quinta-feira, 28 de junho de 2012

Mar do Esquecimento








Nem sequer te lembras 


Das tantas ondas 


Que nos encobriram... 


Ah, o sal de tantas lágrimas 


Secou, caído nas pedras 


Da tua insensatez 


E o vento o levou... 



Uma faixa cor-de-rosa 


Sobre tudo, 


Sobre os motivos escusos 


Sobre o desespero velado 


Que esconde 


Teu medo da solidão, 


Tão grande e tão absurdo, 


Que faz com que te tornes, 


Cada vez mais, 


Só! 



O tempo chega, e vai entrando, 


Não faz reverências, 


Não manda recados 


Nem pede permissão... 


É este o teu medo, 


E por ele, tu matas 


E nada te resgata 


Da solidão! 


Coleiras vazias 


Presas nas correntes 


Em tuas mãos... 


Eram cães revoltados 


Que não aguentaram 


A tua proteção, 


A tua pretensão! 


E ao luar, tu uivas 


Pelos que jamais voltarão! 



Teu desespero é tanto, 


E tão grande o teu medo, 


Que sais por aí, às cegas, 


Tropeçando nos jarros 


Que guardam a água 


Que beberias no futuro, 


Entornas tuas esperanças 


Espatifando-as contra o muro! 


E em breve, teu maior medo, 


Tua escuridão, 


Em teu frio e isolado rochedo... 


Não há voltas, quando alguém mergulha 


De livre vontade 


No Mar do Esquecimento! 




9 comentários:

  1. é verdade, o isolamento acaba sendo fatal para a mente , consequentemente o corpo começa sofrer muitas doenças....estou passando uma fase assim , preciso sair disso urgente. tenha uma noite tranquila Ana. bjj

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  2. "Que sais por aí, às cegas,
    Tropeçando nos jarros
    Que guardam a água
    Que beberias no futuro....", esse é o problema, esquecidos serão todos. o tempo se encarrega de tanto...Celso

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  3. Poema obscuro
    escuro
    que fala de um tempo
    esquecido
    parece lembrar da Atlântida
    ou da submersa Lemúria
    falta de refletir
    diante das ondas revoltas
    ou do existir.

    Luiz Alfredo - poeta

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  4. Todo teu poema é magnífico, porém, a terceira estrofe merece uma moldura apenas para ela. Parabéns! um abraço, bom fim de semana.

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  5. Lirismo puro e com definição. Difícil combinar as duas coisas e você foi perfeita!

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  6. Teu poema cria e contrasta as imagens com uma força singular.

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  7. Duvido de esquecimentos: o vento reacende brasas aparentemente extintas...

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  8. De tanto querer esquecer é que as vezes nos esquecemos em mares que se quebram em rochedos

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Não Tenho Mais Nada Contigo

Estou escrevendo estas linhas  Só para deixar bem claro: Não tenho mais nada contigo. Teu rosto não faz mais figura...