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terça-feira, 6 de janeiro de 2026

RASH




RASH

 

Café servido frio,

Sorvete derretido,

Refrigerante morno

Na hora do almoço.

 

As portas entreabertas,

Olhares enviesados,

Palavras recortadas

Que só trazem desgosto.

 

A chuva que não pára

Sobre a calçada lisa

Exatamente quando

A sola já está gasta!

 

Segundas de manhã

E domingos à noite,

Visita inesperada

Atravancando a sala.

 

Mensagens de “bom dia”

Enchendo a nossa caixa,

No meio do meu sonho

Um carro acelerando.

 

Um rash que não pára,

Quando vem a lembrança

De tudo que está gasto,

De tudo que está morto.

 

As mesmas velhas cores

Há muito desbotadas

Sorrisos amarelos 

De puro desconforto.

 

Funk rolando solto

Rachando o nosso sono

Naquela ataxia

Que eles chamam de dança.

 

Os mesmos velhos fogos

Que explodem no ano-novo

E um povo que não muda,

Mas diz ter esperança.

 

 

Ana Bailune


 

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