domingo, 17 de fevereiro de 2013

Meus Desertos




Meus Desertos

Dias longos,
Grandes espaços marcados de passos
Áridos, quentes, abertos,
Noites frescas e ventosas,
Areias e rosas,
Sangue e esqueletos.
São assim, os desertos
Por onde me perco.

Há poucos oásis,
E no céu,
A lua tem cinco fases
(A última, sempre mais negra)
A saudade é uma nesga
De escuridão sob o sol.

Há cactus, espinhos e cobras
-Mas há as rosas,
Lembranças finas, vaporosas,
Que em tranças se estendem
Pelas dunas sinuosas.

São assim, os meus desertos,
Povoados de fantasmas,
Anjos decaídos
Demônios que me tentam,
E se encolhem, sofridos a um canto
Quando eu não os escuto...
E por pura piedade,
Eu às vezes olho para trás
E os ouço, por segundos.

São assim os meus desertos,
Luas, oásis, serpentes,
Anos desfeitos em segundos,
Uma sede remitente,
Sombras de cactus e versos
Bem no meio do mundo.


7 comentários:

  1. Teus desertos tem de tudo e por isso, lindos! beijos,chica

    ResponderExcluir
  2. Ana,

    desertos sempre nos remetem a delírios e neles tudo é possível. Lindo poema minha querida!Gr. Bj.!

    ResponderExcluir
  3. Que coisa linda Ana. Tantos sentimentos misturados, emoções. Somos fortes e somos frágeis. Está tudo aí em seus versos. Bjss

    ResponderExcluir
  4. Ana,talentosa poetisa!Que belo esse deserto que descreveu tão profundamente!Ficou linda sua poesia!Bjs e boa semana!

    ResponderExcluir
  5. Alegrias e tristezas caminham juntas nos desertos de nossas existências. Somos sós, somos únicos... e cada um com seus fantasmas, seu solo quente, seu céu mutante entre luz e sombras. Bjs.

    ResponderExcluir

Obrigada pela sua presença! Por favor, gostaria de ver seu comentário.

Contas

Eram contas de um colar pesado, Sem brilho, um tanto funesto Que alguém usava em volta do pescoço Como uma forma de p...