Os Seios de Angelina






Angelina Jolie acaba de passar por uma dupla mastectomia a fim de prevenir o aparecimento do câncer. Ela viveu a experiência, segundo relatos a repórteres, de ver sua mãe enfrentar a doença durante dez anos, e ser vencida. Como os médicos constataram que ela tinha 84% de probabilidade de desenvolver a doença, preferiu fazer a retirada preventiva dos seios. 

 Angelina foi corajosa ou agiu apenas movida pelo medo? Não sei. Não estou na pele dela.  Mesmo assim, acho que eu jamais teria coragem de fazer o que ela fez. Manteria meus seios sob vigilância cuidadosa, mas não os retiraria caso não houvesse evidências da doença já em curso. Acho que apostaria nos 16% de chance de não desenvolvê-la.

Na mesma página onde li a notícia sobre Angelina, descobri que Rita Lee, Sharon Osbourn e a atriz Christina Applegate passaram pelo mesmo procedimento. Sharon Osbourn, que em 2010 passou pela cirurgia aos 60 anos, declarou que não desejava passar o resto da vida com uma sombra a seguindo. Mas não passamos todos a vida inteira com uma sombra nos seguindo?

Acho que existe uma nova indústria em andamento: uma indústria que incute medo nas pessoas, convencendo-as a passar por uma mutilação voluntária a fim de prevenir uma doença que nem sabe se desenvolverão. Daqui a pouco, se as coisas continuarem assim, haverá pessoas removendo parte de seus intestinos, fígado, pulmões, estômagos, etc..., com medo de desenvolver a doença.

Acredito que as pessoas devem tomar todo o cuidado possível, principalmente, as que possuem os genes da doença, e consequentemente, maior probabilidade de desenvolvê-la; mas eu não faria uma cirurgia destas sem ter câncer! 

A morte é a grande sombra que nos segue vida afora desde o momento que nascemos, e não existe nenhuma cirurgia preventiva contra ela.

Comentários

  1. Eu achei um absurdo, ridícula! Nunca imaginei fazer algo assim: temos que apostar nas boas estatísticas e não nos fixar nas chances de TER OU NÃO doenças. Me parece demais. Ela se acha imprescindível por aqui creio! Não gostei! Quando chega a hora de ir, pegamos nosso boné e pronto! A vida é assim. Ainda bem que o griteiro geral dos médicos alertando pra não necessidade disso. Senão, imagina o que seria! Credo! E eu a admiro por tantas outras coisas, mas dessa vez, pisou na BOLA!! beijos,chica

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  2. Bom dia Ana, complicado mesmo tudo isso, só estando na "pele" da pessoa é que se pode avaliar, eu não sei o que faria, mas se tivesse a idade dela, a confirmação genética, o apoio do marido, os médicos de confiança e todo o dinheiro disponível não veria nenhum obstáculo,pois a ciência está aí para isso mesmo, desenvolver cada vez mais os meios para se evitar doenças e mortes,portanto se é possível isso porque não?
    A felicidade é primordial, ela está agora leve e sem medos e ainda muito linda, sendo assim a mente ajuda e é o que penso também!
    Talvez eu faria?!
    Beijos!

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  3. Olá!Bom dia
    Ana
    é verdade... só estando na pele da pessoa para saber.Agora, se ela não estiver buscando só chamar a atenção de todos...apenas a concretização simples da escolha informada e preventiva não vejo mal nenhum. No caso dela que tem como realizar suas opções, fica até mais fácil de escolher.
    Obrigado pelo carinho da visita
    Boa quarta feira
    Beijos

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  4. Ana, a atitude de Jolie realmente estufou os cordéis da opinião pública.
    omo eu disse em resposta ao teu coment no meu blog, creio que o que nós temos que passar ninguém passa por nós. Portanto eu manteria exames rigorosos se fosse o caso e nunca iria mutilar-me dessa forma.

    Mas ela... Foi opção, e ela estava totalmente acertada sobre isso. E não muda em nada (pra mim) a imagem que tenho dela como pessoa.

    Quanto à industria que já está a tona, só entra nessa quem quer.
    Ouvi opiniões de médicos brasileiros e eles têm a opinião de se fazer exames periódicos (mesmo tendo o mesmo problema da Jolie) e que nossa realidade não está preparada (psicológica e financeira).

    bacios

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  5. Ana boa noite, excelente crônica, sabe eu acho que depende muito da cabeça de cada um, independente de ser quem for, profissionalmente ela é incrível, como ser humano não sei porque não a conheço, mas por melhor que ela seja como ser humano a opção dela não muda isto em nada. Só nos mostra não um medo de fazer a passagem, mas o medo do sofrimento que este tipo de doença costuma trazer, e estes medos ocultos que temos dentro de nós mesmas não nos fazem para o nosso semelhante nem melhores ou piores, simplesmente somos nós mesmas que sofremos com estes medos, portanto julgá-la para mim é uma atitude de desamor, diante de uma fraqueza dela, beijos Luconi

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  6. Uma boa cronica em tempo desta mania de quem tem muito dinheiro pensar que pode evitar o sofrimento e a morte.Voce disse bem, vivemos constantemente sob uma sombra.
    Belo trabalho Ana.

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