domingo, 24 de março de 2013

memória






Às vezes, é bom 


Que a memória seja curta, 

Noutras, que ela se estique, 

Se lance no espaço 

E procure novamente 

Os braços do passado... 


Às vezes, é bom 

Que a vida tenha traços 

Marcantes e marcados, 

Das memórias boas, 

Vividas e partilhadas 

Pelos que se amaram. 


Às vezes, é melhor 

Que a memória esqueça, 

Para que a vida não apodreça, 

Para que o tudo não se perca 

Ante a ingratidão, 

A arrogância e o desprezo 

De quem nunca soube amar. 


A infelicidade e a insatisfação 

Hão de sempre deixar marcas, 

Qual profundos arranhões 

Naquilo que poderia 

Ter sido o mais bonito, 

O mais importante motivo 

Para recordar vida afora. 


Tudo tem sua hora, 

E quem sabe, um belo dia 

O orgulho e a arrogância 

Sejam amansados 

Pela constância e a humildade 

Da auto-observação? 


Quem sabe, assim, a alegria 

Substitua, de vez, 

A tristeza e a hipocrisia 

Daquele sonho abortado 

De quem jamais aprendeu 

A receber da vida, o dom 

De aprender a perdoar, 

De amar e ser amado?... 










3 comentários:

  1. Ana, seus poemas são mesmo muito bons, amei ler alguns, concordo com todos os versos, esse então, "...Às vezes, é melhor Que a memória esqueça,Para que a vida não apodreça,..." bem assim, não podemos ficar a remoer para não deixar tudo enegrecer e tocar a vida pra frente, mas sempre exercitando a memória no que é bom!!!
    Abraços!

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  2. Excelente poema. Você já deve ter notado em meus poemas que tenho uma verdadeira obsessão pelo "tempo", e tudo que está associado a ele. Como por exemplo a própria "memória". Amiga você escreve muito bem, quando dedica-se a arte poética, confecciona verdadeiras pérolas. É muito bom te ler, obrigado e parabéns!

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  3. Seria bom escolhermos quando a memória é curta e quando ela se estica...

    bjos

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