segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

...E Ela Cantarolava...




E ela cantarolava
Enquanto arrumava a casa,
Guardando nos seus lugares
Cada coisa, cada caixa,
Limpando seu coração
E também o nosso chão...
Às vezes, ela gritava,
De pura insatisfação...

E ela cantarolava,
Wando, Iglesias, ou Roberto,
Cortava, assim, as cebolas
Que a faziam chorar...
Cozinhava outro jantar,
Lavava, mas não passava
A dor que ela trazia...
Mesmo assim, ela cantava!

E ela plantava flores
Canteiros que ela cuidava;
Escondia os dissabores
Da vida que ela levava
Por sob os panos de prato
Que no arbusto, ela coarava.
Cabeça cheia de sonhos
Distantes, que ela guardava...

E ela cantarolava,
E eu abria meus cadernos
Sobre a mesa de madeira
Enquanto eu só estudava;
Tanta coisa eu aprendia,
Outras, que eu só decorava...
E ela apontava o dedo
Na página mal-pintada.

E ela cantarolava
Tentando esquecer as perdas
Dos que a morte levava,
Enquanto espanava a sala.
Depois de pronta a comida,
A gente então se sentava
Em frente à Sessão da Tarde;
E assim, a vida passava...

Para Minha Mãe

Às vezes, a lembrança é como um passarinho que pousa na janela.




domingo, 29 de dezembro de 2013

HAIKAIS









Gota de orvalho
Um pequeno milagre
Brilha na folha.










Passa o riacho
Corta a noite ao meio
Levando a lua.










Zilhões de estrelas
Quais sinos cintilantes
Dobrando brilhos.










A joaninha
De um voo de bolinhas
Pousa em meu braço.










Sinos pendentes
Psicografam o vento
Aos meus ouvidos.










De manhãzinha
Um sol preguiçoso
Estica os raios.







Gotas pesadas
Saraivam poças d'água
Balas de chuva.



sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

OITO RAZÕES PARA ODIAR O NATAL





OITO RAZÕES PARA ODIAR O NATAL

TEXTO TRADUZIDO DA INTERNET DO ORIGINAL DE Marc Lallanilla “Eight Reasons to Hate Christmas”

Procurando na rede material natalino para meus alunos, algo que fugisse ao lugar comum e a letra da canção “Happy Christmas” de John Lennon, deparei com esta pérola de artigo em um site, escrito por Marc Lallanilla. O original é longo demais para ser usado em sala de aula, e tomei a liberdade de resumir algumas partes tentando não apagar o brilhantismo do autor.
Quem desejar conferir o texto original, basta ir atéWWW.greenliving.about.com.

Aqui estão as oito razões para se odiar o natal, segundo o autor:

1) Toneladas de lixo natalino
O EPA (Environmental Protection Agency – Agência de Proteção Ambiental) determinou que a quantidade de lixo doméstico nos Estados Unidos aumenta em mais ou menos um milhão de toneladas entre o dia de Ação de Graças e o Ano Novo, e a maioria deste lixo está relacionada às embalagens de presentes de Natal, caixas natalinas, etc... O que acontece a este milhão de toneladas extra? Ele vai para um valão a fim de apodrecer. Visto por uma perspectiva ambientalista, o natal é um desastre não-natural de proporções titânicas.

2) A Música Natalina é lixo
Quantas vezes uma pessoa inteligente consegue ouvir algo como Andy Williams (que jurou que Barak Obama é marxista) berrar “White Christmas”? Quantas vezes em um dia comum pode alguém ouvir as mesmas cansativas canções natalinas soando em cada loja de departamento, mercearia, drograria, shopping Center e loja de informática da América? Até mesmo preciosidades natalinas modernas como “Fairy Tale of New York”, de The Pogues, ou “River,” de Joni Mitchel, tornam-se velhas após 3.892 execuções. Já basta! Cancelem as canções natalinas!

3) As Compras natalinas fedem
A grotesca orgia consumista na qual o natal se transformou é absurdamente estúpida. E sob um ponto de vista econômico, o grau de endividamento causado pelo consumo que acontece entre Ação de Graças e Natal, fariam Calígula corar de vergonha. A quantidade de lixo barato feito na China, freneticamente disputada entre homens e mulheres alucinados é uma forte razão para cancelar o natal imediatamente.

4) O Natal começa cedo demais
Se comemorações fossem doenças, o Natal seria um câncer -um câncer mortal e rapidamente propagável. Ele já tomou a Ação de Graças, espalhando-se pelo Ano novo, e está se estendendo pelo Halloween também. (Na verdade, enquanto eu escrevo, é setembro, e algumas lojas já estão exibindo lixo natalino). Isto significa em média, um terço do ano devotado à perversa imitação do que costumava ser um feriado religioso. E as dívidas de cartões de crédito nas quais afundamos, é claro, duram através do verão e além! Assim, como qualquer especialista em câncer irá dizer-lhe, temos que remover cirurgicamente o tumor crescente do natal, e usar quimioterapia pesada para evitar que as células do câncer natalino se espalhem.

5) Natal X saúde mental
É amplamento aceita a ideia de que os níveis de depressão e suicídio aumentam durante o período de festas. Não é de se espantar: uma tsunami esmagadora de alegria forçada, obrigações familiares e sociais, planos de viagem, altos níveis de endividamento – é um pequeno milagre que mais pessoas não pulem da ponte durante as assim chamadas “Festas de fim de ano.” Sejamos honestos: o natal não é mais um feriado: O natal é o inferno.

6) Eu odeio viagens natalinas
Faça de conta por um momento que viajar é uma experiência relaxante e agradável (Pare de rir!). Se ela fosse relaxante ou agradável, - e todos sabemos que multidões em aeroportos, tráfego nas estradas, atrasos em voos e condições climáticas miseráveis, tornam as viagens natalinas um pesadelo- o impacto ambiental é impossível de se ignorar. Já que a maioria de nossas viagens de fim de ano dependem de quantidades absurdas de combustível fóssil, o planeta seria um lugar bem melhor se todo mundo simplesmente ficasse em casa.

7) decorações natalinas bregas
Mais uma vez, é impossível ignorar o impacto ambiental – e a pura feiura – da maioria das decorações natalinas. Sabe aquelas bolas de plástico baratas que você usa para decorar sua árvore, casa, quintal, carro e escritório? Todas são feitas por pessoas desesperadamente pobres em fábricas chinesas, usando metais pesados e componentes tóxicos. Até mesmo sua árvore de natal artificial contém chumbo. E aquelas luzes natalinas piscando na escuridão (até que a casa pegue fogo) são alimentadas por uma unidade elétrica de carvão que espalha no ar gases que provocam o efeito estufa.

8) Certa vez, eu amei o Natal
Como a maioria dos cínicos, minha amargura nasceu de um amor que deu errado. Certa vez eu amei a época do natal – as luzes, os presentes, a comida, a socialização. É claro, eu tinha seis anos naquela época. Mas recentemente eu passei as festas em Montreal, Canadá, e fiquei chocado ao saber que ainda há lugares onde o Natal é um feriado calmo e religioso, focado na família. Se eu pudesse fazer apenas um desejo de natal este ano, ele não seria uma TV de tela grande ou uma viagem à Aruba; eu só quero o meu natal de volta.

Mas, a não ser que destruamos o monstro no qual o natal se transformou, temo que estejamos condenados a repeti-lo ano após ano, vida após vida, débito após débito, suicídio após suicídio.

Tenha a coragem de juntar-se a mim: cancele o natal imediatamente!


Obs: Eu gosto muito do natal, e se decidi traduzir e partilhar este texto, foi pelo simples motivo de tê-lo achado interessante e engraçado.

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

VERÃO



Foi naquele verão: o sol no azul
Tingindo de bronze a pele,
Biquine branco, debruns de cores,
Mar e ondas, sons e espumas...

Areia erguida qual chicote
Pelo vento forte,
Risos , petecas, bolas, sorvetes,
E o açaí derretendo
Em manchas lilases
Sobre os dedos...

Foi naquele verão: as alegres gaivotas,
Pequenos e tímidos caranguejos,
A pedra molhada, o mar em volta,
A poça salgada e cheia de vida...

E os barcos passavam no horizonte,
Lá longe, onde o olhar se perdia...
E com eles, a alma ia,
Mas nunca chegou...

Mas sei que foi naquele verão:
Naquele, quando a menininha
Olhou sobre os ombros, e viu a lua
Serpenteando sobre as ondas...

Ali, ela soube que jamais saberia,
E a onda trouxe nas espumas
O grampo, com o qual ela prendeu
Aquele dia em seus cabelos.

E ela percorria  a praia
Catando conchas que traziam
Dentro delas, o ruído do mar...
Muitas coisas a aprender
E histórias a contar
Sobre aquele verão
Onde a menina ficou morando...





domingo, 22 de dezembro de 2013

Só Uma Mensagem de Natal




Olá todo mundo!

Tenho andado meio relaxada com meus blogs... essa época é sempre mais difícil: muitas coisas a fazer, compras, faxinas... mas agora, eu entrei de férias. Estarei de férias até 13 de janeiro, e assim, espero colocar minhas atividades internáuticas (ou seria 'internéticas?)  em dia.

Mas, caso eu tenha algum problema ou algo inesperado aconteça - se a luz acabar, a internet cair, ou eu ganhar na Megasena e sair em uma viagem ao redor do mundo, ou se a Dona Morte me pegar, quero deixar aqui meus mais sinceros votos de 


FELIZ NATAL E UM 2014 DE MUITA PAZ, SAÚDE, AMOR E PROSPERIDADE!

Tem sido muito bom interagir com vocês, e saibam que adoro ler e comentar a todos.





sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

ANGÚSTIA




Enquanto escrevo, todas as fibras do meu corpo retesam-se ao ouvir os uivos profundos do cão do vizinho, que é idoso e está sofrendo com seu câncer terminal. Ele é bem cuidado e recebe assistência; seus donos são carinhosos, e o recolheram da rua, como a maioria dos cães que eles possuem. Ele já foi operado duas vezes, mas não há solução para o seu problema, e sua única saída para livrar-se deste sofrimento, é morrer. Precisa usar um daquela colares plásticos enormes e incômodos a fim de não morder as partes feridas pela doença.

Olho para ele, vejo seu estado miserável e irreversível. Latidos alegres de cães não me incomodam, nem mesmo no meio da noite, mas os uivos dele me perturbam imensamente. Eu sei o que faria se ele fosse meu: aliviaria seu sofrimento. Como fiz com meu Aleph, de 14 anos, após o veterinário me confirmar que o caso dele não tinha jeito. Cuidei dele por mais de uma semana, trocando fraldas e colocando-o ao sol, mas quando ele parou de beber e comer, e começou a tossir muito, precisando apoiar a cabeça em travesseiros altos para respirar melhor, eu pedi a injeção letal. Jamais me esquecerei a última vez que eu o olhei nos olhos: o veterinário aguardava na sala, e eu conversava com ele, que me olhava de maneira tão inteligente e profunda, que tive a impressão que ele entendia tudo o que eu estava dizendo. Falei para ele que eu tomara uma decisão dificílima para mim, e que fizera aquilo porque eu o amava muito e não suportava ver seu sofrimento. Acariciei sua cabeça, ele lambeu minha mão. Dei-lhe um abraço final.

Quando voltei, o veterinário disse: "Ele já foi, Ana. O coração dele estava tão fraco, que mal comecei a injetar a anestesia, ele morreu." Esta lembrança dolorida eu vou carregar para sempre. Mas também saberei que fiz o melhor que pude, e quando não pude mais, fiz a única coisa que traria a ele alívio e dignidade. 



quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

AS CARTAS DE JOHN LENNON






Recebi de presente de meus alunos Priscila e Rafael - irmãos - um livro que mal posso esperar para começar a ler e depois, resenhar: As Cartas de John Lennon, de Hunter Davies.

Sabendo da minha Beatlemania, os dois não poderiam ter agradado mais!

Obrigada, Priscila e Rafael. Pessoas como vocês fazem com que a gente se sinta querida e valorizada. Obrigada também pela dedicatória. Se vocês tivessem simplesmente escrito estas palavras em um cartão, sem presente, agradariam tanto quanto me agradaram escrevendo-as no livro.



UMA REDE NA VARANDA





Uma Rede na Varanda


Para ler na rede, tem que ser leve. Tem que combinar com natureza, silêncio, pensamentos como plumas de pássaros. Para ler na rede, tem que ter um balanço suave entre sonho e realidade. 

Assim é o novo livro de Lu Narbot, "Uma Rede na Varanda," que li prazerosamente deitada... em minha rede, na varanda!

As crônicas de Lu são tão bem escritas, que a gente se sente caminhando ao lado dela, enquanto ela nos mostra o seu mundo, o mundo que ela enxerga através de seu olhar às vezes terno e doce, às vezes crítico, às vezes saudosista. narrativas que encantam e fazem relfetir. Crônicas para ler com cuidado, devagar, parando às vezes para olhar as copas das árvores, ou as pessoas passando lá em baixo na calçada (se você morar em um prédio).

Minhas três favoritas:

"O Cão" (não poderia deixar de escolher esta) que narra as aventuras de Zé, um cão de rua adotado pelos moradores.

"Just Walking in the Rain," pois fez com que eu lembrasse muito de mim mesma.

"Voz Discordante", pois é vai direto ao assunto: não acredite em tudo o que lhe dizem, pois nem sempre, quem avisa amigo é.

Enfim: gostei de todas. Mas estas são as minhas favoritas.

Li, recomendo, e agradeço a Lu por estes momentos agradáveis que passei esta manhã, lendo seu livro em minha rede.

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Soluções Modernas?...



(escrito há 10 minutos) 
A tecnologia avança todos os dias. Acho maravilhoso. Tudo muito bom e moderno para satisfazer às necessidades das pessoas! Mas às vezes, eu simplesmente não consigo entender certas disparidades tecnológicas; explico: ainda agorinha eu estava com problemas na minha conexão banda larga. Tentei a “Solução de problemas” do Windows, e adivinhem só? A resposta que obtive foi a seguinte: “Não é possível solucionar o problema. Tentaremos conectar o site http//WWW.Microsoft.com.” Não é uma gracinha?

Li há alguns meses a notícia fabulosa de que uma bicicleta voadora tinha sido inventada na República Tcheca. A proeza decolou do solo e manteve-se voando por cinco minutos no meio de uma praça pública em Praga. Maravilhoso! Infelizmente, a bateria que a mantém no ar dura apenas cinco minutos. Talvez, daqui a cinquenta anos, li mais adiante, quando a tecnologia em baterias for mais avançada, eles consigam melhorar o invento. E eu me pergunto: se não há tecnologia disponível para manter a bicicleta voadora no ar, por que a inventaram? Quanto dinheiro e tempo foi desperdiçado, quando outras invenções mais urgentes poderiam estar sendo pesquisadas, como por exemplo, uma caixa na qual jogássemos as roupas amarrotadas e elas saíssem esticadinhas do outro lado, prontas para o uso? Ou um sabão que não precisasse de enxague – o que pouparia trilhões de litros de água e eletricidade todos os dias?

Este problema com baterias é difícil de engolir; temos smartphones que fazem de tudo (a não ser lavar, passar e cozinhar); eles podem calcular diferenças em taxas de câmbio, encontrar hotéis e restaurantes, contatar um serviço de táxi em qualquer país, calcular gorjetas em diferentes países, fazer traduções em várias línguas, identificar onde uma fotografia foi tirada, guiar-nos por estradas e caminhos desconhecidos, fazer pesquisa de preços, conectar-nos com qualquer pessoa em qualquer parte do mundo... enfim, são completos! Mas as baterias só duram até o final do dia. Se elas acabarem, você estará sozinho e perdido. Melhor levar um mapa e um cartão telefônico!


aspirador com alças que agarram

Voltando aos assuntos domésticos: quem aí não tem em casa um aspirador de pó potente e moderno, mas que tem abas fixas em ambos os lados que fazem com que o aspirador agarre-se firmemente a cadeiras, beiradas de mesa, sofás e cantos de parede - arrancando na passagem o reboco e a tinta das mesmas? E até agora, não entendi o porquê das tais abas laterais, já que ele dispõe de uma confortável alça na parte superior, que é por onde eu o pego quando preciso carregá-lo. Logo se vê que quem desenhou o aspirador, jamais fez uso do mesmo!

E quanto aos liquidificadores e processadores: por que não inventam alguma coisa que seja mais silenciosa? O ruído destas maquininhas são tremendamente altos e irritantes. Minha cadela sai correndo, orelhas baixas, toda vez que ligo meu liquidificador.

E, pelo amor de Deus, quem nunca passou sob as janelas de um prédio e foi agraciado com libações de água de ar condicionado? Por que eles não inventam um que não faça xixi na cabeça dos passantes?

Acho que existem muitas coisas que precisam ser aperfeiçoadas. Coisas simples e básicas sobre as quais ninguém se importou em pensar. E é por causa delas que eu realmente não posso acreditar que, em 1969, mandaram homens à lua!

Se formos nos aprofundar um pouquinho mais neste assunto lunar, ficaremos sabendo de várias coisas que tornam o suposto evento algo bem difícil de engolir; por exemplo: naquela época, nem sequer existia tecnologia wireless. Os satélites de comunicação em massa eram bastante simplórios; como eles falavam com a Terra com tanta facilidade? Sem contar com a câmera fotográfica, sem tecnologia digital, usada para fotografar a histórica viagem – uma Hasselbound. Para se operar uma câmera daquelas, era preciso levá-la junto ao rosto a fim de ver a imagem que estaria sendo fotografada. Não havia tecnologia digital. Bem, os astronautas usavam capacetes redondos – o que os impossibilitava de ver o que estavam fotografando. Além disso, as grossas luvas tornavam quase impossível manusear o obturador – um botãozinho pequeno que emitia um ‘click’ quando era acionado – ‘click’ este que era impossível de ser ouvido pelos fotógrafos lunares devido aos pesados trajes que usavam. Sem contar aquele lance famoso da bandeirinha dos Estados Unidos tremulando ao vento, em um ambiente com gravidade zero... e os astronautas que se tornaram reclusos e não gostavam de dar entrevistas. Quem duvida das minhas especulações, que pesquise por si mesmo.

Recentemente, assisti na TV a notícia de que estão planejando uma nova viagem à lua – mas sem tripulação humana. Por que não mandar seres humanos, se foi tão fácil naquela época, há quarenta e quatro anos? Hoje deveria ser ainda mais fácil e seguro!

Bem, acho melhor aterrissar, antes que comecem a chamar-me de louca ou retrógrada por não acreditar que o homem foi à lua, e esperar pacientemente até que a minha conexão de internet volte e eu possa pesquisar online o porquê de ela não estar funcionando... entenderam?



segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

O Ardor do Sol






A cortina apara e suaviza
O ardor do sol.
Oferece suas cores à brisa,
E elas desbotam...

Beijadas pelo sopro do vento,
As cortinas lascivas,
Levantam as saias suavemente...

E a moça à janela se esconde
Por trás dos seus panos,
Sussurrando sonhos
Na manhã caliente...




sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Leituras








Leituras



Recentemente, li as "Cartas de Van Gogh." No prefácio, é dito que ele perdeu uma posição como pastor porque não era suficientemente eloquente ou convincente para encantar e convencer os fiéis. Penso que estes últimos não gostavam de poesia. As "Cartas a Theo," de Vincet Van Gogh, formam um dos relatos mais humanos e comoventes que já li. Nelas, ele revela ao irmão suas fraquezas, seus sonhos e seus medos. Talvez, se ele não as tivesse escrito, pouco saberíamos sobre a personalidade deste grande artista. Infelizmente, enlouqueceu e suicidou-se por não sentir-se aceito em um mundo de pessoas preconceituosas que não o compreendiam.

Também li alguns livros de Paulo Coelho - o escritor que muitos consideram uma fraude, e a quem, movida pelas opiniões alheias, passei muito tempo criticando e evitando, com aquela famosa atitude de quem não comeu e não gostou (afinal, odiar Paulo Coelho é sinal de inteligência) - e percebi que ele é um excelente cronista. Um dia, segurando um de seus livros, disse a mim mesma: "Tenho que encontrar o que as pessoas tanto falam." Não encontrei em "Diário de um Mago," mas em "Verônica Decide Morrer" e "Nas Margens do Rio Piedra eu Sentei e Chorei." Daí, comprei um livro de crônicas, que apreciei muito. É preciso vencer preconceitos e tapar os ouvidos às críticas daqueles que se acham em posição de determinar o que é bom ou o que não é bom.

Um dos livros mais belos que já li, chama-se "O Convite, de Oriah Mountain Dreamer. Um livro mundialmente famoso e aclamado, (embora muitos que nem sequer o leram, e se o leram, não admitem que gostaram, teimam em criticar) que é pura poesia e traz pensamentos maravilhosos sobre o viver. Impossível não gostar, pelo menos, da apresentação do livro. Mas as almas mais 'cultas' o considerarão um simples livreco de autoajuda sem valor.

Minha mãe presenteou-me, há muitos anos, com sua Bíblia pessoal. Ela me chegou cheia de anotações, textos sublinhados, fotografias e flores secas entre as páginas. Meu trecho favorito, é o Eclesiastes. Uma lição de vida. Um pequeno trecho: "Todos vão para um lugar; todos são pó , e todos ao pó tornarão. Quem adverte que o fôlego dos homens sobe para cima, e que o fôlego dos animais desce para baixo da terra? Assim que tenho visto que não há cousa melhor do que alegrar-se o homem nas suas obras, porque essa é a sua porção; porque quem o fará voltar para ver o que será depois dele?" O maior livro de autoajuda já escrito!

E ainda mais adiante: "Também vi que todo o trabalho, e toda a destreza em obras, traz ao homem a inveja do seu próximo. Também isto é vaidade e aflição de espírito." 

Os provérbios de Salomão são lindos e encantadores. Neles, um homem desnuda sua alma e revela toda a sabedoria que está dentro dela. Um trecho (sublinhado por minha mãe): "O homem perverso levanta a contenda, e o difamador separa os maiores amigos." E ainda: "O perverso de coração nunca achará o bem; e o que tem a língua dobre virá a cair no mal." E também: "Quanto ao soberbo e presumido, zombador é seu nome: trata com indignação e soberba."

A Bíblia conta também as histórias dos povos antigos: seus costumes, suas crenças. É claro que existem trechos velados de mistério (acredito mais que assim sejam pela dificuldade de tradução do que por outro motivo qualquer). Mas também há - dizem - muitos livros da Bíblia que foram queimados e outros que foram modificados pelos censores da mente e do coração, aqueles que achavam-se no direito de intervir na liberdade de pensamento e crença, e que intitulavam-se superiores e detentores da sabedoria, e assim, elegiam a si mesmos para separar o que consideravam 'joio' daquilo que consideravam 'trigo.' Uma grande perda para a humanidade, a meu ver.

Um outro livro inesquecível, é "Olhinhos de Gato," de Cecília Meireles. Um livro veladamente autobiográfico e encantador, no qual ela fala de sua infância, da morte de seus familiares e das pessoas da casa onde ela cresceu. Pessoas que poderiam ter sido esquecidas para sempre, se não houvesse uma Cecília Meireles disposta a colocá-las em um livro. Uma escritora das mais sensíveis e inteligentes. Jamais teve medo ou vergonha de mostrar sua alma.

São estas as leituras que eu gosto: aquelas cujas páginas foram preenchidas por palavras que foram escritas por alguém que usou como tinta de pena, o próprio sangue. Não dou tanta importância à gramática, pois como dizia Patativa do Assaré, "É melhor escrever errado a coisa certa do que escrever certo a coisa errada."




quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

DUENDES NO TELHADO





Eis porque eu prefiro acreditar em fadas e duendes:

Abro o site jornalístico, e a primeira fotografia que vejo mostra-me Dilma, Lula, FHC, Collor e Sarney abraçadinhos, sorrindo para as câmeras, junto ao avião que os levará ao funeral de Nelson Mandela. Adequados sorrisos! Penso: "Mas eu gostava do Fernando (o Henrique)..."

Hoje cedo, durante o banho, olho para o novo vidro de xampu que comprei, e está escrito: "Shampoo restaurador. Restaura em trinta dias danos causados em três anos." Será que não existe nada que possa restaurar em quatro anos danos causados desde 1500? Ah, e a gente gosta dessas mentiras! Gostamos de comprar o remédio anunciado no Facebook, onde aparece a fotografia do 'antes' e 'depois', mostrando uma mulher gorda e infeliz que, após tomar o medicamento durante trinta dias, perde 18 quilos! "Meu deus! São seiscentos gramas por dia!" E agora ela aparece sorridente, barriga de tanquinho bronzeada, cabelo e unhas feitos, maquiagem... por que as pessoas gostam tanto de enganar a si mesmas?

Ainda no Face, vejo fotografias de pessoas conhecidas abraçadas, sorridentes, os polegares para cima, falando de amor e união quando, há alguns dias, estavam se maldizendo e querendo pegar o fígado umas das outras para servir no jantar. Não aguento tanta hipocrisia!

Deve haver alguma coisa errada comigo. Eu sei que seria muito mais  amada e respeitada se pelo menos eu conseguisse agir da mesma forma. Mas embora eu não me ache nunca melhor do que ninguém (e tenha passado anos e anos de minha vida achando-me pior que todos), eu simplesmente não posso... não consigo. Tem coisas que batem no estômago da gente e a gente não consegue digerir.

As pessoas são movidas apenas por interesses, sejam eles financeiros ou de outros tipos, e arrebanham-se em volta daqueles que eles consideram os mais fortes (não os mais verdadeiros) por puro pavor de um dia acordarem sozinhas. Engolem sapos gigantescos, que incham-lhes os estômagos e saem pela boca em forma de arrotos fedorentos, apenas para dizerem que fazem parte do grupo, que são aceitos, que estão felizes... 

Ontem alguém me disse: "Não tome partido de ninguém, porque às vezes, o mais fraco é apenas um hipócrita disfarçado." Por que eu nunca escuto?

 Bem, mas mesmo que aos quarenta e oito anos de idade, nunca é tarde para recomeçar a agir diferente, preocupar-me mais com meus próprios interesses (com os quais ninguém até hoje demonstrou qualquer preocupação), fazer as coisas que me tragam realização ( pela qual até hoje pouquíssimos demonstraram se interessar) e tratar de ser feliz. Porque quando a gente fica fazendo perguntas demais à vida, e aprende a ouvir as respostas, acaba entendendo que a única resposta para todas as nossas dúvidas transcendentais ou práticas, é uma só: divirta-se, porque no fim, ninguém sai daqui vivo.

E amar, cada vez mais, aos cachorros, gatos e passarinhos.






segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

CURA






Às vezes, a cura
É escura,
Cicuta lambida
Da pedra dura 
Da vida.

Escuta,
Corta a veia,
Deixa jorrar
A carótida
Sobre o altar!

Dezfaz-te do mal,
Desfaçatez!
Limpa a escura tez,
Joga sal
Na ferida,
Te apruma
Com a dor ardida
E te cura!


sábado, 7 de dezembro de 2013

Salada Crônica - ou Uma Crônica Salada

Céu da última quinta feira


Tarde de quinta feira; cabelos cheios de tinta, aguardando o tempo para poder tomar banho. O céu começa a escurecer (a Latifa já estava inquieta, andando atrás de mim há algum tempo) e de repente, cai uma tempestade com direito a rajadas de vento e granizo. Raios e trovões fazem estremecer as paredes da casa. Cinco e trinta, e nada da chuva parar; de repente, ouço um 'crack' na área de serviço: a calha quebra, e começa a entornar rajadas de água sobre o piso, e rapidamente, a água começa a encaminhar-se para a porta da cozinha; vassoura em punho, começo uma luta furiosa para que a cozinha não inunde. Enquanto isso, ligo para meu aluno, e usando o viva-voz, cancelo a aula.

Mais um barulhão enorme, mas não tenho como ir verificar o que aconteceu, pois se eu parar de varrer, a cozinha inundará. Mais tarde, descubro que meu pobre manacá da serra, todo florido, tombou no jardim com raiz e tudo. 


Mais tarde, sem TV e sem internet. Acaba a luz, volta a luz, acaba a luz. Uma trégua na chuva, e consigo, com a vassoura, desviar a água da calha para o quintal. Meu tablet trava; não consigo sequer desligá-lo (problema resolvido há pouco). De repente, olho para o céu, à sudoeste, e vejo algo que pensei que jamais fosse ver na vida: as nuvens negras e pesadas começam a girar, formando um funil. No meio, raios e relâmpagos. Digo em voz alta: "My God! Mas aquilo parece um... é um ... tufão!" E eu nem tinha nada para fotografar aquilo (mais uma para o rol das melhores fotos que eu jamais tirei). Ele vai se movendo em direção à montanha, e em pouco tempo, se desfaz. Ainda bem!


Saldo:

-Um manacá da serra perdido;
-Várias calhas que, pesadas por causa do granizo, cederam;
-Adega inundada;
-Jardim cheio de folhas secas & molhadas.
-Uma cachorrinha apavorada, que esqueceu que é uma Rottweiler e teve que ficar dentro de casa.
-Rio perto de casa transbordou, e a rua ficou cheia daquelas pedrinhas redondas (meu jardim é cheio delas, que eu trouxe da última tempestade).

Mas tá bom. Soube de pessoas cujas casas perderam o telhado, e estragaram-se mobília, alimentos, eletrodomésticos.



quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Cavalo deTroia




Não há como apagar
O que está guardado
Em todas as nuvens,
Em todas as mídias
Dispositivos móveis e imóveis,
E foi impresso em papéis,
Circula no sangue,
Ecoa nos ouvidos...

É perda de tempo
Querer negar o que se deu,
Espalhar vírus perigosos e mortais,
Querer fingir que já passou,
Ou que jamais aconteceu!

Também descansam na mente
As provas daquela história,
E mesmo que o vento as leve,
Sempre ficarão os traços,
Resíduos armazenados
No HD da memória!

De nada adianta
Tentar apagar,
Invadir os espaços
Brandindo espadas,
Montado em cavalos de Tróia!

Pois esta,
É a nossa história.


terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Água Para um Poema



Morre tão seco o poema,
Pois já não mata-lhe a sede
A tinta daquela pena!...
Morre, silencioso e frio,
Morre sem brio ou verdade,
No abismo imenso do vazio
Morre sem qualquer saudade!

-Tragam água para o poema,
Antes que seja tarde!
Parte-se ao meio a palavra,
Ardem as chamas da pira
Na qual ele queimará...

Entram e saem de cena
O poeta e seu poema,
Tentando aplacar uma sede
Que lhe fere feito adaga,

Tentando exprimir uma dor,
Quem sabe, conter uma mágoa...
-Água para um poema,
Tragam água, tragam água!...

A noite o cobre de negro
Abraça-lhe, diz-lhe um segredo;
E o poema agonizante
Resiste ao terrível degredo
Que o poeta lhe impôs
Por pena, por dó ou por medo...
-Tragam-lhe um copo de água,
Que amenize o vil enredo! 

-Água para um poema,
Que morre ao nascer do dia,
Entre rimas de agonia,
Assim que desponta o sol!

Entre as fendas dos olhos cansados
O poema enxerga um troll
Como um monstro que dançasse
Uma giga ao arrebol...

Por isso, morre o poema,
De uma sede inacessível
A qualquer água ou refresco
De alucinação terrível!

-Água para o poema,
Tragam água, tragam água!...
Que ele siga tranquilo
Para sua nova casa!


segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Dedicação





DEDICAÇÃO


Eu pendurei minhas estrelas no teu céu
E espalhei minhas pegadas no teu chão
Te entreguei todo o meu ouro, meu tesouro
Mas só colhi desdouro...

Eu hoje morro, mas eu morro devagar
Qual passarinho que o vento derrubou
E que olha o céu, na esperança de voar
Mas as asas quebraram.

E me sobraram, qual vingança, os meus poemas,
Onde moravas, quando contigo habitei
Porém,  rasguei cada palavra, cada verso,
E os pedaços, eu queimei.

Mas me enganei, pois eu te vejo em cada dor,
Em cada estrela que despenca em meu caminho,
E em cada flor, em cada espinho, eu te percebo
- Ah, meu Deus, como eu te amei!


sexta-feira, 29 de novembro de 2013

LAVA




A lava escorria pela encosta da montanha,
Quente, crepitante, de fogo e de lama,
Lânguida descia, queimando no caminho
-Tudo o que tocava: flores, relva, ninhos...

A lava sem perdão buscava redenção,
Nascida do vômito daquela montanha...
Que sem piedade, sem qualquer vergonha,
Eruptava enxofre, lama e peçonha!

Mas a mãe natureza aguardava tranquila
Pois tinha a ciência de quem jamais medra...
Sabia que a lava fogosa nas trilhas
Ao frio da manhã, transformava-se em pedra.

E as flores rebrotavam, a relva crescia,
Voltavam os pássaros, cantos, e ninhos...
A paz renascia, e por sobre a fria pedra
Abriam-se fortes e novos caminhos.


quarta-feira, 27 de novembro de 2013

O que Não Tem Preço





Há alguns minutos, eu me enxugava do banho quando a campainha tocou. Acabei de me vestir correndo, e ainda de chinelos de pompom, abri à porta a uma senhora que identificou-se como mãe de meu ex-aluno Augusto, que deixou o curso esta semana porque encontrou um emprego.

Ela me abraçou chorando, entregando-me estas lindas orquídeas da foto e me agradeceu pelo que fiz pelo filho dela. Não acho que eu tenha feito muito, embora eu sempre faça meu trabalho  com  carinho, visando sempre o melhor para meus alunos.  A recompensa que recebi não tem preço. Está em algo além desta linda flor.

Eu é quem agradeço a você, e a todos os meus alunos!


terça-feira, 26 de novembro de 2013

Algumas Coisas




Algumas coisas nos entram pelos ouvidos,
Fazendo volteios pelos caminhos curvos
Do pensamento.
Os sentidos vão, aos poucos, se criando,
Se mostrando, em gritos sustenidos
Sustentados gritos em elevação.

Outras coisas, nos entram pelos olhos,
Causam-nos escândalo, ferem as pupilas,
Arranham as meninas.
Estas coisas ficam nas retinas,
Impedem o sono nas noites escuras,
Seguram, nas unhas, o amanhecer.

Ah, mas tudo isto faz parte, tudo é viver!
E é melhor senti-las a não ter sentidos,
E a dor sempre virá amarrada ao prazer,
Pois isto é viver, sim, isto é viver!...




segunda-feira, 25 de novembro de 2013

A Felix o que é de Felix






Felix - personagem magistralmente interpretado pelo ator Matheus Solano - tem sido o alvo de muitas análises psicológicas, críticas, simpatias e antipatias. Ninguém negaria sua maldade; mas será que toda  maldade é inata? 

Seu charme é irresistível; sua maldade, quase sempre, explícita. Um personagem que, talvez por ter sido vítima de preconceito durante toda a sua vida, exerce uma tirania preconceituosa contra todos que ele considera estar em posição inferior a dele na escala social.




Uma criança que cresce sem ser aceita pelo pai - a quem passa a vida tentando impressionar, tentando ser amado, valorizando cada olhar e cada migalha de atenção - e que tem o apoio incondicional da mãe em virtualmente qualquer situação, poderá tornar-se um adulto equilibrado? Alguém que teve sua sexualidade reprimida, sendo tratado como um anormal, obrigado a casar-se com uma mulher e ter um filho a fim de salvar as aparências e garantir uma pequena réstia de admiração paterna, poderia ter se tornado alguém amoroso?





As pessoas são diferentes; em muitas situações, vemos rosas crescendo no meio do lamaçal, e espinhos horrorosos nos melhores e mais bem cuidados jardins; mas na situação de Felix, o que eu enxergo é uma criança que cresceu em um jardim de flores falsas e podres. Tudo em sua vida é uma mentira: o casamento dos pais, a origem da irmã, a filiação de seu suposto filho - que mais tarde, ele descobriu ser seu meio-irmão, e seu casamento falso com uma prostituta contratada pelo próprio pai. Todos lindos, bem vestidos e perfumados, mas cheios de podridão e falsidade por dentro. Acho que Felix teve poucas chances de tornar-se alguém melhor. Sua maldade reprimida, quando vinha à tona, era imediatamente sublimada pela mãe, que passava panos quentes sobre tudo o que ele fazia, desde que não fosse ela mesma a atingida.



Assim, Felix cresceu sem princípios e sem limites.

O pior veio à tona - agora que todos descobriram que ele cometeu o imperdoável, o ato mais abominável, cujos praticantes são execrados até mesmo entre seus iguais criminosos em prisões e reformatórios: um quase infanticídio contra a própria sobrinha - sua mãe vira-lhe as costas. Aquela que era seu único porto seguro, a única pessoa a quem ele realmente amava, e que poderia ter alguma chance de modificar-lhe ao menos um pouquinho o caráter, deixa-o sozinho em um mundo no qual ele não foi preparado para viver. Este abandono, além de irresponsável, não seria também um ato cruel?



Qual será o final de Felix? O que ele fez merece perdão? Acredito que o autor preparou para ele o final que ele merece: alguma coisa bem infeliz, como a prisão, a loucura ou a morte. E embora o Felix-personagem seja punido no final, existem na vida real centenas de milhares de Felix que talvez jamais conheçam o sabor da punição. E eles nem são tão bonitos e charmosos.


Acho que entre todos os crimes que Felix cometeu, o segundo pior deles foi o de ter passado toda a sua vida tentando impressionar alguém que sempre o desprezou. Com certeza, poderia ter sido muito feliz se tivesse virado as costas ao pai, como este fez com ele.



REFLEXÃO

Já muito andei sem enxergar, sem ver, O que me fez e me desfez, a fome... "Ana" é o nome que alguém me deu, M...