segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Tudo Cala!...



Tudo cala,
E fica bem mudo:
A saudade maior,
O amor deixado,
O amor roubado,
A solidão,
A chuva no telhado,
O medo do escuro,
O muro
A separação,
O coração quebrado,

Tudo cala,
E fica calado,
O emprego perdido,
A injúria,
O desejo forte
Não realizado,
O sonho abortado,
A dor de uma perda,
O tapa na cara,

Tudo cala,
A dor do abandono,
O sol escaldante
Que seca as colheitas,
As desfeitas,
O ser desprezado,
O chute na alma,
A doença sem cura,
A usura,

Tudo cala,
E fica bem quieto,
Até mesmo a morte
Diante da sorte
Daquele que chora
Por saber-se
Condenado,
Sem sol no horizonte,
Ou água na fonte,
Uma dor sem nome...

Tudo cala,
E fica calado
Diante da dor
 De quem sente  fome!

*

A fome do corpo é maior que a fome da alma. É uma dor sem consolo, e quando sem esperanças, é ainda mais terrível, pois quem morre, vê-se morrer por algo tão básico, comum, tão cliché... um prato de comida, apenas um prato de comida.

2 comentários:

  1. Ana, não se cale diante da beleza de seus versos, embora eles estejam melancólicos.
    Espero que esteja bem amiga - você é uma das queridas "antigamigas" por quem tenho muita estima.

    beijo de sol pra ti!

    Lu C.

    ResponderExcluir
  2. Ai! Chute na alma dói!
    Mas fome no corpo também dói, e é preciso ter alma de pele dura pra não se comover com isso.
    Porém, cedo ou tarde, o que se calou gritará para acordar a alma.
    Afinal "...se eles se calarem até as pedras falarão".
    _Beijos.

    ResponderExcluir

Obrigada pela sua presença! Por favor, gostaria de ver seu comentário.

AMANHECEU

Amanheceu novamente Sobre as igrejas e telhados dos que ainda dormem E dos que jamais despertarão. Amanheceu sobre as p...