quarta-feira, 25 de abril de 2012

A FESTA



Era uma festa, um baile,
Com muitos risos e brilhos
E uma orquestra que tocava
Da vida, cada estribilho.

Havia gente espalhada
Pelos salões e sobrados,
Alguns, de caras lavadas,
Outros, bem mascarados!

A valsa tocou, solene,
Convidando para a dança...
Alguns vestidos de gala,
Já outros, qual pajelança...

(Ouviam-se gargalhadas
De mulheres que dançavam
Disfarçadas como fadas
E de outras, mais astutas,
Vestidas de prostitutas).

Havia reis e rainhas
Princesas, e muitos sapos
Desejando ser beijados
À luz das velas acesas.

Sobre as mesas, partituras
De minuetos calados
Que nunca serão tocados,
Pois o que foi censurado
Desapareceu das linhas.

Havia céu e inferno,
Jardins de múltiplas flores,
Uma chuva que caía
Lavando o sangue das rinhas.

E no meio do salão
Mil casais rodopiavam!
Viviam a doce ilusão
De amar  e serem amados...

Era servido à vontade
Um licor vermelho sangue
Que apagava a saudade
Deixando a memória estanque,

Mil vidas se derramavam
Mil mortes eram choradas...
E bem no meio de tudo,
Ouviam-se as gargalhadas!

Esperanças que caíam
ao chão, eram pisoteadas
Por mascarados que riam
E não eram mais que nada!

Ao final daquela festa
Vislumbrou-se tosca cena:
Ao retirarem-se as máscaras
De todos os convidados

Foi visto que mais da metade
De todos os mascarados
Nem sequer tinham os rostos
Diferentes uns dos outros!

E dos cem mil convidados
Reais, bem poucos restavam
E andavam tão perdidos
No salão esvaziado.

3 comentários:

  1. além das aparências muitas vezes resta o vazio! a máscara mostra a vestimenta e não quem somos! beijos

    ResponderExcluir

Obrigada pela sua presença! Por favor, gostaria de ver seu comentário.

Contas

Eram contas de um colar pesado, Sem brilho, um tanto funesto Que alguém usava em volta do pescoço Como uma forma de p...