terça-feira, 17 de abril de 2012

DE REPENTE...






De repente, ela tinha o mundo,
Que se ajoelhava, de graça,
E com toda a graça do mundo
Aos seus dançarinos pés...

De repente, a vida sorria,
Vinha a noite, abraçava o dia,
Que jamais escurecia,
Prateado pela lua!

De repente, ela tinha as praças,
Os prédios, as lojas, as ruas,
E as formas da natureza,
Sorriam-lhe pelo espelho!

De repente, ela ria à toa,
Sentia a vida nos artelhos...
Ah, a vida era tão linda,
Tão fácil a vida, tão boa!

De repente, uma nuvem veio,
Tão pequena e cinzentinha,
Que ela nem sequer temeu,
Nem pensava em ser sozinha!...

De repente, o nada absoluto,
Ao redor, um caos absurdo,
Pois levaram-lhe seu mundo,
Ah, desespero profundo!...

E a nuvem, então, cresceu,
Estendeu-se sobre ela
E fez sombra sobre tudo,
E o seu dia escureceu...

E a lua ficou fosca,
Tão rachada e ressequida
A lua, de morte, ferida,
Sangrou sobre os sonhos seus...

De repente, ela era nada,
Pois que nada lhe restara,
A não ser, muitas lembranças
E uma esperança rara... 








2 comentários:

  1. é, mas nada como um dia após o outro... os ciclos são necessários ao apredizado... bjuuu

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  2. Difícil ser e ter e depois tudo perder. A vida é um infindável aprendizado Ana, e tudo faz parte do contexto que se vive. Perder a esperança, é como viver, insepulta. Chega a doer o estômago.

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