De Tanto Ódio










O coração afogueado, 


O olhar espantado, 


Seguia-lhe, sem cessar, 


Todos os passos. 


Tossia, às vezes, 


Deixando sair da boca 


Um líquido verde: 


A bile do ódio! 






E torturava-se, 


Rasgava-se, 


Sem nem pensar 


Que só pensava nela! 






Ah, as janelas fechadas 


Quando ele passava, 


As portas silenciosas 


Quando ele batia... 


Elas representavam 


Toda a sua agonia! 






De tanto ódio, 


Morria! 






E vasculhava 


De velas acesas 


Os seus poemas, as suas mesas, 


Procurando pelas sobras 


Das sílabas deixadas... 


-Mas não achava nada, 


Nada... 






Assim seguia, 


A espumar de ódio 


Por aquela alma 


Que o ignorava, 


Sem saber que era o amor, 


Sem saber que era a paixão 


Que naquela direção 


Sempre o guiava! 










Comentários

  1. A já famosa proximidade entre o amor e ódio. A ilusão que às vezes criamos, sem sequer nos darmos conta...

    bjos

    ResponderExcluir

  2. Olá Ana,

    O amor é o sentimento que mais se próximo do ódio.
    Poema intenso e lindo.

    Obrigada por ter permitido a publicação, em meu espaço, de seu lindo poema "Se soubéssemos'.

    Lindo dia.

    Beijo.

    ResponderExcluir
  3. Intensidade nessa tua inspiração.Lindo! beijos,chica

    ResponderExcluir
  4. Olá Ana
    Ser ignorado por quem se ama, não é fácil não.
    Bjux

    ResponderExcluir
  5. Talvez uma procura em vão. Mas, um excelente poema!

    ResponderExcluir
  6. Olá Ana, chegando aqui através da indicação do blog de nossa amiga Vera, onde ela postou uma belíssima poesia tua.

    Essa "De tanto ódio", é intensa e se faz real em muitos.

    Parabéns!
    Beijos.

    ResponderExcluir
  7. A rejeição provoca se mostre o verso do amor, mas não acaba com o sentimento. Mais um belíssimo poema. Bjs.

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Obrigada pela sua presença! Por favor, gostaria de ver seu comentário.

Postagens mais visitadas deste blog

Doce de Abóbora

Sentidos

VIDA