Hoje de manhã eu abri meu livro antigo de Inglês Sem Mestre, no qual no final dos anos 70 eu comecei a aprender inglês sozinha. Minha mãe comprou a coleção de um vendedor ambulante, daqueles que iam de casa em casa e que a gente convidava para tomar café enquanto escolhia as mercadorias. Depois, ele anotava tudo em um caderninho e voltava todo mês para cobrar as parcelas. A vida era assim - as pessoas eram confiáveis.
Já fazia muito tempo que eu não abria mais esses livros, mantendo-os em meu escritório apenas para decorar as prateleiras. Foi estranho deparar com as minhas anotações no livro. A letra pequena inclinada para a direita, espremida como se tentasse se esconder, os exemplos escritos com os advérbios e tempos verbais que eu jamais soubera se estavam certos ou não - eu não tinha um professor e a internet não existia.
Foi interessante repassar tudo com a Professora Ana de hoje, corrigir alguns erros que a Ana adolescente cometeu: Por exemplo: "gone" deveria ter sido usado naquela frase que estava no Present Perfect, e não "went." E aquele advérbio deveria ter sido colocado entre o verbo e o sujeito, não antes do sujeito.
Fiquei pensando no quanto seria bom se pudéssemos realmente voltar e corrigir alguns erros que cometemos no passado - e considero como erros aquilo que fizemos tentando acertar, e não aquilo que fizemos sabendo ser errado apenas para prejudicar ou magoar alguém. Estes últimos não são erros, mas atos voluntários e conscientes.
De repente, ao virar uma página, deparo com uma fotografia onde meus pais (jovens, provavelmente apenas um casal de namorados) me sorriam. Aquilo foi forte. No momento da foto, eles não tinham ideia de que se casariam e teriam cinco filhos. Não sabiam das dificuldades que atravessariam a vida toda. Minha mãe não sabia que perderia a beleza, os dentes e a juventude cuidando de nós. Meu pai não sabia que morreria de um enfarto fulminante aos 62 anos (apenas dois a mais do que eu tenho hoje). Quantas coisas não sabemos a respeito de nós mesmos!
Achei também, algumas páginas adiante, uma fotografia comemorando o primeiro aniversário de uma pessoa de quem gosto muito e de quem eu viria a ser madrinha de casamento e madrinha também do seu primeiro filho, lá na Itália. E eu não tinha a menor ideia disso, quando fui visitá-la recém-nascida no hospital.
E no livro havia a pequena história escrita em Inglês e traduzida para o Português que me trouxe a resposta a uma indagação que vinha me corroendo há alguns dias. Eis a história
MÊNCIO E CONFÚCIO
Uma vez, Mêncio, um discípulo de Confúcio, perguntou-lhe: “Mestre, devo pagar o mal com o bem?”
E confúcio:
-Se você pagar o mal com o bem, com quê você pagará o bem? Pague o bem com o bem e o mal com a justiça.
Às vezes um livro antigo aberto nas páginas certas pode mudar muitas coisas.


Bom dia:- O último paragrafo diz tudo.
ResponderExcluir.
Saudações poéticas
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“” Feliz momento ““
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Quantas surpresas se desfolhamos livros já antigos. Um texto muito interessante, minha Amiga.
ResponderExcluirTudo de bom.
Um beijo.