segunda-feira, 8 de abril de 2013

As Aulas






Sábados de manhã. Eu dava aulas de inglês para meus dois sobrinhos, a Dany e o Ricardo. Saudades daquele tempo... ano? Entre 2006 e 2008, se não me engano. O Ricardo às vezes chegava um pouco atrasado, e cheio de histórias para contar. A Dany, sempre pontual e disciplinada. 

Eu perdia a conta das vezes em que ele - o Ricardo - me interrompia. Era mais ou menos assim: eu começava:

-Well, gente, hoje nós vamos falar sobre as formas de futuro, 'will' e 'be going to.' Pay attention: we use will to talk about general predictions, and... (eu notava os olhos do Ricardo, divagando...).

-Tia, só um instantinho: você viu o filme de ontem, blá, blá, blá...

E lá se ia boa parte da aula de inglês... às vezes, ele me pedia para ajudá-lo com a letra de alguma música; outras vezes, as perguntas eram diferentes; ele queria fazer vestibular, e me pedia dicas de como escrever melhor; eu passava algumas redações para ele fazer em casa, e depois, corrigia e dava algumas dicas. Para a correção, ele vinha sozinho, durante a semana.

Depois das aulas de inglês, eu ia encontrar meu marido no trabalho para almoçarmos, e os dois iam cada um para sua casa. Mas descíamos a rua juntos, a pé, até o ponto do ônibus no Retiro. O lugar é bonito, e as conversas, eram animadas. Sinto saudades de nós três, às vezes sentados juntos naquele último banco, o maior do ônibus, conversando sobre as coisas da vida. Sinto saudades dos tempos em que sonhar era fácil, pois nenhum de nós tinha sequer ideia sobre o que o futuro nos traria dentro em breve.

Momentos únicos, que ficarão para sempre.


BARRINHAS

4 comentários:

  1. Linda Ana, é mesmo maravilhoso poder recordar os bons momentos, principalmente se depois deles aconteceram coisas não tão boas assim, pois é, percebi uma grande nostalgia nesse texto,mesmo que tenha sido uma grande perda temos de pensar que a vida não nos dá algo para depois nos tomar, sempre há algo que nada e nem ninguém pode nos tirar, as boas lembranças vividas com coisas ou pessoas muito queridas em nossas vidas!
    Sei disso, minha mãe se foi faz 23 anos, ainda sinto a mesma sensação de alegria ao me lembrar dela, me deixou grandes ensinamentos, o melhor deles foi como viver sem a presença física dela, pois a espiritual está sempre presente, sempre!
    Grande abraço amiga querida!

    ResponderExcluir
  2. O futuro sempre nos trará alguma saudade.
    Beijos.

    ResponderExcluir

Obrigada pela sua presença! Por favor, gostaria de ver seu comentário.

Mandrágora

Teu Nome – raiz de mandrágora Perpassando o meu caminho, Me fazendo tropeçar... Um dragão adormecido Em isolada cave...