segunda-feira, 31 de agosto de 2015

QUEM É MORTO SEMPRE APARECE











Quem é morto
Desce as escadas,
Puxa correntes
De pura mágoa.
Apaga as fotos
Nas elegias,
Arranca as folhas
Rangendo os dentes.

Quem é morto,
Sempre aparece...
Escolhe um canto
Para assombrar
Com seu quebranto.
Lê os jornais,
Não é notícia...
Mantém segredo:
-Pura estultícia!

Quem é morto,
Sempre aparece,
Não tem sossego:
Deixa pegadas,
Abraça o vento,
Abraça o ar,
Tem substância
De esquecimento.

Quem é morto,
Sempre aparece:
Pede, em sussurros,
Mais uma prece.
Mata sua sede
De alheias lágrimas,
E reencarna
Reinventando-se,
Esconde escaras
Lavando a cara.





4 comentários:

  1. Olá, querida Ana
    Poema muito bem escrito e as saudades que temos deles são curadas pela fé que nos tornam vivas.
    Bjm fraterno

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  2. Olá, Ana!
    Os mortos não nos fazem mal, mas alguns vivos,
    esticam a presença, para não cortar a tormenta...
    do mal.
    Obrigada, abraços carinhosos
    Maria Teresa

    ResponderExcluir

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