sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Olhos Secos







OLHOS SECOS

Um homem sentado ao alpendre
Com seu olhar de boi manso
Contempla um fio de nuvem
Que some no azul do céu.

Aos seus pés, a terra seca
Onde brincam os seus filhos
De pés descalços e secos,
De olhos baços e secos,
Cabelos de arame seco,
E risos secos de fome.

"Quando será?..." um pergunta,
Estendendo-lhe a cuia vazia.
E o homem, com olhos de boi,
Aperta o chapéu contra o peito
Diz só: "Quando Deus quiser..."

Aos poucos, morrem-lhe os filhos,
Um a um, ele os sepulta.
Mas os olhos de boi manso
Há muito não choram mais...

Quem sabe, se Deus quiser,
Eles voltam a nascer
Do chão seco do sertão
Quando Deus mandar chover?

2 comentários:

  1. Pedacinnho de gente esperando gota de vida, gota de água...

    Tocante e verdadeiramente real tuas linhas poéticas.
    Mais uma beleza de poema. Aliás quando vamos ver a coletânea poética de Ana Bailune?

    Você escreve MUITO, moça!
    bj

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  2. Seus escritos são de uma sensibilidade e de uma intensidade , que me encantam... abçs e parabéns sempre

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