segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Sigo Por Dentro





Caminho por dentro de mim,
E nas vielas, te procuro,
Não há mais luz,
Sigo cega, no escuro
E é quando eu te sinto,
Mais do que nunca,
No arrepio dos fios
Da minha nuca.

Caminho por dentro de mim, 
E nas alamedas
Escuto tudo o que me segredas,
Agora, que estou surda e cega,
Agora, em que não mais me movo, presa
Pelos  tentáculos de um obscuro polvo
Que permanecem enrodilhados, para sempre
Na minha alma;
Por isso, eu morro.

Caminho por dentro de mim,
E não mais me encontro,
É como se alguém contasse um conto
Cujos personagens se foram...
Um livro vazio de vida,
Onde as ilustrações são manchas,
Neste enorme aglomerado
De páginas carcomidas.

Caminho por dentro de mim,
Num frio planeta
Onde não há mais vida,
Pois um meteoro gigante levou tudo,
Um impacto atômico, repentino,
E os pássaros fugiram, em desatino,
Indo pousar nalguma árvore distante...

Passou a vida, passou o instante,
Sigo por dentro de mim,
Caminhante,
Errada,
Errante.

2 comentários:

  1. Uau!... Me deixou sem palavras.... Só posso dizer que ficou muito lindo, profundo, sincero, não vou conseguir contra argumentar, isto estás fora de minhas capacidades no momento... Adorei! Abraços

    R. B. Mattozzo ~> Blog Diretrizes da Vida

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  2. Um poema de rara beleza e profundo sentimento!
    Não dá mais pra dizer nada!

    bj Ana!

    ResponderExcluir

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