segunda-feira, 16 de abril de 2012

LETAL









E ela era a bailarina


De longos braços delgados


Tão leves,


Como pescoços de cisnes...


Não tinha culpa, se eles sufocavam.






E ela era a borboleta


De asas finas, cobertas


De um pó leve e perolado,


Asas coloridas e rarefeitas...


Não tinha culpa, se elas cegavam.






E ela era a flor azul, tão rara,


Tão delicada,


De perfume inebriante


E tão caro...


Não tinha culpa se o seu aroma


Envenenava.






Pois ela era a bailarina,


A borboleta,


A flor-menina


Que só vivia,


Que só dançava,


Não tinha culpa se morria,


Não tinha culpa se matava!




5 comentários:

  1. Aqui cabe o "EU SOU QUE SOU".´ gostei e muito, beijo de zélia

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  2. Lindo e muito profundo seu poema Ana. Nem sempre as pessoas são aceitas como são. Mas o importante acho eu, é que ela própria se aceite. No mais... Bjsss

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  3. Comecei por aqui que não havia lido. Ana como a gente pode correlacionar a natureza com o humano né...Apesar de linda, leve, perfumada, colorida, matava. Um disse disse a uma pessoa que ela matou uma parte de mim, e assim é, nem sempre o belo é inofensivo. Belíssimo e profundo Ana.

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