

Adoro tecnologia, e acho que ela veio para melhorar a vida das pessoas em muitos aspectos, desde saúde e entretenimento até qualidade de trabalho. Porém, nós, os humanos, temos os dedos podres que transformam coisas maravilhosas em grandes porcarias com um simples estalar de dedos. E o grande perigo do Metaverso, na minha leiga opinião, é que as lhamas virtuais e as montanhas de bites substituirão as reais. Pessoas de brinquedo substituirão pessoas de carne e osso. Passaremos horas e horas com aqueles enormes e desconfortáveis headsets (que, acredito, logo serão tão pequenos quanto qualquer par de óculos) na cara, vivendo uma realidade que não existe. Mas... quem pode definir o real do irreal? Uma coisa não se torna real a partir do momento em que foi criada?

Ainda temos muito chão pela frente até que possamos definir as vantagens e desvantagens da vida virtual. Eu por enquanto prefiro o cheiro das montanhas reais, e o toque da grama real nas pontas dos dedos. Gosto de sentir o sol real na minha pele, e andar sob a chuva de água real. Amo conviver com pássaros reais, flores reais, lua e estrelas reais. Nada como sentar lá fora à noitinha e escutar grilos reais, e ver vagalumes reais.

Quem sabe, em breve alguns de nós estejamos protestando em ruas virtuais pela volta da vida real?






quinta-feira, 8 de setembro de 2022

7 de Setembro

 



 


Há muito tempo eu não via uma manifestação patriota nas dimensões da que eu vi ontem. Todos os que estavam presentes o fizeram de livre e espontânea vontade. Finalmente, parece que o povo está aprendendo a valorizar o Brasil. Somos um grande país, mas infelizmente, muitos falam mal de nós lá fora (triste que sejam os próprios brasileiros que façam isso) e dão a todos uma ideia errada sobre nossa grandeza, quando deveríamos nos orgulhar do país maravilhoso que temos. 

Ao visitar alguns países da Europa, voltei para cá achando que nós temos muito, mas muito mais do que eles jamais tiveram. A diferença, é que eles valorizam cada coisa que possuem, enquanto nós não o fazemos - ou não o fazíamos. Os europeus e americanos acreditam que são grandes, e assim, cresceram. Agora espero que seja a nossa vez de mudar nosso "mindset" e começarmos a acreditar no Brasil.

E justamente por acreditar em meu país, jamais darei meu voto a quem o parasitou e depredou por anos. Jamais votarei em um ladrão redimido por um oportuno buraco na lei. Talvez as demais escolhas não sejam aquilo que eu sonhei, mas qualquer uma delas será melhor do que "reeleger um ladrão para que ele volte à cena do crime," como alguém bem já disse. 

Os resultados das pesquisas eleitorais não são verdadeiros, e não refletem a vontade da maioria. O povo nas ruas é bem mais eloquente do que qualquer pesquisa. Se alguns reclamam que o presidente transformou o 7 de Setembro em comício eleitoral, eles têm  razão, pois isso foi justamente o que ele fez; mas as pessoas que lá estavam compareceram por livre e espontânea vontade (ou necessidade). Os críticos deveriam lembrar-se que é bem mais digno fazer campanha eleitoral no 7 de Setembro a transformar o funeral da própria esposa em palanque.


É o que eu penso.


 



 



segunda-feira, 5 de setembro de 2022

ELA




Ela era uma nuvem que passa e ninguém vê,

Um poema épico que ninguém jamais leu,

Escrito à sangue no coração de Deus.


Uma pena soprada por um vento em desatino,

Folha temporã caída da árvore do destino,

Fruta  tão doce que ninguém colheu.


Ela era uma passagem bem no meio do tempo,

Que levava do Nada à Plenitude,

Mas que muitos temiam como a finitude.


Ela tinha cores claras e sempre discretas

Que compunham suas vestes na dor e na festa,

No rosto,  o mesmo riso ante o sol e a tempestade.


Ela não compreendia o que era saudade,

Pois nuvem que passa se derrete e vira rio,

E o frio se transforma novamente em verão.


Ela era o ‘sim’ que se escondia no ‘não’,

O doce reencontro após um amargo adeus,

A canção das estrelas em lenta escansão.


E ela sempre passava, e passando, ninguém via,

Ela era a eternidade vivendo em um só dia,

Era o som da palavra que ninguém ouvia.


E até hoje ela passa, e passando, se vai

Entre passos, poemas, e letras, e estradas,

Deixando as pegadas que nós, distraídos,

Com os pés, apagamos, até não restar nada.








terça-feira, 23 de agosto de 2022

SabatiNADA




Finalmente, após um longo tempo perdendo credibilidade e espectadores, a moribunda Rede Globo de televisão alcançou um grande nível de audiência na noite passada ao sabatinar o atual Presidente da República e candidato à reeleição Jair Messias Bolsonaro.

Até mesmo seus mais ferrenhos opositores estavam assistindo -  e nem adianta dizerem o contrário.

Bem, como espectadora da sabatina e eleitora de Bolsonaro, eu esperava bem mais. Achei que ele fosse colocar os dois jornalistas no bolso como ele fez na última vez em que esteve lá, mas o que eu vi foi um Bolsonaro inseguro, muito pálido, hesitante e educadinho demais. Com certeza, ele teve que pegar mais leve devido às coisas que ele disse no passado, e que ainda tiveram grande repercussão em sua sabatina, mas poderia ter previsto isso e preparado melhor as respostas.

Por outro lado, Bonner e Renata não se referiram a ele nenhuma vez como Presidente da República (ela chegou a referir-se a ele como “Presiden...” mas logo se corrigiu), mas apenas como candidato, o que eu achei de uma imaturidade gritante; queiram ou não, ele é o Presidente. As caras, bocas  e olhares de desprezo e escárnio de Bonner me deram náuseas. O tempo todo, os entrevistadores se colocaram em uma posição superior, o que na minha opinião pegou muito mal, já que quando se convida alguém para sua casa, deve-se se tratar tal pessoa com respeito, seja ela quem for. As perguntas em si foram quase todas infantis, baseadas em ranços do passado e alimentadas por afirmações impensadas do próprio Bolsonaro, ao invés de coisas mais concretas que o povo realmente gostaria de saber. No final dos 40 minutos de sabatina, deram ao Presidente apenas um minuto para as suas considerações finais.

Minha impressão: a sabatina foi podre em perguntas e fraca em respostas. Não acho que Bolsonaro tenha ganho ou perdido eleitores. Não acho que Bonner e Renata foram bem – na verdade, foram péssimos. Foi um triste e insoso espetáculo, totalmente tendencioso, onde jornalistas cegos por ideologia fizeram perguntas idiotas a um candidato amedrontado. Bonner e Renata se esqueceram de que o objetivo de uma sabatina como essa é o de esclarecer seus espectadores, e não de tentar humilhar o sabatinado. Já Bolsonaro perdeu a chance de fortalecer sua imagem junto aos eleitores que já possui e de angariar eleitores indecisos.

Porém, diante das possibilidades que se apresentam no horizonte, prefiro votar novamente em Bolsonaro a eleger um comunista ladrão e criminoso. Não quero ver meu país nas mãos de pessoas totalmente desqualificadas, e não desejo ver acontecer aqui o que tem acontecido em países como Guatemala, Bolívia, Chile, Argentina e Cuba.


 


 




terça-feira, 16 de agosto de 2022

AS PRINCESAS CANSADAS

  

 





Lá estão elas:

Entre pratos e panelas,

Vassouras de palha,

Canteiros de flores,

No pregão da feira,

Ônibus lotados,

Trânsito caótico,

Crianças chorosas,

Maridos sentados 

Com olhos pregados

Nas faces das telas

 

 

Cotovelos colados

Nos beirais das janelas,

Elas olham a vida

E esperam que a vida

Também olhe para elas...

 

As princesas cansadas

Anônimas fadas

Bruxas disfarçadas

Sentam-se, desoladas

Nos degraus das escadas...

 

Lá estão elas,

Cartazes em punho

Procuram motivos

Direitos, pedidos 

A reivindicar.

- Não por convicção,

Mas por necessidade

De alguma emoção...

 

Algumas  disfarçam 

As mãos calejadas 

De torcerem as roupas

(Pois são liberadas)

Mas lavam calçadas,

Apontam cadernos

Com dedos compridos,

Ensinam lições 

A todos os filhos

(Quem sabe, aos maridos).

 

As princesas cansadas

Ajeitam as mechas

Caídas na testa;

Esmaltam as unhas,

Afiam as garras,

Se cobrem de trajes

Modernos e belos,

E limpam as casas

E quaram as roupas

Na parte escondida

Dos velhos castelos.

 

Há Brancas de Neve

Que sempre adormecem

Em caixões de vidro

Sonhando que um dia

Serão despertadas

Por um cavaleiro

De berço tão raro,

E um dia, despertam

Um tanto assustadas

Sob as duras patas

De um grande cavalo.

 

Há belas donzelas,

Sapatinhos de vidro

Um tanto apertados,

Assistem às novelas

Essas Cinderelas

Sonhando sandálias

Ou até quem sabe,

Bem secretamente,

Terem pés descalços...

 

Princesas cansadas,

De de dentro das casas

Elas se observam 

Das suas janelas:

"Quem é a mais bela,

A mais liberada?

 - Aquela parece

Estar bem cansada!

A outra está velha,

A outra é demente,

E a da casa em frente

Jamais vi os dentes..."

 

Tem uma que chora,

E outra que apanha,

Mas não vai embora;

A outra trabalha,

E nunca tem tempo

De vir à janela,

De ver a novela,

De olhar-se no espelho

E se perguntar

Se a vida que leva

É o sonho dela.

 

Tem uma que prega

Que é muito feliz

Estando sozinha,

Alega ser dona

Do próprio nariz,

Alega ser livre,

Ser empoderada

E viver em paz.

Mas tudo é mentira,

Pois sente-se só,

Pois sente que a cama

É grande demais.

 

As princesas cansadas,

Solteiras, casadas,

Ou divorciadas,

Postam suas fotos

Sempre sorridentes,

Não importa se mentem,

Não importa se a vida

Que as está levando

Não está costurada

Nos pontos das plásticas,

Não está congelada

Na mágica editada

No tóxico botox,

Na forma perfeita

Siliconizada.

 

A vida que vai

Não fica parada,

Não se eternizada 

Como uma elegia

Nas fotografias

Por elas postadas.

 

Não sabem quem são,

Não sabem de nada,

Só levam a vida

Que pensam que a outra

Princesa cansada

Tem como perfeita;

Não tiram o pó

E queimam o jantar

A fim de postar

Só mais uma foto,

Só mais uma selfie,

Só mais uma,

Só mais,

Só...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



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