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quinta-feira, 12 de março de 2026

MEU CÉREBRO/EU CÉREBRO

 



 

Sou portadora de diabetes, doença que descobri há cinco anos. Me sentia sempre muito cansada, indisposta, tendo que parar para descansar várias vezes sempre que fazia um esforço um pouco maior. Também tinha episódios de enjoos noturnos, tonturas, insônia, piques de fome incontroláveis, inchaço corporal e até mesmo visão embaçada. Achava que era tudo coisa da idade – afinal, eu já completara 55 anos. Estava “ladeira abaixo,” como cismava em afirmar.

Mas a coisa foi piorando, e finalmente, procurei ajuda médica. Diagnóstico: diabetes. Solução? Dieta, exercícios físicos e remédios para o resto da vida. Mas eu não conseguia fazer os exercícios, pois o cansaço que eu sentia cinco minutos após começar me impedia de continuar – principalmente quando estava calor.

Mas eu não desisti, e o peso até caiu no início; perdia dois, três quilos, mas logo voltava a ganhar peso.

Foi então que em agosto do ano passado procurei uma nutróloga. Ela me virou do avesso, pediu exames que eu nem sabia que existiam. Diagnóstico. Tudo ruim. Inflamação no corpo, fígado rodeado de gordura, excesso de peso – cheguei à obesidade grau 1 – risco cardíaco porque a homocisteína estava alta no meu exame de sangue. Quando cheguei até ela, meu joelho doía diariamente 24 horas por dia, e eu não conseguia caminhar por muito tempo.

Começamos o tratamento com dieta e um protocolo de injetáveis que me ajudaram a perder peso e vencer o cansaço, ativando substâncias que ajudam as enzimas a chegarem até as células, me deixando mais energizada. Comecei a perder peso. A minha energia voltou, a compulsão alimentar silenciou, e eu conseguia passar dos dez minutos de exercícios que eu fazia anteriormente ao tratamento à quarenta, cinquenta minutos. Resultado: minha insulina chegou a níveis normais, que consigo manter facilmente com minha medicação regular. A gordura no fígado desapareceu completamente, a vista embaçada cessou, o cansaço saiu e nunca mais voltou, durmo melhor e não tenho mais compulsão alimentar. Ganhei bastante massa muscular, meu corpo se modificou e acho que nunca esteve tão bonito – nem mesmo quando eu era jovem.

Hoje já não preciso mais dos medicamentos e tenho conseguido manter o peso apenas com dieta e exercícios, e a conscientização de que vivo um novo estilo de vida, e não apenas uma dieta passageira. Enquanto eu não entendia que obesidade é doença crônica, assim como o diabetes, eu não obtive resultados duradouros. Dieta é para sempre, exercícios físicos são para sempre.

Perdi 13 quilos, e fui do manequim 44 (apertado) ao manequim 40 (folgado). Mas não foi fácil, nem está sendo fácil. Porém, tomei uma decisão: sou eu que comando meu cérebro, e não o contrário. Toda vez que estou diante de um doce cheio de açúcar e gordura, eu penso no número 40 (meu novo tamanho de roupa) e me forço a fazer a escolha: 40 ou esse sorvete? 40 ou esse pudim? 40 ou esse doce açucarado? E a minha escolha tem sido sempre o 40. Também me pergunto frequentemente: exercícios ou cansaço crônico? Exercícios ou corpo mole e disfuncional? Exercícios ou doenças e dores nos joelhos? E a escolha tem sido sempre exercícios, de  30  a 50 minutos, todos os dias. Quando tenho pouco tempo, divido as sessões em duas de 15 minutos, mas procuro não falhar nenhum dia.

Foram cinco anos de luta sem ajuda, e em apenas alguns meses com a ajuda da nutróloga, eu consegui os resultados esperados.

Portanto, se você estiver na mesma situação que eu estava, acredite que você merece mais do que isso. Você merece um corpo funcional, merece se sentir bem e viver sem dor, merece escolher a roupa que deseja vestir e não apenas a roupa que lhe cabe. Você merece investir tempo e dinheiro em um tratamento que traga resultados, fazendo por si algo importante que ninguém no mundo faria: cuidar da sua saúde e do seu bem estar.

Quer você tenha vinte ou sessenta anos, como eu, mesmo que você só tenha mais alguns anos de vida a serem vividos, que estes anos lhe tragam satisfação pessoal e possam ser vividos com saúde. Que você não tenha que depender de alguém que lhe ajude a se levantar, se alimentar, se limpar ou cuidar da casa.

Que você possa ser o mais independente que puder.

Mas você vai ter que ser forte ao enfrentar críticas e implicâncias de pessoas que vão tentar sabotar seus resultados ou fazer você desistir. De repente, você vai notar que pessoas que nunca se importaram com você começarão a se “preocuparem” com sua saúde, fazendo comentários como “Ah, mas já está bom assim, agora chega!”  “Vai ficar doente!” “Come unzinho só, não vai fazer mal.” Pessoas que vão começar de repente a mandar docinhos de presente para você, pessoas que farão comentários maldosos. Bem, os doces, eu jogo fora, e os comentários maldosos, eu ignoro.

É difícil para as pessoas se verem diante de um espelho que reflete a sua inveja, a sua preguiça e o seu desleixo. Por isso, algumas delas farão de tudo para que você volte a ser como era, somente para que elas se sintam mais confortáveis diante da própria inércia e falta de amor próprio.

Mas seja forte. E caso você fraqueje no meio do caminho, respire fundo e recomece. Talvez você precise se afastar de algumas pessoas que não vão compreender o seu processo, e não te deixarão em paz enquanto não fizerem você desistir. Afaste-se, vá em frente. Siga seu caminho e cerque-se do que te faz bem. E nem tente  convencê-los a fazer o mesmo, porque eles têm desculpas prontas para tudo, críticas severas e ferinas na ponta da língua e exemplos de pessoas que se cuidavam bem e mesmo assim, morreram ou adoeceram. Histórias macabras para minar a sua auto confiança.

A única solução: afaste-se deles. Siga em frente. A solidão abre novos caminhos e pode trazer pessoas que se alinham com os seus propósitos.





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