GELO
Camada fina que me cobre os olhos
E parte do coração.
O frio alivia cada corte,
Mas não traz perdão.
Gelo, por onde deslizo
Lâmina fina e cortante
Onde meus pés imprecisos
Tornam-me distante
De cada falso andarilho,
De estar amarrada aos trilhos
Dos caminhos dos meus versos
Sem brilho e sem estribilho.
Cabeça erguida, eu deslizo
Para cada vez mais longe,
Para cada vez mais frio.
Se indagam onde estou,
Ou por onde eu vou, eu fluo,
Me afasto na correnteza
Do Eu Rio.

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