RASH
Café servido frio,
Sorvete derretido,
Refrigerante morno
Na hora do almoço.
As portas entreabertas,
Olhares enviesados,
Palavras recortadas
Que só trazem desgosto.
A chuva que não pára
Sobre a calçada lisa
Exatamente quando
A sola já está gasta!
Segundas de manhã
E domingos à noite,
Visita inesperada
Atravancando a sala.
Mensagens de “bom dia”
Enchendo a nossa caixa,
No meio do meu sonho
Um carro acelerando.
Um rash que não pára,
Quando vem a lembrança
De tudo que está gasto,
De tudo que está morto.
As mesmas velhas cores
Há muito desbotadas
Sorrisos amarelos
De puro desconforto.
Funk rolando solto
Rachando o nosso sono
Naquela ataxia
Que eles chamam de dança.
Os mesmos velhos fogos
Que explodem no ano-novo
E um povo que não muda,
Mas diz ter esperança.

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