Já é tarde, muito tarde,
Para o cão e sua dor,
O desamor que ele sofreu
Por quem perdeu o coração.
No chão, o sangue espalhado,
A crueldade espelhada...
A injustica mostrada
Maldade compactuada.
Haverá algum motivo,
Alguma razão descabida,
Algum Deus que tenha um plano
Para a crueldade sofrida?
E entra ano, sai ano,
A humanidade desliza
Para a cova do desengano
E das almas ressentidas.
Mas que a dor daquela pobre
E inocente criatura
Traga a justiça mais nobre,
Traga um pouco de lisura.
Que os gritos e protestos
Por aquilo que foi sofrido
Desperte um deus adormecido
Que aqueça o fogo do inferno.
Pois o demônio tem fome,
E escreveu em sua lista
Mais um rosto, mais um nome,
E outra maldade prevista.
-Acorda, Deus, já é hora!
Pois quem pecou, é teu filho!
Chega desse livre arbítrio
Que não cura - é empecilho!
Justiça, a palavra certa,
O perdão saiu dos trilhos!
Já não há amor nos olhos
E nos corações vazios.
.
.
Já nem penso em justiça, só penso em vingança. Que ele seja vingado.

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