quarta-feira, 10 de abril de 2013

Doce de Abóbora











Sábados à tarde. Fazia frio, e estávamos todos sentados no sofá da sala, sob os cobertores, assistindo ao seriado Os Waltons (nossa, já faz tempo...). De repente, aquela vontade de comer alguma coisa diferente. O pai ainda demoraria a chegar, trazendo o lanche da noite de sábado, então a mãe abria a geladeira - quase vazia- e olhava o que tinha: um pedaço de abóbora bem vermelha. 


No armário, açúcar e cravos. Era picar a abóbora e cozinhar até desmanchar. Acrescentava-se o açúcar e os cravinhos, e o cheiro penetrava em cada fresta da casa... tarde deliciosa, comendo o doce de abóbora em frente a TV.


Hoje em dia, acrescento ainda leite de coco e coco ralado, o que dá um gostinho todo especial. Deixo a abóbora secar bem na panela após acrescentar o açúcar, mexendo sempre. Demora... dependendo da qualidade da abóbora - se tem mais ou menos água - poderá levar mais de uma hora.


E enquanto mexo, o movimento circular da colher de pau me transporta, quase em transe, para aquelas antigas tardes de sábado. Além do barulhinho do doce no fogo, escuto os passarinhos cantando lá fora, e o relógio da cozinha tiquetaqueando.


Novamente, o cheiro do doce acha espaço pela casa, enquanto o frio me olha pela vidraça, com a boca cheia d'água.
























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10 comentários:

  1. Boa noite, Ana. Legal voltar ao tempo tão distante e relembrar como era saudosa a infância.
    O doce de abóbora é uma delícia, com côco e bastante cravo nem se fala.
    Não se precisa de muito para ser feliz.
    Beijos na alma e fique com Deus.

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  2. Ahh que coisa mais linda esse teu piscar de olhos ao passado, trazendo até nós sabores, odores e histórias de vida.

    Tens um modo todo especial de contar tuas memórias, Ana! Você comove ao mesmo tempo que anima quem lê. Porque teu narrar é cinema 3D - as imagens saltam e a gente fica querendo participar, mesmo que por pouco tempo.

    É o que digo: "a memória tem uma inesgotável caixa de lápis de cor" e você a usa lindamente.

    *eu também amava assistir ao seriado e era apaixonada por Jonh Boy kkkkk
    *Ana, passa no Escritos na Memória, tem história nova por lá. Adoraria saber sua opinião, obrigada!

    bacios caríssima, amoooo doce de abóbora e fiquei com vontade tá? kkkkk

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  3. Ana, fiquei com água na boca! Como é bom lembrar as coisas da infância e adolescência. O passado vem dourado pela saudade.

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  4. Olá minha querida Ana! Estou participando de uma Tang a convite do Thiago do blog Ô TROCYN BÃO, achei muito legal, como te acho uma pessoa muito culta e que demosntra gostar de ler e escrever, estou te convidando a participar também. Não é obrigado, fique a vontade. Passe lá no meu blog, veja as minha respostas, deixe seu comentário, ficarei grata. Bjus uma linda noite.

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  5. OLÁ MINHA QUERIDA !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
    IMPRESSIONANTE A CAPACIDADE DAS BOAS LEMBRANÇAS ,GRAFAR FATOS VIVIDOS É TUDO QUE EMOCIONA QUEM LER ...
    BJSSSSSSSSSSSSSSS

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  6. Que belo texto, Ana! Não por acaso é um dos seus mais visitados! Memória bonito e escrita fluente sempre dão bom resultado!
    Minha mãe costuma dizer que é preciso o doce adquirir uma aparência brilhante na panela antes de ser retirado. Demora mesmo!
    Abraço!

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  7. Lindo e delicioso texto, adoro doce de abóbora, mas não coloco coco, faço só com açúcar e cravos, mesmo assim, bem simples, é uma delícia!
    Ah, fiquei aqui imaginando fazer o doce e ao mesmo tempo ouvir o canto dos passarinhos lá fora, isso sim é que é paz!
    Amei!
    Abraços apertados!

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  8. Que magnífica crônica, trazendo inclusive receita. Sabe que nunca comi doce de abóbora. Mas lendo sua crônica deu vontade. Qualquer dia desses vou experimentar. rsrsrsr. Bjs

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