segunda-feira, 30 de abril de 2012

Dedos




Retos, em riste,
Tracejando pontos
Torneando,
Contornando,
Pedem silêncio
Apontando.

Espalham o brilho
No lábio seco,
E tecem o pano,
Habilidosos.

Com a ponta,
Testam a água,
Apertam botões,
Cutucam mentes.

Fazem um sinal
Obsceno,
Depois, erguem dois
Em paz e amor.

Molham na língua,
Virando a página,
Marcam o caminho
Da linha, à unha.

Erguem-se em dúvida,
Descascam  a uva,
Fazem o sinal
Da cruz, furtivos.

Tamborilam
Sobre a mesa,
Marcando o tédio
Cobrindo a boca
Que boceja.

Dão petelecos
No que desprezam,
Esmagam sonhos
Com o polegar.

Dedos temidos,
Mas distraídos:
um belo dia
São esquecidos
Por sobre o cepo
Aonde desce
A guilhotina.





3 comentários:

  1. Ana: Realmente os dedos dão assunto até umas horas (como dizem). Penso que, com os dedos se pode fazer o nbem ou fazer o mal. Pensop que com os dedos você digitou o texto. Abraços.

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  2. Ainda bem que teus dedos escrevem para nos ensinar. Podemos fazer tantas coisas com eles, como plantar flores, acarinhar o amor, fazer dengo nos animais que amamos, e podemos também apertar o gatilho que mata, esmagar sonhos dos outros, apontar só os defeitos, colocar veneno, digitar para difamar, distorcer a ordem dás coisas. Seu texto daria uma tese, muitas teses. Aplausos sinceros com a alma.

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  3. não há cepos a vencer dedos... mesmo em cotoco estará sempre a lembrar fatos...bjuu

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Não Tenho Mais Nada Contigo

Estou escrevendo estas linhas  Só para deixar bem claro: Não tenho mais nada contigo. Teu rosto não faz mais figura...