quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Marchem, Versos!











Marchem, versos! 




Marchem, versos, 


Submissos 


À vontade do poeta! 


Sejam versos ascetas, 


Restritos, 


Aceitam a forma 


Sem perder o sentido! 



Marchem versos, 


Encolham-se, estiquem-se, 


Aceitem, tranquilos 


Enxertos e amputações, 


Fórmulas e métodos... 


Sejam, à fórceps, 


Paridos! 



Mas não percam a alma, 


Não percam a calma 


Que descansa na verdade 


De um simples poema, 


Por mais que seja simples! 



Marchem, versos, 


E batam continência 


À incontinência 


Das nossas bexigas 


Que os acomodam 


Em pequenos penicos 


E em grandes vasos entupidos 


E vazios de sentidos... 



Marchem versos, 


Sobrevivam 


Ao sopro desabrido 


De quem os excreta 


Em exercícios purgativos 


E doridos! 



A tua missão 


É ver a beleza 


Na feiura da vida, 


E não a feiura 


Na beleza que 'inda resta! 



Marchem, versos soldados, 


Soldados a um sentido 


De quem os tira de um descanso 


Bem mais que merecido 


Para prendê-los, 


Impiedosamente, 


Às sandices de suas mentes! 



Marchem, versos, 


E façam-nos, 


Simplesmente, 


Poetas! 












2 comentários:

  1. Marcha que não exige cadência, apenas sensibilidade. E no seu caso, uma demonstração de talento. Bjs.

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