Seu corpo
É como uma oca vazia de chão batido,
A fileira de pó subindo
Em direção ao telhado de palha
Feito um desejo reprimido,
Pois que ninguém a toca.
As mãos percorrem a própria pele
Em busca de um sentimento antigo
De ser amada, de ser abrigo,
Enquanto os olhos fechados descortinam cenas
De tempos há muito tempo idos.
Ela sente a pele flácida nas pontas dos dedos,
Ela percorre as rugas como se fossem segredos,
E não as estradas óbvias que todos enxergam
Enquanto a observam; quanta ilusão!
O coração tomado por um princípio de delírio
É o que a salva da percepção da vida que lhe resta:
Uma embriaguez, uma sensação de que ainda há tempo,
Pois no seu relógio biológico, faltam ainda e sempre
Os mesmos cinco minutos antes do fim da festa.
Enquanto isso, a vida se desmancha,
Ninguém mais virá, e atrás da porta fechada
Ela ficará, na companhia fria
Dos mesmos velhos fantasmas que ela mesma cria.
E na história dela se descortinam
Todas as horas, todos os dias
Os dias da minha própria história.


Nenhum comentário:
Postar um comentário
Obrigada pela sua presença! Por favor, gostaria de ver seu comentário.