domingo, 3 de junho de 2012

EXTIRPAR



'Extirpar' é um verbo forte!
Se eu precisar usá-lo,
Que eu extirpe o preconceito,
Mas jamais o meu direito
De lembrar do que foi belo!

As lembranças são relíquias
Da beleza que vivemos,
Das pessoas que se foram
Mas deixaram suas marcas...

As lembranças, fragmentos
De lindos dias de sol,
Da suavidade da chuva,
De um riso qu'inda ecoa...

Se for preciso 'extirpar,'
Que eu extirpe a arrogância
De achar-me sempre certa,
De querer ter dominância!

Que eu extirpe a tal vontade
De estar sempre em evidência,
Perpetrando minha inveja
Aos limites da decência!

Que eu extirpe a ilusão
De estar entre os eleitos,
Que eu extirpe a perfeição,
Essa dama vagabunda,
Que só traz comparação
Da inveja, oriunda!

Quero manter as lembranças
Do que foi bom e bonito,
Que eleva e que me enleva
Às alturas do espírito,

Só quero ter o direito
De errar e corrigir
Os meus erros, sem o dedo
Dos que acham-se perfeitos!




3 comentários:

  1. Realmente, é bem mais fácil criticar do que compreender os erros dos outros.

    Obrigado pelas visitas e comentários, apareça sempre. Seu discernimento é excepcional. Parabéns!

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  2. Quem em cada movimento da vida saibamos extirpar tudo que nos desagrega.
    Lindo poema com reflexão.
    Um abração amiga.

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  3. Quanta lucidez em seus versos Ana, bonito vermos nossa humanidade e vermos que podemos ser o melhor não para os outros, mas o que conseguimos ser.
    Beijos
    Valéria

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