quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

A Lenda da Cotovia



Cantava
A cotovia,
Do alto do galho
De onde não via.
Falava
Da liberdade,
E nem enxergava
As barras
Da gaiola
Que a cercava.

Sorria,
A cotovia,
Do começo
Ao fim do dia,
Pulava
De galho em galho,
Voava baixo,
Mentia.

A pobre
Cotovia
Que não enxergava
Nem sentia,
Cantava
Uma canção
Que lhe ensinaram...
Repetia!

Só por ser ave,
Só por ter asas,
Achava-se livre,
Mas se esquecia
De que o voar
É arte aprendida
Que nem toda ave
Sabia...

Pulava entre os galhos,
Catava os insetos
Que a alimentavam,
Batia as asas...
Achava que assim
(Pobre cotovia!)
É que se voava
Mas não via

O mergulho solto
Dos bem-te-vis,
O canto elevado
Dos sabiás,
O salto no alto
Das andorinhas,
O voo zumbido
Dos colibris,
O mergulho no abismo
Dos gaviões
O pouso sereno
Dos urubus...

Achava-se deusa,
Achava que todos
Fossem cotovias
E que só pulassem
Pelos mesmos galhos
Onde ela vivia...


*



cotovia


5 comentários:

  1. Que belo sentir, amiga Ana! Lindo! Forte! Intenso!
    Belo!
    bjs,

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  2. Que lindo esse canto da cotovia
    que agora ouvi...
    delicioso ler essa poesia
    Su

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  3. Quando não se vê as grades e se sente feliz, creio que o voo dos demais não traz melancolia. Lindo! Bjs.

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  4. Ah cotovia, feliz tu
    que assovia no canto feliz
    arauto do dia -
    na boca e no beijo
    de uma poeta assim...
    tão macia!

    Lindo demais, Ana!
    Não resisiti ao teu canto e nasceu este verso breve.

    Vc está se tornando mais uma de minhas poetas preferidas, entre outras na NOVALITERATURA, como a Tere Tavares, lembra dela? Pois... tu e ela, mi_ninas, mulheres admiráveis.

    bj querida!

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