sábado, 7 de dezembro de 2013

Salada Crônica - ou Uma Crônica Salada

Céu da última quinta feira


Tarde de quinta feira; cabelos cheios de tinta, aguardando o tempo para poder tomar banho. O céu começa a escurecer (a Latifa já estava inquieta, andando atrás de mim há algum tempo) e de repente, cai uma tempestade com direito a rajadas de vento e granizo. Raios e trovões fazem estremecer as paredes da casa. Cinco e trinta, e nada da chuva parar; de repente, ouço um 'crack' na área de serviço: a calha quebra, e começa a entornar rajadas de água sobre o piso, e rapidamente, a água começa a encaminhar-se para a porta da cozinha; vassoura em punho, começo uma luta furiosa para que a cozinha não inunde. Enquanto isso, ligo para meu aluno, e usando o viva-voz, cancelo a aula.

Mais um barulhão enorme, mas não tenho como ir verificar o que aconteceu, pois se eu parar de varrer, a cozinha inundará. Mais tarde, descubro que meu pobre manacá da serra, todo florido, tombou no jardim com raiz e tudo. 


Mais tarde, sem TV e sem internet. Acaba a luz, volta a luz, acaba a luz. Uma trégua na chuva, e consigo, com a vassoura, desviar a água da calha para o quintal. Meu tablet trava; não consigo sequer desligá-lo (problema resolvido há pouco). De repente, olho para o céu, à sudoeste, e vejo algo que pensei que jamais fosse ver na vida: as nuvens negras e pesadas começam a girar, formando um funil. No meio, raios e relâmpagos. Digo em voz alta: "My God! Mas aquilo parece um... é um ... tufão!" E eu nem tinha nada para fotografar aquilo (mais uma para o rol das melhores fotos que eu jamais tirei). Ele vai se movendo em direção à montanha, e em pouco tempo, se desfaz. Ainda bem!


Saldo:

-Um manacá da serra perdido;
-Várias calhas que, pesadas por causa do granizo, cederam;
-Adega inundada;
-Jardim cheio de folhas secas & molhadas.
-Uma cachorrinha apavorada, que esqueceu que é uma Rottweiler e teve que ficar dentro de casa.
-Rio perto de casa transbordou, e a rua ficou cheia daquelas pedrinhas redondas (meu jardim é cheio delas, que eu trouxe da última tempestade).

Mas tá bom. Soube de pessoas cujas casas perderam o telhado, e estragaram-se mobília, alimentos, eletrodomésticos.



8 comentários:

  1. Nossa! Que agonia! Fico imaginando seu desespero, pois aqui bastou a rajada de vento pra sacudir as telhas da varanda e um enorme desespero tomar conta de mim... Adorei a sutileza com que conta tamanha aventura tempestiva...
    bjo

    ResponderExcluir
  2. Olá, querida Ana
    Se fôssemos pessimistas, diríamos, sem pestanejar: é o fim do mundo, os sinais estão aí...
    Mas, como temos fé, é questão climática ... tudo vai passar e oremos pelos desabrigados do mundo inteiro...
    Fotografei o céu preto também... tão triste e assustador!!!
    Seja feliz e abençoada!!!
    Bjm de paz e bem

    ResponderExcluir
  3. A minha Nenê, começa a ameaçar chuva, ela vai pra minha cama - em cima - e só sai quando a chuva para. É uma pitubull!!! O sudeste me deixou traumatizado com as chuvas. - Abração, Ana

    ResponderExcluir
  4. Boa tarde Ana Bailune, estou a ver daqui (imaginar), tu a debateres-te com uma tempestade tropical. Dessas também tenho a minha conta. Posso contar uma que vivi? Na guerra colonial, em Angola, perto da cidade de Malange, um Comboio de tropa apanhou um dessas tempestades, rumo a Luanda, os transportes eram civis, os motorista, habituados àquelas paragens, bem clamavam ao capitão para que a coluna parasse. Qual quê, até um dos caminhões um dos camiões tombar, não havia ordem para parar. Depois sim, já não chovia, o estrada era terra batida. Tudo foi arranjar o almoço. Nesse espaço de tempo, a terra secou, a camião foi erguido, sem mexer na carga e então viagem seguiu. O dito "muita gente é que faz a guerra", teve muito sentido.
    beijos

    ResponderExcluir
  5. Amiga Ana, ainda bem que está tudo bem com você, mas depois que passa essas tempestades, ficamos a pensar na beleza que há em tudo isso, eu adoro tempestades pela força da natureza que grita, acho lindo, tenho muitos vídeos de tempestades na praia, nossa, da minha casa filmava, me arrepiava de ver, mas não conseguia parar de filmar!
    Amei ler, minha amiga e também saber que passou, lindas as fotos!
    Abraços!

    ResponderExcluir
  6. Uma crônica furacão, menina... rsrs! De fato é assustador vento com chuva. Mas, enfim, rendeu uma bela e empolgante crônica! Abraços.

    ResponderExcluir
  7. O bom escritor , como você , nos faz pegar a vassoura e correr em seu auxílio .
    Que sufoco , Ana !
    Texto perfeito , como sempre .
    Beijos

    ResponderExcluir
  8. É muito assustador tudo isso, e não temos como controlar, pior ainda se estamos sozinha.
    Ana, abraços carinhosos, Maria Teresa

    ResponderExcluir

Obrigada pela sua presença! Por favor, gostaria de ver seu comentário.

REFLEXÃO

Já muito andei sem enxergar, sem ver, O que me fez e me desfez, a fome... "Ana" é o nome que alguém me deu, M...