quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Os Pássaros e o Bullying





Aqui em casa, as portas e janelas estão quase sempre escancaradas. Gosto do ar fresco circulando pela casa, e adoro a vista do jardim e das árvores e montanhas que há por aqui. Bem, mas de vez em quando, a natureza entra em casa sem ser convidada...

Há alguns dias, eu estava trabalhando quando ouvi um farfalhar de asas e o barulho de algo que se jogava contra o vidro da janela da sala de jantar. Corri para ver - já sabendo o que era, pois isto é muito comum aqui em casa - e deparei com um sabiá apavorado, tentando sair. Ele se agarrava na cortina, jogando-se contra o vidro da janela. Como sempre, aproximei-me devagar tentando pegar o pássaro, mas ele voou para longe, 'sujando' as paredes e tapetes da casa... deu um trabalho enorme para limpar tudo depois... bem, mas voltando à aventura aviária: finalmente, consegui pegar o sabiá - que passou a gritar e tentar bater as asas, como se eu fosse, não a sua salvadora, mas um gigante faminto e cruel que ia devorá-la a qualquer momento.

Para abrir a janela, tive que segurá-lo com apenas uma das mãos, mas com medo de feri-lo, acho que afrouxei demais a mão, e ele saiu voando pela fresta aberta da janela; até aí, tudo bem... se ele não tivesse deixado, em minha mão, todas as penas da sua cauda!

Lamentei demais o fato.

No dia seguinte, eu estava trabalhando em minha salinha de aula quando avistei um sabiá sem cauda pousado no muro, me olhando. Logo identifiquei minha pobre vítima. Ele me olhava insistentemente, e senti (ou foi impressão minha?) um certo ar de acusação em seus olhinhos de cabeça de prego.

No domingo passado, meu marido me chama para ver o pobre sabiá sem cauda sendo brutalmente surrado por dois outros sabiás. Toda vez que estes dois 'passam' por ele, caem de bicadas, talvez devido à sua aparência diferente  dos demais pássaros da espécie. 

Resultado: meu pobre amigo está hoje sem cauda, com um dos olhos semi-abertos (ferido) e algumas penas erguidas, como se estivessem espetadas no corpo. Vive das bananas e pedacinhos de pão que jogo para ele, e tem dificuldades em voar. Mas está vivo.

Pois é... às vezes, tentando ajudar, acabamos prejudicando. E é por isso que dizem que de boas intenções, o inferno está cheio.

2 comentários:

  1. Coitado do pássaro. Belo texto! Depois escrevo mais; ainda em recuperação. Inté!

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  2. Que história, Ana! Deu vontade de pedir a você pegar o sabiá e levá-lo a um veterinário. Mas, o não entendo nada dessas coisas, sei somente que a história mexeu comigo, pois a coisa que acho mais legal que deve existir é voar. Que situação. Também, uma lição. De boas intenções... Super Ana!!!

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